Inspirado na nota publicada no RS Urgente sobre Greg Palast, o leitor Celso Luiz, de Rio Grande, sugere que passemos a retomar alguns temas relacionados ao que o jornalista menciona em seu livro “A melhor democracia que o dinheiro pode comprar”: “sobre como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez o possível para punir os gaúchos pela eleição de Olívio Dutra”. E propõe que iniciemos essa reconstituição histórica pelo famoso “Caso Ford”. Para auxiliar nesta empreitada, ele envia algumas reportagens da época com informações que foram, para dizer de uma maneira generosa, muito pouco divulgadas pela imprensa gaúcha. Aqui no Estado, a versão que acabou passando para a população foi a de que o “PT mandou a Ford para a Bahia”. Foi mesmo? Começaremos a divulgar alguns relatos sobre o que foi publicado fora do Rio Grande do Sul sobre esse nebuloso episódio.
Iniciamos esse trabalho com um resumo de uma matéria publicada na revista Veja, no dia 14 de julho de 1999, que fala sobre os bastidores da operação milionária que levou a montadora para a Bahia. Nos próximos dias, publicaremos outros relatos que não são do conhecimento da maioria da população do Rio Grande do Sul. Tomemos então, para começar, o que a Veja – insuspeita de ser uma revista “aparelhada” pelo PT – publicou em 1999:
“A chamada “emenda Ford”, que concede benefícios fiscais para que a montadora americana instale sua nova fábrica na Bahia, foi armada dentro do próprio Palácio do Planalto, mais precisamente no 4º andar, onde fica o gabinete do ministro da Casa Civil, Clóvis Carvalho. Na manhã da terça-feira 29 de junho, o deputado José Carlos Aleluia, do PFL baiano, correu para o Palácio do Planalto e instalou-se na Casa Civil para discutir o tema. Ali, o deputado Aleluia costurou o texto, introduzindo o benefício à Ford na medida provisória 1740, junto com os auxiliares do ministro Clóvis Carvalho. Só no início da noite se chegou a um acordo sobre a forma final do texto, que foi então transcrito num dos computadores da Casa Civil e o disquete enviado à presidência do Senado.
Aberto no computador, o disquete revelava um texto modificando um artigo da Lei nº 9440, de 1997. O acréscimo dizia: ”Para os fins do artigo 11 desta lei, os prazos mencionados no artigo 12 e seu parágrafo único terão vigência até 31 de dezembro de 1999″. Traduzindo o burocratês: a Ford pode instalar-se no Nordeste e terá direito aos benefícios fiscais de um programa que estava encerrado desde 1997 e acabava de ser prorrogado. A alteração foi aprovada no Congresso, por 271 votos a favor e 129 contra (com os votos do PMDB gaúcho e dos demais partidos de oposição ao governo Olívio Dutra, que não hesitaram em votar contra o Estado para garantir que a Ford “fosse expulsa do Estado”. Nota do blog)
O caso ficou tão complicado que o governo resolveu baixar a cortina do silêncio: ninguém falava sobre a autoria da emenda, nem sobre o seu mérito. O Ministério da Fazenda, que era contra a “emenda Ford”, elaborou um estudo sobre o impacto fiscal da medida na arrecadação do governo, mas alegava que, como o presidente Fernando Henrique ainda não decidira oficialmente, nada podia ser comentado – nem a favor, nem contra. Dentro do Itamaraty, cresceu uma oposição forte à “emenda Ford”, já que atrapalha as relações do Brasil com a Argentina. A Argentina topou que o Brasil oferecesse benefícios às montadoras que quisessem se instalar no Nordeste, mas apenas até 31 de maio de 1997. A prorrogação desse prazo não estava no acordo. Mas, no Itamaraty, a ordem também era silêncio.
