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Caravana da Anistia julga no RS processos de perseguidos políticos na ditadura militar

A Caravana da Anistia, do Ministério da Justiça, chega a Caxias do Sul (RS) nesta terça-feira (15), com novos processos de perseguidos políticos durante a ditadura militar para analisar, dentro da proposta do julgamento itinerante pelo país. Desta vez, a caravana fará parte 29º Encontro Nacional de Estudantes de Direito, que terá como tema “Os vinte anos da Constituição Federal”. O Projeto Memorial da Anistia Política no Brasil, também levará a Campanha de Doação e Arrecadação de Documentos a Caxias. O objetivo é da campanha reunir e sistematizar o acervo de documentos sobre os anos de repressão.Ainda, no dia 15, será realizado vídeo-debate sobre o filme “Batismo de Sangue”, de Helvécio Ratton, e no dia 17, uma sessão extraordinária analisará sete requerimentos das possíveis vítimas de perseguição política. O evento ocorrerá na Universidade de Caxias do Sul.

Os julgamentos serão coordenados pelo presidente da Comissão, Paulo Abrão. Os processos incluem os casos de Flávio Koutzii (foto) e de integrantes do “Grupo dos Onze”, criado em 1963 por Leonel Brizola. Confira os processos que serão apreciados na quinta-feira, a partir das 14h, no Ginásio 1 da Vila Olímpica da UCS:

Flávio Koutzii: foi processado com base na Lei de Segurança Nacional e teve seus direitos políticos cassados por dez anos. Exilou-se no Chile e, mais tarde, foi para a Argentina, onde foi preso na Operação Condor. Após ampla campanha por sua libertação, Koutzii foi para a França. Em 1984 retomou suas atividades políticas no Brasil, sendo eleito vereador em Porto Alegre. Foi deputado estadual e, posteriormente, chefe da Casa Civil do Estado do Rio Grande do Sul.

João Arthur Vieira: foi preso e torturado em 1970, sob a acusação de participar da Vanguarda Armada Revolucionária-Palmares (VAR-Palmares), organização considerada subversiva à época.

José Daltro da Silva: militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) desde 1952, foi dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Caxias do Sul. Por conta de sua atividade considerada subversiva, respondeu a diversos inquéritos e chegou a ser preso.

Elírio Branco de Camargo: aos 13 anos foi preso por distribuir aos alunos de um colégio um manifesto de repúdio ao governo militar. Considerado participante do Grupo dos Onze, foi preso por mais três vezes, também por estar distribuindo material considerado subversivo.

Antonio Apoitia Netto: também pertenceu ao Grupo dos Onze, era bancário e exercia liderança estudantil e sindical à época do regime de repressão. Foi desligado do banco onde trabalhava em 1964. Em 1968 elegeu-se vereador em Santana do Livramento (RS). Posteriormente, teve seus direitos políticos cassados por 10 anos.

Jurema Carpes Siqueira: requer declaração da condição de anistiado político “post mortem” em nome de seu marido Belarmino Barbosa Siqueira, que em 1964 foi submetido a interrogatórios, preso e torturado, sob a acusação de pertencer ao Grupo dos Onze.

Vitor Borges de Melo: integrou o Grupo dos Onze em Alegrete (RS). Por conta do exercício de sua militância política, foi preso e torturado.

5 Comentários on “Caravana da Anistia julga no RS processos de perseguidos políticos na ditadura militar”

  1. #1 panoramix
    on Jul 15th, 2008 at 2:07 am

    Comentário em homenagem a esta gente que brigou e entregou parte de suas vidas para que tivessemos condições de estar falando, ou teclando, contra o que consideramos errado! Faço votos que Koutzii reveja sua posição e volte para política de onde jamais deveria ter saido. Ele deu a vitória de graça à turma de São Paulo que envenenou o PT. Senti muito a falta de seu nome nas últimas eleições para Deputado!

  2. #2 Eduardo
    on Jul 15th, 2008 at 1:51 pm

    Concordo com o comentário anterior sobre Flávio Koutzii. E sobre as críticas que vêm sendo feitas às indenizações dos opositores da ditadura, acho que uma das piores situações em que um indivíduo pode se encontrar é a de perseguido, de forma injusta, pelo Estado, por vários motivos: pelo seu poder, pela sua onipresença, pela presunção de legalidade dos seus atos, etc. Assim, acho que devemos apoiar totalmente essas indenizações.

  3. #3 Teresinha Carpes
    on Jul 15th, 2008 at 7:58 pm

    Concordo com os dois comentários anteriores,e quero reforçar o pedido:”Volta Flávio Koutzii”!

  4. #4 Carlos Eduardo Grisolia da Rosa - Calico
    on Jul 15th, 2008 at 8:11 pm

    Os que criticam às indenizações, são os mesmos que outrora achavam “normal” torturar e matar! Um país decente e digno deve, sim, ao menos simbolicamente, reparar essa dívida histórica feita pelo arbítrio! Vai aqui de Sant’Ana do Livramento a minha homenagem e meu tributo de respeito e admiração a uma das melhores referências de retidão caráter deste estado, que chama-se Dr.Antônio Apoitia Neto, que em todos os momentos manteve-se digno e sem vergar-se ao totalitarismo do regime de exceção! Um fraterno abraço amigo e companheiro Apoitia!

  5. #5 rogerio dias rodrigues
    on Jun 26th, 2011 at 2:47 am

    Sou neto de Joao luiz dias ja falecido, foi militante do PCB des da decada de 40, era um sapateiro onde as noticias eram buscadas na sapataria dele na rua santana em poa. como posso provar que ele foi preso varias vezez na quela epoca.

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