Carlos Maia reproduziu aqui, no espaço dos comentários, os principais argumentos que acusam o governo Olívio Dutra (PT) de ter mandado a Ford embora do Estado. Segundo ele, são, na verdade, “fatos objetivos” aos quais não caberiam contestação. Vejamos, um a um, esses “fatos objetivos” (as posições de Maia estão em negrito):
“Olívio sempre se recusou a receber os executivos da Ford e disse que “nenhum dinheiro do erário será destinado às multinacionais”.
Esse “fato objetivo” é, na verdade, uma inverdade. O ex-secretário de Desenvolvimento e Assuntos Internacionais, Zeca Moraes, falecido recentemente, relatou, em uma entrevista ao jornal Extra-Classe, em junho de 1999, como se deram as conversas com o negociador da Ford e a proposta feita pelo governo do Estado para a instalação da montadora:
“No primeiro encontro com a Ford, o negociador designado (Waldemar Mussi, diretor-jurídico da companhia) já chegou dizendo que não estava autorizado e não tinha delegação para conversar. Isso na primeira reunião. Ele estava autorizado única e exclusivamente a escutar o que tínhamos a colocar. E a cada proposta que apresentávamos não se instituía um diálogo em relação ao contrato. A proposta final, que não recebeu resposta formal por parte da companhia, não contestava os incentivos fiscais concedidos e propunha que o estado buscasse junto ao governo federal e à prefeitura de Guaíba os recursos (cerca de R$ 100 milhões) para viabilizar determinadas obras que estavam sob responsabilidade estadual. Propomos até um financiamento à prefeitura de Guaíba para viabilizar as obras, que seria pago somente a partir do retorno obtido na arrecadação do município. Tudo para viabilizar o investimento. O estado mantinha outros R$ 70 milhões em recursos e mais R$ 85 milhões em obras, o que dá R$ 255 milhões. Com mais R$ 75 milhões das obras no porto de Rio Grande, o custo da Ford seria de R$ 110 milhões, que além disso poderiam ser colocados no financiamento do BNDES. Isso é 10% do investimento total”.
O problema, disse Zeca Moraes, é que a Ford queria a fábrica de graça (o que acabou conseguindo, na Bahia, graças à intervenção do governo federal).
“Foi por isso (“nenhum dinheiro para multinacionais”) que a Ford decidiu não construir mais a fábrica. A MP da Ford só ocorreu depois que a empresa tinha desistido do RS.
A Ford foi para a Bahia porque descobriu que podia ganhar a fábrica de graça. O professor Nilton Vasconcelos, da Universidade Federal da Bahia, analisou em uma tese sobre Políticas Públicas e Emprego na Indústria Automativa Brasileira, o custo (público) da ida da empresa para a Bahia. Um resumo desse estudo foi publicado pela revista Fórum. Vejamos alguns dados desse estudo, divulgados pela revista:
“O que se sabe é que do BNDES, banco do governo federal, foram emprestados cerca de 700 milhões de reais a juros subsidiados. O governo do Estado deu isenção total de ICMS e comprometeu-se a financiar até 12% do faturamento bruto da empresa como capital de giro. O prazo do financiamento é mais que camarada, quinze anos, com carência de dez para começar a pagar, e amortização em doze anos. E com desconto de 98% nas primeiras 72 parcelas. Mas os incentivos não param por aí. O governo baiano se encarregou de financiar investimentos fixos e despesas com implantação do projeto pelo prazo de quinze anos (com taxa de juros de 6% ao ano, sem atualização monetária) e despesas com pesquisa e desenvolvimento de produtos.
Há outro detalhe que chama a atenção. Na lei editada para a Ford, e aprovada pela Assembléia Legislativa, determina-se que cabe ao Estado “…assegurar a substituição das mesmas condições, em caso de mudança decorrente de reforma do sistema tributário ou impossibilidade jurídica de adotar o tratamento dispensado na referida lei…”. Traduzindo, em caso de uma reforma tributária que acabasse, por exemplo, com a isenção de ICMS, o governo baiano teria de utilizar recursos próprios para cobrir a diferença. Não receberia impostos e ainda teria de pagar.
