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Morde e assopra: os argumentos que ainda sustentam Yeda Crusius

 A jornalista Rosane de Oliveira escreve hoje em sua coluna em Zero Hora:

“Premiada ou não, a delação de Lair Ferst não é a bomba que os governistas temem e que a oposição aguarda com expectativa. O que interessa é o que o Ministério Público Federal fez com o roteiro oferecido por Lair para uma investigação. Sozinhas ou combinadas com declarações de Magda Koenigkan, as declarações de Lair não têm peso para derrubar o governo e nem mesmo para garantir as duas assinaturas necessárias à criação da CPI. Falta a ele credibilidade para ser o detonador da CPI”.

O tema da credibilidade da palavra de Lair Ferst também foi tema, ontem à noite, do programa Conversas Cruzadas (TV COM/RBS), capitaneado por Lasier Martins. A interativa do programa perguntou se a palavra de Lair tinha credibilidade ou não.

Essa é justamente uma das linhas centrais da defesa do governo Yeda Crusius (PSDB): questionar a credibilidade da palavra do denunciante. Ela já foi usada antes contra o ex-secretário da Segurança, Enio Bacci, contra o vice-governador Paulo Feijó(DEM), contra a viúva de Marcelo Cavalcante, Magda Koenigkan, e contra o próprio Lair Ferst. Curiosamente, ela é usada mais fortemente justamente quando os denunciantes são ex-aliados do governo.

Cabe perguntar: se a palavra de Lair Ferst não tem credibilidade, por que dar destaque de capa e manchetes para ela, como fez ZH ontem e hoje??? Aparentemente, a colunista política de ZH briga com as notícias publicadas pelo próprio jornal. Quando o delegado Luiz Fernando Tubino fez as primeiras denúncias sobre irregularidades na compra da casa da governadora, na CPI do Detran, suas palavras não ganharam esse destaque, entre outras razões, pela alegada falta de credibilidade da palavra do denunciante. Agora, ao dar destaque de capa para as denúncias de Lair, a RBS joga de modo ambíguo com o tema da credibilidade. Enquanto a reportagem morde, colunistas e editorialistas assopram.

Vale lembrar ainda o editorial publicado por ZH em 12 de maio, intitulado “O Rio Grande não merece isso!”, que, entre outras coisas, posiciona-se contrariamente à instalação de uma CPI na Assembléia. Nesta terça, 7 de julho, um novo editorial, intitulado “Respostas inadiáveis”, cobra explicações do governo e das “autoridades que têm papel fiscalizatório, como os policiais federais e os procuradores”. O editorial omite o Poder Legislativo que tem, entre uma de suas principais tarefas, fiscalizar os atos do Executivo. Essa omissão está na base do discurso que vem impedindo a instalação de uma CPI na Assembléia: cobra-se provas das acusações, como se não fosse tarefa de uma CPI justamente investigar denúncias e indícios de irregularidades em busca de provas.

A combinação dessas duas linhas argumentativas – questionar a credibilidade dos denunciantes e isentar o Parlamento de seu dever de fiscalizar o Executivo – constituem hoje a última linha de defesa do Palácio Piratini. É isso que constitui, centralmente, a resistência da qual Yeda e os seus falam.

Ilustração: Hupper

14 Comentários on “Morde e assopra: os argumentos que ainda sustentam Yeda Crusius”

  1. #1 gaúcho
    on Jul 7th, 2009 at 1:07 pm

    Rosane de Oliveira, a abelhinha da RBS, obedece a linha editorial da RBS, se ela tivesse independência montava seu próprio blog e ganhava a vida com mais dignidade.
    Além de ser, obviamente, nada mais que uma pau mandado da empresa é de um provincianismo ridículo!
    Rosane, volta pra Roça!

  2. #2 buddy
    on Jul 7th, 2009 at 1:13 pm

    a estratégia do desgoverno é desqualificar as denuncias da oposição e de
    seus antigos colaboradores com a pecha de que são noticias/acusações
    requentadas.as denuncias nunca tem credibilidade,a velha louca do 171
    não se defende e parte para o ataque contra tudo e contra todos que ou
    sarem suspeitar da sua quadrilha.enquanto isto a RBS deita e rola pauta
    ndo o povo gaucho:vende descaradamente que o RS tem um governo sé
    rio,ético e transparente,que zerou o deficit público e que esta tudo as mil
    maravilhas.quem vai lembrar que o estado não aplica os minimos constitu
    cionais na saúde e educação?que não tem segurança,que as obras que ella inaugura são investimentos do governo federal?que ella contraiu um
    emprestimo de mais de 1 bilhão de dolares para os futuros governadores
    pagarem?alguem vai lembrar que ella destinou 115 merréquinhas para a
    consulta popular(são 476 municipios,poa,caxias,canoas,pelotas,santa ma
    ria por serem maiores levarão quase toda a grana e para os pequenos vai sobrar o troco das balas)e 100 milhões para publicidade?que 80% é para a RBS?então pau na RBS e FORA YEDA E SEUS ASSECLAS…….

  3. #3 Katarina Peixoto
    on Jul 7th, 2009 at 1:19 pm

    O desgaste do grupo RBS com essa aliança editorialesca com esse desgoverno já ultrapassou a cumplicidade da gestão Britto. É uma vergonha, um constrangimento.

  4. #4 daniela
    on Jul 7th, 2009 at 1:20 pm

    Acredito que a palavra do Ferst deveria ter o mesmo peso, ou a mesma credibilidade, da palavra daquele motorista “anônimo” que a imprensa transformou em herói nacional na época do Collor. Mas talvez os interéééésses sejam outros.

