Um novo ato em defesa do afastamento da governadora Yeda Crusius (PSDB) foi realizado ontem em Porto Alegre. A imagem ao lado mostra a dimensão do mesmo. Milhares de pessoas saíram às ruas mais uma vez. Estudantes lavaram a calçada em frente ao Palácio Piratini. Os dois jornais de maior circulação no Estado, Zero Hora e Correio do Povo, optaram por dar um tratamento discreto ao mesmo. Nenhuma foto ou chamada de capa, registro apenas nas páginas internas. Zero Hora preferiu destacar uma manifestação da oposição…no Irã. E o Correio do Povo achou mais relevante estampar a foto de um avião da Continental Air Lines, cujo piloto morreu em pleno vôo.
Essas escolhas editoriais obedecem à uma lógica similar àquela daqueles que se opõem à instalação de uma CPI para investigar as denúncias de corrupção no governo estadual pela suposta ausência de fatos novos. Um novo protesto no Rio Grande do Sul? Não é fato novo. Fatos novos são o protesto no Irã e a morte de um piloto em um vôo entre Bruxelas e Nova York. Isso ajuda a entender a natureza do fio que ainda sustenta um governo paralisado, desacreditado e com data de validade vencida.
Fotos: Caco Argemi

on Jun 19th, 2009 at 1:34 pm
Marco, fato novo será quando a RBS começar a denunciar a corrupção de seus aliados. No dia em que a Zé H trouxer uma manchete acusando seus ex-funcionários Yeda ou Fogaça, então teremos fatos novos. Por enquanto mantém o mesmo e velho método Ricúpero: o que é bom (para os corruptos deles) eles mostram, sobre o que é ruim eles silenciam.
on Jun 19th, 2009 at 3:42 pm
Mitos iranianos
As eleições no Irã servem perfeitamente à propaganda do Eixo do Mal, o estilo “Guerra Fria” modernizado que continua a pautar a cobertura internacional da grande imprensa. A desinformação tende a piorar com o acirramento dos ânimos, alimentando um repertório de bobagens que, sem as devidas correções, ganharão status consensual. É interessante romper esse processo de criação de falsas verdades enquanto a imprevisibilidade dos acontecimentos ainda o permite.
Fraudes provam que Ahmadinejad perdeu? – tudo leva a crer que houve uma série de irregularidades por todo o país. Mas ninguém conseguiu dimensioná-las ou determinar seus autores, enquanto vazam contagens paralelas e apócrifas que beiram o inverossímil. Nenhuma fonte iraniana confiável (incluindo vários oposicionistas) questiona a inevitabilidade da reeleição do presidente, extremamente popular entre as classes menos favorecidas e no interior.
Uma revolução em curso? – os numerosos protestos são inéditos na história recente do país. Mas concentram-se nas grandes cidades, especialmente em Teerã. O tal “clima nacional” das manifestações não foi comprovado, pois os correspondentes internacionais se restringem à capital. Ali também houve pelo menos duas grandes passeatas favoráveis a Ahmadinejad, que não receberam destaque na imprensa. O movimento oposicionista é menos organizado e uníssono do que parece.
Mousavi é liberal? – A mídia internacional sempre o considerou um radical. Hoje ele assume discurso moderado, mas jamais questiona a República Islâmica, antes defende o retorno a seus princípios originais. Foi primeiro-ministro de 1981 a 1988, período particularmente repressivo da política iraniana, que coincidiu com a guerra contra o Iraque. Seu governo perseguiu oposicionistas e impôs diversas das restrições de vestuário e comportamento que se costuma associar à dureza do regime.
Os EUA cautelosos? – É evidente (e pouco dissimulado pelo próprio governo Obama) o apoio conferido à oposição. As cifras envolvidas variam de acordo com o informante, mas coincidem na escala milionária. Sob a censura e a repressão do governo iraniano, seria materialmente impossível organizar, financiar e divulgar um movimento reformista (tão bem-sucedido quanto instantâneo) sem forte amparo externo.
Uma ótima fonte dos acontecimentos pode ser obtida nos relatos de Robert Fisk, talvez o mais importante correspondente internacional no Oriente Médio (em inglês): http://www.independent.co.uk/opinion/commentators/fisk/
on Jun 19th, 2009 at 8:52 pm
Por essas e por outras, foi que suspendi a assinatura do Correio do Povo!