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“Caso eles não saiam, vamos prendê-los”

A governadora Yeda Crusius (PSDB) falou hoje pela manhã sobre “Desburocratização e Eficiência Gerencial”, na Câmara Britânica de Indústria e Comércio, onde anunciou, entre outras coisas, que “todos os programas ineficientes serão cortados”. No momento em que explicava a lógica do “novo jeito de governar”, professores da rede pública estadual faziam um ato público em frente ao Palácio Piratini. Pediam, entre outras coisas, a liberação de 40 horas semanais para que os representantes sindicais possam exercer suas funções. Yeda quer tirar esse direito dos representantes sindicais dos professores. Os dirigentes do Centro de Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS-Sindicato) esperavam ser recebidos pela governadora ou por algum representante do governo. Yeda mandou o coronel Paulo Roberto Mendes, comandante da Brigada Militar, “dialogar” com os manifestantes.

“Eles trancaram a via. Vamos tentar dispersar o grupo, mas caso eles não saiam, vamos prendê-los”, disse o coronel, manifestando mais uma vez seu desconhecimento e/ou desprezo pela Constituição brasileira que assegura o direito de manifestação.

Manifestações públicas reunindo centenas de pessoas não podem ser realizadas em calçadas e, por definição, são realizadas em vias públicas. Aliás, o coronel não revelou a mesma preocupação quando o PSDB organizou uma manifestação de apoio ao governo Yeda, em frente ao Palácio Piratini, durante o auge da crise do Detran. Tampouco ameaçou prender os produtores de uva e vinho, quando estes lotaram a Praça da Matriz em uma manifestação meses atrás. O apreço do comandante da Brigada pelo fluxo do trânsito parece só se manifestar quando se trata de uma manifestação de oposição ao governo.

“A BM nos mandou fazer uma fila para nos identificar. Isso é um absurdo. Estamos aqui de cara limpa e não vamos nos submeter a isso”, disse a presidente do CPERS, Rejane de Oliveira.

O chefe da Casa Civil, José Alberto Wenzel, anunciou que os professores só poderão ser ouvidos na quinta-feira. Representantes do CPERS, juntamente com os deputados Raul Pont e Elvino Bohn Gass, do PT, e Raul Carrion, do PC do B), acordaram com a Casa Civil, para que fosse recebida uma comissão para entrega de documento. Os parlamentares acusam o governo de ter descumprido o acordo. Após o recuo dos professores da frente do Piratini, a tropa de choque da Brigada avançou sobre os manifestantes. Raul Pont classificou o descumprimento do acordo como um completo desrespeito com os parlamentares.

Fotos: Nanda Duarte

13 Comentários on ““Caso eles não saiam, vamos prendê-los””

  1. #1 Ary da Silva Martini
    on Sep 23rd, 2008 at 7:11 pm

    Seria muito bom se o MendeSS, a mando de “Casanova” prendesse quinhentos professores. Gostaria que “Casanova” apontasse um programa eficiente desse gover-ninho.

  2. #2 Katarina Peixoto
    on Sep 23rd, 2008 at 7:27 pm

    Mal estar, teu nome é governo Yeda.

  3. #3 Malvado
    on Sep 23rd, 2008 at 8:50 pm

    É… o namorado da governadora está bravo. O amor é lindu

  4. #4 heliopaz
    on Sep 23rd, 2008 at 9:27 pm

    Não adianta ser polido, ponderado ou teórico neste momento: quem apóia essa política ou é burro, ou é FDP. Não existe outra forma de denominar o maior descalabro que este estado já viu.

    []‘s,
    Hélio

  5. #5 Anonymous
    on Sep 23rd, 2008 at 10:08 pm

    Caro Marco,
    Acabei de ouvir o Cel. Mendes na Bandeirantes AM. Ele disse não ter, em situações assim, o controle total da tropa.
    Simplesmente não dá para acreditar, como podem ser tão irresponsáveis, a ponto de liberarem um despreparado para comandar a BM; pois se um comandante não consegue comandar ele é incompetente. É isso ou ele está recebendo ordens para agir assim, logo trata-se de uma orientação política, uma política de estado.
    Mas o que mais me chamou a atenção foram os comentários dos ouvintes via torpedo (SMS), a maioria aplaudindo a ação da Brigada chamando os professores de baderneiros e criticando o fato de eles não estarem dentro da sala de aula em vez de ficarem incomodando e obstruindo a rua.
    Estes provavelmente são o mesmo tipo de gente que aplaudiria um governo fascista, até o momento que os cães de guarda deste regime, tipo o dito coronel, os mordessem também.

    José Luís

  6. #6 Pablo BERNED
    on Sep 23rd, 2008 at 11:13 pm

    os marcadores da postagem não poderiam ser mais irônicos: Coronel Mendes, CPERS, Educação, Yeda Crusius

  7. #7 Remindo
    on Sep 23rd, 2008 at 11:21 pm

    A Yeda já era, é um zumbi nas mãos do Coronel Mendez e a turma dele. Tá na hora do povo fazer alguma coisa.

  8. #8 Ary
    on Sep 23rd, 2008 at 11:57 pm

    MendeSS enfiou um espanador no rabo e canta de galo. Só falta fazer serenata para a “Rapunzel-me-sinto-prisioneirra”.

  9. #9 Anonymous
    on Sep 24th, 2008 at 1:02 am

    É o estado de coisas: corrupção e mediocridade estão nas entranhas das esferas do estado privado dos governos yeda-fogaça. Só não vê quem está em estado de cegueira.
    Alice

  10. #10 Ary da Silva Martini
    on Sep 24th, 2008 at 1:38 am

    José Luis: brigadiano moderno sabe enviar torpedo. Aliás, “torpedo” ´pe bem apropriado.

  11. #11 Anonymous
    on Sep 24th, 2008 at 2:13 pm

    Eu mandei torpedo e não sou brigadiano. Sou morador de Porto alegre e exijo respeito aos meus direitos que são eternamente aptropelados por essa gente que acha que só eles prestam e que o resto é “m”.

  12. #12 Simão Bacamarte
    on Sep 24th, 2008 at 5:12 pm

    A sólida formação acadêmica da Professora Yeda passou longe de certos autores que cunharam o termo Burocracia…sem falar nos brasileiros que estudaram o tema …para associar desburocratização com eficiência administrativa, ela deve ter se inspirado no Roberto Justus. Nem o Feijó faria pior.
    Mas eficiente mesmo é o Cel. Mendescapto, que lembra Bismarck à frente das tropas prussianas. Nada melhor do que sabres de cavalaria para dialogar com professores.

  13. #13 claudia cardoso
    on Sep 25th, 2008 at 3:31 am

    A situação está grave. Já entendi a senha do Cel MendeSS: se der m**** – feridos ou morte – a culpa será do brigadiano, cujo comandante “não tem comando”!
    Atenção, soldados: estão querendo aprontar para vocês!

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