A confusão, além de expor trapalhadas internas do governo e ameaçar com uma crise política grave, ainda tem outro efeito desagradável: abafa o debate sobre um tema fundamental para o país. Afinal, as isenções fiscais às grandes empresas promovidas pela guerra econômica entre os Estados, de fato, gera um número de empregos compatível com os dispêndios dos governos? É vantajoso para o país? Ou serve apenas a empresa beneficiada? O silêncio que ministros e técnicos mantiveram na semana toda sinaliza que não existe unanimidade sobre o assunto dentro do governo – e esse mutismo também impede que a sociedade aprofunde seu conhecimento sobre a questão. Afinal, isenções fiscais, redução de impostos, empréstimos mais baratos, tudo isso afeta os cofres públicos, cuja única fonte de recursos conhecida é o bolso de cada brasileiro”.
Foto-montagem: revista Veja (1999)






on Jun 15th, 2009 at 10:58 pm
Bingo! Faz alguns dias que venho pensando nesse tema. Se tivesse como ($) era de divulgar amplamente isso antes das eleições.
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on Jun 15th, 2009 at 11:14 pm
Opa! Ótimo momento de trazer a verdade sobre o caso Ford à tona. O prof. Osvaldo Biz tb tem trabalho sobre a relação da mídia com a Ford. Seria interessante entrevistá-lo.
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on Jun 15th, 2009 at 11:15 pm
Excelente postagem! É hora do povo do RS saber o que os patifes que deveriam estar cuidando dos seus interesses fizeram lá em Brasília, com a turminha de FH.
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on Jun 15th, 2009 at 11:17 pm
Ótimo…
Quando o Zeca Moraes foi enterrado a gente rodou a baiana de novo sobre isso…
temos uma obrigação moral em tratar disto…
ZH vai pagar caro quando o povo souber da sua cobertura a este processo…
foi um crime de lesa pátria…
e não tem volta não…
boa hora mesmo…
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on Jun 15th, 2009 at 11:19 pm
Grande Marco! É de Jornalistas assim que precisamos, que fazem o resgate da historia, da nossa memoria política, corrigindo injustiças.”Me” fazes acreditar que um outro mundo é possivel, sim … um dia chegaremos lá. Um abraço da Lú.
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on Jun 16th, 2009 at 12:11 am
Marco!
Nós sabíamos da tal “emenda Ford”!
Votada pelo PMDB gaúcho e por D.Yeda e outros mais.
O PIG foi destrutivo.
Quem teve interesse em ser JUSTO?
Eu lembro da minha tristeza com tamanha SAFADEZA.
Tem a volta!
Assim espero.
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on Jun 16th, 2009 at 1:29 am
“A alteração foi aprovada no Congresso, por 271 votos a favor e 129 contra (com os votos do PMDB gaúcho e dos demais partidos de oposição ao governo Olívio Dutra, que não hesitaram em votar contra o Estado para garantir que a Ford “fosse expulsa do Estado”. Nota do blog)”
Essa é pra lavar a alma…é de espalhar por todo esse nosso riogrande…esmiuçar nominalmente as “bancadas” da época…
A des-governadora estava na Câmara aquela época??
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on Jun 16th, 2009 at 2:28 am
o pequeno-burguês dirá: mas como??? não foi o radical bigodudo que mandou embora???[FDP!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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on Jun 16th, 2009 at 5:23 am
Boa, Marco. A verdade deve que ser resgatada e difundida não só no Rio Grande mas no Brasil todo. Para todos saberem que tipo de políticos o povo coloca no poder e com a ajuda desta imprensa falsa e corrupta.
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on Jun 16th, 2009 at 6:26 am
Muito bom. Bela iniciativa do blog. Deveria ser tarefa do PT, fazer isso e divulgar em massa.
Mas o PT está cansadinho de guerra!
Abç.
CF
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on Jun 16th, 2009 at 9:09 am
Parabéns pela iniciativa, mostra a imparcialidade e a busca pela verdade, seja qual for.
