A história do anarquista espanhol executado no garrote vil pela ditadura franquista
Aqui vai uma sugestão cinematográfica para o fim de semana. O filme
“Salvador Puig Antich” resgata um pedaço da história de um jovem anarquista catalão que engrossou as fileiras da luta armada contra a ditadura de Franco na Espanha, durante a década de 1960 e início de 1970. Salvador foi executado no garrote vil pela ditadura franquista, após ser preso e condenado pela morte de um policial em Barcelona. Como militante do Movimento Ibérico de Libertação, participou de inúmeras ações armadas do grupo (geralmente assaltos a bancos) como motorista. O dinheiro levantado nos assaltos era destinado ao financiamento de publicações clandestinas do grupo e também para ajudar as famílias de grevistas e trabalhadores presos pela ditadura franquista.

Puig Antich foi preso em 1973, em Barcelona, em uma emboscada onde a polícia usou como isca um companheiro de Antich que havia sido preso e torturado. Foi julgado no Conselho de Guerra e condenado pela morte do policial Anguas Barragán. A condenação, na verdade, foi uma vingança da ditadura franquista pela morte do ex-presidente Carrero Blanco, alvo de um atentado a bomba do ETA. O processo de Puig Antich movimentou toda a Europa. Foram organizadas manifestações em vários países pedindo a comutação da pena capital. A defesa de Salvador tentou deter a execução até o último minuto. Sem sucesso.

No dia 2 de março de 1974, Salvador Puig Antich foi a última pessoa da história da Espanha a ser executada pelo garrote vil (uma espécie de torniquete colocado no pescoço do condenado, e girado até que seus ossos se partissem ou ele fosse sufocado), método usado desde a “conquista” da América espanhola. O qualificativo “vil” merece destaque: a decapitação era reservada aos nobres, às pessoas mais ricas, aos “homens de bem”, enfim; já o garrote era uma forma “vulgar” de execução, aplicada a índios, negros e brancos pobres, geralmente “do campo”. Um requinte de crueldade da direita espanhola inspirado nas bondades da inquisição da Igreja Católica, tão boazinha ela.
Em 2001, o jornalista catalão Francesc Escribano escreveu o libro “Cuenta atrás. La historia de Salvador Puig Antich”, no qual se propõe a contar os fatos que levaram à execução de Puig Antich. Em 2006, com um roteiro baseado no livro de Escribano, Manuel Huerga dirige “Salvador”, protagonizado por Daniel Brühl (protagonista de Adeus Lênin e Edukators, entre outros). O livro e o filme foram criticados por antigos companheiros de militância de Salvador. Para eles, as duas obras esvaziaram de conteúdo político o personagem de Puig Antich, ao mesmo tempo em que teriam dado uma falsa dignidade ao seu carcereiro, Jesús Irurre.
Divergências históricas à parte, o filme merece ser visto por lançar luz sobre um período obscuro da história da Espanha e por nos lembrar que lembrar é importante e que a ausência de luta contra a opressão e a ausência de memória são dois dos nomes da morte. “Salvador” está disponível nas locadoras.
Posted in: Cinema, Salvador Puig Antich.
on Jan 10th, 2010 at 10:17 pm
Vi o filme hoje…
Ruim d+..Arrastado, longo, sem “pega” algum…
E realemente, ao ver o filme, Salvador parce mais um qualquer que estava no lugar errado, na hora errada…
Parece um jovem despolitizado..O ator tambem nao encaixou em nada no papel..
Resumindo, fraquíssimo…lembra de forma tosca o nosso “que isso companheiro”.
abraco a todos.
on Mar 22nd, 2010 at 12:09 pm
Não sou crítico de cinema, mas interessado em filmes políticos. Achei o filme muito bom! O filme mostra que Salvador lutou por um ideal, afirmou e provou isso até o fim. Não se trata de filme panfletário e me pareceu muito mais emocionante do que “O que é isso companheiro?” Não seria pra menos, pois a história da ditadura franquista foi muito mais pesada do que a nossa ou a de Salazar, por exemplo. Franco deixava Che e Fidel parecendo bonzinhos! Eu não conhecia o “garrote vil”. Requinte de crueldade ocidental em pleno século XX!
on Jun 16th, 2010 at 7:51 pm
Eu vi o filme, fiquei horrorizada não sabia do seu uso em pleno seculo XX. Não acho que essa prática foi parte deum passado obscuro espanhol, já que eles aprovaram touradas como cultura o passado obscuro ainda é presente. O sofrimento e a tortura de um ser não pode ser diversão, e eu penso que amaioria dopovo espanhol não aprova a prática das touradas, espero que esse divertimento da minoria tenha um fim próximo e que todos os toureiros fujam dos touros.Olé!!! PARABENS AO CRISTIAN HERNANDEZ pelo bravo abandono da arena.
on May 31st, 2011 at 2:03 pm
Essa tal de Rosaly não entende nada do povo espanhol hoje não existe mais pena de morte na espanha porque ela não critica os eua pela execuçãol do casal Rosemberg?