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Jorge Furtado: O Globo desce mais um degrau rumo ao fundo do poço da credibilidade jornalística

Do blog de Jorge Furtado

Nestes sete anos e meio de governo Lula eu já tinha visto todo tipo de manipulação da imprensa a favor dos tucanos e contra o governo petista, mas o jornal O Globo de hoje desce mais um degrau rumo ao fundo do poço da credibilidade jornalística: numa matéria sobre declarações de Aloizio Mercadante o jornal simplesmente usou a resposta a uma pergunta, feita por um jornalista sobre um determinado assunto, como resposta a outra pergunta, de outro jornalista, sobre outro assunto! Parece absurdo demais, mas é a verdade.

Acho que conheço bastante bem o episódio dos “aloprados”, um dos mais vergonhosos momentos da história da imprensa brasileira, uma tentativa de golpe nas vésperas do primeiro turno da eleição presidencial de 2006, orquestrada pelos principais veículos da mídia, alguns integrantes da Polícia Federal e do Ministério Público e pelos partidos de oposição, e estranhei muito o tal “mea culpa” de Aloizio Mercadante publicado na edição de hoje de O Globo.

Segundo o jornal, Mercadante teria admitido “um grave erro”. (A íntegra do texto de Jorge Furtado)

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Guerra do Afeganistão: um enigma e quatro hipóteses

O artigo é de José Luís Fiori:

A Guerra do Afeganistão se transformou numa incógnita para os analistas políticos e militares. Hoje está claro que os Talibãs não participaram dos atentados de 11 de setembro, nos EUA, e eles estão cada vez mais distantes da Al-Qaeda e das redes terroristas cuja liderança e sustentação estão sobretudo, na Somália, no Yemen, e no Paquistão.

A superioridade numérica e tecnológica das forças americanas, e da OTAN, com relação aos guerrilheiros talibãs do Afeganistão, é abismal. No entanto, a situação estratégica dos EUA e dos seus aliados, depois de nove anos de guerra, vem piorando a cada dia que passa. Em apenas um mês, o presidente Obama foi obrigado a demitir, por insubordinação, o famoso Gal. Stanley McChystal, que ele havia nomeado, e que era o símbolo da “nova” estratégia de guerra do seu governo. E agora enfrenta um dos mais graves casos de vazamento de informação da história militar americana, com detalhes sanguinários das tropas americanas, e acusações de que o Paquistão – seu principal aliado – é quem prepara e sustenta os guerrilheiros talibãs.

Depois do envio de mais 30 mil soldados americanos, em 2010, a situação militar dos aliados não melhorou; os ataques talibãs são cada vez mais numerosos e ousados; e o numero de mortos é cada vez maior. Por outro lado, o apoio da opinião publica americana e mundial é cada vez menor, e alguns dos principais aliados dos EUA, como a Holanda e o Canadá, já anunciaram a retirada de suas tropas, e a própria Grã Bretanha, vem sinalizando na mesma direção. Faz algum tempo, o general americano, Dan McNeil, antigo comandante aliado, declarou à revista alemã Der Spiegel, que seriam necessários 400 mil soldados para ganhar a guerra, e talvez por isto, quase ninguém mais acredite na possibilidade de uma vitória definitiva. (A íntegra do artigo)

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BP, uma bomba relógio no sistema financeiro

Segundo Michael R. Kratke, Professor de Economia Política e Diretor do Instituto de Estudos Superiores da Universidade de Lancaster no Reino Unido, a BP é uma bomba de relógio no sistema financeiro mundial. A empresa refinancia-se com derivados creditícios e fundos de pensões que agora, e para infelicidade dos seus clientes, têm grandes perdas. Dois elementos tão centrais como obsoletos do atual capitalismo – uma economia baseada na energia fóssil e na especulação financeira à escala planetária – levam-nos diretamente à próxima catástrofe.

O que começou como uma crise financeira em setembro de 2008, com a irrevogável falência do banco Lehman-Brothers, pode agora entrar na próxima ronda com a previsível queda da BP. A transnacional britânica é uma bomba relógio financeira, não só para a Grã-Bretanha mas para todo o Reino Unido. Os custos do desastre petrolífero no Golfo do México estimam-se em 70 bilhões de dólares.

Para os britânicos, a BP é como instituição nacional, a maior sociedade anônima do país, a blue chip mais brilhante do mercado de valores londrino. Muitas pessoas julgam que a BP é uma empresa petrolífera. E é verdade. A BP fornece petróleo, tem oleodutos e refinarias um pouco espalhados por todo o mundo. Mas a BP é, simultaneamente, um banco com um raio de ação internacional que, tal como a Enron ou a General Motors, actua nos mercados financeiros internacionais.

