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O coronel Mendes, as lições do profeta persa Mani e a luta do bem contra o mal

A placa homenageando o cabo Valdeci foi instalada em tempo recorde. Um dia depois da aprovação do monumento pelo Conselho Municipal do Patrimônio de Porto Alegre, ela foi inaugurada na manhã desta sexta-feira em uma cerimônia na Esquina Democrática que teve a presença de familiares do brigadiano (P.S. a viúva de Valdeci não compareceu e, em entrevista ao jornal Zero Hora, criticou a exploração midiática do caso). Um helicóptero lançou mil pétalas sobre o monumento. O coronel Mendes escreveu um texto para a ocasião, onde além de homenagear o cabo Valdeci, faz uma incursão filosófica sobre a natureza humana, sobre a origem do bem e do mal e discorre sobre a história e a missão da polícia desde a Antiguidade. Mendes inicia essa incursão erudita com os ensinamentos do profeta persa Mani:

“O profeta Persa Mani defendia que a humanidade – desde os seus primórdios – dividia-se entre o bem e o mal. Essa teoria, que atravessou os séculos – denominada Maniqueísmo – defende o dualismo de forças positivas contrastando infinitamente com outras negativas de peso igual ou equivalente. Modernamente sabemos que esse assunto da convivência de forças antagônicas não pode ser reduzido a esta simplicidade da existência de dois pólos, em lados opostos, medindo forças entre si. Inegável, entretanto, considerar a verdade de que todo o ser humano nasce bom e, por fatores até hoje ignorados pela ciência, pode pender para o mal. Assim foi desde que o primeiro homem habitou o planeta e, inexoravelmente assim o será até que o último assista ao fim dos tempos”.

Logo em seguida, Mendes visita a pólis grega para explicar a origem e a importância da polícia:

“A própria Antropologia ensina que os primeiros grupamentos sociais, tão logo se agregaram, sentiram a necessidade de defenderem seus integrantes dos inimigos. A defesa do grupo era exercida por membros, escolhidos por seus pares, dentre aqueles que apresentassem virtudes físicas e morais que pudessem fazer frente às ameaças externas. Com o aperfeiçoamento das coletividades, notadamente com o advento da urbanização, se percebeu que além dos inimigos externos os desvios de conduta dos próprios integrantes do grupo social deveriam ser coibidos. As Polis – como eram denominadas as cidades-estados Gregas – foram os primeiros agrupamentos humanos que se tem notícia a, oficialmente, constituírem grupos de cidadãos para exerceram, em nome do Estado, a defesa de toda a coletividade. A esse grupo de homens, encarregados da defesa social da Polis, batizaram de Policiæ. A Polícia, na formatação atualmente conhecida, resulta da evolução daquela necessidade Grega de defesa interna tendo sofrido inúmeras transformações sempre acompanhando a evolução da própria civilização”.

E por aí foi o coronel Mendes até chegar a criação da Brigada Militar há 170 anos e aos dias de hoje. Ao destacar as origens da polícia no Brasil Colonial, fez uma exaltação da virilidade e do destemor:

“A fragilidade das leis de então fazia com que o recrutamento dos Guardas recaísse sobre aqueles homens mais rústicos e viris, presumivelmente mais capacitados a defender – pela sua própria imposição física – àquela ainda insipiente sociedade colonial. A polícia brasileira tem, portanto, apenas duzentos anos, dos quais cento e setenta foram vividos pela Brigada Militar. A virilidade dos primeiros policiais da Colônia foi adicionada à bravura – característica dos homens e mulheres que habitam a margem sul do Rio Mampituba – resultando num policial diferenciado: valente, destemido, desassombrado”.

Em sua conclusão, arremata:

“É imperioso continuar na luta interminável do bem contra o mal, sempre em defesa do estado democrático de direito, da sociedade gaúcha que não quer ver – nunca mais – um de seus guardiões tombar em via pública”.

15 Comentários on “O coronel Mendes, as lições do profeta persa Mani e a luta do bem contra o mal”

  1. #1 Anonymous
    on Aug 9th, 2008 at 2:33 am

    Em vez de homenagem os brigadianos querem salário e condições de trabalho. Brigadiano morto para oficial vale mais que brigadiano vivo.

  2. #2 Antônimo de Santos
    on Aug 9th, 2008 at 2:54 am

    Marco, essa história da Era da Pedra, lembrou-me – não sei por quê – do Relógio dos 500 Anos e seu alegre fim. Acho que essa pedra vai virar pedregulho logo, logo.
    Ah, tem outra coisa: acho que o soldado Valdeci não devia ter morrido daquela forma estúpida. Agora, quem deu ordens pra ele correr atras de colono nas ruas de Porto Alegre??? E daquele episódio pode-se dizer tudo, agora, dizer que ele morreu ‘em defesa da Sociedade Gaúcha’, como diz na Pedra, daí já é demais …

  3. #3 heliopaz
    on Aug 9th, 2008 at 3:09 am

    INTERNA ESSE HOMEM!!!

    A quantidade de imprecisões históricas e teóricas é até “passável”, dada a condição intelectual do elemento. Os erros de concordância e de ortografia também não são muitos.

    O que não dá pra aturar são três pontos do discurso do policial yedístico:

    1) A petulância do mito do gaúcho;

    2) A crença em “bem” x “mal”;

    3) O que é “desvio de conduta”, hein, Mendes?!

    CONCLUSÃO: se a desgovernadora não diz coisa com coisa, como é que podemos exigir coerência, objetividade e respeito de um subalterno escolhido a dedo?!