“A Ford é uma grande estatal”, resumiu o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Bahia, Aurino Nascimento Filho, que sempre foi favorável à instalação de uma indústria de ponta na Bahia, mas ele logo acrescenta: “Se eu fosse a Ford, com essas condições, também montaria uma fábrica aqui. Com esse dinheiro investido, cerca de 3 bilhões de reais durante o período dos incentivos, poderiam ser desenvolvidos outros setores da economia”, afirma.
A matéria informa ainda:
“O maior salário da indústria automobilística vem sendo pago na Bahia. Não acredita? Faça as contas. Cerca de 3 bilhões de reais estão sendo usados para abrir vagas para 2 mil empregados. O que dá 1,5 milhão de reais por emprego. É esse o valor que os governos estadual e federal estão dando em incentivos, renúncias fiscais, investimento e empréstimos para a instalação da fábrica da Ford em Camaçari”.
“A Ford foi para a Bahia por causa do ranço anticapitalista do PT”
Como os números citados acima indicam, o “capitalismo”, em questão é do tipo que só faz empreendimentos se for maximamente financiado pelo Estado. O governo Olívio Dutra foi “rançoso”, “ideológico” e “anticapitalista” por que julgou o contrato com a Ford, nos termos que havia sido firmado pelo governo Antonio Britto (PMDB), lesivo ao interesse público. Foi “anticapitalista” por que não quis dar uma fábrica praticamente de graça para a Ford. E a Ford, coitada, não pode praticar o “capitalismo” (bancado pelo dinheiro público) no Rio Grande do Sul. Esse é, aliás, um dos esportes preferidos dos capitalistas que denunciam o “ranço ideológico” de quem defende o interesse público: enriquecer usando o dinheiro público e, em caso de prejuízo, fazer com que o Estado e o público paguem a conta (a recente quebra do sistema financeiro internacional mostra isso de forma exemplar).
Greg Palast, em “A melhor democracia que o dinheiro pode comprar”, revela um aspecto macabro desse esporte: um processo judicial a favor de trabalhadores escravos que perderam seus filhos em “creches” assassinas administradas pelas montadoras Volkswagen, Ford e Daimler, entre outras, no período da Alemanha nazista. Esse processo trouxe à tona uma carta assinada por Hitler concordando com um pedido da Volkswagen por mais trabalhadores escravos dos campos de concentração (o fac-símile da carta está publicado na página 246). Se Hitler tivesse sido capturado, ironiza Palast, ele poderia ter alegado em sua defesa: “Eu estava apenas cumprindo ordens….da Volkswagen”. Mas deixemos isso pra lá. Deve ser puro ranço ideológico…






on Jun 16th, 2009 at 5:23 pm
Pelo Amor de Deus.
Quanta besteira continuam dizendo em relação a renuncia fiscal.
Vou citar um exemplo.
Viamão não trouxe uma indústria automobilística. Não renunciou a nenhum centavo que essa indústria viria a recolher. Não deu terreno, não construiu ou alargou avenidas ou qualquer outra coisa que beneficiaria a Indústria e em contrapartida Viamão.
Moral da história: Continua na mesma merda de sempre, porque nunca vai ter a tal indústria e nunca vai arrecadar um centavo em função disso. Ninguém abriu hotel, lancheria, restaurante, frota de veículos para aluguel, nenhuma empres prestadora de peças e/ou serviços foi instalada na Cidade e também em função disso, nenhum centavo foi arrecadado.
Para um bom entendedor, meio é melhor do que nada e Eldorado do Sul agradece ao PT, ao Sr. Olivio ao Falecido Moraes e outros tantos que mandaram a FORF em bora sim e ainda bradavam de peito cheio “não vamos dar dinheiro para ricos”. E o dinheiro foi investido onde?
Ninguém sabe.
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Moses Reply:
June 16th, 2009 at 6:24 pm
João,
Não se deixe contaminar pelo ranço ideológico. Ninguém é idiota de ignorar a importância dos incentivos fiscais. Mas não é isso que se está debatendo aqui. O Marco está apenas mostrando verdades que nunca foram ditas sobre a saída da Ford. Se você leu a matéria, viu que o RS (governo Olívio) ofereceu sim incentivos à montadora. Só que ela os queria de forma praticamente ilimitada. Em verdade, a crise que se abateu sobre o país naqueles meses, em virtude da quebra proporcionada pelo aumento do dólar (lembra, foi de R$ 1,50 para R$ 3,50, e o Brasil torrou US$ 40 bi em 2 meses?) fez com que deixasse de ser interessante à montadora a construção imediata da fábrica. Era preciso tempo para o mercado se restabelecer.