Como, oficialmente, não é uma entidade financeira, a British Petroleum esta a meio caminho de ser um negócio OTC ou fora do mercado organizado de valores, isto é, que atua fora das bolsas, num negócio sem regulação nem controle. O refinanciamento é através da titularização de derivados creditícios de alto risco, CSOs [obrigações colaterais sintéticas, na sua sigla inglesa], a que não corresponde qualquer valor patrimonial, mas apenas derivados creditícios. São um próspero comércio esses derivados financeiros. A BP é detentora ou tem participações em pelo menos 18% dos papéis deste tipo que circulam por todo o mundo. Recordamos que a crise financeira mundial foi desencadeada pela queda em cadeia de derivados titularizados: as CDOs [obrigações de dívida colateral, na sua sigla inglesa] e os CDS [derivados creditícios de dívida, na sua sigla inglesa]. Agora, os riscos nas CSOs são muito maiores e o alavancamento creditício de maior envergadura e as regulações são desconhecidas.

Por outras palavras: Quando a BP quebrar, a sua falência terá consequências globais. Como supostamente sucedeu no caso Lehman-Brothers, ninguém sabe até que ponto a BP está endividada, nem quem nem em que jogos de azar estão envolvidos os créditos da BP. Mas, como a transnacional é considerada a pérola da coroa da indústria financeira britânica, com fundamento se pode suspeitar que estão aqui metidos todos os que gozam de reputação e hierarquia no mundo financeiro internacional. Não há dúvidas: a próxima bolha está prestes a rebentar. É só uma questão de tempo. Mais provável dentro de semanas que de meses. (A íntegra do artigo de Michael Kratke)

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PT repudia acusação de assédio sobre base do PDT


O deputado estadual e presidente do PT gaúcho, Raul Pont, divulgou nota rebatendo as críticas de que o Partido dos Trabalhadores estaria assediando a base do PDT no processo eleitoral do Rio Grande do Sul. “Não fazemos assédio e repudiamos essa adjetivação”, disse Pont, que lembrou que os pedetistas que têm aberto o voto para Tarso Genro para o governo do Estado são dirigentes históricos e experimentados, com formação política e que, portanto, não estão sujeitos à cooptação.

O que a direção do PDT gaúcho deve se preocupar em responder, acrescentou Pont, é com as cobranças feitas por esses dirigentes que afirmam que o apoio à candidatura do PMDB ao Piratini estava condicionado ao apoio do partido e do candidato José Fogaça (PMDB) a Dilma Rousseff no plano nacional. “Esses dirigentes, vereadores e quadros políticos têm nos procurado de forma espontânea pois entendem que o PMDB gaúcho se afasta cada vez mais da candidatura Dilma”, afirma o dirigente petista.

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Estudo da Unesco condena concentração da mídia

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) lancou o estudo “Indicadores de desenvolvimento da mídia: marco para a avaliação do desenvolvimento dos meios de comunicação”. Segundo o documento da Unesco, o Estado deve impedir a concentração indevida no setor de mídia e assegurar a pluralidade. “Os governos podem adotar regras para limitar a influência que um único grupo pode ter em um ou mais setores”, diz o estudo. A organização afirma que os responsáveis pelas leis antimonopólio precisam atuar livres de pressões políticas. “As autoridades devem ter, por exemplo, o poder de desfazer operações de mídia em que a pluralidade está ameaçada”, destaca.

O estudo recomenda ainda a divisão equitativa das frequências de rádio e televisão entre as emissoras públicas, privadas e comunitárias, e entre as estações nacionais, regionais e locais. Para a Unesco, a distribuição de concessões deve ser transparente e aberta ao público. “O processo deve ser supervisionado por órgão isento de interferência política ou interesses particulares”, afirma.

A publicação ressalta ainda a importância de se preservar a independência editorial e o sigilo das fontes jornalísticas. Além disso, conforme o texto, é preciso averiguar se a população e as organizações da sociedade civil participam da formulação de políticas públicas relativas à mídia.

A Unesco recomenda que o Estado não imponha restrições legais injustificadas à mídia e que as leis sobre crimes contra com a honra (como a difamação) imponham restrições o mais específicas possível para proteger a reputação dos indivíduos. Segundo o documento, a mídia não pode estar sujeita à censura prévia – ou seja, qualquer violação às regras para o conteúdo da mídia deve ser punida apenas após sua publicação ou divulgação.

Além disso, o Estado não deve tentar bloquear ou filtrar conteúdo da internet considerado sensível ou prejudicial. “Os provedores, sites, blogs e empresas de mídia na internet não têm a obrigação de registrar-se em um órgão público ou obter uma permissão dele”, informa.

