Myspace button
Submarino.com.br
Marco Weissheimer Rotating Header Image

Raul Pont: "sou testemunha de que o coronel Ustra comandou sessões de tortura no Dops"

O Plenário da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul foi palco, na manhã de hoje, de um acontecimento histórico: Raul Jorge Anglada Pont foi declarado, oficialmente, um Anistiado Político. O Estado brasileiro assumiu sua responsabilidade pela perseguição política e prática de tortura e, formalmente, pediu desculpas a Pont.

A declaração e o pedido foram oficializados durante sessão da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça que instalou-se em Porto Alegre para o julgamento de outros seis pedidos de anistia de vítimas da ditadura militar: Suzana Keniger Lisboa, Pedro Machado Alves, Jaime Rodrigues, Sandra Helena Machado, Luiz Eurico Tejera Lisboa (post mortem) e Luis Carlos Illafont Coronel.

O rito de julgamento tem início com a manifestação do anistiando ou de seu representante e depois os conselheiros votam abertamente o pedido. “Não estávamos errados. Lutamos pela liberdade, pelo cumprimento da Constituição brasileira,” disse Pont depois de relatar o que chamou de “violências, atentados e tolhimentos inaceitáveis praticados pelo golpe militar”.

Hoje, Pont é deputado estadual do Partido dos Trabalhadores, mas sua carreira política inclui funções como a deputado constituinte em 1988 e prefeito de Porto Alegre de 1997 a 2000. Em 1968, ano do golpe, sofreu as primeiras detenções em passeatas e atos públicos. Neste mesmo ano, participou da fundação do Partido Operário Comunista (POC) e foi eleito presidente do DCE-Livre da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O “livre” fica por conta da proibição que a ditadura impunha aos estudantes de elegerem seus próprios representantes por meio de eleições.

“Neste período, qualquer um que se dirigisse a mim na universidade era visto e apontado como um potencial inimigo do país”. Ainda em 68, Pont participou do 30º Congresso da UNE em Ibiúna/SP e, por causa disso, ficou preso por 10 dias. Em 1971, já como militante clandestino em São Paulo onde atuava junto aos trabalhadores do ABC e de estudantes da USP, foi seqüestrado pela Operação Bandeirantes – OBAN e foi submetido à tortura por 20 dias seguidos.

“O Ustra me torturou”

“Sou testemunha de que o Coronel Ustra (Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandante do Doi-Codi de São Paulo entre 1970 e 1974, condenado recentemente pelo Tribunal de Justiça paulista pelo crime de tortura), que usava o codinome de Major Tibiriçá, comandou diretamente sessões de tortura no Dops paulista. Ele comandou pessoalmente uma das sessões em que me submeteram à chamada “cadeira do dragão” (semelhante às usadas pelos barbeiros, com assento de zinco e totalmente eletrificada; algumas cadeiras apresentavam uma travessa de madeira na parte inferior de modo que a cada espasmo de descarga as pernas batessem na tábua, provocando ferimentos profundos; os torturados eram amarrados com correias revestidas de espumas e tinham os dedos das mãos e dos pés enrosacados em fios elétricos; ao mesmo tempo, outro torturador, com um bastão elétrico dava choques entre as pernas e pênis do interrogado).

“Mendes não respeita a Constituição”

O depoimento de Pont foi interrompido várias vezes por aplausos: quando disse que não é mais possível conviver com a militarização do sistema policial brasileiro e quando acusou o atual Comandante da BM gaúcha, Coronel Mendes, de ser o responsável pelos confrontos ocorridos ontem no centro de Porto Alegre que deixaram feridos duas dezenas de manifestantes da Marcha dos Sem.

“Nós vimos o que aconteceu ontem e sabemos que a versão que ele apresenta hoje, com o beneplácido da imprensa, é mentirosa. Este homem não tem nenhum respeito à Constituição. Desejo todo o êxito à esta Comissão de Anistia e a considero um avanço importate. Mas é preciso reconhecer que episódios como o de ontem e a presença de figuras como Mendes nos fazem constatar que ainda estamos longe de uma plenitude democrática.” (Maneco)

7 Comentários on “Raul Pont: "sou testemunha de que o coronel Ustra comandou sessões de tortura no Dops"”

  1. #1 Carlos Eduardo da Maia
    on Oct 17th, 2008 at 6:55 pm

    O José Serra, FHC, Osmar Terra — que também foram perseguidos e exilados durante os anos da ditadura — não têm direito a essa mesma pensão vitalícia?

  2. #2 panoramix
    on Oct 17th, 2008 at 7:14 pm

    Off topic: Ví esta noticia agora envolvendo Banrisul+Microsoft, nada de novo no modo tucano de ver o mundo:
    http://info.abril.com.br/professional/windows/o-banrisul-trai-o-pinguim.shtml

  3. #3 Teresinha Carpes
    on Oct 17th, 2008 at 8:16 pm

    O deputado Raul Pont(PT)fez concurso para a Petrobras,lá pelos idos de 1967(+ou-)e passou no concurso,com uma das primeiras colocações,porém por conta de sua atuação contra a ditadura militar,foi desclassificado!É por isto,que êle se sentiu perseguido e prejudicado em sua carreira na época…Que ótimo, Raul Pont merece,mas não posso concordar,com a anistia do Brizola,que queria mais 1 ano de govêrno para o então Presidente Figueiredo,e denominou o Collor de Simão Bolívar do Brasil!Por favor vamos puxar pela memória,quem tem mais de 50 anos(como eu)deve saber disto.

  4. #4 Ary da Silva Martini
    on Oct 17th, 2008 at 8:53 pm

    Claro, Maia. De FFHH e José Serra, lembro de uma frase dita por eles sobre o exílio: “o gosto amargo do caviar”. Se bem que, em minha opinião, o passado recente de FFHH e o presente de Serra, não recomenda muito em favor deles.

  5. #5 Anonymous
    on Oct 17th, 2008 at 9:06 pm

    Claro que sim, Maia. Sou favorável à indenização do Serra, do FHC, do Terra, da água, dos peixes, das cabras…
    E se tu também tomou umas porradas, deverias ser anistiado. Eu juro que mesmo isto não sendo verdade, vou lá depor a teu favor para ver se tu arranja um dinheirinho. Mas só se tu prometer que, com ele, vais para um lugar onde não haja internet e tu não possas mais asneirar no rs urgente. Vade retro troll xarope!

  6. #6 Professor Sosa
    on Oct 18th, 2008 at 4:04 am

    Serra e FHC, que viveu um exílio voluntário e se aposentou aos trinta e poucos anos, depois chamou todos os aposentados de malandros, não foram torturados…

  7. #7 pia
    on Oct 21st, 2008 at 6:38 pm

    tudo bem existem pessoas que realmente devem ser reparadas, exemplos existem…mas tem muito malandro que se fez na vida devido a anistia e as indenizações…

Deixe um comentário