Além disso, cabe uma pergunta: se era possível a qualquer grande Estado implantar a Ford, pq a Bahia precisou articular uma nova MP e, além disso, conceder vantagens que nenhum outro Estado concedeu a qualquer montadora? Digo mais: pq os parlamentares gaúchos do PFL, PMDB e PSDB, ao invés de tentar trazer ao RS os benefícios da mesma medida provisória, abraçaram de forma tão solícita a causa baiana?
No fundo, o ranço de certas pessoas só permite que elas vejam os opositores como idiotas, panacas, como se Olívio fosse algum imbecil que não pretendesse se reeleger, e desejasse mesmo “mandar a Ford embora”.
Abraço!
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on Jun 16th, 2009 at 5:33 pm
Olá Marco, obrigado pelos bons artigos.
Gostaria de fazer duas sugestões:
A primeira: se for possível, montar uma tabela com os valores oferecidos à Ford pelo RS, e os obtidos na Bahia. Valores como, por exemplo, incentivo fiscal recebido/projetado, empréstimos oferecidos/obtidos pelo Estado, investimento próprio. Acho que vai ser didático para explicar melhor o que aconteceu.
A segunda sugestão, é ignorar os Maias da vida. Apesar de teres exposto que o argumento usado pelos anti-petistas nunca se apoiou em fatos, mas apenas em opiniões, estas clássicas viúvas de Britto ainda acham que foi Olívio e o PT que mandou a Ford embora. Sempre acharão.
Abraço.
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Marco Aurélio Weissheimer Reply:
June 16th, 2009 at 5:59 pm
Obrigado pelas sugestões, Guimas. um abraço.
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on Jun 16th, 2009 at 5:45 pm
Não vamos esquecer que estas montadoras só sobrevivem achacando dinheiro público, a GM está por aí chorando mais uns milhões. E o que deu em troca? Uns patrocínios para a dupla Grenal logo retirados. Não sei se os impostos pagos e os salários pagos suplantam o que foi dado para a GM ainda no governo Britto. Considero estas doações do meu dinheirinho, não é do Britto, é meu de milhões de gaúchos, e mais as roubalheiras dos pedágios, como dois dos maiores crimes feitos contra o Rio Grande.
Alguém tinha que fazer este levantamento, o quanto levaram somando as doações de terreno e dinheiro, os empréstimos de pai para filho (subsidiado), as renúncias fiscais, as ajeitadinhas na legislação e as facilitações em logistica, importação e exportação.
E tem uns débeis mentais que ainda queriam dar mais uma parte do Rio Grande para a Ford. Vão se catar. Dinheiro público é para saúde, educacão e segurança. Não sei como o Rio Grande sobreviveu ao Britto (muitos dos seus patrões não sobrevivem), escapamos ao Rigotto e agora encaramos a desgovernada da Yeda. Volta Olívio. Volta Tarso.
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on Jun 16th, 2009 at 5:54 pm
Olá Marco
Eu sou a mãe da Luiza, companheira do Zeca no enfrentamento desta grande injustiça cometida não só contra o governo Olívio, o PT, mas contra a pessoa maravilhosa que foi o Zeca.
A nossa filha é muito pequena ainda para compreender o que ocorreu naquela época, mas estou guardando matérias e materiais sobre o pai dela prá que ela possa lembrá-lo como a generosa pessoa, o amigo leal, o profissional competente e dedicado que ele foi. Como pai ela já tem as melhores lembranças.
Queria te agradecer esta oportunidade. Nada melhor do que um jornalista para compilar e publicar os verdadeiros fatos sobre o tal Caso Ford. Estas informações serão guardadas e certamente vão ser a melhor defesa à crueldade, à miopia e à mesquinharia dos que sempre atacaram o Zeca sem se ater aos fatos. A ZH inclusive, principalmente no momento em que ele nos deixou, com uma matéria parcial, raivosa e infame.
Um grande e fraternal abraço,
Aniger
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Marco Aurélio Weissheimer Reply:
June 16th, 2009 at 5:57 pm
Um grande abraço pra ti tambem, Aniger.
