O prefeito José Alberto Fogaça de Medeiros (PMDB), cuja primeira eleição se deu sobre um slogan oportunista que capitalizava todas as realizações das sucessivas administrações petistas da Capital (“fica o que tá bom, muda o que não tá”), deve estar pensando que, como conseguiu a reeleição, agora pode mudar também o que “tava bom”. Estão sob risco em Porto Alegre a ciclovia Caminho dos Parques, o Passe Livre, o campinho de futebol da Redenção, o Araújo Viana e o Orçamento Participativo. Isto sem falar na saúde que, nas mãos do pastor Eliseu Santos…
Sobre o Caminho dos Parques, que liga o Parcão à orla do Guaíba, o anúncio de que ele pode ser extinto causou imediata reação dos usuários da ciclovia. Os argumentos oficiais para a extinção – os motoristas não respeitam, o trajeto passa por vias movimentadas e perigosas e a faixa está com sua demarcação apagada – soam muito mais como confissão de incompetência do que qualquer outra coisa. Ora, a quem cabe garantir que a pista da ciclovia esteja liberada nos feriados e finais de semana? À prefeitura. De quem é a responsabilidade sobre a sinalização e a fiscalização do trânsito nas ruas mais movimentadas? À prefeitura. De quem é tarefa de manter a demarcação do Caminho visível? Da prefeitura. Conclusão elementar: todos os problemas apontados pela prefeitura que justificariam a extinção do Caminhos dos Parques são causados e podem ser resolvidos pela própria prefeitura.
Fogaça muda o que tá bom (II): o Passe-Livre
Outra conquista dos portoalegrenses que está na mira de José Alberto é o passe-livre. A prefeitura concorda com o argumento das empresas de que os vândalos se aproveitam do passe-livre para ocupar os ônibus, causar depredações e praticar assaltos. A tese mereceria uma boa gargalhada não fosse o desrespeito, o tom discriminatório, a generalização criminosa e o irrealismo que contém. Se José Alberto andasse de ônibus saberia que, em dia de passe-livre, o número de famílias nos coletivos é muito superior ao de gente mal intencionada. A gauchada tá num dilema sem fim: o que é pior? um prefeito sofismático ou uma governadora atolada em denúncias de corrupção? Sim, porque sem qualquer política de segurança, com policiais mal pagos anunciando o caos, com o Estado entre os mais violentos do Brasil e com recorde no número de homicídios, botar a culpa no passe-livre é uma falácia.
Fogaça muda o que tá bom (III): o Araújo e o Ramiro Souto
Demorou um pouquinho, mas José Alberto finalmente está botando de fora suas manguinhas privatistas. Até o campinho de futebol da Redenção (Estádio Ramiro Souto), que tem ocupação permanente pelos que não podem pagar pelo aluguel de quadras com grama artificial, está sob risco. Já há, na administração fogaciana, quem esteja lançando a proposta de transformar o local num… estacionamento. Pago, é claro. O Ramiro Souto existe há mais de 50 anos (foi aberto em 1943) e é muito mais do que um campo de futebol. No seu entorno há quadras de futebol de salão, vôlei e basquete, espaço para prática de arremesso de peso e martelo e, ainda, aparelhos de ginástica e pista de atletismo. Esta verdadeira academia gratuita ao ar livre utilizada por milhares de portoalegrenses é, ainda, sede de duas entidades, a Sociedade Esportiva Recanto da Alegria (Soerol) e da Assciação dos Veteranos Gaúchos do Atletistmo (Avega) que fazem do Ramiro Souto uma referência de convívio saudável e prática esportiva para pessoas de terceira idade. Mas a maldade de acabar com o estádio vem com requintes de crueldade.
A idéia de transformá-lo em estacionamento seria uma forma de incentivar investidores privados a se interessarem pelo Araújo Viana. Sim, a tradicional casa de shows da Redenção que a administração de José Alberto já tratou de liberar para a exploração empresarial, não tem interessado aos homens do show business porque não oferece… estacionamento.
Fogaça muda o que tá bom (IV): o Orçamento Participativo
O Orçamento Participativo, que está completando 20 anos em 2009, talvez seja a maior conquista dos cidadãos portoalegrenses. Pois esta também está em perigo. Ainda na segunda quinzena de março, o governo de José Alberto não havia publicado o Plano de Investimentos e Serviços 2009 (PI-09), que já deveria estar em execução, além de não ter iniciado as reuniões preparatórias com a prestação de contas do PI-08. Como agravante, não publicou o calendário das assembléias temáticas e regionais, tampouco o plano plurianual foi pautado no Conselho do OP.
Raul Pont, ex-prefeito de Porto Alegre, autor de livros sobre a democracia participativa e o OP e que já viajou pelos quatro cantos do mundo a convite de governos interessados em copiar o modelo adotado na Capital, afirma que “o quadro é preocupante, pois o atual governo – desde que assumiu a Prefeitura em 2005 – acabou com o processo de co-gestão da cidade entre governo e sociedade, construído nos 16 anos da Administração Popular.” Preocupado com o futuro do OP, Pont conclama: “Os movimentos populares, assim como os cidadãos portoalegrenses tem um papel de resistência na manutenção do OP em oposição ao governo Fogaça e seus secretários, que vem esvaziando o OP, com o retorno de uma política clientelista. Por isso, a organização e a mobilização popular são fundamentais para cobrar a execução dos PIs, do caráter deliberativo e da transparência deste processo.” (Maneco)


on Apr 29th, 2009 at 11:06 pm
Se não fosse as verbas do PAC,este senhor Fogaça,não teria ganho eleição nem prá síndico de Condomínio…Marco;saiu uma pesquiza,para as intenções de voto,para governador e Presidente,parece que é da Data-Fôlha!
on Apr 29th, 2009 at 11:38 pm
Marco,
é oportuno e de interesse público a tua intervenção.