Com relação ao sistema de rádio e televisão, a Unesco recomenda que haja às emissoras garantias legais de independência editorial contra interesses partidários e comerciais. O órgão regulador do setor também deve ser composto por integrantes escolhidos em processo transparente e democrático, e deve prestar contas à população.

Na terceira categoria de indicadores prevista no documento, a Unesco questiona se o conteúdo da mídia – seja ela pública, privada ou comunitária – reflete a diversidade de opiniões na sociedade, inclusive de grupos marginalizados. A UNESCO também considera essencial para o fortalecimento da democracia o desenvolvimento da mídia comunitária; a capacitação dos profissionais da área; e o avanço da infraestrutura de comunicação, para recepção da radiodifusão, acesso a telefones e à internet. As informações são da Agência Câmara.

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Nesta quinta, tem Lula, Dilma e Tarso no Gigantinho

O presidente Lula será o principal destaque do comício da Unidade Popular pelo Rio Grande, que será realizado nesta quinta-feira (29) a partir das 18 horas, no Gigantinho, em Porto Alegre. Lula estará ao lado de Dilma Rousseff, candidata à presidência da República, Tarso Genro, candidato ao governo do Estado, Beto Grill (vice na chapa de Tarso), Paulo Paim, que concorre à reeleição para o Senado e da também candidata ao Senado, Abgail Pereira.

No vídeo acima, um trecho da entrevista exclusiva que Lula concedeu ao Jornal da Record. Ele se emocionou e chorou ao avaliar oito anos de governo. “Tenho ficado mais emocionado porque as coisas estão acontecendo. É como se você tivesse ficado o tempo todo com gente olhando a sua roça e falando “não vai dar nada, não vai plantar’. E, de repente, a planta brota, cresce e eu estou colhendo”, disse o presidente ao ser questionado sobre seu governo.

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O Rio Grande do Sul e os empréstimos internacionais

Por João Pedro Casarotto (*)

A imprensa noticia que o principal motivo do déficit do Tesouro Estadual no mês foi o vencimento de uma parcela semestral de duas dívidas externas, referentes ao pagamento de empréstimos internacionais feitos em governos passados para a construção de estradas.

Esta notícia levou-me a recuperar o resumo do contrato nº 4139-BR, de 10 de junho de 1997, celebrado pelo Estado do Rio Grande do Sul com o BIRD no valor de 125 milhões de dólares onde a previsão da cotação do dólar era US$1,00/R$1,04.

O valor do empréstimo seria liberado em saques parciais diretos autorizados pelo RS; teria um prazo total de 15 anos; os juros seriam pagos em 12 anos (24 parcelas semestrais); e a amortização seria feita em nove anos (18 parcelas semestrais).

O objeto do contrato era a reforma do estado, o ajuste fiscal, a privatização e a concessão de serviços públicos (telefonia, luz, água, saneamento, portos e estradas) e assistência técnica.

Os valores teriam a seguinte destinação: bens, obras, consultores e treinamento (US$ 42,0 mi); severance payments (US$ 62,5 mi); subsídios (US$ 12,5 mi) e incremental recurrent costs (US$ 8,0 mi).

Os custos autorizados e previsíveis eram: juros e spread flutuantes, conforme a data dos saques; swap (hedge) sobre comissão e custo base; comissão à vista; comissão de transação; comissão de compromissos; comissões sobre conversões; juros de mora; custos incorridos por conversões; desvalorizações cambiais; assistência técnica e assessorias; e outros aprovados pelo Senado Federal.

O poder para proceder a eventuais alterações contratuais seria de duas pessoas (uma pelo BIRD e a outra pelo RS); o eventual contencioso ficaria por conta de um tribunal arbitral composto por três pessoas (uma pelo BIRD, outra pelo Governo Federal e outra pela ONU, que seria o voto dirimente); e ficava expressamente afastada a possibilidade de aplicação de toda e qualquer legislação brasileira ou dos EUA, inclusive os estatutos do próprio BIRD.

Se os pagamentos que geraram o citado déficit forem deste contrato então o empréstimo não tratava somente de estradas.

De qualquer modo, passados 13 anos da sua assinatura, as nossas autoridades poderiam publicar um balanço total deste empréstimo incluindo nele demonstrativo dos custos do contrato bem como relação analítica valores sacados e principalmente os que foram autorizados a serem sacados pelos beneficiários diretamente no BIRD.