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on Jun 16th, 2009 at 6:02 pm
Excelente texto Marco, mas elevar Maia da categoria de “troll” para alguém que mereça resposta não é demais? Agora apareceu outro, possivelmente tentanto pegar o CC do Carlos Eduardo, que anda meio em baixa. É a voz da nossa grande Viamão clamando por um mundo com mais economia de mercado, livre iniciativa, menos impostos, mais globalização e um estado mais enxuto! Que saudades do grande Olivio Dutra!
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Marco Aurélio Weissheimer Reply:
June 16th, 2009 at 6:11 pm
Mais do que merece, penso que exige resposta, Panoramix, uma vez que a versão repetida por ele tornou-se dominante, com as implicações políticas bem conhecidas. Há uma batalha do discurso que foi perdida aqui no Estado e que precisa ser retomada. É o que eu acho.
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Omar Reply:
June 17th, 2009 at 9:59 am
Além do que, esse que se diz Maia teve o dom de sintetizar o senso comum que foi vendido pela “grande” mídia e engolido pelo povo na época.
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on Jun 16th, 2009 at 6:20 pm
Estou a fim de instalar uma FORD no meu terreninho. Se a Yeda me der a grana necessária, fabrico DKW e vendo para o João de Viamão. Ah, tem de ter isenção fiscal. Se não der certo e vier a falir, bem aí o FUNDOPEM pode me dar uma sobrevida. Se me der dois milhões, devolvo duzentinha na campanha eleitoral. No fim, quando quebrar por incompetência, o poder público poderá comprar minha fabriqueta. Eu adoro esse capitalismo em que o poder público dá a grana, isenção e canapés para o regabofe. Até admito que as empresas tentem e consigam, só não entendo como um ser humano que saiba ler e escrever não consiga ver o óbvio. Aliás, é por isso que esse capitalismo de mercado com dinheiro público continua tendo adeptos. Quando estudava no Campus do Vale, na Agronomia, tinha um ditado que dizia “atravessado como um Viamão”.
Acorda, João de Viamão, senão o rolimã te pega na descida da lomba…
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on Jun 16th, 2009 at 6:24 pm
- Dio Mio!!! Como se Viamão , Eldorado do Sul ou outra Demão se resumissem a si próprios! Que universo pequinês. Teríamos a exemplo de Gravataí - nada contra a instalação - pólo nada irradiador de tecnologia e RIQUEZA ao demais. Quando alguém afirma onde foi o dinheiro, pergunte àqueles que são a base de sustentabilidade econômica. Incentivada que foi, a agricultura familiar recebeu elogios até por produtores conservadores e que lamentavelmente foi relegada. Caso fosse continuo não teríamos todos os anos protestos e demandas para atender a desgraça ocasionada por fatores exógenos, que embora incontroláveis podem e devem ser minimizados. Questão de política econômica? Questão de despriorização e eu e vc pagando imposto, sem retorno. Quem no fundo está se beneficiando?? Está na hora do MP se manifestar. Sono stanco di farabutti e di ladroni!!
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on Jun 16th, 2009 at 7:38 pm
Caro Marco, sugiro modestamente a você reproduzir um artigo de Elio Gaspari, à época, (que não é petista) sobre o escândalo que foi o financiamento da FORD no Brasil, chamado o assentamento da Ford.
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on Jun 16th, 2009 at 10:00 pm
Sensacional, Marco. Os Maias idiotas da vida, que só repetem alguns refrões sem nada entender, tiveram a resposta merecida. Com a prova dos noves. Se depois desta o idiota continuar a repetir suas besteiras, é porque sua ignorância está acima de qualquer suspeita. Esses teus artigos mereceriam um livro, não achas? Parabéns, obrigada por teus excelentes textos.
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on Jun 16th, 2009 at 10:10 pm
A FORD foi para a Bahia porque ganhou muito mais com isto… simples assim…
Mil vivas ao governo Olívio!!! Ele foi fruto de uma grande mobilização popular, um sopro de civilidade em meio a tantos governos medievais.
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on Jun 17th, 2009 at 9:25 am
Muita lorota. O PT agora parece o Sarney naquele discurso de ontem. Fez cagada e quer empurrar a culpa em alguém e no caso do Sarney ao Senado e no caso PT ao Governo Federal.
Visitem Triunfo e vejam o que representa para aquela Cidade o Polo Petroquímico. De “c” do mundo, viriu um a cidadezinha magnífica. Asfaltam até avenidas no meio do campo, distantes do centro da Cidade.
