Como a juventude é vista nos diferentes países da América do Sul? Como se posicionam jovens e adultos sulamericanos sobre temas morais, éticos e políticos? Quais as principais demandas e problemas dos jovens na região? Estas e outras perguntas guiaram a pesquisa “Juventude e Integração Sulamericana: diálogos para construir a democracia regional”, coordenada pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e pelo Instituto Pólis, e que ouviu, em seis países – Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Bolívia e Paraguai – 14 mil pessoas no segundo semestre de 2008.
O estudo é o primeiro a comparar gerações na América do Sul (50% dos entrevistados foram jovens de 18 a 29 anos e 50% adultos de 30 a 60 anos). Nos seis países pesquisados, os jovens compartilham com os adultos opiniões e valores semelhantes quanto a temas morais e éticos, como a legalização do aborto (as gerações pensam de modo parecido, em geral contra), a valorização do esforço pessoal para se melhorar de vida e a visão da corrupção como principal ameaça à democracia. As gerações também se aproximam na hora de definir o que é prioridade para a juventude: jovens e adultos acreditam que o mais importante para os jovens hoje é “ter mais oportunidade de trabalho”, embora os adultos acreditem mais nas credenciais da educação do que os jovens (que valorizam mais a experiência e menos a educação como fator de ingresso no mercado de trabalho). Alguns dos principais dados da pesquisa, relativos à juventude brasileira, são os seguintes:
Dos jovens, 43% alcançaram o ensino médio (têm o ensino médio completo e/ou incompleto); este índice cai para 16% entre os adultos. É alta a porcentagem 41% dos jovens que não alcançam sequer o ensino médio. E apenas 14,5% dos jovens chegam à Universidade,
Dos entrevistados (jovens e adultos somados) brasileiros que têm formação superior, 85% usam a Internet; dos que têm o ensino médio, são 56%, caindo para apenas 12% entre os que têm a formação primária.
A maioria dos entrevistados no Brasil considera que o mais importante para os jovens é “ter mais oportunidades de trabalho” (61%), opinião partilhada igualmente por jovens e adultos. Mais de 70% discordam da afirmação “os jovens devem apenas estudar e não trabalhar”. O “desinteresse do próprio jovem” é apontado pelos entrevistados como a principal dificuldade para estudar (36%), seguida por falta de dinheiro para transporte e outros gastos (27%).
Indagados sobre o maior problema da juventude, a violência aparece em primeiro lugar, citada por quase metade dos entrevistados (jovens e adultos), a baixa qualidade da educação (citada por mais de um terço) e as dificuldades relativas a emprego (citada por pouco menos de um terço). A pobreza também é percebida como um dos maiores problemas, sobretudo entre os jovens com menor escolaridade.
Para a grande maioria dos entrevistados no Brasil (jovens e adultos), os jovens são considerados mais consumistas, mais perigosos, mais violentos e mais individualistas que os adultos; por outro lado, são considerados mais criativos e idealistas.
Para mudar a vida pessoal jovens e adultos (somados) apostam nas intervenções ligadas à esfera privada: 44% do total de pesquisados apostam no próprio esforço pessoal, enquanto outros 27% contam com o apoio familiar. Menos de um quarto da mostra assinala opções mais sistêmicas ou estruturais (soluções econômicas e políticas governamentais).
Mais da metade (55%) dos pesquisados no Brasil indicaram, como fator de entrave à democracia no século XXI, a corrupção entre os políticos. Uma outra parcela, quase correspondente à metade dos entrevistados (47%), contudo, localiza na estrutura econômica e social, representada pela desigualdade entre ricos e pobres, a principal ameaça à democracia na atualidade.

on Jun 15th, 2009 at 4:33 pm
Ninguem pensa em educaçao com a barriga vazia.
Cada vez mais proximos da involuçao.
O boi tb se preocupa mais com o trabalho do que com a educaçao.
on Jun 15th, 2009 at 5:07 pm
Acredito que o X da Questão está no espaçotempo da educação na vida de cada cidadão. O que acontece no entorno são decorrências.
on Jun 15th, 2009 at 5:32 pm
Olá Marco
Parabéns para você e para a Katarina pelo casamento.
Os jovens estão precisando de uma força para conseguir compatibilizar o trabalho com os estudos. O sistema produtivo e o empresariado estão sacrificando uma geração inteira com horas extras e estágios pseudo remunerados que fazem os jovens abandonar a escola. Este é parte importante do debate sobre a evasão e a permanência na escola que deveríamos dar mais atenção também.
abri um blog e linkei o teu blog lá se não se importa…
passa lá e dá uma olhadinha…
Um grande abraço.
on Jun 15th, 2009 at 5:54 pm
Obrigado, Daniel. Um abraço.
on Jun 15th, 2009 at 6:05 pm
Se não houvesse tanta roubalheira e prostituição com o dinheiro público, teríamos universidades de ótima qualidade na formação dos jovens que hoje procuram empregos ao invés de estudos. Pois para os corruptos que dominan o poder nada melhor que jovens ignorantes para poder manipular a vontade, exemplo é ITAQUI-RS, onde qualquer jovem se cala por um CC da prefeitura.
on Jun 15th, 2009 at 6:09 pm
Resultados assustadores.
on Jun 15th, 2009 at 8:55 pm
Pessoal,
Não há como ser muito diferente disso em países de maioria bovinamente católica: a opção pela vida agrária nos demais países pesquisados decorre de economias quase nada industrializadas, da falta de estabelecimentos de ensino superior, da falta de centros de pesquisa e do pensamento único taylorista-fordista e neoliberal.
Junte-se aí a midiotização de massa que afeta mais a pessoas conservadoras e pouco letradas e a exclusão digital e a m… tá feita.
Abraços ao Marco e à Katarina pelas bodas!
Hélio
on Jun 15th, 2009 at 9:38 pm
Ao ver o título do seu texto, lembrei do livro “Sem logo”, de Naomi Klein, em que ela mostra a situação dos adolescentes pobres nos EUA. Não conseguem se dedicar aos estudos porque desde jovens precisam de empregos mal pagos em cadeias de fast food para bancar a roda do consumismo.
on Jun 17th, 2009 at 10:22 am
Em 2004 foi publicada uma pesquisa na Folha de São Paulo q mostrava q o desemprego era a segunda maior preocupação do brasileiro (só perdia para a segurança). Em tempos de crise econômica essa preocupação deve ter se elevado!
Ñ haverá saída para os problemas do trabalho nos marcos do capitalismo (nem em um bonitinho, mais humano, como utopizam alguns). O aumento da precarização do trabalho, por exemplo, se verifica até nos países nórdicos tão adorados pelo Ministro da Justiça.
O desemprego então nem se fala: ñ só é um problema insolúvel nos marcos do capitalismo como ainda é funcional ao mesmo pois a competição entre os trabalhadores joga para baixo as pretensões salariais (ñ foi por acaso q Hayek defendeu a “taxa natural de desemprego”).
A OIT já disse q o emprego levará até 6 anos para voltar ao “normal” (leia-se às taxas anteriores à crise q já eram elevadas).
Em resumo meus caros: se a gente ñ se mobilizar a vida vai piorar! Ñ vai ter capitalismo “humano” q nos salve!