  5. #5 Luís
    on Jul 7th, 2009 at 1:24 pm

    Os riscos são pesados para todos os lados…
    Olhando apenas para a disputa eleitoral, é ótimo para a oposição que a (des)governadora sangre lentamente, e até concorra. Mas, se ella não continuar, ainda há muito para ser disputado em termos de políticas públicas até dezembro de 2010… e se o “bigode” assume logo…

    E muito provavelmente a CPI não vai sair por um outro motivo muito simples: fora os que já assinaram a petição, os outros deputados estão atolados no (des)governo estadual, usufruindo muito bem o pagamento por sustentá-lo. No campanha do ano que vem, nenhum deles lembrará quem é Yeda Crusius.

  6. #6 Milton Piovesan Faustino
    on Jul 7th, 2009 at 2:38 pm

    O ponto da questão está em fazer o MPF falar o sabe e/ou o que já fez. E isso incide diretamente nos investimentos financeiros e políticos da RBS e nos seus grupos financeiros e políticos de suporte. O jogo do da RBS e de seus indi(a)gentes é para saber até onde as investigações foram, para então dizer façam ou não façam a CPI. Ou seja, o rabo deles tá bem preso.

    Milton Piovesan Faustino

  7. #7 Moses Kuhn Besouchet
    on Jul 7th, 2009 at 10:52 pm

    Marco, permita-me discordar em parte: em se tratando de jornais, ou seja, de meios que independem de concessão, tudo o que se quer é a separação de notícia e opinião. Não leio nem assino ZH, mas sempre os critiquei por darem opinião (e opinião equivocada) como notícia. Logo, não vou criticá-los se noticiam corretamente, ainda que discorde frontalmente da opinião do jornal. Se há divergência entre opinião e reportagem, qual o problema? O NYT, que é reconhecidamente um bom jornal, volta e meia traz esse tipo de “descompasso”. Grande abraço!

  8. #8 Luiz Fernando
    on Jul 7th, 2009 at 11:22 pm

    Tchê, vê se larga este ranço da esquerda órfã do FSM.
    A ZH protege tanto a Yoda que as matérias contra o governo dela sairam sempre em primeiro lugar na “malvada” RBS.
    Vide matérias sobre as falcatruas do DETRAN (escutas do Zé Ó), escutas contra o QuadrilhaxMoreiraxMac e Magna. Escutas da WalnaxMagna….
    É injustiça pô, a ZH traz matérias para o teu blog e tu ainda mete o pau na falta de independência deles.
    Ti larguei de mão

  9. #9 Marco Aurélio Weissheimer
    on Jul 8th, 2009 at 1:03 am

    Obrigado pela observação, Moses. O que mais me interessa aqui é a análise dos argumentos utilizados, e menos a divergência entre opinião e reportagem.

  10. #10 Marco Aurélio Weissheimer
    on Jul 8th, 2009 at 1:06 am

    Ah, sim, Luiz Fernando, esqueci que quando a gente cita o que sai na ZH ou em outros jornais ficamos proibidos de ter opinião própria. É tipo venda casada, ou compra casada, melhor dizendo…

  11. #11 Moses
    on Jul 8th, 2009 at 10:39 am

    Caro Luiz Fernando,
    o problema não é eles terem dado primeiro, até porque, tendo 80% do mercado e centenas de jornalistas, isso é apenas obrigação. A questão é a absoluta omissão naqueles que o MIno Carta chama de princípios básicos do jornalismo: respeito à verdade factual e rigorosa investigação do poder. A RBS simplesmente cruzou os braços na maioria das denúncias, engrossando o coro de que “não foram apresentadas provas”, como se testemunha tivesse o dever de provar, e como se, em política, investigação não coubesse à imprensa.
    Abraço!

  12. #12 Rodrigo
    on Jul 8th, 2009 at 11:29 am

    Pô, Marco,
    que malvadeza com a ZH. É um pessoal tri coerente, sempre preocupado com a credibilidade das fontes, e tu aí pegando no pé deles!
    Lembra da CPI da Segurança, por exemplo. Lá estava a ZH, sempre atenta para evitar que se fizessem injustiças, preocupada em preservar a imagem do governador eleito e do secretário Bisol. Lembra da preocupação que eles tinham com a credibilidade daquele pessoal gente fina da “suposta” banda podre? Que injustiça, tchê!

  13. #13 Jo
    on Jul 8th, 2009 at 12:36 pm

    Eu tenho saudade do FSM. Putz, sou contra a Yeda. Putz, Zeagá é jornal ruim por isso. Putz, eu sou retardada.

  14. #14 Joey
    on Jul 8th, 2009 at 3:55 pm

    As pessoas têm opinião sim, jornalistas ou não, os donos da RBS têm opinião. Mas antes disso vem os interesses. Quem deu mais dinheiro público à grande imprensa? Olívio ou Britto? Rigotto ou Yeda?

    Alguns não olham o dinheiro, devem seguir o editorial. Na Rádio Gaúcha (não leio ZH) que escuto notícias misturadíssimas às opiniões, dão conta de que Lair não é confiável e que o ÚNICO erro da Governadora seria não ficar indignada diante tamanho absurdo de denuncias. Quer dizer, para esses caras está ficando cada vez mais difícil defender o PSDB/PMDB aqui do RS. Socorro.

    Muitos fatos coincidentes vindos de diferentes lugares estão deixando esse governíco num brete. Valores divulgados por testemunhas na CPI do Dentran figuram agora como réus na investigação do MPF.

    Quer dizer que é MPF, Procuradoria Geral da União e Polícia Federal investigando notícia requentada! Uau! Por muito menos que isso vimos a mídia raivosa clamar por moral e ética. Onde está esse povo agora? Parece-me: de baixo da saia da desloucada Yeda.

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