Agora com a Brasken, os investimentos serão incomensuráveis.
Gravatai nunca mais foi e nunca mais será a mesma depois da GM.
O PT quando, inquilino da Prefeitura daquela Cidade, muito se locupeteou das benesses de ter uma montadora irrigando dinheiro aos cofres públicos. Isto dfoi dito e defendido pelo próprio Prefeito Petista. Como mau inquilido, foi despejado.
A saída da FORD do RS custou e vai continuara custando caro ao PT.
Quem viver, verá.
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on Jun 17th, 2009 at 9:31 am
Marco, voce sabe como funciona a politica de insentivos fiscais ai no RS? Como é feito a repartição do valor do ICMS por município? A Secretaria da fzazenda procede da seguinte maneira: existe o ICMS fictício - aquele em que a fábrica gera a nota fiscal mas não recolhe o valor do ICMS - e a outra é a contabilização do ICMS efetivamente recolhido pelas demais empresas. A partir daí a Secretaria da Fazenda reparte o valor do ICMS efetivamente recolhido conforme a participação do município do ICMS fictício. Dessa maneira a cidade de Gravataí recebe mais ICMS que as demais cidades, mesmo sem que ocorre o efetivo recolhimento do tributo. É uma forma de repartir a renda, gerada pelo ICMS, de forma desigual. Um sujeito em Quaraí está mandando recurso para a Gravatái… Visite a Famurs e converse com o pessoal de lá para ver o quanto eles estão felizes com isso… O sujeito em Quaraí nem sabe que está mandando recursos gerados em sua cidade para os municípios de Guaíba, Gravataí…
Um abraço e parabéns pelo seu trabalho!
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on Jun 17th, 2009 at 10:09 am
Será q estes q continuam a defender as lorotas neoliberais, em plena era de grave crise desse sistema, viram o q disse o próprio Busatto sobre as montadoras em matéria q saiu na ZH do ano passado?
Essas empresas ganharam um monte de incentivos fiscais, mesmo assim estão aos frangalhos demitindo trabalhadores e pegando mais dinheiro público ainda para ñ falirem de vez!
Será q os defensores do livre mercado sabem q o seu Mestre, Adam Smith, tb pegou uma boquinha estatal depois de tanto ter dissertado contra o mesmo?
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on Jun 17th, 2009 at 10:56 am
O contrato com a Ford já estava feito pelo governo Britto, que foi eleito democraticamente pelo povo do RS. O contrato não era mais do governo Britto, mas do Estado do RS. O governo Olívio tentou renegociar o contrato, mas ouviu um rotundo não da Ford, porque o contrato consolidado, assinado pelo governo anterior era um ato jurídico perfeito. Tendo em vista as dificuldades nas negociações com o governo Olívio, que insistia em não receber os executivos da multinacional, a Ford decidiu, em ABRIL DE 1999, em reunião realizada em Detroit de não mais fazer o empreendimento no RS. Isso aconteceu em Abril de 1999. A MP da Ford é de 30 de junho de 1999.
Essa tese levantada pelo Marco não faz sentido, porque ela omite essa deliberação da Ford ocorrida em abril de 1999. Ou seja, a própria Ford decidiu, antes da MP do FHC, de que não mais faria o empreendimento no RS. Este fato objetivo, concreto e incontestável e, portanto, fundamental, é omitido por aqui.
[Reply]
on Jun 17th, 2009 at 11:20 am
Outro ponto relevante, Marco, é que no contrato que o RS celebrou com a Ford havia a previsão de pagamento de uma parcela do financiamento no início de 1999. Havia uma conta do Banrisul para esse fim, e o dinheiro disponível era da privatização da CRT e de parte da CEEE. O governo Olívio não cumpriu o disposto no contrato e não fez o pagamento para a Ford. Tentou renegociar o contrato e não teve êxito. Diante desses fatos objetivos a Ford resolveu em abril de 1999 cancelar o empreendimento. REpito, A MP de FHC é de 30 de junho de 1999.
[Reply]
on Jun 17th, 2009 at 12:04 pm
Conforme diz Carlos Maia, Britto vendeu a CRT e parte da CEEE para dar dinheiro à FORD. Nossa, como são criativos esses investidores…
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on Jun 17th, 2009 at 12:05 pm
Tem gente que não adianta.
Podemos colocar a VERDADE límpida e explicadíssima.
Antipetistas jamais entenderão.
