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O Palácio Piratini terá o nome da empresa que doar recursos para sua restauração?

O leitor Marco Aurélio Biermann Pinto escreve sobre a inauguração do Espaço Vonpar (empresa franqueada da Coca Cola no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina) no Multipalco do Theatro São Pedro:

Lendo a ZH online nesta madrugada descubro que o novo espaço da Fundação Theatro São Pedro no Complexo Cultural Theatro São Pedro foi batizado de “Espaço Vonpar”, em razão, imagino, de o espaço ter sido financiado pela Vonpar, eis que em 2008 a empresa investiu R$ 1,5 milhão na conclusão da obra sem benefício de lei de incentivo, conforme leio na notícia e também aqui. Um mecenato louvável, considerando-se todos os considerandos possíveis em relação ao que se transformou o benefício das leis de incentivo, que tem servido muito mais de instrumento de comunicação e marketing das empresas do que instrumento de fomento à produção e fruição de cultura.

Um mecenato que, no entanto, não deve dar o direito de o nome daquela empresa batizar um espaço que até segunda ordem é público, eis que pertencente ao patrimônio de uma fundação pública, sob pena de dentro em breve, por exemplo, passarmos a conhecer o Palácio Piratini pelo nome da empresa que doar recursos para a sua restauração.

Imagino que os espaços e prédios públicos ainda sejam denominados conforme regras estabelecidas pelo poder público. Como terá ocorrido a escolha de tal nome para aquele espaço que hoje será inaugurado? Que ato da administração pública foi esse? Um dos princípios da administração pública é o da impessoalidade, conforme o art. 37 da Constituição Federal. Reza a lei que prédios públicos não podem receber o nome de pessoas vivas. O bom senso deveria fazer com que também não se emprestasse nomes de empresas. Se não há bom senso, basta ver o caso Brasil Connects e de tantas outras empresas que vieram a se envolver em escândalos e que tinham seus nomes vinculados a espaços culturais, ainda que privados. A Carta Capital discutiu isso em “Mecenato à vista”, não lembro em qual edição.

O Multipalco do Complexo Cultural Theatro São Pedro, da Fundação Theatro São Pedro – portanto um órgão público, construído em terreno público doado pela Prefeitura de Porto Alegre a essa Fundação (ou ao Estado do Rio Grande do Sul) e que também é mantida com recursos públicos – abre hoje, por módicos R$1.500.000, 00 a melhor e maior vitrine da Vonpar na Praça da Matriz. Nunca se obteve tantos metros quadrados por tão pouco naquela região. Como fundação pública, o Theatro São Pedro é a melhor agente imobiliário à disposição das empresas privadas. Os interessados devem estar pensando nela para gerir o caos dos imóveis públicos, alardeado pela ZH… O pai da governadora, que deu a vida pelo bem público, conforme ela declarou ao disponibilizar o Palácio Piratini para os ensaios da OSPA, com certeza não aprovaria isso. E o Ministério Público?

20 Comentários on “O Palácio Piratini terá o nome da empresa que doar recursos para sua restauração?”

  1. #1 Anonymous
    on Mar 26th, 2009 at 1:58 pm

    Só uma perguntinha, nada a ver com o post na verdade, mas relacionado a toda essa sujeirada aqui no Estado. Vocês não vão repercutir o caso do professor Ungaretti, da Ufrgs, que teve o blog censurado pela justiça porque tinha postagens que incomodavam a RBS?
    Abraços

  2. #2 claudia cardoso
    on Mar 26th, 2009 at 2:01 pm

    Pra ver como ateh quem deveria ser mais inteligente, perdeu a nocao com esses desgovernos Rigotto>Detran>Yeda>Detran>compra de casa>escutas telefonicas>pau nos movimentos sociais>Vonpar…

  3. #3 Cristóvão Feil
    on Mar 26th, 2009 at 2:16 pm

    Muito bom, Weissheimer.

    Abç.

    CF

  4. #4 Marco Aurélio Weissheimer
    on Mar 26th, 2009 at 2:18 pm

    Caro Anônimo das 10:58, vamos repercutir sim.