(*) Contador, Fiscal de Tributos Estaduais do RS aposentado, dirigente do Sindicato dos Servidores Públicos da Administração Tributária do RS e ex-presidente da Afisvec (Associação dos Fiscais de Tributos Estaduais)

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Abertas as inscrições para o projeto Comunicação Cidadã, em Canoas

A partir de hoje jovens que queiram tornar-se comunicadores da Agência da Boa Notícia do Território da Paz/ Guajuviras poderão inscrever-se para a seleção do projeto Comunicação Cidadã da Secretaria de Segurança Pública e Cidadania do município de Canoas. O Comunicação Cidadã é um dos 12 projetos do Programa de Segurança Pública com Cidadania do Ministério da Justiça que está sendo implantado no bairro Guajuviras. Tem como objetivo promover ações de prevenção a violência por meio de oficinas de comunicação cidadã e despertar para o direito a informação. Isso será feito através da confecção de boas notícias do bairro, onde os participantes receberão capacitação nas áreas de produção de conteúdos em Videodocumentário, Internet, WebTV, RádioWeb, Fotografia, Comunicação Cidadã e Práticas e produção jornalística, para atuar como comunicadores. ”A idéia é que os jovens transitem por todos os programas PRONASCI para que façam a divulgação das notícias, queremos potencializar as redes sociais” explica a coordenadora Andréia Freitas.

As inscrições para as 240 vagas são gratuitas e estão sendo feitas até o dia 30 de agosto na subprefeitura nordeste localizada na rua Alexandre de Gusmão nº2080, das 10 às 12 e das 14h às 16h e também no CRAS Guajuviras situado na na avenida 17 de abril 28, setor N, quadra 6. Os candidatos devem ser moradores do Território da Paz/ Guajuviras, ter idade entre 15 e 24 anos, ser alfabetizado e estar em situação de vulnerabilidade. No ato da inscrição deverá se apresentado certidão de nascimento ou documento de identificação. Os selecionados participarão de oficinas como rádio Web, Tv Web, confecção de textos jornalísticos, entre outros.

A Agência da boa notícia Guajuviras funcionará em um espaço localizado próximo a rótula do Guajuviras e contará com estúdios profissionais de RádioWev, TVWeb e salas de oficinas equipadas com computadores, microfones, câmeras fotográficas e filmadoras. (A matéria é da jornalista Tais Dal Rí, no da Prefeitura de Canoas)

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“Um outro Rio Grande é possível”

Por Flávio Aguiar – Especial para o RS Urgente

Nos últimos tempos tenho lido algumas manifestações sobre um suposto “isolamento” do Rio Grande do Sul do resto do país.

Eu entendo esse sentimento. Mas não concordo com ele.

Entendo até que há algo de atávico nele. Todos os gaúchos e todas as gaúchas, quer queiram ou não, carregam dentro de si a estância herdada de uma “república frustrada”. “Nosso passado nos condena”, para parafrasear título de filme conhecido (pelo menos pelos cinéfilos de antanho: “Meu passado me condena”, 1961 (GB), direção de Basil Dearden, com Dirk Bogarde).

Além disso, que eu saiba, o Rio Grande do Sul é o único estado brasileiro que tem ruínas como foco de peregrinação identitária – as Missões. Isso não é pouco: para “vir a ser” completamente, ter de visitar (como o muçulmano vai a Meca) o que foi destruído para que existíssemos. Para resolver esse caso, só uns seis séculos de análise, o analista do Veríssimo que o diga. Ainda faltam uns três e meio.

Mas isso é o passado. No presente, leio essa sensação de isolamento como uma percepção disfórica – deprê – da situação política atual do nosso estado, desgovernado por uma administração estadual incompetente, trapalhona, isso para dizer o mínimo e não entrar em expressões que poderiam me levar e este site do Marco Aurélio às barras dos tribunais – também para não falar de outras barras. O Brasil – tampouco sem euforias maníacas – vive um momento privilegiado de sua história: a miséria marcha para o fim, ainda que de modo lento e gradual demais, mas parece que seguro; a pobreza recua, a classe média aumenta e apesar dos corvos de outras aves de agouro de plantão, nosso governo nos levou a uma posição privilegiada nos fóruns internacionais. Enquanto isso, nós, gaúchos (mesmo os espraiados pelo mundo, como eu), ficamos chupando o dedo no cantinho, às voltas com uma administração que nos deslustra.

Pois é, entendo, mas não concordo. Acho necessário um esforço individual e coletivo para sacudir essa poeira dos ombros e dos olhos. Afinal, temos uma tradição de pertença ao mundo também muito grande e enraizada – e, por favor, não estou me referindo ao fato das duas Misses Universo brasileiras serem gaúchas nem ao fato dos nossos arqui-rivais futebolísticos terem conseguido faturar o campeonato mundial interclubes, para manter o equilíbrio pampiano.