    []‘s,
    Hélio

  4. #4 Ary da Silva Martini
    on Aug 9th, 2008 at 3:13 am

    Por modesto, omitiu que ele é o próprio mal, fardado. “Casa” cobra invisibilidade de todos os seus vassalos. Menos de MendeSS (Yeda é Crusius “gamada” na Briguenta Militar!). Cultura: ausente! Saúde: ausente! Educação: ausente! Meio Ambiente: ausente! Repressão: presente, positivo e operante! Faccio!

  5. #5 Anonymous
    on Aug 9th, 2008 at 11:16 am

    Esse Mendes é um facista! Fala do bem e do mal, o pior mal é aquele travestido de bem. Como foi dito acima, a responsabilidade pela morte de Valdeci é do Coronel que deu ordens pra bater nos colonos em pleno centro de Porto Alegre.

  6. #6 Luís
    on Aug 9th, 2008 at 1:31 pm

    Guardiões da “sociedade” gaúcha?!
    Nas mãos de homens como esse coronel-neanderthal, sabemos do quê a polícia é guardiã…

  7. #7 Anonymous
    on Aug 9th, 2008 at 1:56 pm

    - O DISCURSO DO “GORILA” E ILETRADO CEL (PUTZ) MENDESS, FOI ESCRITO PELO GHOST-WRITER PUGGINA, UM FUNDAMENTALISTA RELIGIOSO, MANEQUEISTA, DEFENSOR INTRANSIGENTE DA DITADURA FASCITA/MILITAR E CONSELHEIRO DO PALÁCIO PIRATINI,

  8. #8 Ary da Silva Martini
    on Aug 9th, 2008 at 2:51 pm

    A família de Valdeci não compareceu e ainda criticou a manifestação. MendeSS, com a atitude insana, não quis homenagear o cabo Valdeci (se quisesse, teria consultado a viúva). O foco da homenagem era a própria Briguenta Militar. Além da provocação desqualificada, o objetivo também era o de mandar recados sobre a nova forma de atuar da outrora “Briosa”. Gostaria de estar lá por perto, para assistir “a própria maldade fardada” e avaliar meus sentimentos mais primitivos.

  9. #9 Antônimo de Santos
    on Aug 9th, 2008 at 7:10 pm

    Só mais duas coisinhas:1) com que verba foram compradas mil pétalas de rosa??? Quanto custa tirar do solo um helicóptero da Brigada Militar para lançar estas pétalas???
    2) Só por curiosidade e para rir um pouco: mandei um comentário bem semelhante ao meu anterior (da lembrança do relógio dos 500 anos) para o blog da Rosane (ZH) e ela NÃO publicou!!! Como diz o Ary, são os sentimentos mais primitivos … Dá uma cocerinha na mão …

  10. #10 Katarina
    on Aug 9th, 2008 at 11:12 pm

    Esse sujeito é a “descrição definida” do modo como o governo Yeda se relaciona com o estado de direito, a democracia e a república.

  11. #11 Teresinha Carpes
    on Aug 10th, 2008 at 2:00 am

    Eu estou pasma com a falta de memória do pessoal,que vem aqui comentar!Vocês todos não lembram do tiro que uma mulher do MST,levou no ventre e estava em adiantado estado de gravidez?Foi ali o começo de tudo!Eu não tenho prática em pesquisar,e tenho certeza que o Google,não iria colocar este assassinato desta mulher e do Bebê dela(não lembro o que aconteceu após o tiro no ventre,se ela morreu,mas o Bebê certamente morreu)Peço a vcs que tem prática em computador,que procurem esta notícia,que culminou com a morte do soldado Valdeci!E a mulher dele naquela época estava proibida de dar declarções(disse uma vizinha dela,que era amiga da mesma)eu queria saber quem foi que pressionava esta senhora de falar,lembram dela ter dado declaraçoes?A família deste soldado é que era para receber as homenagens… e perdas e danos,colocar o estado na justiça,isto sim que ela deveria ter feito!

  12. #12 Omar Condotta
    on Aug 11th, 2008 at 12:03 am

    O cara é no mínimo descompensado. Que loucura…

  13. #13 Anonymous
    on Aug 11th, 2008 at 1:52 am

    Essa retórica do Coronel está limitada ao preconceito, dos ideólogos Denis Rosenfiel e Pugina, que molta o comportamento dos Srs.Feudais do RS.
    Está mais que na hora da BM modernizar o discurso de seus porta-vozes e estudar fontes sociológicas e éticas, como por exemplo: “O Processo Civilizador” (dois volumes) de Norbert Elias.

    Questionamento:
    Como vivemos muna polis, que pratica a democracia representativa e já desenvolveu uma experiência de democracia participativa, penso que toda intervenção urbana deve ter a aprovação do legislativo municipal, onde estão os representantes dos cidadãos da cidade. O modo como a tal placa foi instalada, está a indicar uma violação às leis da cidade e um desrespeito aos seus cidadãos. O incidente que envolveu o soldado Valdeci indica que a manifestão de trabalhadores que lutavam pelo direito de seus meios de sobrevivência, não estava sendo tratada com civilidade, pelo poder que deve zelar pela ordem pública.Portanto, a própria BM é responsável pelo ocorrido. Se tivesse adotado, no lugar do confronto, o dialogo, o resultado do evento seria outro.
    Hannah

  14. #14 Ary da Silva Martini
    on Aug 11th, 2008 at 2:27 pm

    “No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho”. Atrapalhando o bom senso.

  15. #15 clecio
    on Aug 12th, 2008 at 1:57 pm

    E O SINDICALISTA QUE A BRIGADA DO RIGOTTO MATOU EM SAPIRANGA?? NADA! NADA!

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