A pressão pelas papeleras mobilizou o governo Yeda desde o início do mandato. Por conta dessa pressão foi atropelado o Zoneamento Ambiental da Silvicultura, produto bem acabado, de vários cientistas, professores, trabalhadores da Fepam e da Fundação Zoobotânica. Estivemos presentes em todas as audiências públicas organizadas pela Fepam,Força Sindical e papeleras. Assistimos, em minoria, a força organizada do monopólio dos eucaliptos, defensores das empresas que repudiavam o zoneamento ambiental e prometiam milhares de empregos a partir da liberação do plantio.
Com fortes argumentações pró-desenvolvimento, estes setores organizados manifestavam-se a favor do crescimento do Estado. Em seus discursos inflamados de certeza lembravam a perda da Ford, dos empregos e, de maneira taxativa, contabilizavam ao PT e ao governo Olívio esta derrota. Pois bem, passado quase um ano daquele fervoroso debate, assistimosperplexos a desistência destas multinacionais, em especial da Aracruz que prometeu uma superampliação da fábrica de Guaíba.
E agora? Depois de terem mudado o zoneamento, depois de plantarem as mudas, depois de incentivarem milhares de agricultores dos benefícios de plantar eucaliptos em detrimento da pecuária e da agricultura, depois de prometerem milhares de novos empregos, estas poderosas empresas decidem abandonar o barco, não querem mais brincar porque perderam fortunas no cassino financeiro. Ou seja, NÃO vão investir MAIS no Rio Grande do Sul.
Quantas pessoas de bem acreditaram no projeto e se lançaram na expectativa do ouro verde? Quantos empregos sonhados? Quantos prefeitos mobilizados e motivados com a expectativa da geração de empregos? Quanta desgraça ambiental já concedida por conta do argumento destes empregos de papel? Quanta área de plantio de alimento trocada por estes paus de eucaliptos? E aí, vão embora e dizem que NÃO FICAM.
Aonde estão os defensores dos empregos, aqueles que acusavam os ambientalistas de mandar embora as papeleras? Como justificar que a Aracruz não vai investir na metade sul. E o povo de Guaíba que chorou a perda da Ford e culpou inocentemente o governo Olívio, está culpando a Yeda e a sua base política pela perda da Aracruz?
E agora, o que fazer com tantos eucaliptos plantados? Quem sabe algum dos deuses da natureza escreveu certo por linhas tortas. Quem sabe não é a hora de rever a política de silvicultura, voltar no tempo, informar os riscos para que outros não entrem nessa fria. Socorrer os que foram passados para trás pelas multinacionais, disponibilizar uma linha de crédito para arrancar estes tocos da terra e por fim, incentivar, através da Emater, para que os agricultores voltem para a sua vocação original, produtores de alimentos e não de celulose.


on Oct 30th, 2008 at 5:14 pm
Texto exemplar, irretocável. E agora, seu José das paleleras? Isso tb é culpa do PT? Qual será o santo protetetor do RS que nos livrou desta praga?
O Lasier, que eu não assisto, chorou muito esta “irreparável perda”?
Se eu fosse um desses agricultores enganados pela Aracruz e pelo governo Yeda ia exigir indenização por essa brincadeira de mau gosto.
maraverde
on Oct 30th, 2008 at 5:28 pm
só sei que teve pseudojornalista venal aí na praça que aproveitou…
on Oct 30th, 2008 at 5:40 pm
Mesmo tendo instrumentos tecnológicos e exemplos a serem seguidos (ou rejeitados), fizeram a escolha errada. Se não permitiram tempo para o debate (pois a todos atropelaram), acho que agora, passada a choradeira, poderão debater onde foi que erraram. Messe caso, o RS perde duas vezes: com a permanência e com a desistência. Isso é que é estratégia e visão de futuro!
on Oct 30th, 2008 at 6:15 pm
DEUS É GAÚCHO, O PAPA É GAÚCHO.
