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As razões para o impeachment de Yeda Crusius

Os principais jornais gaúchos vêm se dedicando com afinco a esconder da população os fatos e as razões que embasam o pedido de impeachment da governadora Yeda Crusius (PSDB). Esse comportamento editorial escandaloso beira a cumplicidade com o grupo acusado de formar uma quadrilha para roubar dinheiro público. A linha geral do que vem sendo publicado até aqui consiste em destacar que o pedido não tem chances de prosperar, pois o governo tem maioria na Assembléia. Basicamente isso. A divulgação da admissibilidade do impeachment foi totalmente obscurecida, com um esforço especial em neutralizar os fatos que embasaram a decisão do presidente Ivar Pavan (PT).

É fundamental que a população seja informada desses fatos, que se dividem em três eixos principais (as informações a seguir foram distribuídas a todos os jornalistas que cobrem a Assembléia, editores e colunistas de política):

1) A governadora sabia dos acontecimentos no Detran

No processo de montagem do governo, foi mantido o esquema que teve origem no governo Germano Rigotto (PMDB). Conforme investigações do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e depoimento à sindicância na Procuradoria Geral do Estado, diversas manifestações de envolvidos diretamente no processo se referem ao conhecimento e participação da governadora. Na CPI do Detran, em 2008, o ex-presidente do Detran, Flávio Vaz Netto, disse que não fez nada que não fosse do conhecimento da governadora, razão pela chegou a arrolá-la como testemunha de defesa.

A própria governadora, em entrevista de rádio no dia 17 de abril de 2008, corrobora esta afirmação, ao referir seu conhecimento acerca das mudanças no Detran e até mesmo da participação de Lair Ferst e suas empresas. Da mesma forma, a gravação realizada pelo vice-governador Paulo Feijó com o então Chefe da Casa Civil, César Busatto, testemunha o conhecimento da governadora em relação aos procedimentos adotados no Detran.

Além disso, no depoimento de Lair Ferst ao Ministério Público Federal, no início de 2009, estão descritos em detalhe mais 20 fatos graves envolvendo diretamente a governadora e seus assessores mais próximos, tanto no período anterior à eleição quanto no período imediato do seu governo. Com a sua exclusão do esquema, Lair Ferst passou a pressionar para recuperar a sua posição. Em meio a esse conflito, os protagonistas se referem diretamente à necessidade de mediação por parte da governadora.

É importante lembrar que, durante a CPI do Detran, o principal argumento de defesa do governo consistia em afirmar que a governadora não tinha conhecimento do que estava acontecendo no Detran.

2) Mais do que saber, Yeda participou ativamente da reorganização do esquema quando passou de uma fundação para a outra.

O material disponibilizado pela Justiça Federal revela uma ação deliberada de governo no sentido de, inicialmente, viabilizar a organização do esquema, quando da substituição de uma fundação por outra. Há depoimentos e gravações, já divulgados, que revelam a intervenção da governadora neste sentido. Esse foi um dos principais motivos pelos quais a base do governo procurou obstaculizar os trabalhos da CPI do Detran (e segue fazendo o mesmo agora na CPI da Corrupção). Esse esforço pode ser constatado em interceptações telefônicas realizadas no decorrer da investigação, que traziam conversas entre agentes do governo e investigados na operação sobre os trabalhos da CPI. Além disso, houve também uma intervenção direta do centro do governo em um esforço explícito de beneficiar empresas supostamente envolvidas com o esquema delituoso do Detran. Estas ações se materializaram em atitudes pouco usuais na tramitação de procedimentos administrativos visando contratações por dispensa de licitação

3) A governadora não tomou qualquer atitude em relação as ações irregulares de seus assessores diretos, Walna Vilarins e Ricardo Lied (o que também caracteriza improbidade)

O chefe de gabinete da governadora, Ricardo Lied, foi flagrado em várias ações irregulares. Um exemplo disso foi sua intervenção no processo eleitoral municipal em Lajeado, onde ficou evidenciada a tentativa de utilização ilegal de informações sigilosas do sistema de segurança do estado para atacar adversários políticos, conforme gravações e denúncia feita pelo ex-ouvidor da Secretaria de Segurança, Adão Paiani. Outro exemplo foi a visita que fez, juntamente com dois delegados de polícia, à residência do ex-presidente do Detran, Sérgio Buchmann, quando propuseram a ele que avisasse o filho de uma operação policial que estava prestes a ser realizada. Por essa razão, Lied é alvo de uma ação civil pública pelo MP Estadual, acusado de violação de sigilo funcional.

A assessora da governadora, Walna Villarins Menezes, é uma das indiciadas no inquérito relativo à Operação Solidária, É acusada de corrupção passiva e formação de quadrilha. O ex-secretário da Transparência, Otaviano Brenner de Moraes, entregou à governadora, no dia 26 de junho, expediente com suas conclusões acerca das denúncias contra Walna Menezes, nas quais recomendava a realização de uma sindicância visando o afastamento da assessora. A governadora se negou a tomar qualquer iniciativa, o que também configura improbidade administrativa.

Há fartas evidências na denúncia do Ministério Público Federal sobre todos esses temas. É um material de domínio público e boa parte dele já foi publicado pelos principais jornais do Estado. No entanto, agora, essas mesmas empresas de comunicação apresentam-se como vítimas de uma amnésia seletiva que sonega da população essa memória e suas conexões. Ao mesmo tempo, seguem recebendo do governo importante quantia em dinheiro resultante de propaganda. Esse fato e o seu custo também são sonegados à população.

