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O fracasso da retórica da truculência

“Crime é uma coisa para a polícia resolver, mas violência já é um problema para ser resolvido pela sociedade”.

A frase do tenente coronel Flávio da Silva Lopes (foto), comandante do 2° Regimento de Polícia Montada da Brigada Militar (2° RPMon), durante recente debate na Rádio Cultura AM, em Sant’Ana do Livramento, expressa a cultura dominante nas corporações policiais do Estado. Cultura esta que estabelece uma dissociação entre crime e violência, entre polícia e sociedade, e privilegia o trabalho repressivo do aparato policial.

Essa concepção de política de segurança começou a ganhar mais força no Estado no início do governo Germano Rigotto (PMDB), com amplo suporte midiático. Logo após assumir a Secretaria de Segurança, José Otávio Germano (PP) – hoje acusado de integrar uma quadrilha que agia no Detran – declarou em uma entrevista ao programa “Polícia em Ação” que, na sua gestão, a polícia passaria a agir “sem freio de mão” para defender os “homens de bem”. A aversão ao freio de mão foi radicalizada no governo Yeda Crusius (PSDB). As idéias do coronel Mendes assumiram as rédeas na Brigada Militar e atingiram seu ápice de truculência na semana passada, com a execução, pelas costas, com um tiro de espingarda, do sem terra Elton Brum da Silva.

Qual é mesmo o legado dessa política para a segurança pública da população gaúcha? Melhorou a segurança e a relação da polícia com a sociedade? Tomando como exemplo o período em que o coronel Mendes permaneceu no comando da Brigada, os resultados são pífios, para dizer o mínimo. Segundo o anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os homicídios dolosos no Rio Grande do Sul aumentaram 7,9% entre 2007 e 2008, passando, em números absolutos, de 1.557 (2007) para 1.646 (2008). Esse aumento foi proporcionalmente maior ao índice de Estados como o Rio de Janeiro (3,0%), São Paulo (-7,8%) e Pernambuco (-2,8%).

Quanto à relação com a sociedade, as imagens que ganharam destaque nacional nos últimos anos foram as de policiais reprimindo manifestações sociais com bombas, cavalos, espadas e balas que acabaram por produzir uma vítima fatal. E no colo do governo onde o “freio de mão” foi solto, cabe lembrar, há outro cadáver, o do sindicalista Jair da Costa, morto pela Brigada Militar durante uma manifestação de trabalhadores.

Esses números e fatos são alguns dos resultados mais visíveis da truculenta retórica, encarnada em sua expressão mais pura pelo coronel Mendes e que fez da pirotecnia ideológica um princípio de política de segurança. Eles demonstram que aqueles que mais usam (e abusam) da retórica punitiva são os que menos fazem de concreto para a segurança da população. Frases como a do tenente coronel Flávio da Silva Lopes são, ao mesmo tempo, um corolário e a prova do fracasso dessa retórica da truculência que vê a sociedade como um ente externo (e muitas vezes inimigo) às corporações policiais.

13 Comentários on “O fracasso da retórica da truculência”

  1. #1 Ricardo Pinto
    on Aug 24th, 2009 at 4:44 pm

    Alguns dirão que estou louco, mas garanto-lhe que nunca estive tão lúcido.

    Acredito que em situações extremas devemos aceitar a hipótese de medidas extremas, e por isso creio estar mais que na hora de um levante popular contra esse governo. E lhes digo porque.

    Se o povo gaúcho não voltar-se contra o governo Yeda e continuar contemplando suas diabruras até o final do seu mandato, nossos próximos governantes seguirão a mesma linha asquerosa de safadezas, posto que não terão o que temer (afinal eles riem da justiça).

    Se não invadirmos o Piratini e arrancarmos essa mulher e toda sua camarilha de lá e não empossarmos alguém honrado, de elevada moral e caráter ilibado para nos governar, ainda que mortes ocorram, ainda que sangue de justos seja derramado, então estaremos passando o atestado de povo-cordeiro.

    Sou contra a violência, mas ela se faz necessária quando todas as alternativas lícitas, quando todos os poderes republicanos falham, relegando o cidadão a uma existência indigna, tendo de conviver com a desonra em ter sua vida em sociedade administrada por pilantras.