Refiro-me a outra coisa, “um não sei que de não sei como”, um certo sentimento íntimo que pode, por exemplo, ser ilustrado pela quantidade de diplomatas que tivemos em nossa história, gente como Raul Bopp, Vianna Moog, Joaquim Francisco de Assis Brasil. O “Almirante Negro” da Revolta da Armada nasceu aqui, quero dizer aí (estou em Berlim). O Barão de Itararé também. O verdadeiro criador da antes famigerada e hoje incensada CLT – que nada tem de fascista – foi o Lindolfo Collor, que se inspirou no que de melhor havia na legislação trabalhista mundial (basta ler os artigos do professor Alfredo Bosi a respeito). Lembremos que Erico Veríssimo, premido por uma sensação de isolamento em Washington, não conseguia espaço íntimo para escrever O arquipélago. Daí decide fazer uma viagem “para reencontrar-se com sua identidade”. E vai… ao México, dando origem ao livro homônimo, um dos clássicos da literatura de viagem, e tornando-se um dos primeiros brasileiros a de fato cruzar a linha do Tordesilhas e ir ao encontro do sentimento de pertencermos à América Latina. E nem falei da Anita Garibaldi e dos italianos que aqui lutaram pela liberdade.

Levamos dentro do peito, desde sempre, ao lado do coração em forma de cuia, uma fronteira – e a disposição de cruzá-la. Hoje em dia não mais em guerras estúpidas, mas sim para encontros e o reconhecimento criativo das diferenças e desencontros também.

No plano coletivo, não vão longe os dias em que Porto Alegre, a nossa capital, tornou-se – e o será para sempre – a “capital do século XXI”, berço que foi do Fórum Social Mundial. Hoje se pode discutir os destinos, a pertinência, o formato do FSM. Mas ninguém poderá negar o impacto que esse processo – o FSM – teve na articulação mundial de um pensamento alternativo à pretendida hegemonia do pensamento único e do império dos mercados como panacéia universal. Só isso já devia inspirar uma penca de teses de doutorado, em todos os campos das humanidades. Fomos onde renasceu das próprias cinzas a luta contra as desumanidades do século XX e XXI.

Agora, para que o passado – remoto ou imediato – venha em nosso socorro, é necessário descortinar e liberar o futuro. Ir ao encontro da sua construção reativando as forças das nossas tradições libertárias, contra as também existentes tradições nossas de conchavos reacionários e antipovo, e lutando para termos uma administração pública que possa nos representar de igual para igual em qualquer canto do mundo. O Brasil hoje passeia pelo mundo de cabeça em pé. O nosso Rio Grande do Sul, como parte do Brasil que é, poderá acompanhar e promover desde si esse gesto.

Como residente no estrangeiro, não poderei votar para o governo do estado, só para presidente do Brasil. Mas no fundo, bem no fundo do coração/cuia que carrego comigo, estarei fazendo um voto – uma espécie de reza laica – para que o Rio Grande do Sul vote certo e eleja o Tarso, além de uma boa bancada para as peleias que virão. Afinal, como o mundo, “um outro Rio Grande é possível”, e desde sempre ele existiu. Não morreu. Está trancado nas nossas gavetas. É só abri-las.

(*) Flávio Aguiar nasceu em 1947, em Porto Alegre. Mora em Berlim e é colaborador da Revista do Brasil e da Carta Maior. Fez mestrado e doutorado em Teoria Literária na USP e foi professor de Literatura Brasileira dessa universidade de 1973 a 2006. No período da ditadura, foi editor de Cultura do jornal “Movimento”. Foi diretor de TV e editor-chefe da página Carta Maior, com a qual continua a colaborar. Autor, organizador e colaborador de dezenas de livros, ganhou três vezes o prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro. Conheça o blog do Velho Mundo, que Flávio mantém na Rede Brasil Atual.

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A América do Sul em 2022

O ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Samuel Pinheiro Guimarães, escreveu um importante ensaio sobre o futuro social, político e econômico da América do Sul e acerca do papel do Brasil neste contexto. No artigo, Guimarães antecipa um crescimento da importância estratégica da região rica em recursos cada vez mais disputados no mundo. Vale a pena ler. Uma das principais conclusões do texto é a seguinte:

“As características da América do Sul – grande riqueza mineral e energética; grandes extensões de terras aráveis não utilizadas; população cada vez mais urbana em processo de estabilização demográfica; regimes políticos estáveis; inexistência e distância geográfica de áreas de conflitos intensos – tenderão a condicionar o papel da América do Sul em um cenário político mundial em que a disputa pelo acesso a recursos naturais e a alimentos será fundamental. De outro lado, para um grande número de países, com a concorrência chinesa e com a dificuldade de promover políticas nacionais de industrialização, será difícil agregar maior valor à produção e às exportações e diversificá-las, para reduzir a vulnerabilidade externa.

