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A história de Lúcio Flávio Pinto, jornalista condenado por fazer jornalismo

 Idelber Avelar escreve no Biscoito Fino e a Massa:

Prepare-se, caro leitor, para outro mergulho no Brasil profundo. Lúcio Flávio Pinto (foto) talvez seja hoje o jornalista mais respeitado e destemido da Região Norte. Ele é o solitário redator do Jornal Pessoal, empreitada independente, que não aceita anúncios, tem tiragem quinzenal de 2 mil exemplares e mesmo assim provoca um fuzuê danado entre os poderosos, dada a coragem com que Lúcio investiga falcatruas e crimes. Lúcio já ganhou quatro prêmios Esso. Recebeu também dois prêmios da Federação Nacional dos Jornalistas em 1988, por suas matérias dedicadas ao assassinato do ex-deputado Paulo Fonteles e à violenta manifestação de protesto dos garimpeiros de Serra Pelada. Em 1997, ele recebeu o Colombe d’Oro per la Pace, um dos mais importantes prêmios jornalísticos da Itália. Em 1987, foi o jornalista que investigou o rombo de 30 milhões de dólares no Banco da Amazônia, por uma quadrilha chefiada pelo presidente interino do banco e procurador jurídico do maior jornal local, O Liberal.

Há 17 anos, os representantes paraenses da corja comandada pela família Marinho perseguem-no de forma implacável. Ronaldo Maiorana, dono (junto com seu irmão, Romulo Maiorana Jr.) do Grupo Liberal, afiliado à Rede Globo de Televisão, emboscou Lúcio por trás, num restaurante, e espancou-o com a ajuda de dois capangas da Polícia Militar, contratados nas suas horas vagas e depois promovidos na corporação. O espancamento, crime de covardia inominável, só rendeu a Maiorana a condenação a doar algumas cestas básicas.

Alguns meses depois da agressão, Lúcio foi convidado pelo jornalista Maurizio Chierici a escrever um artigo para um livro a ser publicado na Itália. O texto, eminentemente jornalístico, relatava as origens do grupo Liberal. Em determinado momento, dentro de um contexto bem mais amplo, ele fez referência às atividades de Maiorana pai no contrabando, prática bem comum, aliás, na Região Norte na época. Como se pode depreender da leitura do artigo, nada ali tinha cunho calunioso, posto que – uma vez processado -, Lúcio anexou aos autos toda a documentação que provava a veracidade do que afirmava. A obra investigativa de Lúcio fala por si própria: veja a qualidade da prosa e da pesquisa que informa o trabalho de Lúcio e julgue você mesmo. O que ele oferece em seus textos, entre muitas outras coisas, é a documentação, história e raízes daquilo que é sabido até mesmo pelos mosquitos do mercado Ver-o-Peso: que n’O Liberal só se publica aquilo que é de interesse da corja dos Marinho.

Mas eis que chega do Pará a estranha notícia de que o juiz Raimundo das Chagas, titular da 4ª vara cível de Belém, condenou Lúcio a pagar a soma de 30 mil reais aos irmãos Maiorana – representantes paraenses, lembrem-se, da organização comandada pelos Marinho. Lúcio também foi condenado a pagar as custas processuais e os honorários advocatícios. A pérola de justificativa do juiz fala do “bom lucro” de um jornal artesanal, de tiragem de 2 mil exemplares por quinzena. Ainda por cima, o juiz proíbe Lúcio de usar “qualquer expressão agressiva, injuriosa, difamatória e caluniosa contra a memória do extinto pai dos requerentes e contra a pessoa destes”, o que constitui, segundo entendo, extrapolação característica de censura prévia contrária à Constituição Federal. O juiz fundamenta sua decisão dizendo que Lúcio havia “se envolvido em grave desentendimento” com eles. É a velha praga do eufemismo: um espancamento pelas costas se transforma em “desentendimento”. A reação de Lúcio à sentença pode ser lida nesse texto.

O Biscoito se solidariza com Lúcio, coloca o site à disposição para o que for necessário — inclusive para a publicação de qualquer material objeto de censura prévia – e suspira de cansaço ao fazer outro post que mais parece autoplágio, dada a tediosa repetição desses absurdos. Resta a pergunta: até quando os Frias, Marinho, Civita, Mesquita e seus comparsas vão manter esse poder criminoso Brasil afora?”

P.S. O RS Urgente também se soma à solidariedade a Lucio Flávio e coloca o blog à disposição para o que for necessário.

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6 Comments on “A história de Lúcio Flávio Pinto, jornalista condenado por fazer jornalismo”

  1. #1 Moses
    on Jul 8th, 2009 at 12:09 pm

    Por ser casado com uma paraense, há anos acompanho o trabalho do Lúcio. É o que há de bom em jornalismo numa terra em que a coluna semanal do bispo local merece destaque no jornal. Lúcio é um exemplo para o Brasil.

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  2. #2 Simone D. Rasche
    on Jul 8th, 2009 at 1:06 pm

    Impressionante!!! E pensar que quando recorrer aos Tribunais Superiores dependera de outras maos… igualmente…

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  3. #3 Paulo Augusto
    on Jul 8th, 2009 at 4:44 pm

    LFP, o WU do Para; WU o LFP do RS. E dê-lhe censura!!

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  4. #4 daniela
    on Jul 9th, 2009 at 10:18 am

    Sugiro a abertura de uma conta a ser divulgada nos blogs que não admitem atos de censura como este para ajudarmos o Lucio a pagar esta conta. É o mínimo que se pode fazer para ajudá-lo nessa cruzada histórica.

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  5. #5 Mariana Rocha
    on Jul 9th, 2009 at 8:17 pm

    É mais um absurdo q acontece com este competente e corajoso jornalista.É revoltante tamanha audácia,tamanha injustiça para com este q só busca o melhor,o certo pra esta cidade,pra este Estado.Lúcio Flávio Pinto tem tem coisas muito valiosas e admiráveis e que dele ninguém,absolutamente ninguém, pode tirar.Ele tem o desejo ardente de justiça,ele tem conhecimento e o compartilha maravilhsamente bem,e o melhor de tudo,ele tem dignidade pra com os cidadãos desta ignorada cidade.

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  6. #6 nilce Favacho
    on Jul 22nd, 2009 at 12:08 pm

    Isso é um absurdo….

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