As elevadas tarifas de pedágio, o mau estado de conservação e a falta de sinalização da grande maioria das estradas do Estado são marcas do governo Yeda Crusius (PSDB) na área do transporte. Diminuíram recursos e falta política, restando ações desesperadas como a frustrada tentativa de prorrogar – muito antes do vencimento – os contratos das empresas concessionárias. Bom negócio para as empresas, péssimo para o usuário que seria onerado com a prorrogação do pagamento das elevadas tarifas por mais duas décadas, no mínimo. Ou, devolver ao governo federal, sem acordo prévio, de forma unilateral, encargos de manutenção de estradas sob sua jurisdição. Verdadeira confissão do fracasso de suas políticas, de suas raras ações e de suas muitas omissões.
Em Porto Alegre, José Fogaça (PMDB) imita sua governadora, reduzindo ano após ano os escassos recursos destinados aos projetos e atividades de circulação viária, sinalização e transporte da cidade, que não são realizados ou registram pífia execução, como veremos adiante.
No governo do Estado, a farsa do “déficit zero” não foi construída apenas com o descumprimento da Constituição, via sonegação de recursos assegurados à área social. Deixar de aplicar bilhões de reais na saúde pública e na educação todos os anos como a lei determina para “fabricar” um factóide denominado “déficit zero” é construir castelos de areia. Comparação que talvez não seja a mais adequada uma vez que o factóide do “déficit zero” é um ardil nada inocente e de péssimas conseqüências bem reais. Ele traz prejuízos concretos, sentidos na carne por centenas de milhares de usuários desses serviços públicos. É claro, exatamente a população mais pobre.
Mas a área social não foi vítima única dessa sinistra “invenção” de Yeda. Importantes recursos foram também subtraídos da infraestrutura de transporte, como mostram os números oficiais. Primeiro: em 2008, o orçamento estadual previa gastar na função transporte 672 milhões de reais. Foram efetivamente gastos: 331 milhões, menos de metade do previsto em lei. Segundo: as despesas no setor em 2004 representaram 2,6% da despesa do orçamento estadual; em 2008 caíram para quase a metade, foram de apenas 1,4% do total. O transporte rodoviário, em 2004, recebeu 322 milhões, valor que em 2008 “encolheu” para 209 milhões, ou seja, 113 milhões a menos (-35%). Em 31 de dezembro de 2008, dos 270 contratos de obras rodoviárias, 164 tinham suas obras paradas por falta de pagamento. Praticamente de cada três contratos de obras em estradas, dois não estavam sendo executados. Os números são oficiais e constam no parecer do Tribunal de Contas relativas ao exercício de 2008.
Porto Alegre é uma cidade com mais de 1,4 milhões de habitantes com uma área urbana de cerca de 14 mil hectares, com muitos milhares de quilômetros de vias, por onde circulam diuturnamente mais de 500 mil veículos. Todos sabemos, o trânsito é caótico e a situação piora ano após ano. O número de motos que circulam na cidade, por exemplo, cresce 12% ao ano. Além do metrô – solução cara e de longo prazo – seriam necessárias, além do crescente investimento em infra-estrutura viária – duplicação de vias estruturais, perimetrais, novos viadutos –, que, infelizmente, não estão sendo feitos, melhorias na sinalização e no controle dos fluxos. Os “azuizinhos” não são mais vistos na cidade e, e só aparecem para multar. Além disso, as sinaleiras da cidade são velhas, obsoletas e têm deficiente manutenção. Cachoeirinha, um município muito pobre, de baixa receita municipal “per capita” está à frente de Porto Alegre com suas modernas sinaleiras de tempo, muito mais seguras para os pedestres e motoristas. Pois os moradores de uma grande capital como a nossa penam as crescentes agruras do caos do trânsito, sentindo na pele os efeitos da má gestão.
