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Projeto do Ecoparque, o ritmo de um governo lento

 Paulo Muzell escreve:

O atual governo municipal é, certamente, um dos piores que Porto Alegre teve nos últimos quarenta ou cinqüenta anos. Reduziu sensivelmente os investimentos – significa dizer que “encolheram” as obras na cidade -, piorou a prestação de serviços como mostram inquestionavelmente as estatísticas da Prefeitura e é visível a olho nu e, também, arrochou os municipários, que reclamam perdas passadas e acusam Fogaça de descumprir sua própria lei salarial. No dissídio de maio concedeu reajuste de apenas 1%, recusando-se a pagar a inflação, os 5,53% do IPCA dos últimos doze meses. Depois de ter alardeado por três anos consecutivos expressivos superávits, Fogaça alega falta de recursos.

O que surpreende é que conseguiu a reeleição, certamente favorecido pelo desgaste do PT e pelo forte apoio de uma mídia extremamente conservadora. Apesar de toda a blindagem, o governo Fogaça paulatinamente consolida uma imagem negativa de governo inoperante e lento. O insatisfatório atendimento das demandas do OP, o atraso no cronograma da maioria das obras, o descumprimento da lei orçamentária anual e a própria figura e atitude do prefeito – um homem de ar cansado, lento no falar e no agir, “econômico” nos gestos e nas ações, de agendas curtas, raramente matinais -, contribui para isso. Nas recentes manifestações do SIMPA, em assembléias e atos no Paço a tartaruga foi utilizada como símbolo e representação do prefeito Fogaça e de sua administração. Certamente isso não ocorreu por acaso.

No início de junho Fogaça entregou na Câmara seu projeto de lei do Plurianual (PPA) para o período 2010/2013. Ali constam seus principais programas e ações. Em comentários anteriores registramos a superestimação dos investimentos no PPA, que significa que o governo promete obras que não vai fazer; o aumento dos já vultosos gastos com propaganda, que contrastam com a insuficiência de recursos para os projetos sociais. Mas é um grande projeto – o do Ecoparque – que torna evidente o descompromisso deste governo.

Este projeto – de grande importância tecnológica, social e ambiental – vem sendo discutido há sete ou oito anos na cidade. Pretende melhorar a coleta e a seleção do lixo – gerando empregos e aumentando a renda dos catadores e desempregados –, além de implantar uma unidade de processamento, para gerar energia sem poluição. Já foi concluído um anteprojeto, faltando atualizá-lo, elaborar o projeto executivo e começar as obras. Técnicos do setor informam que com cerca de 16 a 17 milhões e num prazo de quatro anos seria possível implementar a sua primeira etapa.

No seu primeiro quadriênio Fogaça “esqueceu” o Ecoparque”. Já neste seu segundo PPA,“recuperou a memória”, lembrou-se de sua importância, originando uma verdadeira “pérola” materializada no projeto PPA que tramita na Legislativo Municipal. Incluiu-o através da Ação 1678. Até aí tudo bem. O problema é que a previsão de recursos totais é de 44 mil reais para os quatros anos, em média 11 mil reais por ano! Uma piada! Mas o detalhe satânico está na quantificação da meta: ela prevê que até 2013 sejam realizados 25% dos “estudos preliminares”! Nesse ritmo teríamos um prazo de 16 anos para concluir os estudos iniciais, começando a partir daí a elaboração do projeto final. E as obras e o funcionamento? Deus sabe quando, certamente a partir de 2030.

Aliás o nome do programa está incompleto é “Porto do Futuro”, faltou o “Remoto”. O descaso evidenciado na forma como é tratado este importante projeto desnuda o caráter irresponsável deste governo. Aguardemos: será que os vereadores de Porto Alegre vão “engolir” e aprovar esta barbaridade?