Porto Alegre é uma cidade que se des-humaniza a olhos vistos. A barbárie se propaga por todos os lados e classes sociais.E sobretudo nas classes A e B. Ou melhor daqueles que não praticam a cidadania, não tem educação e são apenas consumidores.
O que impera é a lei do mais forte e a política de levar vantagem em tudo. E tudo isso está acontecendo com a cumplicidade e a participação ativa da Prefeitura e dos poderes instituidos.
A Prefeitura está na contramão da humanidade. Enquanto nas cidades civilizadas os pedestres e ciclistas são respeitados pelos motorestas em geral, aqui a administração do Sr. Fogaça, está protejendo os infratores das leis de transito, além não trabalhar para preservar os sinais nas ciclovias. Essa proposta da Administração
Antipopular é um descalabro.
on Apr 30th, 2009 at 12:59 am
Quando vejo os antigos belos ônibus da ex premiada Carris parecendo sucatões, penso que os gaúchos só elegem partido de esquerda para arrumar o que os partidos de direita, que a mídia manda os gauchinhos eleger, destruiram, sucatearam,roubaram. Então, os gauchinhos levam partido de esquerda ao poder para que ele arrume a casa e,depois da casa arrumada, os gauchinhos colocam os usurpadores novamente no poder.E, se bobiar, ainda reelegem a coisa ruim yeda!Faço aposta!
on Apr 30th, 2009 at 2:31 am
Concordo com o fim do passe livre. Esse papinho de que é pra família, trabalhador e blablabla é pura demagogia. Coisa de gente que adora reclamar.
Passe livre é só pra maloquerada sair e assaltar.
on Apr 30th, 2009 at 2:38 am
Na verdade esse pessoal dessa direita pé-de-chinelo portoalegrense (podia ser uma direita francesa e criar a bicicleta pública…) é chegado numa gasolina, acha que bicicleta é coisa de gurizão, coisa de pobre, que rua com asfalto é para carro, que só quem paga IPTU é quem tem carro e que quem paga IPVA jamais anda de bicicleta e afinal bicicleta e carroça só atrapalham o transito.
on Apr 30th, 2009 at 4:44 am
Em Santa Maria, a primeira coisa que o agora prefeito Schirmer fez foi acabar com o passe livre. A última, foi chamar o Busatto para trabalhar aqui…
on Apr 30th, 2009 at 5:31 am
Coisa boa essa pauta sobre o Fumaça!!!
on Apr 30th, 2009 at 5:32 am
E aí Marco,
Gosto muito do teu blog, mas tenho que concordar com a prefeitura sobre o passe livre. Moro em POA há 7 anos e das 4 vezes que fui assaltado, três foram dentro de ônibus em dia de passe livre.
Seria muito mais interessante que essa grana pra manter os onibus circulando de graça fosse pras passagens (talvez 5 centavos a menos em cada passagem).
on Apr 30th, 2009 at 11:47 am
A maloquerada anda votando em Zambiasi, Fogaça e Yeda, eles tem mais é que provar da política anti-pobre, dormiram com a cachorrada, vão acordar mordidos de pulga.
on Apr 30th, 2009 at 1:03 pm
Acho o passe-livre algo demagógico (iclusiva pra os idosos). A questão é a renda (quem pode e que não pode pagar). A partir disso é que deve ser dado o enfrentamento da questão.
Também é ingenuidade pensar que essa passagem é realmente ‘de graça’.
Abcs.
/Mingo.
on Apr 30th, 2009 at 1:27 pm
Os comentários racistas e discriminatórios são tão óbvios tal qual as matérias de ZH e da direitata reacionária do “estado mais politizado do Brasiu”.
Isso tudo de incutir na cabeça (vazia) dos inautos, de que quem usa o passe livre é bandido, são os “poderosos” empresários capitalistas que querem cada vez mais lucro.
É como no caso do Caminho das Parques, se não há fiscalização e nem manutenção, então ACABA.
Se há violência em dias de passe livre, é porque não tem polícia, mais claro que isso é impossível.
E o tal Xavi, como comentarista, ele entende é de “republicar” noticiazinhas de futebol, muito fútil.
O que o Foga$$a quer é arrumar mais grana para os seus amigos, quer ter onde trabalhar(?) depois de sair do Passo Municipal.
Tem gente aqui que qué falou mal de idoso, esquesem que um dia também serão, ai eu quero ver. Iludem-se que, se acabarem com o passe livre, vai diminuir o preço da passagem. kakakakaka!!!!!
on May 1st, 2009 at 10:34 pm
Quando será o julgamento de todos os assaltes dos cofres públicos que estão no governo do Estado do Rio Grande do Sul e da Prefeitura de Porto Alegre? Daí o que a Justiça vai fazer?
Quanto aos assaltos nos ônibus eles ocorrem não só nos dias de passe livre.