Para lermos o mundo, dependemos de óculos e contexto.
Tem gente que acredita no fim das ideologias.
Dependendo das lentes, das cores, do tamanho dos óculos lemos o MUNDO.
Cabe escolher o LADO.
De uma coisa tenho certeza: o governo de Olivio e Zeca Moraes estavam do/ao lado do RS e sua população.
[Reply]
on Jun 17th, 2009 at 1:09 pm
Este negócio de fim das ideologias é uma bobagem monumental. Quem fala esta asneira é simplesmente contra a ideologia do outro. Enxerga o mundo apartir dos seus pressupostos. Neste caso, o mundo de um capitalismo sem risco, financiado pelo Estado, concentrador de renda, poluidor e com baixa distribuição de riqueza na cadeia de valor. A GM hoje tenta sanear seus problemas com o fundo de pensão dos seus trabalhadores e o sacrifício de grande parte da sociedade. A Ford irá pelo mesmo caminho.
[Reply]
on Jun 17th, 2009 at 2:22 pm
- O Maia é um excêntrico e sempre tenho repetido que o “pior cego é aquele que não se enxerga”, a saber : a desistência da FORD em se instalar no RS que se deu em Abril e a MP em Junho, não são e não eram excludentes, ou o Maia desconhece o que ACM/Corleone era capaz de fazer!! ACM aquele que dizia que “ämigos meus não tem rabo, inimigos meus se não tem eu ponho”. A estratégia ou “maracutaia”como queiram já estava montada e acabada. A MP foi uma mera formalidade. Só não se apercebem os incautos e os fanáticos anti-petistas que por agirem deste modo levam a uma terceira via onde desembocou na direita inoperante e corrupta como estamos nos deparando aqui no apequenado Rio Grande.
[Reply]
on Jun 17th, 2009 at 2:26 pm
Crestani, qualquer gerênciador de buteco, qualquer empresário simples ou de sociedade empresária, qualquer administrador de empresa pública com o mínimo de formação sabe que receita extraordinária — como foram as arrecadadas com as licitações da CRT e da CEEE — devem ser investidas em despesas extraordinárias.
O centro de qualquer discussão política que não seja medíocre é o Estado — que não pode e nem deve fenecer, como acredita o reaça do Meszarós e nem deve ser mínimo, como entendem os liberais caducos. Qual é o papel do Estado numa sociedade moderna? O principal papel é fomentar a inclusão social dos excluídos prestando um razoável serviço público na educação, na saúde e na segurança. Por isso o Estado não tem que ser gestor de companhia telefónica, companhia de aviação, companhia de energia elétrica e nem mesmo de buteco da esquina. O Estado tem que focar suas atividades na fiscalização e na regulamentação dos serviços públicos e privados.
O Estado tem que funcionar, tem que ser eficiente, tem que ser rápido e, sobretudo funcionar bem para a população de baixa renda que não tem acesso aos serviços privados. Este é o papel do Estado moderno. E, portanto, não existe nada de ideológico nessa discussão, porque a questão é convergente. A grande discussão política hoje é administrativa e não ideológica. Como diz o filósofo Luc Ferry, existem dois grandes equívocos na humanidade: a religião e a ideologia. E os Europeus é que estão certos, porque estão sabendo ir além nessa discussão. E nós, aqui, na América Latina, engatinhamos.
[Reply]
on Jun 17th, 2009 at 4:38 pm
“Qual é o papel do Estado numa sociedade moderna? O principal papel é fomentar a inclusão social dos excluídos prestando um razoável serviço público na educação, na saúde e na segurança.”
“O Estado tem que funcionar, tem que ser eficiente, tem que ser rápido e, sobretudo funcionar bem para a população de baixa renda que não tem acesso aos serviços privados. Este é o papel do Estado moderno.”
Belas palavras do “bichinho escroto” da maia. Só que os governantes que ele apóia incondicionalmente, tipo Britto, Yeda, FHC, Serra e que tais, quando tomam o poder fazem justamente o oposto, governam em favor da minoria que não necessita de apoio algum do Estado.
