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Nota do deputado Adão Villaverde

O deputado estadual Adão Villaverde (PT) envia nota solicitando que seja publicada a íntegra da carta que enviou ao presidente da Federação Israelita do Rio Grande do Sul, Henry Chmelnitsky. Villaverde diz que em sua manifestação não fez nenhuma concessão em relação às posições históricas do PT sobre a questão palestina, apontando apenas o que considera ser um desequilíbrio na nota do partido. Segue a íntegra da carta dirigida pelo deputado a Chmelnitsky:

Conforme conversa que tivemos por telefone, te reitero reconhecer que a nota do nosso partido não está equilibrada, na medida em que não separa a defesa da causa palestina dos inaceitáveis métodos do Hamas. Aproveito para te transmitir novamente que eu e outros companheiro(a)s do PT estamos gestionando junto ao Presidente Berzoini, a necessidade de fazer um reparo a nota inicial.

Entretanto caro amigo, quero te confessar, que como um humanista e herdeiro das melhores tradições da esquerda democrática, não posso ficar indiferente ao que está acontecendo lá no Oriente Médio. Por isso acho que tanto a resposta da Federação quanto a do Centro Wiesenthal elidem a questão central, que é a dimensão dos ataques que estão ocorrendo na região e sobretudo suas consequências, para ambos os povos. E ainda que não deliberadamente, acabam dando guarida à “velhos métodos” que nada mais são que semeadores e alimentadores de lógicas fundamentalistas. Onde os conteúdos e as fundamentações das posições ficam secundarizadas frente a necessidade dos seguidores terem que seguir seus líderes, independente dos erros ou equívocos de suas posições.

Portanto nós que vivemos uma experiência concreta, de convivência em POA de duas grandes comunidades (judaica e palestina) e somos herdeiros da melhor tradição da co-habitação pacífica entre elas, não podemos e nem devemos agir como se estivéssemos no campo de batalha.

Nossa responsabilidade é, portanto, buscar o ponto de equilíbrio necessário e repudiar métodos e posturas inaceitáveis e estranhas ao estado de direito e à democracia. Este é o dever de todo democrata e humanista, que com certeza somos.

Para finalizar, recupero aqui um momento muito importante e singular de nossa querida Porto Alegre, quando A Rede de Cidades pela Inclusão Social e a Paz, em janeiro/2003, definia como um de seus objetivos lutar por uma cultura de paz e pelos direitos humanos. Tendo o papel importante para divulgação internacional da Carta de Porto Alegre, no âmbito do III Fórum social Mundial. Esse documento foi escrito pelos seis conferencistas da atividade Diálogos pela Paz, que reuniram judeus e palestinos no III Fórum Social Mundial. A Carta, em português, foi lida pelo prefeito de Porto Alegre, João Verle, e a versão, em inglês, foi lida por representante do grupo Galia Golan, na presença de 16 mil pessoas que lotaram o Gigantinho. A manifestação dizia:

Nós, pacifistas israelenses e palestinos, estamos determinados a buscar: paz, justiça e soberania para nossos povos e um final à ocupação israelense nos territórios ocupados em 1967; uma solução acordada e justa para a questão dos refugiados palestinos, conforme a resolução 194 das Nações Unidas. Clamamos a comunidade internacional e as Nações Unidas, em particular, para, urgentemente, intervir para: colocar um fim a esta situação trágica e um final à violência em ambos os lados, o imediato encaminhamento de negociações de paz a fim de possibilitar uma paz justa e duradoura (27/01/03)

14 Comentários on “Nota do deputado Adão Villaverde”

  1. #1 Marcos Vinicius
    on Jan 14th, 2009 at 6:51 pm

    Discordo do deputado, ao citar como inaceitáveis os métodos do Hamas, não diz quais os métodos que discorda e quais aceita. Deve saber que a ONU reconhece o direito a autodefesa contra uma força de ocupação e que o bloqueio gencida contra a Faixa de Gaza é sim um crime contra o humanidade também previsto no direito internacional. Para completar, cito o próprio sionista Ben Gurion: “Por que haveriam os árabes de querer a paz ?Se eu fosse um líder árabe nunca iria parlamentar com Israel. É óbvio: nós ocupamos as terras deles. É certo que Deus tinha-no-la prometido mas que significa isto para eles?(….) Houve o anti-semitismo, os nazis, o Hitler, Auschwitz, mas que culpa tiveram eles ( os árabes)? Eles apenas vêem uma coisa: que viemos para aqui, que roubamos as suas terras. Por que haveriam de aceitar tal coisa ? “

  2. #2 msilvaduarte
    on Jan 14th, 2009 at 7:43 pm

    Havia lido a carta na íntegra, ainda no domingo, quando publiquei meu comentário sobre a posição de Villaverde. Inclusive entrei em contato com sua assessoria, que não deu a mínima para meu chasque eletrônico.