    Façamos o mundo conhecer a força do povo gaúcho.

    Conclamemos os gaúchos de todos os pagos desse imenso Rio Grande e organizemos uma marcha monumental rumo à retomada da decência, da dignidade e do valor.

    Alô dirigentes partidários! Alô sociedade civil!

    É hora de sermos destemidos.

    A hora é agora.

  2. #2 João da República de Santa Maria
    on Aug 24th, 2009 at 5:49 pm

    Alguém, pode ser da área técnica da saúde. Até mesmo o secretário Terra.
    Qualquer pessoa poderia esplicar-me o motivo do uso de máscaras descartáveis (tipo odontológica) em campo aberto?
    Qual o insano que achou que a tropa da BM poderia pegar algum vírus naquele local?
    Duas alternativas:
    1- Era, como fazem os dentistas, para atingir um dente que estava atrapalhando, ou quem sabe não se contaminar com os movimentos socias.
    2-Ou, para esconder-se atrás, e evitar as futuras identificações e as futuras responsabilzações.

    Mais uma pergunta, apenas:
    -Quem disparou, à queima roupa, pelas costas, portava máscara?
    Aí sim, seria uma “operação extremamente Profissional”

  3. #3 eu acuso
    on Aug 24th, 2009 at 6:11 pm

    A maionese começou a desandar quando vereadores do PT deixaram de participar de importantes lutas comunitárias para ir debater no “polémica” assuntos diversionistas. Ou quando Lula despejava recursos para obras importantes no interior do estado e suas exelências (federais) iam ao “conversas cruzadas” discutir nebulosas questões tributárias. Não é de hoje que o PT (a cúpula) trocou as lutas do povo pelas migalhas de radio e TV científicamente calculadas pelo monstro e seus esbirros (Lassier, Lauro, Wianey, Brito, etc.) Agora, tente você levar essa discussão para dentro do PT, como eu tentei, e será chamado de “desagregador”, vão dizer que você “tem um ranço”. Enquanto a esquerda (no plano nacional) não se convencer de que o principal inimigo a ser encarado é a “máfia das sete familias” e não tiver uma política clara à respeito disso e, no plano estadual, não denunciar incansávelmente o ópio venenoso da RBS, estamos roubados. A choldra empoleirada no Piratiní, é protegida pela mídia. Não sei se a sugestão do Ricardo Pinto é o melhor caminho,(devo ter envelhecido), mas é certo que a mobilização popular é a melhor ferramenta de que o povo
    dispõe para fazer recuar as fôrças reacionárias. Se vai se apropriar ou não da tal ferramenta, é outra história.

  4. #4 eu acuso
    on Aug 24th, 2009 at 6:17 pm

    Coordenadora Nina do MST passou o rodo no Lassier. Acusou a RBS de fazer campanha sistemática contra o MST. Denunciar a “imparcialidade”
    fajuta da RBS; eis o que os deputados do PT deveriam fazer e não fazem com medo a perder as migalhas de espaço que Sirotsky atira no chão e eles rastejam para pegar.

  5. #5 eu acuso
    on Aug 24th, 2009 at 6:57 pm

    Nunca é demais lembrar: “Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa.
    Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre.
    Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.
    Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.
    Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o
    perdão.
    E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte.
    Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.”

  6. #6 Claudio Dode
    on Aug 24th, 2009 at 7:51 pm

    Matar um homem desarmado e pelas costas, o que seria na cabeça desta besta fardada?

    E se não me engano este é o principal suspeito da imbecilidade cometida em nome da Brigada Militar e em defesa do governo mais corrupto da história do Rio Grande do Sul.

    Se foi ele quem cometeu a atrocidade, e pela frieza que representa, é um psicopata.

  7. #7 Katarina Peixoto
    on Aug 24th, 2009 at 10:32 pm

    Em qualquer República esse tipo de afirmação, feita por um servidor público pertencente ao aparato de segurança estatal deve responder por incitação à violência. Isso tem previsão legal, inclusive.