Sugiro, Carlos, que divulgue os nomes dos deputados gaúchos que votaram a favor da “emenda ford”, fazendo, com isso, que a FORD fosse embora.
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on Jun 16th, 2009 at 9:10 am
Desculpe, digo, Marcos !!!!
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on Jun 16th, 2009 at 9:40 am
Queria ver o pseudo colunista-jornalista etc Rogério Mendeslky nessa, já que esse tema virou a razão de vida desse infeliz. Que o Diabo o tenha!!!
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on Jun 16th, 2009 at 9:49 am
Tô imprimindo esta postagem para colocar nas caixas de correio dos meus vizinhos.
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on Jun 16th, 2009 at 11:17 am
Olívio Dutra sempre se recusou a receber os executivos da Ford. Um dia resolveu receber, mas antes subiu num carro de som da CUT e disse: Nenhum dinheiro do erário público será destinado às multinacionais. Resultado, a Ford decidiu não mais construir a fábrica no RS. Não havia afinidade, companheirismo e parceria por parte do governo. MESES DEPOIS, quando a Ford já havia decidido cancelar o empreendimento é que houve a MP da Ford favorecendo o nordeste. Essa é a verdade que o PT insiste em esquecer. Foi uma grande burrice do governo Olívio.
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Marco Aurélio Weissheimer Reply:
June 16th, 2009 at 11:20 am
Essa é a versão oficial que a RBS difundiu aos quatros ventos, Maia. Ela será desmentida nesta série com fatos e dados.
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on Jun 16th, 2009 at 11:24 am
Também concordo com a Claudia Cardoso (at 11:14 ). O Professor (com ” P ” maiúsculo mesmo) Osvaldo Biz daria uma excelente entrevista sobre a relação da mídia com a ford ( não vai levar “f” maiúsculo).
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on Jun 16th, 2009 at 11:39 am
Marco, houve uma decisão da Ford em Detroit dizendo que não havia mais interesse em fazer o empreendimento no RS. Quando é que ocorreu essa decisão? Foi em abril de 1999. Que mês foi editada a MP da Ford? Em julho de 1999. Esses são os fatos objetivos. Essa versão que vocês criaram simplesmente não fecha. Olívio não quis a Ford no RS porque ele tem sim preconceito com o capital e com as multinacionais. Há sim um ranço anticapitalista em Olívio Dutra.
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Rodrigo Reply:
June 16th, 2009 at 12:42 pm
argumentum ad nauseam
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on Jun 16th, 2009 at 12:30 pm
- MALA MAIA !!! CONTRA FATOS NÃO HÁ ARGUMENTOS EMBORA PARA ALGUNS CONTRA ARGUMENTOS NÃO HÁ FATOS. QUANTO À VANTAGEM FINANCEIRA É SÓ COMPARAR O QUE A FORD RECEBERIA AQUI E O QUE RECEBEU PELA INTERFERÊNCIA DO “PAINHO” ACM CORLEONE COM O BENEPLÁCITO DA BANCADA QUE HOJE GOVERNA (SIC) A TERRA GUASCA.
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on Jun 16th, 2009 at 1:01 pm
Maia, e vc reconhece que há ranço anti-esquerda no capital? Pq a sua informação não permite depreender nada além disso: a Ford decidiu sair daqui. Ora, a empresa estava amparada em contrato, cuja imposição poderia se dar por via judicial, caso ela desejasse. Só que vc esquece que, entre a eleição de Olívio e a tentativa de renegociação com a Ford, o Braisl quebrou. Para a empresa, foi excelente livrar-se de um contrato em que tinha prazos para (ela) cumprir e ganhar tempo construindo lentamente a nova fábrica. Foi isso que aconteceu. Se vc não fosse um CC, e labutasse na vida real, saberia que empresas não tem sentimentos, mas interesses, que se traduzem em lucros e se amparam em contratos.
