Em maio de 1999, Jorge Furtado publicou um artigo na revista Não (n° 62), intitulado “A Voz do Dono. Fabricando o consenso: o caso Ford-RBS”. O texto trata da campanha midiática promovida pela RBS contra o governo Olívio Dutra em torno do caso Ford e analisa, em particular, uma curiosa pesquisa encomendada pelo grupo. Furtado escreve:
“Não tem precedentes a campanha movida pela RBS para que o governo do estado entregue o máximo de dinheiro público possível para a Ford. Há uma guerra na Europa, duas CPIs no senado, banqueiros e juizes apanhados saqueando cofres públicos e a Zero Hora, nos primeiros quinze dias de abril, deu dez manchetes de capa sobre o assunto, todas com o mesmo sentido: enfraquecer o governo do estado do Rio Grande do Sul na queda de braço com a Ford pela instalação da fábrica no estado”.
“Por incrível que pareça, a RBS e a oposição estão se revelando mais capitalistas que a Ford. Todos os dias, nos vários programas das várias rádios e tevês da rede, Buzzato, Proença e companhia esbravejam que os contratos são inegociáveis, que se não dermos tudo que prometemos para a Ford eles irão embora correndo para Santa Catarina ou para a Bahia e nós voltaremos para a pré-história. Só que a própria Ford admitiu que aceita renegociar os contratos. Claro que só ficou sabendo disso (“Ford admite renegociar contratos”) quem leu o Correio do Povo. A Ford admite receber menos do que estava no contrato, mas a RBS e a oposição não querem deixar o governo do estado economizar o nosso dinheiro”.
“O novo lance da fabricação do consenso foi a pesquisa que virou manchete no dia 16 de abril, em ZH: 69,3% APÓIAM CUMPRIMENTO DE CONTRATOS COM GM E FORD. A pesquisa, mal feita pela Universidade Federal e bem paga pela RBS, foi realizada nos dias 8 e 9 de abril. Que tal, para começar, dar uma olhada nas capas de Zero Hora naqueles dias? Dia 8: GM ameaça adiar produção e Ford dá prazo ao governo. Dia 9: Ford diz que tem outras opções para instalar fábrica. Agora vamos ver as perguntas da pesquisa”. (Siga lendo o artigo aqui e aproveite para descobrir outros textos sobre o caso também publicados pela Não. Entre outros, há um ótimo de Luís Fernando Veríssimo, publicao na revista Bundas.)

on Jun 17th, 2009 at 8:02 am
Que maravilha,
tinha até esquecido da revista nao. Foi o primeiro site alternativo de informacao e opiniao que eu lebro. Bons textos.
on Jun 17th, 2009 at 7:29 pm
Será possível medir o nível cultural, ético, estético, político de todos esses segmentos econômicos, representantes de partidos políticos e cidadãos, que lutaram, com todas as suas energias, pela Ford?
Enquanto isso: os Acervos do Erico Verissímo e o do Mário Quintana são mandados para fora do RS; a OSPA e o Museu da Imagem e do Som são itinerantes, sem sedes; a TVE e a FM Cultura descuidadas; o sistema educacional em decadência; a falta de etiqueta social, na Câmara Municipal, escandaliza um olhar habituado ao estilo diplomático e civilizado….
on Jun 17th, 2009 at 8:02 pm
Penso agora nos encontros com o “professor”.
Alguém poderia me dizer algo sobre as posturas do “professor” com relação a este genocidio cultural? O “professor” é amigo e vizinho da familia verissimo, foi secretadio de educação e dep estadual, penso que deva estar ocupando seus espaços na mídia em defesa dessa espécie em extinção: homo sapiens.
ps
Deu na Folha: apenas 5 por cento dos jovens que concluem o ensino médio , no estado de s paulo, sabem ler e escrever corretamente. Pergunta: Jose Serra tambem é professor?
on Jun 18th, 2009 at 1:42 am
[...] Memória: Jorge Furtado e o caso Ford-RBS (IV) Politica Comentar Jun 16th, 2009 by Marco Aurélio Weissheimer. [...]