Nesta sexta-feira, 21 de agosto, a morte de nosso colega Paulo Renato completará um mês. Até agora nenhuma providência foi tomada pelo Coronel-Presidente e sua equipe, ou seja, novos motins e novas mortes podem acontecer. E com a chuva, o frio, a possibilidade da epidemia de gripe A1, só contando com a dedicação extremada dos trabalhadores e a sorte.
Perguntamos: Quando será o próximo seqüestro em custódia? Quando entrará outra arma jogada pelos pátios sem proteção? Quando será assassinado a tiros o próximo trabalhador? Quando será o próximo resgate em unidades? Quando serão estocados os próximos monitores? Quando sofrerão fraturas, cortes, hematomas? Quantos deles serão hospitalizados para tratamento psiquiátrico? Quantas seqüelas herdarão, quantos ficarão incapacitados temporária ou permanentemente para o trabalho? Quando os trabalhadores da FASE receberão um salário digno que lhes permita cumprir sua carga horária contratual para tentar enfim ter uma vida normal?
Se continuar como está, quem sofrerá o próximo AVC?
Por fim, se cumpríssemos a lógica dos procedimentos corretos, acaso teríamos tantos tumultos em instituições organizadas, com população adequada, com atividades que preenchessem o tempo dos adolescentes que estão sob a guarda do Estado? Alguém se rebela por receber boas condições de atendimento? Não deveríamos nós ressocializar os autores de ato infracional? Ou apesar da missão a que nos propomos e pela qual recebemos, somos coagidos, pelas condições de trabalho a fornecer-lhes uma dose extra de revolta e motivos para seguir a opção iniciada? Afinal, se o lado certo das coisas tem a FASE como exemplo, o que eles podem pensar? Ou voltamos ao tempo do Código de Menores, onde o menor era preso como punição e castigo, e não para sua recuperação?
(*) Diretora do SEMAPI/RS.


on Aug 21st, 2009 at 11:33 am
Bom saber por onde anda a Regina.
Já pelos anos noventa, circulava ela pelos bares da Cidade Baixa vendendo seus livros de poesia e exercitando sua postura consciente.
Não perdeu a fibra, nem a indignação com o autoritarismo e o descaso com os deserdados sociais.
Ao contrário do ex-petista Schuller não trocou de lado.
Belo e consciente artigo.
Ricardo Mainieri
on Oct 15th, 2009 at 2:05 pm
Só hoje vi este absurdo aqui publicado. Esta senhora Regina que ganha pra falar mal da FASE deveria mesmo voltar a sua atividade antes de ficar por aí dizendo bobagens.
A VERDADE sobre a morte do servidor foi usada políticamente pelo SEMAPI (aliás Sindicato que mais atrapalha a catedoria do que ajuda – senão vejamos a frustrada negociação do dissídio com o Governo que deixou colegas até sem comida por causa da sua intransigência). O que aconteceu naquela noite que a Record e o SEMAPA insistiram em dizer que foi motim, nada mais foi do que uma manifestação de solidariedade dos adolescentes ao monitor Paulão que, AO CHEGAR PARA TRABALHAR foi vítima de um AVC. Ele não estava trabalhando ainda, acabara de chegar e teva o AVC quando se dirigia ao setor que iria cuidar naquela noite. Os adolescentes ao verem o monitor caído, começaram a gritar pedindo socorro para o “Seu Paulão”. E, quando uma ala começa a gritar, é óbvio, lógico, que os demais comecem a gritar também. Bem como os adolescentes das unidades vizinhas, todas muito próximos. Só não sabe disso os jornalistas da Record e os mal intencionados do SEMAPI que usam a morte de um colega para fazer política. E a Record sem saber o que acontecia de verdade, para fazer sensacionalismo barato.
E ainda sobre a morte do Paulão, o prontuário do servidor prova que ele se tratava de hipertensão arterial, há mais de dez anos. Portanto, ele não morreu porque houve “motim” naquela noite. Ele morreu por ser uma pessoa portadora de uma doença crônica, como a hipertensão, que acabou levando-o ao AVC e a morte. Agora, a bem da verdade, stress do trabalho com periculosidade pode levar a hipertensão. Mas fazer disso manobra política e sindical é, no mínimo desrespeito para com o colega de trabalho.