A Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe), a quem compete o transporte de presos, deveria ter levado três homens acusados de assassinato que estavam no Presídio de Novo Hamburgo, para prestar depoimentos no Fórum da cidade. Mas na hora das audiências, nenhum preso apareceu. No presídio, nenhum registro de fuga ou motim. A justificativa para o não comparecimentos dos homicidas foi de que a Susepe não os encaminhou ao Fórum porque não tinha viatura para transportá-los.
Diante da situação estapafúrdia, não restou alternativa ao juiz da Vara do Júri, André Vorraber Costa, que determinou a soltura dos acusados. É a lei. “Ninguém pode ficar preso por tempo superior ao que deveria, ou continuar detido porque o Estado não fez seu processo tramitar num tempo razoável”, lembrou o magistrado.
É precisamente aí que reside a relação entre o propalado déficit zero de Yeda e a insegurança da população gaúcha. Para entender melhor: em 2007, o governo tucano anunciou que o Orçamento do Estado para 2008 seria, pela primeira vez, realista. Para a Segurança Pública, Yeda previa um investimento de R$ 198 milhões. Era pouco mas, afinal, era realista. 2008 terminou e tudo o que o Estado investiu em Segurança não chegou a 10% do previsto, ou seja, pouco mais de R$ 17 milhões (e a maior parte do dinheiro ainda veio do governo Lula).
Com tão pouco investimento, a Polícia Civil, a Brigada Militar, o Instituto Geral de Perícias e Susepe chegaram ao final do ano completamente sucateados. Resultado prático: o Estado bateu recorde de assassinatos (1.641 gaúchos mortos violentamente), milhares de policiais ficaram sem coletas à prova de balas, faltaram revólveres e pistolas, as delegacias caíram aos pedaços (em Santa Maria, 17 funcionários da DP contraíram leptospirose) e faltou até material de expediente como canetas e papel. Salários? Continuaram entre os mais baixos do país (a média salarial do Estado é a 24ª mais baixa do Brasil).
A situação chegou a tal ponto que delegados, inspetores, investigadores, soldados, capitães, majores e até coronéis juntaram-se num movimento de protesto inédito anunciando o caos na segurança. E ele veio da forma mais cruel: três suspeitos de assassinato ganharam às ruas porque a Susepe, que não tinha viaturas, não conseguiu levá-los ao Fórum que fica a poucas quadras do presídio.
A síntese parece estar na frase de um delegado de polícia que prefere não se identificar: “É a isso que chamamos custo social do déficit zero. Que sirva de lição. Sempre que alguém do governo vier se gabar do déficit zero, devemos perguntar: e os homicidas, continuam por aí, matando gente?” (Maneco)


on Mar 20th, 2009 at 4:01 pm
Se cortou tudo o que é tipo de investimento e custo para se chegar ao “deficit zero”, para, agora, se prometer milagres de investimentos porque ele foi alcançado… tóóóóóiiiiiiinnnnn…
É de enlouquecer quem não sabe que esse “deficit zero”, para além da retórica, é a busca do clássico controle dos gastos públicos que se busca por aqui, faz tempo.
O Capital precisa equacionar a arrecadação e investimentos públicos, ao seu modo, e encontrou uma fascysta-corrupyta disposta a “encarar”… mas com pouca coisa para vender, até porque se mostrar neo-liberal caiu de moda.
on Mar 20th, 2009 at 5:18 pm
UÉ… NÃO VI NADA QUE ASSEMELHASSE A ESSA NOTÍCIA EM NOSSOS JORNAIS E NOTÍCIÁRIOS. A ÚNICA COISA QUE TENHO VISTO É UM ENORME NÚMERO DE NOTÍCIAS QUE FALAM SOBRE O AUMENTO DE SALÁRIOS DOS POLICIAIS…INVESTIMENTOS NA SEGURANÇA PÚBLICA…VIATURAS PARADAS EM EXPOSIÇÃO EM PRAÇA PÚBLICA E UM MONTÃO DE AÇÕES QUE O ESTADO VEM FAZENDO PARA SALVAR O RIO GRANDE. DÃÃÃÃÃ… POR QUE SERÁ QUE CRITICAM TANTO ESSE GOVERNO QUE É TÃO EFICIENTE, TRANSPARENTE, COMPROMETIDO, ORGANIZADO E REALISTA?