Em uma economia mundial em que países como a Índia e a China detêm cerca de 30% da população mundial, com índices de consumo de calorias extremamente baixos, e com economias em rápida e contínua expansão, já que a China cresceu a 10% a.a. em média nos últimos 30 anos e a Índia a 8% a.a. nos últimos dez anos, com escassez crescente de minérios e alimentos, em um contexto de acirrada disputa mundial por recursos, a América do Sul é vista como uma fonte especialmente importante desses recursos.

Até 2022 essas tendências tenderão a se agravar devido às tendências do sistema mundial, ao tipo de inserção da região na economia global, às resistências das elites em implantar políticas econômicas e sociais capazes de ampliar com vigor a produção e ao mesmo tempo redistribuir riqueza e renda; à escassez de capital doméstico e à dificuldade de acesso ao mercado mundial para financiar a construção da infra-estrutura; às resistências dos grupos privilegiados em cada sociedade à necessidade de transformação social e de conferir maior poder político à grande massa da população.

O grande desafio para a América do Sul e para o Brasil será a superação das assimetrias entre os Estados da região, promovendo o desenvolvimento daqueles mais atrasados para tornar a região uma grande área econômica, dinâmica e inovadora. Esta assimetria entre os Estados decorre em parte da assimetria territorial, em parte da assimetria demográfica e, em parte, da assimetria crescente entre as economias dos países da região, em termos de dimensão, de diversificação, de sofisticação e de integração”. (A íntegra do artigo de Samuel Pinheiro Guimarães)

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A privatização da segurança e a democracia nos EUA

Durante essa semana os jornais noticiaram a morte de três seguranças da embaixada dos EUA em Bagdá, sendo que dois deles eram de Uganda e o outro do Peru, todos contratados por uma empresa privada de segurança. De certa forma a presença desses agentes de segurança não é um fenômeno novo, mas o que é novo é a dimensão desses fornecedores internacionais de segurança privada, cujo tamanho e especialização são equivalentes, e por vezes superiores, às forças armadas de vários Estados.

Estima-se que o mercado dessas atividades inclua várias centenas de empresas, que geram receita anual global de mais de 100 bilhões de dólares e são frequentemente utilizadas pelos mais diferentes atores em conflitos: grandes potências, ditadores em países da periferia, paramilitares, cartéis de drogas e até mesmo as missões de paz.

Empresas privadas estão atuando em todos os setores que cuidam da segurança nacional dos serviços de inteligência dos EUA (cerca 70% do orçamento). Com o fim da Guerra Fria, as companhias militares privadas passaram a converter-se em soluções do mercado frente às novas tendências à privatização de várias funções governamentais. Crescimento do mercado privado de segurança anda de mãos dadas com a também crescente avaliação nos EUA de que as democracias não conseguem vencer as “pequenas guerras”, principalmente porque as exigências morais e políticas vão muito além do que a oposição doméstica está disposta a aceitar. (O artigo é de Reginaldo Nasser).

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Encontro Nacional de Geógrafos terá agenda cultural aberta ao público


O XVI Encontro Nacional de Geógrafos (ENG), que começa neste domingo (25), terá uma intensa programação artística e cultural com apresentações de teatro, música, dança, performance, sarau, exposição fotográfica etc. Também haverá uma feira que contará com cooperativas de alimentação e artesanato, coletivos de trabalho e livreiros. A cerimônia de abertura ocorre neste domingo, no Centro de Eventos da Casa do Gaúcho, às 17h30min, com a apresentação musical do artista Pedro Munhoz e uma mesa de diálogo (a partir das 19h) com a presença de Ana Fani Alessandri (AGB-SP/USP) e Boaventura de Sousa Santos (Professor Catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra). A programação cultural para segunda-feira (26) é a seguinte

Vídeos: SALÃO DOIS 12h – 14h VIDAS E VENDAS NA RUA (2008) – 19 min. Documentário sobre o comércio de rua de camelôs e ambulantes na área central de Florianópolis. Produção: Grupo de Pesquisa, CNPq – Poéticas do Urbano – CEART/UDESC – Apresentação: Elisa Dassoler – Florianópolis-SC

LUGAR DE HABITAR, LUGAR DE TRABALHAR (2005) – 6min. Narrativa sonora etnográfica acerca das diferentes apropriações no bairro Navegantes. Mostra diferentes momentos da cidade nas significativas intervenções as quais o bairro Navegantes e o 4° Distrito passaram. Realização: Luciana Mello, AGB-Porto Alegre. BIEV-PPGAS/UFRGS.

