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A quebra forçada da GM: o que ninguém explica

 “Atualmente, a reportagem investigativa é praticamente um crime nos Estados Unidos. Você lê jornais e assiste televisão. Então, conhece o noticiário de merda, desmiolado e comercialmente envenenado transmitido nos Estados Unidos. Assim, conseguir publicar essas histórias quando a Mídia Corporativa simplesmente não cobre tais assuntos requer tempo, coragem e talento de centenas de pessoas que me apóiam e compartilham minha falta de apetite para engolir o cardápio oferecido normalmente pela imprensa”.

Quem escreve é Greg Palast, um dos melhores e mais corajosos jornalistas investigativos da atualidade. O texto acima (qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência) faz parte da apresentação do livro “The best democracy money can buy” (“A melhor democracia que o dinheiro pode comprar”, publicado no Brasil pela W11 Editores). “Essas histórias”, a que se refere Palast, são reportagens especiais sobre fraudes cometidas por grandes corporações e por governos. Enron, Monsanto, Wal Mart, George W. Bush e Tony Blair foram alguns de seus alvos. Ele é o repórter que pela primeira vez revelou como Katherine Harris e Jeb Bush – secretária de Estado e governador da Flórida, respectivamente – eliminaram o nome de milhares de democratas das listas eleitorais antes da eleição presidencial fraudada por Bush, em 2000.

Greg Palast tem uma página na internet onde é possível acompanhar seus trabalhos. Atualmente escreve e produz reportagens em vídeo para a BBC e para o The Observer. É leitura obrigatória. A Carta Maior acaba de publicar um de seus últimos textos que trata da quebra forçada da General Motors (tradução de Katarina Peixoto). Palast denuncia um plano sinistro que estaria na origem da quebra forçada da GM: usar os fundos de pensão da empresa para pagar os 6 bilhões de dólares que esta deve a bancos como JPMorgan e Citibank. Dinheiro que a GM deve aos trabalhadores a título de seguro de assistência em saúde na aposentadoria.

O jornalista escreve:

“Enquanto os trabalhadores da GM perdem seus beneficios de assistência em saúde na aposentadoria, seus postos de trabalho, os ganhos de toda uma vida; enquanto os acionistas se vêem sem nada de coisa alguma, e muitos credores, com um palmo de seus narizes, um punhado de privilegiados credores da GM – encabeçados por Morgan e Citibank -, em troca, esperam recuperar 100% de seus empréstimos a GM, por um assombroso montante de 6 bilhões de dólares. A via pela qual esses bancos conseguirão seu prêmio de 6 bilhões de dólares é sob todos os aspectos ilegal. Cheira a roubo”. (artigo na íntegra)

Fica aqui a sugestão: Quem quiser acompanhar a evolução da situação da GM encontrará em Greg Palast uma ótima fonte de informação. Sobre outros temas também. Em “A melhor democracia que o dinheiro pode comprar” (que tem uma parte dedicada ao Brasil), ele escreve, por exemplo, sobre como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez o possível para punir os gaúchos pela eleição de Olívio Dutra (uma história que ainda está por ser contada). Leiam o livro, acessem a página de Palast e leiam seus textos sempre que puderem.

Foto: Divulgação/Greg Palast Site

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5 Comments on “A quebra forçada da GM: o que ninguém explica”

  1. #1 Rafael Reinehr
    on Jun 11th, 2009 at 8:56 pm

    Esta maneira de utilizar o dinheiro dos trabalhadores é muito mais do que ilegal, pois a lei não representa muito neste mundo de opressores e oprimidos mesmo, já que tende sempre em favor dos primeiros: ela é IMORAL.

    Somente pensar que alguém foi capaz de imaginar uma saída destas me faz logo ter vontade de invocar o espírito de Dr. Joseph-Ignace Guillotin, que no século XVIII criou uma solução para estes crápulas.

    Acompanharei.

    [Reply]

  2. #2 Ana Souza
    on Jun 12th, 2009 at 10:50 am

    Ontem no joral da meia-noite da TVCOM saiu uma notícia sobre a entrega de materias de Marcelo Cavalcanti pela viúva para um deputado do PDT e para Adão Paiani.Sairá algo no Blog a respeito?
    Ana

    [Reply]

  3. #3 Adir Tavares
    on Jun 12th, 2009 at 12:19 pm

    É o mesmo meio que usaram para por abaixo as torres gêmeas, até hoje o Osama é lembrado em algum cafundó do mundo com o responsável por meios que ninguem saberá jamais.

    [Reply]

  4. #4 edu
    on Jun 13th, 2009 at 8:05 am

    Caro Marco
    Onde esta o post sobre a divida que a GM tem com o Rio Grande???

    [Reply]

    Marco Aurélio Weissheimer Reply:

    Esse levantamento está sendo feito, Edu. Assim que tiver os dados, eles serão publicados.

    [Reply]

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