  5. #5 Fernando
    on Mar 26th, 2009 at 3:18 pm

    Eva Sopher é uma abnegada, que abraçou um prédio abandonado e o reconstruiu, vive para o Theatro São Pedro 24 horas por dia. Batalhou como ninguém pela construção do Multipalco. Reconheço também que o estilo de Eva Sopher não é dos mais democráticos, centralizadora, Eva Sopher se acha dona do teatro. E ninguém, do governo do antigo PDS ao PT, jamais teve a coragem de enfrentar Eva Sopher. Agora, como dizia Deng Xiaoping, “do que importa a cor do gato, se ele pegar o rato?”. Que tal deixar aquele espaço como era, um terreno baldio, com um estacionamento em cima? Para que mais um espaço cultural, se pode-se ter mais vagas para estacionar no centro? Ah, mas o nome é da Vonpar? Ela usa como marketing? Bom para ela que promove seu produto, bom para a cidade que ganha um espaço cultural. Ou é melhor ter um estacionamento? Ideologia demais, seja a direta ou a esquerda, tem nome. Totalitarismo. Recomento o Dicionário de Política de N. Bobbio.

  6. #6 Marco Aurélio Weissheimer
    on Mar 26th, 2009 at 3:27 pm

    Sim, Fernando, e vc, obviamente, não considera “ideologia demais” o fato de os nomes de prédios públicos serem apropriados por empresas privadas. Isso é mero pragmatismo, certo? Se a Microsoft quiser restaurar o Piratini, tem o direito de passar a chamar o lugar de Palácio Microsoft. Afinal, como se sabe, o capitalismo não tem ideologia…

  7. #7 el barto
    on Mar 26th, 2009 at 3:27 pm

    o piratini vai se chamar “espaço aracruzius”…

  8. #8 Katarina Peixoto
    on Mar 26th, 2009 at 3:49 pm

    O Piratini vai se chamar Piratini, de novo, e em breve.

  9. #9 Deisy Ventura
    on Mar 26th, 2009 at 3:59 pm

    Dia desses, estava buscando com um colega a epígrafe para um artigo que escrevemos sobre a celulose no Cone Sul, e recordamos o verso de Jorge Drexer “En esta orilla del mundo/ lo que no es presa es baldío” (da canção “Al otro lado del río”). O protagonismo não é um álibi, é um mérito, sujeito a crivo e ao ar do tempo. Há muita gente anônima fazendo pela cultura o que poucos sabemos, e é de se perguntar, de fato, se o que precisamos é de mega-espaços, nos quais, paradoxalmente, também poderemos estar estacionados. Bravo duplo aos Marcos, o que escreveu e o que publicou este belo post republicano.

  10. #10 Pmarkes
    on Mar 26th, 2009 at 3:59 pm

    Essa lógica privatista também está presente na atual administração municipal, dois exemplos são muito claros, o Araújo Viana, que foi privatizado e em breve deve transformar-se no Auditório OPUS Promoções, e o camelódromo, que já expõe em sua fachada o nome CPC COCA-COLA, e tudo com dinheiro público.

  11. #11 Fernando
    on Mar 26th, 2009 at 5:07 pm

    Marco, isso é um sofisma. Comparar um palácio de governo com um novo espaço cultural, é querer comparar o incomparável. Não é o Theatro São Pedro que virou “Coke Theater”. É um novo prédio, o Multipalco, que tem um espaço com o nome da Vonpar. Só um empresário abilolado acreditaria que conseguiria batizar o Palácio Piratini com o nome da sua empresa. O problema, Marco, é que viemos na era do “Clube do Ódio”. As questões não são políticas, são pessoais. “Fulano é de direita, lacaio dos Eua. Sicrano é de esquerda, que vá pra Cuba”. As pessoas não estão mais respeitando e acatando a diversidade política. Não é mais dicotomia, é luta fraticida. Todos acreditam que a vitória só vêem com a destruição do “inimigo”, do Foro de SP, da Gerdau, do MST, da RBS, etc. Os debates descambam para agressões pessoais, verbais, baixarias, etc. De novo, ressalto, isso vai da mais absoluta extrema esquerda, a mais reacionária extrema direita. A Vonpar agora é o alvo da vez. Me lembro que a primeira empresa de informática que trabalhei adotou uma praça, isso foi em meados da década de 90, num projeto da SMAM. Tinhamos várias placas pela praça. Ninguém nunca perguntou se alguém ía botar um luminoso no prédio da Prefeitura. A questão não é mais se a cidade ganha ou perde com um novo espaço cultural, a questão é o significado do patrocínio da Vonpar. Numa coisa vamos concordar, isso só acontece porque o que o Estado investe em cultura beira uma produção tragicômica.