7 Comentários on “Projeto do Ecoparque, o ritmo de um governo lento”

  1. #1 Luís
    on Jun 29th, 2009 at 5:34 pm

    Algumas características centrais da administração municipal: ausência de políticas públicas e de unidade administrativa, terceirização generalizada… não por acaso, é quase o mesmo frentão direitista que (des)governa o estado.
    Agora os últimos municipários de POA que não tinham acordado – fora algumas castas muito bem “conversadas” – se dão conta no que se meteram, pois o processo de re-eleição acabou…

  2. #2 Teresinha Carpes
    on Jun 29th, 2009 at 7:55 pm

    Tão terceirisando todo o Estado e a Capital(Porto Alegre)querem um exêmplo?Aqui na Av.Wenceslau Escobar,a principal avenida da Zona Sul,tem uma escola de ensino médio(bem ao lado do posto de saúde da Zona Sul)que a des-governadora permitiu que fosse erguidos vários Out Doors,com propagandas de Sabão em pó e a Pepsi-Cola!Pode Marco?È só conferir…certamente foi estas duas empresas que pagaram o muro que estava caindo!!!!E o castigo,veio logo ensguida,um carro em alta velocidade bateu,no muro e derrubou não só um pedaço do mesmo,como um orelhão da OI…

  3. #3 Teresinha Carpes
    on Jun 29th, 2009 at 8:06 pm

    Fiz um ëscarcel¨¨(já que o meu teclado não tem mais aspas eu uso o trema¨¨¨¨hehehehe)lá no Super Mercado Záffari,aqui da Otto Niemayer,quando eu vi,nos caixas eletrônicos a cara deslavada do prefeitinho fogaça,propagandeando o ¨¨CD¨¨do mesmo,o dito CD,é uma campanha descarada do fogaça(para o governo do Estado)eu alterei minha voz e disse:Era só o que faltava,eu deixar de vir comprar aqui e gastar mais de 500 paús por mês,e sustentar a campanha desta porcaria de prefeito!!!!e continuei¨¨Se vcs não tirarem este cara daqui,eu não compro nada mais aqui¨¨¨¨!A sorte,que umas tres pessôas que estavam ,uma atraz de mim e duas no outro caixa me deram apoio e ainda completaram o prefeito e esta mulher,que se diz governadora(disse uma das clientes)Minha amiga,ontem me mandou o site do Blog da Nova Corja,que lá,estava a reportagem deste Super-Mercado do Esquilo vermelho,com o CDesmanchando do cantor(?)fogaça…

  4. #4 claudia
    on Jun 30th, 2009 at 12:49 am

    Espero, um dia, ter uma explicação convincente para a expressão “desgaste do PT”. Sempre que leio algo assim, parece que o Partido dos Trabalhadores acredita que a população portoalegrense pensa na Administração Popular como algo que se desgastou, devido as suas políticas públicas ruins, ou equivocadas, ou ineficientes [????].

    Balela!!!

    Se houve desgaste do PT, coloque-se isso na conta da mesma responsável pela reeleição de um incompetente, quiçá, acobertador de corruptos [pró-jovem e saúde que o digam!]: mídia corporativa.

  5. #5 Rick
    on Jun 30th, 2009 at 8:45 am

    Parece que a frente anti-PT é tão hegemônica que reelegeram esta tartaruga poética e deram um voto de confiança à D. Yeda I, a Louca.
    Quanto aos municipários a tentativa é de esmagar psicologica e financeiramente a categoria e seu sindicato.
    Enquanto isso uma autarquia promove encontro de funcionários em fazenda alugada com tudo pago, sabe-se lá por quem…
    E não satisfeita quer mexer no Plano de Carreira e implantar controles como ponto digital e catracas eletrônicas.
    Dão apenas 1% de reposição e só aumentam o vale alimentação se diminuirem o vale hora-extra.
    Sem falar do pagamento das progressões atrasadas em 36 suaves prestações.
    E os próprios municipários reconduziram esta turma…

    Rick

  6. #6 Carlos Maia
    on Jun 30th, 2009 at 11:40 am

    Acho muito fraca a administração Fogaça. O problema do Fogaça é que ele é medroso, refém das minorias participativas como ocorreu no caso do POntal do Estaleiro e agora vai gastar zilhões de reais numa consulta popular que não vai adiantar nada, porque os proprietários não vão fazer prédios residenciais no local. Vão seguir o projeto determinado em lei de construção comercial.

  7. #7 Fábio Goebel
    on Jun 30th, 2009 at 2:20 pm

    Grande mestre Muzel, providencial teu artigo!
    É lamentével ver a Capital do Forum Social Mundial apequenada com a sonolência do desgoverno Fogaça.
    Precisamos de maior nitidez.
    O papinho Gente fina do soneca não pode mais acobertar o destrutivo projeto neo-liberal.
    Um Grande abraço!
    Fábio Göebel

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