    Abaixo, trechos de minha postagem:

    “O deputado estadual Adão Villaverde (PT-RS) enviou carta à federação Israelita do Rio Grande do Sul propondo a revisão da nota recentemente emitida pelo Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores sobre o genocídio atualmente em curso em Gaza.

    Embora leia-se claramente na nota petista que ‘Atentados não podem ser respondidos através de ações contra civis’, para Villaverde ‘a nota do nosso partido não está equilibrada, na medida em que não separa a defesa da causa palestina dos inaceitáveis métodos do Hamas’.

    La Vieja, no entanto, acredita que defender a tese de que os atentados praticados contra civis pelos Hamas não podem ser respondidos na mesma moeda não é outra coisa senão separar ‘a defesa da causa palestina dos inaceitáveis métodos do Hamas’.

    E, não obstante Villaverde reconheça, em sua equilibrada proposta de revisão da nota petista, que tanto a réplica da Federação quanto a do Centro Wiesenthal ‘elidem a questão central, que é a dimensão dos ataques que estão ocorrendo na região e sobretudo suas consequências, para ambos os povos’, estranhamente não separa a defesa da soberania e da existência do Estado de Israel dos inaceitáveis métodos desse mesmo Estado na defesa daqueles seus interesses: a ocupação ilegal do território palestino desde 67 e o bloqueio à Faixa de Gaza.

    Onde estão suas palavras contra esses inaceitáveis métodos?”.

    Portanto, pelo menos de acordo com meu ponto de vista, o fato da carta ser publicada na íntegra em nada altera a posição publicamente assumida pelo deputado.

  3. #3 Carlos Eduardo da Maia
    on Jan 14th, 2009 at 7:58 pm

    O que é irritante no PT é que um deputado para mostrar seu ponto de vista (que é o da imensa maioria das pessoas) tem que dar zilhões e zilhões de explicação…. A patrulha ideológica da hipocrisia não perdoa. Os boizinhos têm que estar todos afinadinhos.

  4. #4 Anonymous
    on Jan 14th, 2009 at 8:00 pm

    Acho que o Brasil e por decorrência o PT tem sim um potencial importante na construção de uma cultura de paz internacional e talvez uma contrubuição importante para a solução do conflito no Oriente Médio. Negligenciar os erros de uma das partes, contigenciado que esteja e por menor que seja, pode significar o sucesso ou fracasso de uma proposta de paz.
    Pode ser sim que a proposta do Villaverde reflita negativamente em termos eleitorais, a julgar pelo número de manifestações no penúltimo post, mas creio que na essência de quem se propõe a construir uma solução de paz sua conduta está correta e espero que contribua para o aprimoramento da nota do partido.

  5. #5 Tupamaro
    on Jan 14th, 2009 at 8:53 pm

    É uma enorme hipocrisia exigir que se busque um ponto de equilíbrio entre Israel e a causa palestina, como pede o sionista Villaverde em sua vergonhosa carta.

    Este equilíbrio somente seria possível se Israel deixasse de ser apoiado militar e politicamente pelo EUA e pela comunidade europeia. Como já mencionei em outro comentário, Israel, desde 1948, só existe como Estado devido a este apoio, sem o qual não manteria sua independência por muito tempo.
    Agora, porque a comunidade internacional deve dar apoio a existência de um estado “fantoche”, criado artificialmente e que só gera ten são e desequilíbrio no Oriente Médio?
    Em nome do que? Do holocausto perpetrado por Hitler. Então teríamos que aceitar que este holocausto justifica o holocausto palestino que Israel vem perpetrando desde 1948 com o apoio internacional.