AMANHÃ VAI SER MAIOR (2005) – 28 min. Documentário que narra um fato ocorrido em Florianópolis, no final de 2005, e retrata a violência policial sofrida por estudantes ao fazerem manifestações contra o constante aumento das tarifas de transporte público. Realização: Alex Antunes, Fernando Evangelista, Juliana Kroeger, Vinícius (Moscão) – Apresentação: “Coletivo por uma AGB catarinense em movimento”. – Florianópolis – SC.

Exposição: SAGUÃO SALÃO DE ATOS – 17h30min Vernissage: “Ofícios antigos em Porto Alegre”. “Ofícios antigos em Porto Alegre”. Exposição cujo principal enfoque das imagens está nos ofícios que resistem no cotidiano da Capital gaúcha. Fotógrafa Letícia Nunes e pesquisadora Rossana Prado.

Música:TOLDO ÉRICO VERÍSSIMO – 17h30min -19h Canto e Danças Coral Mbyá-Guarani. “Programa de Índio”. Aldeias Estiva e Lomba do Pinheiro.

Teatro:AUDITÓRIO DA FACED – 18h – 18h30min Grupo Trilho – “ELA – a vespa desesperada”. A proposta de montagem sugere a importância da busca de nossa identidade pessoal dentro de um sistema opressor e, muitas vezes, dominado pelo sexo masculino.

Dança:TOLDO ÉRICO VERÍSSIMO E AUDITÓRIO DA FACED 17h30min – 19h – Mestre Chico e convidados. Círculo de Cultura: Tambores de Angola.

Confira aqui a programação cultural completa do encontro (é aberta ao público).

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As acusações que pesam sobre o vice de Fogaça

O deputado federal Pompeo de Mattos (PDT), candidato a vice na chapa de José Fogaça (PMDB) ao governo do Estado, segue fazendo campanha sem saber se poderá ir até o fim da disputa. Em 2009, o Ministério Público Eleitoral acusou o deputado de abuso de poder econômico e compra de votos, em um esquema que operava em albergues. Agora, no dia 13 de julho, a Pocuradoria Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul divulgou uma lista com 28 candidaturas que estariam impugnadas. A de Pompeo de Mattos “por abuso de poder econômico com sentença de inelegibilidade”. Mas do que é mesmo que o deputado está sendo acusado?

O MP Eleitoral ajuizou ação cautelar preparatória, com pedido liminar de busca e apreensão, e ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) contra Pompeo de Mattos e o deputado estadual Gerson Burmann, ambos do PDT, candidatos aos mesmos cargos nas eleições de 2006, acusando-os de abuso do poder econômico, em razão da manutenção de albergues no Rio Grande do Sul. A investigação apontou a existência de duas pousadas localizadas nos municípios de Porto Alegre e de Ijuí, que eram mantidas pelos investigados e destinadas a hospedar, gratuitamente, pessoas de outras cidades, que se deslocavam para aquelas localidades em busca de tratamento de saúde. Em uma ação de busca e apreensão, foram apreendidos material de propaganda política e eleitoral, listas com os nomes das pessoas hospedadas, além de outros documentos e objetos.

Na avaliação do MP Eleitoral, a prática constituía “conduta abusiva, apta a desequilibrar o pleito, tendo em vista a capacidade de atendimento das pousadas, por onde transitava grande número de pessoas diariamente, e a utilização da prestação de serviços como instrumento de campanha dos investigados”. No entanto, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE) julgou a ação de investigação judicial eleitoral improcedente. O MP Eleitoral ingressou então com recurso junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), A representação foi julgada procedente, com a consequente cassação dos mandatos dos deputados. Uma liminar, porém, suspendeu os efeitos da decisão.

O MP Eleitoral considera que ficou comprovada, de forma inconteste, “a manutenção e concessão de hospedagem gratuita pelos recorridos, de forma permanente, sobretudo no período vedado e em meio à maciça propaganda eleitoral, não só aos usuários daqueles estabelecimentos, mas a todo o eleitorado gaúcho”. Essa conduta, afirma ainda a instituição, configura abuso do poder econômico, afetando a liberdade do voto em favor dos candidatos que utilizaram desse expediente. Além disso, Pompeo de Mattos e Burman teriam violado o disposto no art. 23, § 5o, da Lei n° 9.504/97, que veda qualquer doação em dinheiro, bem como troféus, prêmios, ajudas, de qualquer espécie, feitas por candidato, entre o registro e as eleições, a pessoas físicas ou jurídicas.