ESSAS EMPRESAS DE EUCALIPTOS PASSARAM POR CIMA DA CONSTITUIÇÃO E DAS LEIS, OS PEQUENOS EMPRESÁRIOS FORAM DESRESPEITADOS, HOUVE UMA OMISSÃO DAS AUTORIDADES ESTADUAIS E FEDERAIS. ESTA REPORTAGEM É VERDADEIRA. TEM MUNICÍPIO NA FAIXA DE FRONTEIRA QUE PERDEU 40 MIL CABEÇAS DE GADO PARA OS EUCALIPTOS, POÇO COM 80 ANOS SECOU,CADA ÁRVORA CONSOME 364 LITROS DE ÁGUA POR DIA, EUCALIPTOS PLANTADO COM MENOS DE 3 ANOS JÁ TEM 8 METROS DE ALTURA, SÃO TRANSGÊNICOS.
on Oct 30th, 2008 at 6:38 pm
A Aracruz apenas cancelou (não houve desistência) o investimento da duplicação da fábrica em Guaíba. A questão é que os proprietários de terra continuam tendo interesse em investir em eucaliptos. Isso não é opção de governo, mas exigência do mercado. Outro dia falei com um senhor de Barra do Ribeiro e que me disse que praticamente toda a cidade gira em torno da Aracruz. Mas por que isso ocorre? Porque essa ainda é a melhor opção que o mercado oferece. Tudo bem, a crise internacional está ai por conta das bolhas de crédito. É muito cedo ainda para se concluir que tudo o que foi feito e construído tem que ir para a lata do lixo, que a Aracruz vai abandonar os tristes viventes e que o mundo todo será completamente estatizado…etc.
on Oct 30th, 2008 at 6:46 pm
Estas palavras contem a sabedoria capaz de salvar um povo…um povo que com fome se veria rodeado de eucaliptos…”paus” protegidos por mercenarios blackwater…
Terra fertil a produzir riqueza a qualquer banqueiro/especulador/vagabundo que pega sol na sua ilha…enquanto milhoes de Gauchos morrem de fome.
on Oct 30th, 2008 at 7:22 pm
Acertou na mosca. Pelo menos por enquanto. Mas,seja qual for o desfecho da crise, para o futuro a desconfiança está plantada e, principalmente, talvez se tenha redescoberto o que já se sabe desde sempre, de que o desenvolvimento estável ou garantido ( e sustentável ) é o diversificado e não o monopolizado por apenas uma ou outra atividade. Isto evidentemente os interesses do monopólio do eucalipto esconderam ou menosprezaram taxando tal colocação de ideológica.
O zoneamento da silvicultura, assim como foi proposto e peremptoriamente recusado por estes interesses, assumidos com o desfecho conhecido no CONSEMA, levaria necessariamente a esta diversificação. Portanto, o zoneamento estava certo também sob o ponto de vista do desenvolvimento econômico sustentável, isto é, estável e garantido não somente ambientalmente, mas também frente às turbulências próprias à economia, por sinal, como mostra a história, inevitáveis.
on Oct 30th, 2008 at 8:00 pm
Exigência do mercado, Maia? Então o “mercado” é um ente abstrato que surge de repente e apresenta um cardápio à sociedade? O “mercado” exige álcool, cocaína, tabaco e prostituição. Vamos satisfazê-lo? Por essa lógica, o município de Barra do Ribeiro deverá sumir do mapa.
on Oct 30th, 2008 at 9:06 pm
Maia, bota na cabeça uma coisa:
-> especulando com ações pode-se perder até 100% do investimento.
-> especulando com derivativos, pode-se perder muito mais do que 100% do investimento. E bota muito nisso. Varia conforme o dólar sobe e ultrapassa a aposta que fizeram. Dia a dia eles sangram e o bnco intermediário vai junto, solidário.
Esses expertos da Aracruz se meteram nessa roubada e ainda não deixaram claro quanto que foi ou está sendo a fincada.
Fincada, sabe o que é fincada, Maia? Com nosso dinheiro !