TADINHOS…DEIXEM ELLES TRABALHAREM EM PAX. NOSSO ESTADO ESTÁ TÃO TRANQUILO. É SÓ LIGAR A TV E VER… ESTÁ TUUUUUDO DANDO CERTO…COMO ELLES PROMETERAM!
on Mar 20th, 2009 at 5:41 pm
Não sei, não…Acho que vocês estão com informações defasadas ou de outro estado. Ainda ontem, no intervalo do Jornal Nacional da Globo (o espaço publicitáio mais caro da TV brasileira) eu vi um mundo todo dourado na segurança pública do RS. Vários servidores da segurança apareceram faceiros, sorrindo,certamente relembrando o que pretendiam comprar e fazer com os polpudos salários que passaram a receber da nossa querida Yeda. Belas tomadas vistas do alto de viaturas flamantes, coletes a prova de balas sendo afivelados a corpos esguios de brigadianos cheios de energia para combater o crime e pessoas do povo dizendo com toda confiança: “-Agora vai!”
O áudio não deixava dúvidas: vivemos num paraíso de segurança e satisfação dos servidores da área. O “povo”, entrevistado nas ruas, concorda.
Néia
on Mar 20th, 2009 at 7:06 pm
A barbitúrica deve estar “forrando o poncho”. Corrupta como é , deve estar desviando direitinho o ervanário que deveria ser aplicado em educação, segurança e saúde. E os panacas que a elegeram que se danem…
on Mar 21st, 2009 at 1:01 pm
Discordo do colega de comentários Luís quando ele afirma que há “pouca coisa para vender”.
Temos aí parte do Banrisul, a Procergs e a CEE. Não é pouca coisa, não!
Isto, sem listarmos a Corsan, que é, a esta altura, a “jóia da coroa”. O grande capital está “babando” para se assenhorear-se dos serviços de fornecimento de água. Vislumbra lucros mirabolantes neste setor.
Imagine, com a escassez que está prevista para os próximos anos, a água sendo privatizada. Que mina de ouro seria a Corsan para os grandes empresários encherem os cofres de lucros.
Na outra ponta, podemos imaginar as alturas a serem atingidas pela tarifa d’água, que teremos que pagar, para saciar a sede, sem trocadilho, de lucros dessa patota.
on Mar 21st, 2009 at 2:55 pm
Cada dia que passa me convenço mais de que a soluçao seria a criaçao de um Estado paralelo.
A financiar esse novo centro de aglutinaçao social? 1% do valor de cada produto vendido por empresas cadastradas.
Produto A preço: 10 – icms=1,7 total= 11,70;
Novo sistema: prod A = 10 + 1,7 (icms) + 1% destinado a iniciativa do Estado paralelo;
O comerciante vendera muito mais os produtos que apoiam o Estado popular, e podera arcar com esse 1%, nao repassando-o ao preço;
Em todos os casos, em pouco tempo se podera comprar uma viatura popular para transportar presos, doentes, escolares etc etc;
Dai para a criaçao e aperfeiçoamento de uma nova formula de agregaçao social sera uma estrada asfaltada;
O problema sera convencer o banco mundial que o estado que deve pra eles (50% a mais de divida, somente em funçao do cambio) é o antigo, aquele da “barbiturica” e do brito e do busato;
on Mar 21st, 2009 at 6:28 pm
Kd a Yeda….continua em sua tourne carioca no gigantesco seminario da Fundacao Konrad Adenauer…….Parece que ele ja jogou a toalha……Curtindo os seus ultimos dias (com muito Cardenal e Lexotan) nos poroes da resitencia.