Devemos agradecer eternamente ao governo Olívio Dutra por ele ter livrado o RS deste elefante branco, o péssimo negócio chamado Ford. Basta o elefante branco que temos em Gravataí, a falida GM. Repito o que já escrevi em outros comentários: qual consumidor inteligente e racional( qualidades adoradas pelos defensores do mercado neoliberal)
irá adquir de sã consciência um automóvel GM, empresa falida por justamente produzir porcarias, “carroças” no linguajar do Collor. Daqui alguns meses já será possível notar a queda vertiginosa nas vendas de automóveis GM, a não ser que vendam por preço de banana…
[Reply]
on Jun 17th, 2009 at 4:53 pm
Um dos motivos para a perpetuação de uma sociedade é a crença de seus membros de q aquilo q vivem e q pensam é natural, sem nenhum teor ideológico! Se tal premissa fosse verdadeira teríamos a mesma formação societária desde sempre! Pelo jeito ñ disseram isso para o Maia! KKK
O debate sobre o papel do Estado é pertinente. O Maia começa bem dizendo q o “principal papel é fomentar a inclusão social dos excluídos” para logo em seguida defender a mercantilização de serviços q são fundamentais à inclusão desses excluídos como a energia elétrica. No Estado “natural”, “ñ ideológico” do Maia o Estado se reduz à “educação, a saúde e a segurança.” Ponto final?
Para ele a discussão “é administrativa e não ideológica”. Como se uma estivesse separada da outra! Termina citando como exemplo de avanço a Europa, onde além das constantes instabilidades sociais, assiste-se à um assustador crescimento da xenofobia incentivada por governos “civilizados”! KKK
[Reply]
on Jun 18th, 2009 at 11:29 am
Jorge Nogueira, eu acredito na força da dialética. Nada é estático e nada dura para sempre. Contudo, a história não está determinada, como pensam alguns. Não se sabe o que vai acontecer no futuro. O tempo dirá. Esse ente abstrato e complexo chamado mercado é, na verdade, fato social e, portanto, ele tem de ser controlado e fiscalizado por um estado democrático de direito.A recente crise econômica demonstrou exatamente que o estado moderno não estava fiscalizando e regulamentando como deveria esse fato social chamado mercado. Essa é a grande lição da crise. NO mais, não vejo porquê o estado ter que ficar gerenciando certos tipo de empresa, como telefonia, eletricidade, companhia de aviação ou mineradora. Esses serviços continuam sendo públicos, mas concedidos à iniciativa privada, mediante aberta e transparente licitação. Mas acho que algumas atividades, como o petróleo, deve sim ter um controle estatal mais efetivo e por isso, a priori (porque não tenho ainda posição definida sobre o assunto, pois posso mudar o que penso) sou contra a privatizaçaõ da Petrobrás.
NO mais, não tenho partido político e não apoio nenhum político especial. Sim votei na Yeda e daí?
[Reply]
on Jun 19th, 2009 at 11:48 am
Maia só uma perguntinha antes de prosseguir o debate: segues apoiando o governo Yeda?
[Reply]
on Jun 19th, 2009 at 11:29 pm
Há alguns anos, participei de uma pequena discussão sobre o caso Ford com um produtor de carne suína na Feira do Produtor aqui em Passo Fundo. Apro-veitando o local, eu fiz uma analogia e afirmei a ele que dando enormes subsídios à Ford ou a qualquer outra grande empresa, nós, gaúchos, estávamos “engordando porco gordo”.
Aí, eu fiz a pergunta para ele: Você engorda porco gordo? E eu mesmo a respondi, afirmando que, obviamente, ele não fazia isso, pois estaria perdendo dinheiro. E ele concordou.
Pois, o caso dos subsídios às grandes empresas vai pelo mesmo caminho. Essas empresas já estão gordas, “balofas” de tanto lucro, e nós, os baianos, paulistas, mineiros ou outro povo qualquer, as estamos subsidiando para que fiquem ainda mais “balofas”. Em detrimento do restante do população.
Só a título de exemplo, aquele micro ou pequeno empresário que emprega, em sua fábrica de esquadrias ali na vila, dez ou doze trabalhadores – e eles existem em inúmeras cidades do nosso Rio Grande -, pode fazer uma romaria, promessas mil, que não conseguirá as benesses concedidas a empresas multi-bilionárias como a Ford, GM, Gerdau e várias outras.
Esse mesmo empresário, que paga suas obrigações em dia, vai, certamente, se sentir desmotivado e tentado a deixar de pagá-las. Pensará ele: - Por que uma megaempresa, de lucros milionários, ganha subsídios e eu, que muitas vezes mal consigo empatar com as despesas no final do mês, não ganho?
