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Mata Atlântica tem data para desaparecer: 2050. Que tal um atlas dos crimes ambientais?

 Eduardo Ruppenthal envia mensagem lembrando que não há nada a comemorar no dia da Mata Atlântica!

 “Ontem foi lançado novo Atlas mostrando o aumento do desmatamento em todo o país. No Rio Grande do Sul foram desmatados 3117 hectares (período 2005/2008). Interessante ver também o estado de Santa Catarina, tão emblemático nos últimos tempos, tanto pela tragédia como pela flexibilização via código florestal estadual. Certamente, no RS, Porto Alegre está contribuindo muito nestes dados por causa da expansão imobiliária desenfreada”, escreve.

E manda também matérias sobre o tema, com os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da Fundação SOS Mata Atlântica. Alguns dos principais dados da destruição da Mata Atlântica:

Restam 40 anos para a Mata Atlântica, se o ritmo atual de destruição foi mantido. Ela perdeu 102,9 mil hectares em três anos. A floresta que, em 1500, recobria todo o litoral brasileiro, tem hoje apenas 7,9% de sua área original.

Segundo o Atlas dos Remanescentes Florestais divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o desmatamento persiste inabalável, no ritmo de 34 mil hectares ao ano desde 2000. Nessa velocidade, a floresta tem data para acabar: 2050.

Nos últimos três anos, foram desmatados cerca de 102 mil hectares de cobertura florestal nativa, o equivalente a dois terços do tamanho da cidade de São Paulo. Nos cinco anos anteriores, foram 170 mil hectares, uma média anual praticamente inalterada.

A situação é mais crítica em Minas Gerais, Santa Catarina e Bahia, que perderam, nos últimos três anos, 32.728 ha, 25.953 ha e 24.148 ha, respectivamente. Agronegócio e extração madeireira são os principais responsáveis.

O caso de Santa Catarina chama especial atenção pois se trata do estado de maior cobertura de Mata Atlântica, 22% do total original, e que, no entanto, vem desmatando muito nos últimos oito anos.

No próximo desastre ambiental que ocorrer nestes estados, empresas que patrocinam essa destruição se engajarão em campanhas de solidariedade às vítimas e os meios de comunicação, financiados por essas empresas, tratarão de apoiar tais campanhas, escrevendo editoriais lamentando as “armadilhas do clima”. Tudo isso com o apoio de governantes, parlamentares, juízes e promotores que apóiam abertamente a “flexibilização” da legislação ambiental ou simplesmente lavam as mãos sobre o tema. Deviam, ao invés disso, estar sendo processados pelos crimes cometidos contra a natureza e a vida humana.

Fica aqui uma sugestão para as entidades que fazem o monitoramento dessa destruição: que tal elaborar um atlas dos crimes ambientais e dos respectivos criminosos???

1 Comentário on “Mata Atlântica tem data para desaparecer: 2050. Que tal um atlas dos crimes ambientais?”

  1. #1 Dora Freitas
    on May 27th, 2009 at 5:29 pm

    Realmente Marco, Porto Alegre foi entregue aos especuladores de plantão. Somente na Av. Ipiranga foram autorizados 2 ENORMES emprendimentos, na Bento Gonçalves outros 2, Zona Sul nem se fala. O que resta de cobertura vegetal? E qual a posição no ranking nacional que a cidade ocupa depois desta devastação? Até o início desta desenfreada corrida para a “modernidade” ocupávamos o 2º lugar ,dentre as capitais brasileiras, em arborização, um orgulho e uma linda herança para as gerações herdeiras. Mas, e agora?

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