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“Veículos para plantar informações”

No depoimento que Lair Ferst prestou ao Ministério Público Federal, em janeiro deste ano, ele volta a mencionar a existência de um grupo de jornalistas que serviriam de “veículos para plantar informações”. Lair cita os nomes de Fernando Albrecht, do Jornal do Comércio, Rogério Mendelski, do jornal O Sul, Políbio Braga, também de O Sul, e José Barrionuevo.

Segundo o relato que fez ao MPF, José Fernandes, dono da empresa Pensant (acusado de ser um dos pivôs da fraude no Detran) elaborou um dossiê contra ele e mandou para os veículos de comunicação com o objetivo de desgastá-lo junto à então candidata Yeda Crusius e afastá-lo da campanha. Lair Ferst afirmou:

“Esse dossiê caiu no Jornal do Comércio, na Zero Hora, no Correio do Povo e os editores me ligavam pra dizer que tinham recebido. O Jornal do Comércio tomou o cuidado de mandar um funcionário me levar o dossiê lá no comitê. Não foi divulgado. Mas algumas notícias foram plantadas, advertindo para as ‘más companhias’…Foram usadas a coluna do Fernando Albrecht, do Jornal do Comércio, a coluna do Rogério Mendelski, no Sul, do Políbio Braga, também no Sul, e o colunista Barrionuevo…Esses quatro jornalistas eram veículos de plantar informações sempre com a característica bem clara de quem lia, né….”

Não é a primeira vez que Lair Ferst faz referência a uma ligação entre jornalistas e acusados de participar da fraude no Detran. Em uma carta escrita à governadora Yeda Crusius, ele afirmou:

“Este grupo é liderado pelo ex-professor da Universidade Federal de Santa Maria, José Antonio Fernandes, e dos seus sócios Barrionuevo e do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Sr. João Luiz Vargas. Conta também com uma série de colunistas de vários jornais que tem remuneração paga pelo Sr. José Fernandes para plantar notícias de seu interesse particular. Usam diversas pessoas para servir aos seus propósitos escusos sem aparecer e ficar impune e livre de qualquer acusação”.

O Ministério Público Federal também fez referência à existência de um braço midiático do esquema na denúncia que encaminhou à Justiça Federal, em 2008:

“Ao lado disso, os denunciados integrantes da quadrilha não descuidavam da imagem dos grupos familiares e empresariais, bem assim da vinculação com a imprensa. O grupo investia não apenas na imagem de seus integrantes, mas também na própria formação de uma opinião pública favorável aos seus interesses, ou seja, aos projetos que objetivavam desenvolver. A busca de proximidade com jornais estaduais, aportes financeiros destinados a controlar jornais de interesse regional, freqüentes contratações de agências de publicidade e mesmo a formação de empresas destinadas à publicidade são comportamentos periféricos adotados pela quadrilha para enuviar a opinião pública, dificultar o controle social e lhes conferir aparente imagem de lisura e idoneidade”.

Ouvidos pela rádio Bandeirantes AM, Albrecht, Mendelski e Políbio Braga rechaçaram as acusações. Barrionuevo preferiu calar, dizendo que não trabalha mais como jornalista e sim no ramo do “marketing da imagem”.

8 Comentários on ““Veículos para plantar informações””

  1. #1 Suzie
    on Sep 11th, 2009 at 7:30 pm

    O Albrecht disse ,na entrevista da Band, com o Oziris, que recebeu este dossiê.
    Não “divulgou” porque não havia assinatura.
    O Barrio está em São Paulo.
    Trabalhando onde, com o Britto?

  2. #2 Luís
    on Sep 11th, 2009 at 8:30 pm

    Vale a confirmação, mas nem precisamos do Lair para saber que o time é esse, dentre outros, não é mesmo?!
    O Albrecht é um dos adorados pela classe-média-tecnocrática (aquela que acha que sabe tudo porque um dia ganhou um “canudo”); é inteligente e sofisticado como o Barrionuevo, mas para mim é notório o seu partidarismo diário, pela rádio. Os outros dois… eca… são panfletários vulgares, mas servem para “dar a linha” ao seu público.

  3. #3 Eugênio
    on Sep 11th, 2009 at 8:47 pm

    “Esse dossiê caiu no Jornal do Comércio, na Zero Hora, no Correio do Povo e os editores me ligavam pra dizer que tinham recebido.”

    Como é que é o negócio? Quer dizer, que os editores, desses “jornais” citados, ligavam para o Lair antes de publicar alguma coisa sobre o tal dossiê? Pra que, para pedir autorização, ou para confrontar informações?

    Façamos um exercício de imaginação: se um dossiê, como esse, chegasse na redação desses mesmos pasquins, mas contivessem, alguma denúncia contra o PT, o cuidado seria o mesmo?

    Se um cuidado como esse tivesse sido adotado com relação a CPI Farsa da Segurança, no Gov. Olívio, a mídia teria poupado o Ministério Público do trabalho de ter que rechaçar aquele amontoado de papel por total falta de consistência.

  4. #4 Giovani Blumenau SC
    on Sep 11th, 2009 at 8:54 pm

    Nosso país, nossa nação, nosso estado, nós mesmos temos muito que evoluir, deixar Yedas, Collors, Britos, FHC´s, Serras demonstram o quanto ainda vamos penar…

  5. #5 salete
    on Sep 11th, 2009 at 9:34 pm

    Concordo, não passam de panfletários vulgares.Espero que o MP “enquadre” esses marginais da mídia.

  6. #6 Paulo Dornelles
    on Sep 12th, 2009 at 9:25 am

    Era um segredo de polichinelo….

    E há outros, sabemos

  7. #7 Mario Rangel
    on Sep 12th, 2009 at 10:17 am

    Eu escutei a declaração de dois deles na Band, aí eu pergunto:

    Somente um criminoso muito trouxa prá confessar seu crime, vão negar sempre, não é?

    Pois é, são estes aí…

  8. #8 José Luís
    on Sep 12th, 2009 at 7:37 pm

    Caro Marco,
    Acabei de ouvir a reportagem da Band, de uma coisa eu fiquei com certeza: o tal dossiê realmente parece que existiu, só falta aparecer, aí teremos a verdade.
    Um dos citados (o Mendelski) falou algo no seguinte sentido: Lair está atirando para todos os lados, não tem nada a perder (o que temos que discordar: ele ainda pode perder a vida) e isto é assunto para os tribunais.
    O Políbio, se achando, tentou dar uma de engraçadinho, confessando o que nós já sabíamos, realmente ele está a serviço deste governo. Os valores podem não serem os que ele divulgou (ele não vale tudo isso), no entanto se olharmos seus patrocinadores daquilo que ele chama de site entenderemos a sua paixão por Yeda.
    O Barrionuevo (que está envolvido, sendo citado varias vezes na inicial do MPF) não quis gravar entrevista.
    Acho que no andar desta carruagem muita coisa ainda nos surpreenderá.

    José Luís.

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