  12. #12 Marco Aurélio Weissheimer
    on Mar 26th, 2009 at 5:59 pm

    Não é um sofisma, Fernando. É “apenas” uma visão diferente da tua que vê neste tipo de permuta apenas a abertura de um novo espaço cultural. Eu enxergo outras coisas que para ti não existem.

  13. #13 msilvaduarte
    on Mar 26th, 2009 at 7:19 pm

    Olá Marco,

    É um absurdo, antes de mais nada e sob todos os aspectos, que o “Complexo Cultural Theatro São Pedro” não se subordine à secretaria de Estado da Cultura, pelo menos se se pensa a cultura num horizonte republicano.

    No mais, nada de novo no front para todos aqueles realmente comprometidos com a crítica às novas formas de privatização do espaço público desde o início do novo jeito de governar.

    Um abraço.

  14. #14 Anonymous
    on Mar 27th, 2009 at 12:18 am

    Não me surpreendi isto, provindo de presidente vitalicia, que virou “dona” do teatro, aclamado por seus grandes amigos da grande imprensa e meios empresarias e politicos do RS….por sinal, esta sempre eternamente em obras (desde que me conheço por gente)e gerindo boa bolada em dinheiro!!!

  15. #15 Anonymous
    on Mar 27th, 2009 at 12:22 am

    Lembro bem da ajudinha sob o nome Incentivo Fiscal do Britto para seu amigo de partido, na época ( senão me engano) o dono da empresa Vompar.

  16. #16 Pmarkes
    on Mar 27th, 2009 at 1:06 am

    A opinião do Fernando, que não vê mal nenhum na privatização dos espaços públicos e resume posições políticas à questões de ordem subjetiva como “ódio” é a mesma que Zero Hora tenta passar com a falácia, esse sim exemplo claro de sofisma, de que o Estado vive uma “guerra-fria”. Vejam como tem efeito a construção de um discurso que serve aos interesses privados. O Pontal do Melo é outro exemplo, muita gente “inocente” acredita que tudo é para “o bem da cidade”. Só que uma cidade para poucos.

  17. #17 Anonymous
    on Mar 27th, 2009 at 5:27 pm

    Bem, se é pela questão do patrocinio porque não Petrobras?

  18. #18 Anonymous
    on Mar 27th, 2009 at 7:36 pm

    Respondendo ao blogueiro o Ministerio Publico está muito ocupado fechando escolas do MST e preparando outras açoes para acabar com este bando de subversivos que são os sem-terra…..

  19. #19 Teresinha Carpes
    on Mar 30th, 2009 at 4:53 am

    Quem fez todo o prédio foi a Prefeitura,que doou o terreno para o São Pedro,na época era Raul Pont(PT),eu vi,o Raul,no meio do terreno,atrás do Teatro,falando com alguns trabalhadores,enquanto isto uma possante máquina derrubava restos de um muro e alzava a terra…Na parceria,com o govêrno Olívio(PT)que terminou toda a connstrução,só faltava uns multipalco(?)Lembro muito bem da placa com o logotipodo governo Estadual”ESTADO DA PARTICIPAÇÃO POPULAR”,então ganhou o Rigôtto(PMDB)que tirou imediatamente a placa,e colocou a dele,que não fez absolutamente nada,pelo teatro!E a velha senhora,quando abriu todo o novo teatro,ela (dona Eva)vivia dava entrevistas e uma delas foi para o Diego Casagrande(anti-petista cruel)e a dona Eva,nem citou o nome de quem terminou o Teatro São Pedro,que era o Governo Estadual Olívio Dutra,e Raul Pont!Quando começaram a construir os multipalcos,eu vi um logotipo também de uma indústria de aço(me esqueci o nome)do Senhor johan Peter(?)No Teatro São Pedro!

  20. #20 Anonymous
    on Apr 1st, 2009 at 5:35 pm

    E ao que parece as autoridades competentes concordam com tudo isso. Quem conseguirá remover o nome VONPAR do alto do Multipalco? Cadê as secretarias de cultura, conselho, MP….

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