  6. #6 msilvaduarte
    on Jan 14th, 2009 at 10:14 pm

    Perdão, Tupamaro, mas me parece que há uma falácia em teu raciocínio. Se eu estiver errado ou não tenha te entendido, por gentileza me corrijas.

    Aceitar que a comunidade internacional reconheça Israel em função do holocausto não implica aceitar que Israel possa massacrar palestinos porque os judeus foram massacrado por Hitler.

    Parece-me possível aceitar que a comunidade internacional apóie
    a existência de Israel em função do holocausto sem se comprometer
    com a tese de que isso implicaria aceitar o holocausto como razão suficiente, ou justificativa, como preferes, do extermínio de palestinos desde 1948.

    Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, Tupamaro.

    Vejas que não defendo que o holocausto seja condição suficiente para a criação do Estado de Israel, mas só que aceitar isso não implica,
    necessariamente, ser conivente com uma posição que defenda que o holocausto justifique alguma outra coisa que não a própria criação desse Estado. Não vejo relação entre os dois raciocínios. Talvez um bom sionista a ela recorresse
    como forma de justificar o que faz, mas essa eu tenho certeza que não é a tua posição, nem aqui e nem na China.

    Ou eu estou bem enferrujado em lógica. Talvez, também, eu não tenha entendido nada.

  7. #7 Anonymous
    on Jan 14th, 2009 at 10:50 pm

    O temor do nobre deputado não tem nada de ideologico, é puramente pragmático e mercantil, na medida em que grande parte do financiamento das campanhas é feita por empresários, e no caso do RS muitos são judeus. Sem falar na pressão do monopólio das comunicações ( RBS, familia Sirotski) que pode, como represália aos contrários ao Estado Fascista de Israel, “esquecer” do nobre deputado, o que seria, para ele, o fim.

  8. #8 Luís
    on Jan 15th, 2009 at 12:18 am

    Que o meu amigo Villa me perdoe, mas NADA justifica o nazismo que vez que outra, ou constantemente, a política sionista produz – incluindo a atual “política de varredura” da Faixa de Gaza.
    Lamento a sua postura totalmente pragmatista, abandonando qualquer verve ideológica e acabando por reproduzir uma velha…

  9. #9 Ary
    on Jan 15th, 2009 at 1:12 am

    Esse puxa o PT para a direita.

  10. #10 Ary
    on Jan 15th, 2009 at 1:48 am

    Maia: se você quer identificar “boizinhos”, se abanque em frente a uma banca de revistas e observe aquelas pessoas, aos domingos, comprando a inVeja embrulhada no ZH. Mas não esqueça de, antes, “garantir” o seu “ZH casadinho com a inVeja”.

  11. #11 marcelo
    on Jan 15th, 2009 at 11:51 am

    E por acaso existe equilíbrio militar entre Israel e Palestina, pra tratar os dois da mesma maneira?

    Se existir algum, vou dar a minha sugestao de como achar o “ponto de equilíbrio”. Pra cada morto israelense existem 100 mortos palestinos. Logo as críticas a Israel devem ser 100 vezes mais fortes que as críticas aos palestinos. Assim teremos encontrado o ponto de equilíbrio.

    Se todos nós seguirmos essa lógica, seremos pessoas equilibradas.

  12. #12 Anonymous
    on Jan 15th, 2009 at 5:59 pm

    Porque o Jairo Jorge não convida o deputado “esperto” e leva o tal de Maia junto pra Canoas????
    Antenor.

  13. #13 Anonymous
    on Jan 15th, 2009 at 8:06 pm

    Ora, quem não conhece o Villaverde até compra. O homem é um surfista. Aproveitou a onda para ganhar mídia. É o modus operandi. Dele e dessa parte bichada do PT. Imaginem se ele ia perder a oportunidade de se cacifar poliiticamente com os ricos hebreus locais.

    o que mesmo corre voa! faça o teste, saque uma máquina fotográfica perto do adão e observe seu rápida movimentação até o enquadramento.

    é.

    essa moçada está dentro do PT e se diverte dando bola nas costas do partido.

    nunca entendi o que faziam dentro do PT. Hoje em dia, sim, afinal o PT é governo.

  14. #14 Anonymous
    on Jan 16th, 2009 at 10:44 am

    O Deputado Villa acha inaceitáveis os métodos do Hamas, certamente acha aceitáveis os métodos “criminosos” de Israel…O que não fazem por uns votinhos…

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