Ilustração: Sátiro-Hupper

12 Comentários on “As razões para o impeachment de Yeda Crusius”

  1. #1 operário metalúrgico
    on Sep 16th, 2009 at 8:14 pm

    URGENTE! BOMBA! : AGORA NO CLIC RBS…”ENCONTRADO MORTO EM GOIAS…EM CIRCUNSTANCIAS SUSPEITAS … O EXPRESIDENTE DA FUMAGEIRA QUE DEU DUZENTOS MIL POR FORA PRA YEDA E SUA CAMPANHA CAIXA DOIS…” Mais uma queima de arquivo? É; a “tocha farroupilha” não está para brincadeira!

  2. #2 Renato Arthur
    on Sep 16th, 2009 at 8:53 pm

    A Pensant cometeu um erro fatal ao inserir a Universidade Federal de SM no esquema, com o superfaturamento, deu margem a investigação da Polícia Federal pois havia agora um órgão Federal a ser investigado e assim o processo foi remetido p/ Justiça Federal, se as coisas ficassem por aqui, será que teria havido investigação? Suspeita-se que esse era um dos vários golpes que se praticou por vários anos por “homens honrados” e a certeza da impunidade era tanta que atiçou a cobiça. Imaginem o que já foi roubado neste estado. Por isso a Sra Yeda se revoltou tanto (lembram das declarações) quando a PF entrou na investigação.

  3. #3 Eduardo Petrucci Gigante
    on Sep 16th, 2009 at 8:59 pm

    Amigo, fico sempre numa dúvida atróz. Falam sempre de uma “quadrilha que roubou 44 milhões do dinheiro público”. Mas, quando iniciaram as notícias sobre isso, falavam que o Detran, mancomunado com tal quadrilha, elevava os valores das taxas para o desvido posterior do dinheiro. Isso, caros, me parece roubo cometido contra a população gaúcha, com o concurso de agentes públicos e não um crime contra os cofres públicos. O crime contra a população continua, agora por parte do Estado, que não reduziu as taxas cobradas, apropriando-se do sobre-preço criado pela “quadrilha”.
    Ou eu estou completamente equivocado?

  4. #4 Bugre
    on Sep 16th, 2009 at 9:25 pm

    Caraca!! É esse cara que teria repassado a grana que usaram pra comprar a casa da governadora?

  5. #5 Bugre
    on Sep 16th, 2009 at 9:27 pm

    Foi esse empresário da Aliance One que teria repassado a grana usarada pra completar a compra da casa???

  6. #6 Marlene
    on Sep 16th, 2009 at 11:26 pm

    Queima de arquivo. O marcelo Cavalcanti foi o 1º, agora esse aí, e quem será o próximo? é sempre assim o bandido quando pego com a mão na botija bate o maior desespero e save-se quem puder.

  7. #7 Luis Armidoro
    on Sep 17th, 2009 at 8:43 am

    Caros Marcos e amigos do sul:

    Não se esqueçam do cara (esqueci o nome dele) que apareceu morto em Brasilia, boiando num lago (ou piscina), que exercia funções administrativas do governo gaúcho na capital federal. Dá para suspeitar de queima de arquivo, porque a esposa do cara deu entrevistas dando a entender que ele pretendia abrir o bico.

    Parece que a grana que roubaram está suja de sangue

  8. #8 Flávio Vaz Filho
    on Sep 17th, 2009 at 10:22 am

    Marcelo Cavalcante, Nestor Mahler já foram…esses não vão contar mais nada.
    A próxima vai ser a Walna…
    Qualquer dia o gordo Maciel aparece boiando no Guaíba…
    É impressionante o que temos de suicidas neste Brasil…

  9. #9 Luiz Carlos Schons
    on Sep 17th, 2009 at 1:08 pm

    Os crimes que não forem apurados agora , sertamente o serão mais adiante e ai com novo GOVERNO ,com o fim das coligações atuais quem é maioria pode se tornar minoria e vai ser mais dificil as articulações para enganar a sociedade.

  10. #10 Dilson
    on Sep 17th, 2009 at 1:56 pm

    A atitude que a Governadora vai adotar em relação a assessora Walna Meneses,segundo a coluna da Rosane de Oliveira na ZH de ontem,seria promover ela para chefiar a representação do estado em Brasilia.

    Walna,indiciada no inquérito relativo à Operação Solidária da PF,vai representar o Rio grande do sul para o resto do país.

    Walna,acusada de corrupção passiva e formação de quadrilha,vai ser a representante de todos os gaúchos em Brasilia.

    Walna representa o estado.

    Walna representa VOCÊ gaúcho.

  11. #11 janes
    on Sep 17th, 2009 at 5:54 pm

    Dilson: a walna que se cuide.Lá em Brasília, o lago paranoá, é lugar de “afogamentos”.Falando sério: a yeda tem cara de louca mesmo!

  12. #12 Katarina
    on Sep 18th, 2009 at 11:04 am

    Esse é o capítulo mais triste da mídia, desde a época da ditadura. Eu tenho VERGONHA de ler esses jornais de M.

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