Sobre a “aversão ao capital” de Olívio, só eu já peguei 3 táxis em que o motorista me referiu que “ele próprio outro dia levou o responsável pelas negociações por parte da montadora”. Na época da faculdade, colegas como voce, estilo inocente útil, já haviam me dito a mesma coisa. Mas é sabido que ninguém daqui do RS negociou em nome da montadora. Por que razão essa necessidade de firmar essa versão fantasiosa? Simples: pq ela não é verdadeira.
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on Jun 16th, 2009 at 1:05 pm
Aliás, palavras do Fernando Albrecht, insuspeito de petismo, outro dia no rádio: “não havia como dar o que a Ford queria. Se o governo desse, sabemos que o escândalo seria por esse motivo”.
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on Jun 16th, 2009 at 1:10 pm
Finalmente alguém divulga as coisas como realmente aconteceram…
Quanto ao senhor Maia, acho que o tal “ranço anticapitalista” não se mostra nem um pouco descabido, diante da situação econômica atual…
Ou o senhor concorda com o dinheiro para o fumo da Madrinha?
pff….
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on Jun 16th, 2009 at 6:48 pm
Interessante o troll de estimação. Se a Ford já tinha decidido não vir, para quê MP feita a toque de caixa, com um festival de estultice anti-jurídica? Cada uma.
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on Jun 17th, 2009 at 6:37 am
Só falta o Maia dizer que não tem lista de Deputados que Votaram pelo rearranjo com a Ford. Eu não conhecia o Maia. Em todos causos… tá bem assim. Eu lembro da crise da Ford como se fosse hoje. De um lado aquele discurso apelativo da oposição e da RBS em defesa do cumprimento de contratos. De outro lado a realidade financeira do estado, que como bem lembrou alguém aqui, o Brasil tinha acabado de sair daquela desvalorização do Real que o FHC só fez após garantir a sua reeleição e sua posse - que não foi golpe é claro e nem teve mensalão - e também aquele contrato de renegociação da dívida do estado com a União que segundo os gênios das finanças (Busatto, Yeda, Mário Bernd, Simon, Rigotto, Fogaça et caterva) ia salvar o estado e garantir o desenvolvimento econômico. lembram disto? Mais bonitinho foi quando a vaca foi pro brejo e aí ninguém apareceu para explicar o “quequedeu afinal?” Crise internacional e eles na festa.
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on Jun 17th, 2009 at 9:29 am
Quero saber o nome dos deputados gauchos que votaram a favor da MP da FORD ??????
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on Jun 19th, 2009 at 9:48 pm
A verdadeira história da Ford no Rio Grande do Sul, aqueles que não se atêm apenas às informações repassadas pela mídia hegemônica e seus (de)formadores, já conheciam. Possivelmente, só não se sabia de vários detalhes que agora aparecem.
No essencial, sabíamos a ida da empresa dos EUA para a Bahia fora uma grande armação do governo do FHC - possivelmente, o mais corrupto de toda a história deste país -, com a estreita colaboração de muitos dos gaúchos(?) que aparecem “falando grosso”, dizendo-se amantes apaixonados por estes pagos.
Discordo frontalmente do Sr. Maia. A postura de Olívio - chefe do melhor governo que tivemos neste Estado nos últimos 45 anos -, foi simplesmente correta. Ele agiu como chefe de um governo que se dispunha a governar para todos da forma mais justa possível. O “Tio Olívio” postou-se com a altivez de quem não queria ser apenas um gerente dos negócios do grande capital; é nisso que se transformou a grande maioria dos chefes de governo (prefeitos, governadores e presidentes) não só deste país como do mundo inteiro.
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on Jun 20th, 2009 at 2:53 pm
Maia, as datas não batem como vc disse.
Mas nada impede antes um acerto sigiloso, o algo assim, entre a Ford e os interessados em votar a favor da emenda.
Acerto sigilo$$$$o, intenda-se.
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