Qual é, exatamente, a contrapartida do Estado do Rio Grande do Sul no contrato do empréstimo de US$ 1,1 bilhão junto ao Banco Mundial? Segundo a governadora Yeda Crusius (PSDB), a contrapartida é “o compromisso com a manutenção do ajuste fiscal e com a modernização da gestão pública”, frase repetida pelos representantes do Banco Mundial. Ou seja, o compromisso com a manutenção e aprofundamento da política econômica que vem sendo implementada pelo governo tucano. “É um ato de um governo que entendeu que era hora de um projeto de desenvolvimento que resgatasse o diálogo com todos os setores da sociedade”, disse, eufórica, a governadora gaúcha.
Perguntar não ofende: ao apoiar os termos do empréstimo (e, portanto, suas contrapartidas), disputando inclusive sua paternidade, a oposição ao governo Yeda não está, no fundo, concordando com uma das políticas centrais do atual governo?
O empréstimo não é um fato isolado, mas sim uma iniciativa estratégica de um governo que aposta no choque de gestão como uma política central. Concordar com os termos do empréstimo e suas respectivas contrapartidas não significa aceitar, na prática, essa política? No ato de assinatura do empréstimo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou: “A operação vai permitir que este Estado dê um salto de qualidade em suas condições fiscais e que a população usufrua do desenvolvimento a que tem direito”. É exatamente o mesmo discurso da governadora Yeda Crusius e do secretário estadual da Fazenda, Aod Cunha. Yeda e Aod defendem que o ajuste fiscal e a “modernização do Estado” transformam-se em posto de saúde, em estrada, em empregos e em educação de qualidade. É isso mesmo? Se há um consenso generalizado em torno dessa idéia e das políticas associadas a ela, qual é mesmo o sentido da oposição ao atual governo?


on Sep 2nd, 2008 at 1:26 pm
Meu caro Marco. Do governo dos tucanos não esperávamos coisa diferente. Eles estão aí para cumprir a cartilha do FMI/Banco Mundial à risca. Sabem que, no final das contas vai ficar tudo bem, ou seja, o grande empresariado deste Estado e estrangeiros continuarão com as rédeas em suas mãos. Além disso, as condicionalidades do empréstimo vão garantir a esse seleto grupo de grandes empresários o controle sobre todos os recursos pertencentes ao povo gaúcho. Afinal, novas privatizações devem vir por aí; CEEE, Procergs, Banrisul e Corsan são “filés” a aguçar a saliva dos grandes empresários.
Mas, Marco, o que é mais deprimente, desanimador, mesmo, é ver o governo que elegemos para mudar tal estado de coisas, se tornar completamente conivente com a política tucana e do FMI. E a declaração do Mantega não deixa margem a dúvidas quanto a isso. Está a acontecer exatamente aquilo a que se referiam alguns analistas quando o governo Lula alardeou que estava se “desvencilhando” do FMI ao adiantar o pagamento da dívida para com o fundo. Eles afirmavam que se tratava de empulhação, vez que o FMI estava incrustado na cabeça dos dirigentes. Estavam certíssimos os analistas.
on Sep 2nd, 2008 at 1:37 pm
Marco. Em “As Veias Abertas da América Latina”, Eduardo Galeano escreve: “Na américa Latina, sempre se entregam os recursos em nome da falta de recursos”. Uma sentença que não há como esquecer, ainda mais que a cada dia que passa é isso mesmo que vemos. O que está em jogo ao aceitarmos esse empréstimo são os nossos recursos. As riquezas que temos que deveriam ser usadas para promover um desenvolvimento harmônico e sustentável o povo gaúcho continuarão a fugir de nosso controle. Essa política tucana, avalizada pelo governo petista, vai gerar gordos lucros para uns pucos grandes capitalistas. O Sr Mantega aderiu à tática de empulhar o povo com essa de usufruir “do desenvolvimento a que tem direito”. Lamentável.
on Sep 2nd, 2008 at 2:00 pm
Certo.
Mas não esqueçamos que o sr. Arno Augustin, petista da DS, também avalizou essa política neoliberal yedista.
Eu gostaria que ele explicasse o motivo que o levou a tamanho disparate.
on Sep 2nd, 2008 at 2:45 pm
Certo que essa vai ser mais adiante a desculpa certa pra vender o resto do Banrisul, ou a Corsan, ou a Procergs, ou outra empresa estatal que o valha. Quem sabe todas?
Fomos pro buraco de vez.
on Sep 2nd, 2008 at 2:46 pm
Lamentável. Acachapante. Triste. Está na cara que o Lula não gosta dos gaúchos.
on Sep 2nd, 2008 at 3:46 pm
Que o Mantega era tucano eu já desconfiava, só não sabia que a Yeda era da DS….
Almiro.
on Sep 2nd, 2008 at 5:25 pm
Marco,
A enxurrada de empréstimos do Banco Mundial para as unidades da federação é impressionante. O Governo Federal está trocando o FMI, dominado pelos Europeus, pelo Banco Mundial, dominado pelos EUA. Estamos entregando a gerência dos Estados e dos Municípios para o Banco Mundial em substituição ao modelo anterior que havia entregue a gerência da União para o FMI. Ainda estão na nossa memória os discursos que diziam que a União já estava bem e que o problema brasileiro eram os Estados. Pois ai está a solução!
Ao fim e ao cabo, chegaremos ao objetivo central que é o de enfraquecer a federação para que tudo fique “mais moderno e menos burocrático”. As transnacionais, brasileiras inclusive, montarão suas casas de “lobby” às margens do Lago Paranoá e lá resolverão todos os seus assuntos. É o fim das vinte e sete legislações, dirão. O interessante é que elas se instalam em diversos Estados dos EUA, aonde realmente há 50 legislações diferentes, inclusive códigos penais e sistemas tributários, e está tudo muito bom, tudo muito moderno. Lá a federação é um ótimo sistema aqui a federação é sinônimo de atraso.
Pelo andar da carruagem, para o Brasil está reservado o papel de exportador de matérias primas e de seres humanos, para todos os fins. Afinal, a pompa emprestada ao ato não é própria de uma republiqueta de bananas?
João Pedro.
on Sep 2nd, 2008 at 10:58 pm
É evidente que em breve teremos
ainda mais privatizações e mais cortes nos gastos com saúde e educação.
on Sep 5th, 2008 at 4:48 pm
Nenhum Estado administrado com honestidade e competencia precisa de emprestimos.
Muito menos no RS.