O DOPS de São Paulo, diz o relatório, atuava impunemente em território uruguaio, monitorando os brasileiros exilados, seja diretamente, por meio de agentes infiltrados, ou em parceria com o serviço secreto (GAMMA) e de inteligência (DNI) uruguaios. O documento sustenta que os episódios que envolvem a morte de Jango devem ser analisados no marco da cooperação entre os serviços secretos uruguaio e argentino, que levaram ao assassinato do senador Zelmar Michelini e do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Héctor Ruiz, amigos de Jango e seqüestrados no hotel Liberty. “O carro de Jango estava à disposição de Michelini no dia do seqüestro. Um agente secreto argentino, conhecido com o codinome de Héctor Rodriguez, infiltrado no hotel por solicitação do governo uruguaio, não somente colocou pontos de escuta para a monitoração de Michelini e outros uruguaios exilados, mas também teria trocado os frascos de medicamentos de Jango na gerência do hotel Liberty”.
O relatório da comissão faz uma série de recomendações, entre elas, “investigar o papel do então integrante do DOPS, Romeu Tuma, hoje senador da República, na investigação dos passos de Jango na França”. Além disso, solicita ao governo dos EUA a divulgação de informações sobre o monitoramento de João Goulart no Uruguai e na Argentina.
O segundo acontecimento ocorre nesta quinta-feira, em Caxias do Sul, onde a Caravana da Anistia, do Ministério da Justiça, realiza uma nova série de julgamentos de perseguidos políticos durante a ditadura. Os processos incluem os casos de Flávio Koutzii e de integrantes do “Grupo dos Onze”, criado em 1963 por Leonel Brizola. Em pronunciamento feito terça-feira, na Assembléia Legislativa, a deputada Stela Farias (PT) relembrou a trajetória política de Koutzii e destacou a importância dos julgamentos que estão sendo realizados pela Caravana da Anistia:
“Ao contrário dos nossos vizinhos do Cone Sul, a idéia de reparação no Brasil vem sendo construída num caminho tortuoso, onde a verdade e a justiça têm sido relegadas a um plano secundário, ou mesmo ignoradas. O debate que se trava agora é o da impunidade dos crimes do Estado. Há uma interpretação da lei 6683, de 1979, que passou a ser quase um dogma: a de que os torturadores no Brasil teriam sido anistiados. Não obstante a lei ter sido editada sob a vigência da ditadura militar, os crimes praticados pelos agentes estatais foram tão bárbaros que não houve condições políticas para anistiá-los. É verdade sim que os militares que permitiram a aprovação da lei tiveram essa intenção, mas juristas e militantes afirmam desde então que isso não foi colocado no papel e que a interpretação política da lei é que foi manipulada, estendo-se, de maneira arbitrária, a idéia de que a anistia abrangia os crimes dos torturadores, o que não é verdade”.


on Jul 17th, 2008 at 3:47 am
Tudo bem que a família do Jango queira reparação. Nada contra. Agora, Jango colheu o que plantou. Foi um presidente recalcitrante, tratou a oposição com respeito demais, não radicalizou e deu no deu. Ele dizia que não queria derramamento de sangue. Nós conhecemos e sofremos a história toda. Algo semelhante está ocorrendo hoje com Lula, um presidente, igualmente como Jango recalcitrante e conciliador. Com esta direita medieval e corrupta do Brasil não dá para conciliar. Conciliou já era!
on Jul 17th, 2008 at 10:29 pm
O que você propõe concretamente, Arauto?
on Jul 17th, 2008 at 10:29 pm
O que você propõe concretamente, Arauto?
on Jul 17th, 2008 at 11:58 pm
Pois é… a respeito de conciliação política: sem querer defender muito o Lula – a quem já tanto critiquei – também acontece que as grandes privatizações pendentes saíram da pauta política; a miséria e a fome diminuíram; nunca vi a PF e o MPF trabalharem tanto; …