Só vamos saber no vencimento dos derivativos.
Pode ser que nem exista mais Aracruz daqui a alguns dias, se os tais contratos forem respeitados.
Quanto eles receberam de nós como incentivos e agora jogaram fora ?
E tudo por causa da taxa de juros do Meireles.
E tem mais: homem de bem é palavrão, é para néscios fingidos ou safados fingidos.
São os tais homens de bem as pessoas que batem em funcionário de INSS quando perdem seus auxílios-doenças.
on Oct 30th, 2008 at 9:13 pm
O povo gaucho está mais tranquilo com a noticia do porta-voz do governo Yeda. Obrigado Maia, é bom saber que que as papeleiras apenas cancelaram o projeto de destruição da zona sul! O que aconteceu? Eles vão esperar a pressão da governadora junto ao Lula? O que não dá prá por na cachola e a sutil diferenciação entre as palavras sinonimas “cancelar” e “desistir”, principalmente depois dos bilhões, veja bem “BILHÕES” que estas empresas perderam!
on Oct 30th, 2008 at 11:01 pm
Lá vem de novo o bichinho escroto da maia e sua mente poluída pela “religião” chamada mercado, livre iniciativa e mão invisível. Na verdade, não tão invisível assim, porque ela sempre se mete no bolso dos mais fracos para beneficiar os que não precisam de benefício algum.
on Oct 30th, 2008 at 11:42 pm
Situação incrível. É como se o estado do Rio Grande do Sul tivesse passado por cima de toda a moralidade para se prostituir, bem baratinho, e o cliente tivesse perdido seu dinheiro no cassino. Jogamos o respeito fora e ainda perdemos os trocados da Aracruz.
Sem problemas, o deus-cafetão-mercado vai trazer mais dessas “opções” para nos oferecer. Só que agora o preço é mais baixo, porque já estamos nessa vida mesmo… Pior é ter quem goste dessa vida.
on Oct 31st, 2008 at 2:03 am
Será que toda essa campanha mundial sobre uso responsável de recursos naturais(água e solo neste caso atingidos diretamente) só não precisa acontecer nesse nosso Rio Grande? Que des-governante é essa que ignora uma preocupação mundial em nome de um “fogo de palha, ou de papel”? Mesmo que os “produtores” ainda tenham interesse em sua produção, quem irá nos proteger das consequências irreparáveis desse deserto verde, que por onde passa suga o que pode e transforma o solo em improdutivo?
Oxalá a desistência desses oportunistas dê aos agricultores lucidez para retomarem seus rumos não participando do enterro de seu futuro.
on Oct 31st, 2008 at 11:30 am
O digníssimo diretor do Semapi fala em documento muito bem acabado feito por notáveis cientistas, segundo o qual nenhum eucalipto poderia ser plantado num raio de 1.500 metros ao redor de afloramentos rochosos.
Não podia eucalipto, mas pode encher o Estado de cana de açucar, de mamona, pode plantar arroz e incentivar o uso intensivo de agrotóxicos nas lavouras. Sem aqui querer desmerecer o manejo agrícola tradicional, mas que sempre foi e continua sendo deletério para o Pampa. E a soja, que em pouco anos retomou quase 1 milhão de hectares plantados no Pampa, sem nenhuma licencinha ou zoneamento ou a mínima atenção dos ambientalistas??
O digníssimo diretor do Semapi desconhece completamente o manejo florestal, porque seu negócio é fazer política. Se conhecesse ou tivesse a mínima idéia do que se trata não estaria falando tanta coisa sem fundamento.
Adiante prender Severino se Malufs e todos os outros ficam livres para a pilhagem do país? Que proteção ambiental é essa? Amarra uma vaca mas deixa todos os búfalos, javalis, caprinos à solta para detonar o campo? Vai proteger o que assim?
Ademais, esse discurso impregnado de chavões e ideologia anti-capital é para emocionar estudantes e militantes. Não resiste a um debate técnico raso.
Zé das Papeleiras