Dorneu Maciel: auto-elogios e intimidações
Antônio Dorneu Cardoso Maciel se tem em alta conta. Em sua fala inicial na CPI do Detran, apresentou com orgulho sua trajetória política, iniciada durante a Ditadura Militar, como partidário da Arena. E definiu a si próprio da seguinte maneira: “Sou uma pessoa de bem e não o vilão que as circunstâncias atuais querem demonstrar”. O ex-diretor da Assembléia e da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) negou todas as acusações e garantiu não ter nada a ver com a fraude no Detran. “Em política quase não erro. Sou muito atento”, disse, anunciando – em tom intimidatório – que gravou todas as sessões da CPI. Por mais de uma vez, Dorneu Maciel dirigiu-se ao deputado Elvino Bohn Gass (PT), advertindo que tinha gravado todas as suas declarações, assim como as dos demais deputados.
Diante da leitura do teor de depoimentos e de interceptações telefônicas feitas durante a Operação Rodin, onde ele aparece como protagonista, o depoente disse desconhecer aquelas conversas. Jurou inocência, garantiu que vai prová-la na Justiça e negou qualquer tipo de envolvimento com a quadrilha acusada de roubar mais de R$ 40 milhões do Detran. Algumas de suas negativas: “Não participei disso. Nunca falei com Chico Fraga sobre Lair Ferst. Não tenho relação com Chico Fraga. Não tive relação com Delson Martini (secretário de Comunicação do governo Yeda e ex-presidente da CEEE) sobre o assunto Detran. Nunca ouvi falar em Fenaseg. Não sabia das sistemistas. Nunca houve entrega de dinheiro no meu flat”.
A Justiça Federal denunciou Dorneu Maciel pelos crimes de formação de quadrilha, locupletamento por dispensa de licitação, corrupção passiva e peculato-desvio.
Foto: Guerreiro/Agência Assembléia
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