  8. #8 elektrofossile
    on Aug 25th, 2009 at 2:57 am

    Eu assistia ao Festival de Música de Porto Alegre, edição lá de 2002 ou 2003, região Leste. Fizeram no pátio do Supermercado, à beira do Caminho do Meio (av Protásio, né?). Gurizada da Bonja, pessoal da Jardim; entrevero, veio a BM, pau, pau, pau. Um músico concorrente (colega da História) e parentes (namorada, mãe, …) apanharam. Resultado da etapa regional Leste do Festival: um braço quabrado do músico. ´[continua]

  9. #9 elektrofossile
    on Aug 25th, 2009 at 2:59 am

    Na época eu era colega dum absolvente da Escola dos Cadetes da briosa (BM). Questionei ele, eis que seu pai foi Oficial. me disse: A atitude da corporação depende do Comando.

  10. #10 claudia cardoso
    on Aug 25th, 2009 at 3:06 am

    TB me chamou a atenção o uso de máscaras. Provavelmente, para evitar identificações. A gripe A forneceria o alibi…

    Nojeira!

  11. #11 claudia cardoso
    on Aug 25th, 2009 at 3:22 am

    Terminei de ler “De como a mídia fabrica e impõe uma imagem: ‘a degola’ do PM pelos sem-terra em Porto Alegre”, dissertação de mestrado de Débora Franco Lerrer.
    Ali, mostra a insubordinação dos oficiais da BM, que avançaram sobre os manifestantes na Praça da Matriz, enqto. o Sec. de Segurança Eichenberg e líderes do MST negociavam. Este fato foi ignorado pela mídia corporativa, pois o desenrolar da truculência levou a morte de um PM, pelos sem-terra. Esta infeliz ocorrência está no imaginário popular até hoje. A insubordinação de oficiais, que seria motivo de renúncia do Governador Sinval Guazzelli e de seu Secretário de Segurança, não entrou para a História.
    Aquele fato ocorreu em 1990, dois anos após a promulgação da Constituinte e 5 anos após a abertura política. Hoje, passados 25 anos, parece que ainda há, na formação dos oficiais da BM, toda uma concepção política da ditadura militar. O povo continua o inimigo interno.
    Não sei vcs, mas toda a vez que vejo uma viatura da BM na rua, causa-me desconforto… Não me sinto protegida mesmo!

  12. #12 ABRAÇO-RS
    on Aug 25th, 2009 at 3:35 am

    Queremos alertar a todos que quanto mais dias passam, menos se pode comprovar os crimes. vamos aos fatos:
    12 armas, 4 tiros, 3 atingidos por balas, 1 morto.

    12 suspeitos, 3 crimes de tentativa de micídio um assassino.

    quem pode comprovar além do que já Relatou o Ex ouvidor agrário do estado? AS IMAGENS FEITAS PELOS SINEGRAFISTAS E FOTOGRAFOS QUE ACOMPANHARAM DESDE A MADRUGADA A AÇÃO DA POLÍCIA.

    POR QUE A RBS ATÉ O MOMENTO NÃO DISPONIBILIZOU, NEM NO YOU TUBE, AS IMAGENS FEITAS NA SEXTA FEIRA?

    A RBS JÁ PODERIA TER APONTADO OS CRIMINOSOS, POR QUE NÃO O FEZ?

    QUAL O MOTIVO DA SAÍDA DO ATUAL OUVIDOR AGRÁRIO DO RS UM DIA ANTES DOS CRIMES EM SÃO GABRIEL?

    ALÉM DO OMICÍDEO, DAS TENTATIVAS DE OMICÍDEO AS IMAGENS PDEM COMPROVAR OUTRA SÉRIE DE CRIMES COMETIDOS NA SEXTA FEIRA, SE QUER ESCLARECER, POR QUE, INSISTIMOS, A RBS NÃO DIVULGA AS IMAGENS NA INTEGRA?

    ALGUÉM SABE SE O MP FEZ REQUISIÇÃO DAS IMAGENS?

  13. #13 CLECIO
    on Aug 25th, 2009 at 10:42 am

    PORQUE HÁ INTERESSES !! $$$ !! $$$!! NOSSO DINHEIRO NAS MÃOS DOS FARIZEUS !!

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