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Fraude financeira, um charme de simplicidade

O professor Ladislau Dowbor escreveu um longo e rico ensaio sobre a crise econômica mundial e a convergência que ela apresenta com problemas sociais e ambientais. Para ele, a crise, ao mesmo tempo em que traz um impacto devastador sobre a vida de milhões de pessoas em todo o mundo, abre um período de oportunidades para colocar na agenda dos governos e da sociedade um debate sobre a urgência de um novo padrão de desenvolvimento. Dowbor é doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia, professor titular da PUC de São Paulo e consultor de diversas agências das Nações Unidas.

Trata-se de um ensaio de 25 páginas, repleto de informações, gráficos e tabelas informativas sobre a gênese e os possíveis desdobramentos da crise. Sugiro fortemente a leitura. Quem não tiver tempo de ler agora, mas está interessado em uma ótima síntese sobre a crise, pode guardar o texto para ler no feriadão de carnaval.

Reproduzo aqui alguns trechos para estimular a leitura:

“Os benefícios fundamentais da globalização financeira são bem conhecidos: ao canalizar fundos para os seus usos mais produtivos, ela pode ajudar tanto os países desenvolvidos como os em via de desenvolvimento a atingir níveis mais elevados de vida” (IMF, Finance & Development, Março de 2002).

“Os administradores de fundos enriqueceram e os investidores viram o seu dinheiro desaparecer. E estamos falando de muito dinheiro, em todo esse processo”. (Paul Krugman, Folha de São Paulo, 30/12/2008)

“As pessoas imaginam profundas articulações onde, em geral, há mecanismos bastante simples. Nada como alguns exemplos para ver como funciona. Há poucos anos, estourou o desastre da Enron, uma das maiores e mais conceituadas multinacionais americanas. Foi uma crise financeira e um dos principais mecanismos de geração fraudulenta de recursos fictícios. E foi também um charme de simplicidade”.

“Manda-se um laranja qualquer abrir uma empresa laranja num paraíso fiscal como Belize. Esta empresa reconhece por documento uma dívida de, por exemplo, 100 milhões de dólares. Esta dívida entra na contabilidade da Enron como “ativo”, e melhora a imagem financeira da empresa. Os balanços publicados ficam mais positivos, o que eleva a confiança dos compradores de ações. As ações sobem, o que valoriza a empresa, que passa a valer os cem milhões suplementares que dizia ter”.

“No momento da falência, a Enron tinha 1600 empresas fictícias na sua contabilidade. É um exemplo simples. Representa um mecanismo de fraude honesto e transparente. Não viu quem não quis. Mostra o que é a cultura da área financeira, onde vale rigorosamente tudo, conquanto não sejamos pegos. Não é o reino dos inteligentes (tanto assim que quebram), mas dos espertos. E os que buscam produzir bens e serviços realmente úteis são levados de roldão, em parte culpados porque toleraram idiotas disfarçados em magos de finanças e marketing”.

1 Comentário on “Fraude financeira, um charme de simplicidade”

  1. #1 Anonymous
    on Feb 17th, 2009 at 8:16 pm

    E depois o Brasil que é campeão de corrupção, só o valor golpe da Eron é quase todops golpes aplicados no Brasil desde a Independência.

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