Assim, ao “engordarmos porco gordo”, estamos desestimulando os demais contribuintes de pagarem seus impostos e obrigações.
[Reply]
on Jun 19th, 2009 at 11:31 pm
O governo de Olívio Dutra tinha “ranço anticapitalista”? Se assim fosse, esse mesmo governo teria criado programas importantíssimos como, por exemplo, os SLPs (Sistemas Locais de Produção), os os Núcleos de Extensão Empresarial? Tais programas foram criados para garantir apoio aos micro, pequenos e até mesmo médios empresários, capitalistas.
Ah! Tá certo! De repente, no Rio Grande exista uma grande quantidade de empresários socialistas e esses programas tenham sido criados para apoiá-los e eu não sabia.
Uma última perguntinha: Qual ou quais governos desmantelaram por completo esses programas?
[Reply]
on Jun 19th, 2009 at 11:33 pm
Dá para entender? O nosso colega de comentários, Maia, afirma que “O prin-cipal papel (do Estado) é fomentar a inclusão social dos excluídos prestando um razoável serviço público na educação, na saúde e na segurança”. Ao mesmo tempo, defende que o Estado se desfaça de centenas de milhões de seus parcos recursos para entregá-los a grandes empresas, já milionárias ou mesmo bilionárias.
Daí, é inevitável perguntar: com que recursos o Estado vai prover a popula-ção com os serviços que ele cita?
[Reply]
on Jun 19th, 2009 at 11:38 pm
Concordo com o Maia quando ele afirma que (o Estado) não tem que ser gestor “de buteco da esquina”. Porém, paro por aí, pois acredito que o Estado tem, sim, que ser gestor da telefonia, da aviação e da companhia de energia elétrica.
Ou será que o Estado deve aparecer só para aparelhar estes setores com recursos extraídos de toda a sociedade e, quando começarem a aparecer os lu-cros, repassá-los para a iniciativa privada. Este é o Estado dos sonhos do grande empresariado privado; ganhar tudo pronto, de lambuja, e só encher as burras de dinheiro é com eles mesmo.
Sabe-se que em todo o mundo, mesmo nos países que prescrevem a privatiza-ção como “a salvação da lavoura”, a aviação é altamente subsidiada por re-cursos públicos.
Parece que o que defende o colega Maia, é a clássica socialização dos custos e privatização dos lucros.
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on Jun 19th, 2009 at 11:40 pm
Imaginemos, hoje, uma CRT ainda sob controle estatal, com uma arrecadação e lucro fabulosos que o setor de telefonia está proporcionando, nas mãos de um governo como o do companheiro Olívio Dutra, o que não poderia ser feito pelo povo do Rio Grande?
O setor de telefonia é, talvez, o mais rentável atualmente, possivelmente mais até que o bancário.
Pois o lucro que a CRT estaria auferindo poderia, parte dele, ser usado, claro, na melhoria dos serviços prestados pela companhia. O restante, estaria disponível para o governo investir em setores ou regiões deprimidos, como a metade Sul, por exemplo.
Mas, como os lucros da telefonia fluem agora para as mãos de uns poucos en-tes privados, o governo fica sem recursos até mesmo para investir no básico – veja-se as absurdas escolas de lata de um certo “novo jeito de governar” -, quiçá para apoiar setores que precisem de estímulos.
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Gelso Job Reply:
June 22nd, 2009 at 9:16 am
Ué! O Maia desapareceu quando perguntado se continua a apoiara a Yeda?
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on Jul 6th, 2009 at 10:39 am
Caro Marco
Quero te cumprimentar por alimentar esse debate sobre o episódio da Ford. Sem dúvida nenhuma o Governo Olívio Dutra agiu dentro dos preceitos de defender o Estado da fúria capitalista, cumprindo com rigor o programa para o qual foi eleito. Quanto à polêmica sempre gerada em torno da atuação do Zeca, espero que o tempo e a história sejam capazes de reconhecer e honrar seu desempenho exemplar, nesse caso e em todos os outros nos quais ele foi protagonista. Uma pessoa muito especial. Espero sinceramente que um dia essas pessoas consigam chegar perto da visão de mundo que tinha o Zeca e, pricipalmente como ele encarava todas as formas de injustiça.
Parabéns Marco.
Grande abraço
Doris saraiva de Oliveira
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