Uma coisa é escutar parlamentares do PDT e de outros partidos justificarem sua não assinatura do requerimento para a instalação de uma CPI da Corrupção na Assembléia Legislativa em função da suposta ausência de fatos novos e de foco. Para quem não quer investigar os indícios de corrupção no governo Yeda, qualquer explicação é explicação. Outra coisa bem diferente é ver uma jornalista bem informada repetindo esse discurso de um modo acrítico e sonegador da verdade. A colunista de Zero Hora, Rosane de Oliveira, escreve hoje em seu blog:
O problema é a carência de foco: com tantas denúncias pipocando contra o governo, falta um fato determinante para embasar o pedido de CPI. Os indícios de uso de caixa 2 na campanha de 2006 não podem ser o foco da CPI, até porque são águas passadas.
A jornalista certamente leu o requerimento da CPI e conversou com seus proponentes. Portanto, não pode alegar desconhecimento de causa. Em primeiro lugar, os indícios de uso de caixa dois não são o foco do pedido da CPI. O foco do requerimento é a investigação das denúncias levantadas pela Operação Solidária e suas possíveis conexões com a Operação Rodin. Há fortes indícios de que os personagens nas duas fraudes são os mesmos.
Como já foi dito aqui, na Operação Solidária, estão sendo investigados, entre outros, os peemedebistas Eliseu Padilha, Alceu Moreira e Marco Alba. A instalação da CPI prevê a apuração do esquema montado para fraudar licitações nas áreas de pavimentação, saneamento e irrigação, que já teria desviado cerca de R$ 400 milhões. As investigações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal apontam ainda para a participação de pessoas muito próximas à governadora, como Walna Villarins, sua principal assessora, e Delson Martini, ex-tesoureiro do PSDB e ex-secretário-geral do governo. São mencionados, ainda, a ex-secretária estadual adjunta de Obras, Rosi Guedes Bernardes, e o coordenador da transição do governo, Chico Fraga (PTB).
A colunista de ZH simplesmente repete o discurso da base do governo Yeda na Assembléia ao dizer que “falta um fato determinante para embasar o pedido de CPI”. Apurar uma fraude de aproximadamente R$ 400 milhões contra o Estado não é um fato determinante? A jornalista tem conhecimento de todos esses fatos. Ao ecoar o discurso daqueles que estão sob investigação e de seus aliados, abdica de seu dever de bem informar a população.

on May 19th, 2009 at 10:36 pm
A colunista apícola do tablóide apenas faz jus ao cachê.
on May 20th, 2009 at 9:05 am
Após a morte de Brizola o PDT é isso: um amontoado de seres de duvidosa índole com a boca escancarada, babando pelo vil metal.
on May 20th, 2009 at 9:11 am
É isso aí, são todos inocentes. Até prova em contrário. E as provas estão com o Judiciário, a Caixa Preta.
on May 20th, 2009 at 9:21 am
Marco, o RS Urgente não está atualizando na minha lista de novas dos blogues.
on May 20th, 2009 at 10:04 am
ÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉ´…
Apurar 4,7 bilhões de sonegação fiscal na Petrobrás também é.
Apurar l70 milhões de superfaturamento na construção d plataforma também é.
Apurar patrocinios milionários a ONGs e Prefeituras Petistas também é…
Apurar pagamento de 93 milhões de royalies sem contestação a sindicatos de usineiros (que também não viram o dinheiro) também é…
Enfim, CPI lá e aqui.
Jusot? Acho que sim.
on May 20th, 2009 at 10:19 am
Jean, tu já atualizou o endereço do RS Urgente na lista de novas dos blogues?
on May 20th, 2009 at 10:43 am
“Os indícios de uso de caixa 2 na campanha de 2006 não podem ser o foco da CPI, até porque são águas passadas.”
Como assim águas passadas? Deixa assim? Cara de pau!
on May 20th, 2009 at 10:51 am
Águas passadas? Abusada!
on May 20th, 2009 at 11:02 am
Na prática, imprensa e situação estão exigindo que se roube mais para desencadear uma investigação. Pelo jeito, R$400 mi é troco para esta gente.
on May 20th, 2009 at 11:10 am
Marco, o raciocínio da Rosane para não investigar, “são águas passadas”, é um tributo ao poeta Fernando Pessoa:”O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,/ Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia/ Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.” Temos a novidade de que de agora em diante só se pode investigar “águas futuras”. De pouco importa os cadáveres que bóiam sobre águas passadas. Sinceramente, minha labradora Penélope teceria um raciocínio mais complexo.