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O que a esquerda tem a dizer sobre o mundo?

Para além dos balanços e táticas eleitorais de ocasião, sugiro a leitura – para quem estiver interessado em pensar sobre o estado das artes no mundo e sobre os desafios colocados para a esquerda – do ensaio “República e Socialismo, também para o século XXI” de Antoni Domènech, professor de Filosofia na Universidade de Barcelona e editor da revista Sin Permiso. É um texto longo, denso e instigante que trata da situação atual do capitalismo mundial, dos erros da esquerda no século XX, e da necessidade da tradição socialista retomar a ofensiva no momento em que a ordem político-econômica hegemônica mundial apresenta mais uma vez sua face destrutiva. A importância do texto é ditada pelo seguinte diagnóstico do autor:

“O século XX acabou com uma marca simbólica não melhor, e provavelmente pior, que o século XIX: com um coeficiente global de Gini que produziu uma desigualdade de 0,67 (que é como se 1/3 dos habitantes do planeta ficassem com todos os recursos, e os 2/3 restantes não tivesse absolutamente nada.

O começo do século XXI trouxe o final de um mundo ilusório de um capitalismo contra-reformado, triunfante e rejuvenescido, que sequer se revelou capaz de aceder ao seu próprio paraíso de néscios: todos competirem mais e sem trégua, trabalharem mais, para receberem mais, consumirem mais, para todos se contaminarem mais, para construir mais, para destruir mais, investir mais, para todos competirem mais e sem trégua…! – triste emulação da neurótica corrida na roda do solitário hamster, que não pode senão correr mais e mais para permanecer, quando muito, no mesmo lugar!”.
Para ler a íntegra do ensaio, clique AQUI.

1 Comentário on “O que a esquerda tem a dizer sobre o mundo?”

  1. #1 Babú
    on Oct 6th, 2008 at 10:37 pm

    Não concordo totalmente com a analogia do hamster, porque a competição trás sim avanços, ainda que de forma irracional se comparada ao tipo de desenvolvimento proposto pelo socialismo moderno.

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