Em seu voto no TSE, o ministro Marcelo Ribeiro manifestou-se contrariamente a visão vitoriosa no TRE-RS. Para Ribeiro, o foco da discussão não diz respeito à licitude, ou não, da criação e manutenção dos albergues por políticos e tampouco diz respeito à relevância das ações praticadas pelos deputados em benefício da sociedade. A importância da prestação desses serviços para a sociedade, argumentou o ministro, não afasta possível ocorrência de abuso. “Pelo contrário, quanto mais relevantes os serviços prestados, que, no caso dos autos estão ligados à área de saúde, mais significantes podem se tornar para a caracterização de abuso, caso se comprove a potencialidade para causar desequilíbrio entre os candidatos”, afirmou. O art. 25 da Lei n° 9.504/975 proíbe aos candidatos a doação ou ajuda de qualquer natureza, entre o registro da candidatura e a eleição, a pessoas físicas ou jurídicas, sob pena de responderem por abuso do poder econômico. Esse é o centro da acusação que pesa sobre o vice de Fogaça.

Foto: Divulgação PMDB-RS

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Sobre a metodologia das pesquisas eleitorais

Do Blog do Nassif:

“Diferenças de metodologia” é uma maneira eufemística de analisar a metodologia da Folha em relação ao Vox Populi, Instituto Sensus e IBOPE. Pode parecer algo como “diferença de opinião” em que cada qual tem a sua e ambas são legítimas.

Na verdade, dos quatro institutos o Datafolha é o único que utiliza a metodologia mais vulnerável.

Os outros três pegam o perfil da população brasileira montado pelo IBGE. Depois, mapeiam estados, regiões, cidades, bairros e vilas. Anotam a proporção de casas e de população que reflitam o perfil montado pelo IBGE. Como vão de casa em casa – dentro da amostragem escolhida – os resultados refletem o perfil da população eleitora.

Já o Datafolha não. Montou uma metodologia menos rigorosa, visando economizar recursos. Na verdade, a estrutura do Datafolha é cheia de gorduras. Não consegue fazer pesquisas a preços competitivos com seus rivais. Essa gordura não está na parte analítica, mas no meio, na disfunção gerencial. Para compensar essa gordura, fez economia onde não devia: dispensou especialistas e montou uma metodologia falha, visando economizar na ponta – e não no meio, como deveria ser.

Assim, em vez de montar a amostragem rigorosamente, fazendo entrevistas de casa em casa, de acordo com um perfil de entrevistados condizentes com os dados do IBGE, coloca seus pesquisadores em locais públicos, caçando pesquisados na base do olhômetro. Esse aqui tem cara de ser secundarista, este de ser classe média. Só depois de preenchidos os questionários é que vão montar o perfil dos entrevistados – que acaba quase nunca batendo com o perfil da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio)

Com isso capta movimentos errados, monta amostragens incorretas – já que a idade, condição social e educacional dependem do olhômetro e acabam não refletindo o perfil da população brasileira levantada pelo IBGE.

Agora, nem isso justifica 9 pontos de diferença. Uma das duas está profundamente errada.

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Projeto de estaleiro preocupa pescadores de Florianópolis

O projeto de construção de um estaleiro da OSX, empresa do grupo EBX, do bilionário Eike Batista, em Biguaçu, na Grande Florianópolis, está preocupando pescadores, moradores e entidades ambientalistas catarinenses. O Instituto Chico Mendes para Conservação da Biodiversidade (ICMBio) já deu parecer negativo à construção do estaleiro. A obra impactaria negativamente três unidades de conservação federais sob responsabilidade do instituto: Área de Proteção Ambiental do Anhatomirim, Reserva Biológica Marinha do Arvoredo e Estação Ecológica de Carijós.

O estudo do órgão do governo federal aponta uma série de “conseqüências irreversíveis e não mitigáveis” nestas unidades. Entre elas, a possibilidade da extinção de um grupo de indivíduos de golfinhos cinza Sotalia guianenses, que foi o objetivo principal de criação da Área de Proteção Ambiental do Anhatomirim. Além disso, há preocupação quanto ao impacto para a pesca e maricultura, à poluição por arsênio e à erosão de praias como a Daniela.

O mesmo estudo apresenta outras três alternativas locacionais para o empreendimento, todas no estado de Santa Catarina. Isso não evitou que o ICMBio fosse alvo de pesadas críticas dos defensores do projeto. Estaria atrapalhando o progresso, coisa e tal, o tradicional discurso empreendedor amplificado pelos principais meios de comunicação do Estado (a RBS, no caso).

Foi criada uma frente parlamentar em apoio ao estaleiro que está pressionando o governo federal a aprovar o licenciamento ambiental. Já foram realizadas três audiências públicas para debater o tema e o Ministério do Meio Ambiente criou um grupo de trabalho para analisar o projeto.

Para quem quiser acompanhar o caso, sugiro a cobertura que a jornalista Vera Gasparetto está realizando pelo site Porto Gente. No vídeo acima, o pescador José Alberto Queiroz, de 60 anos, adverte: “Vão acabar com a produção de ostras e mariscos”.

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