A cada ano que passa são reduzidos os recursos destinados ao transporte. Nos quatro primeiros anos de Fogaça a função recebeu em média nove milhões de reais/ano, ou seja, apenas 0,3% da despesa total da Prefeitura! O investimento médio anual do quadriênio 2005/2008 mal atingiu um milhão de reais, que correspondem a 0,6% do investimento médio anual da Prefeitura, que, deve ser lembrado, igualmente foi muito baixo neste período. Ano passado o investimento sumiu: ZERO. Este ano até o final de setembro, ZERO, também. O orçamento deste ano previu para este ano no programa Cidade Acessível, 15 ações, ou seja, projetos e atividades no setor. No final deste mês de setembro, nenhum desses quinze projetos ou atividades tinham um real liquidado, ou seja, efetivamente gasto! De novo: execução ZERO!
Essa é mais uma semelhança entre esses dois governos: autoritários, descuidados com o que é público, “íntimos” do privado. Suas ações equivocadas e suas muitas omissões tornam pior a vida dos portoalegrenses e dos gaúchos.


on Sep 25th, 2009 at 12:21 pm
esses dias tava num busão da carris. comentário do motora: “no tempo do pt os onibus eram novos e tinha manutenção decente. Hoje toda hora quebra um e a manutenção… Ó, como dizia o professor raimundo”.
esse é o desgoverno fumaça.
on Sep 25th, 2009 at 2:16 pm
Injustiça, Paulo Muzzel! E a campanha pelo respeito à faixa de segurança?
on Sep 25th, 2009 at 3:01 pm
De Yeda nem vou falar mal, porque não bato em cachorro morto. Fogaça “soneca” é um dublê de Rigotto (bonzinho), é só olhar para ver. Mas não podemos esquecer que o caos do trânsito de Porto Alegre é em muito devido aos 16 anos de gestão petista, onde obras viárias foram deixadas de lado por anos a fio, escudados pelo OP. No final, fizeram aquela “engronha” da III Perimetral, obra executada de forma tecnicamente errada. Aquele túnel da Protásio é um perfeito exemplo de má utilização de recursos. Custou uma fortuna, custa uma fábula em manutenção mensal, fizeram aquela “rotatória aérea” onde, em curva, passa um carro por vez (podem conferir), dada a notória inabilidade de nossos motoristas, que transitam pelo meio da pista, fazendo “tomada de curva”. Verdadeira obra faraônica, teria custado a metade do preço se fosse ali construído um viaduto convencional, com estações de ônibus logo antes e logo depois do cruzamento.
on Sep 25th, 2009 at 3:07 pm
Até a Rosane “Abelhinha” de Oliveira resolveu falar do caos no trânsito, ontem.
Realmente, as vias estão congestionadas, o pedestre é, normalmente, um ser indefeso contra a horda motorizada e a renovação acelerada de frota desapareceu junto com o governo do PT…
Prefiriram instalar telas de tv, com programação chinfrim, ao invés de ônibus novos, com ar condicionado ou calefação e mais acessibilidade universal.
Sem falar na buracada dos corredores de ônibus que a SMOV só conserta em época eleitoral, para beneficiar politicamente certo Mauricinho…
Quando vou à Curitiba sinto uma gritante diferença, apesar de lá ser um governo da Direita.
Estou gostando muito dessas análises do ex-colega Mussel. Pena que a mídia corporativista não tem espaço para tão certeiras opiniões.
Rick
on Sep 25th, 2009 at 3:42 pm
Marcos e amigos do sul:
Yeadinha apenas faz o que seu mestre e tutor de SP manda: impostos, demissão em massa e sucateamento de tudo que é público (para vender a preço de m… depois). A familia de minah esposa é de São José do Rio Preto, no interior de SP, distante 450 Km. Há 11 praças de pedágio no caminho, 117,60 contos que ficam no bolso das concessionárias de rodovias de SP. Uma viagem de ida e volta (900 km no total) sai por R$ 0,13/ km; ou US$ 0,07/Km. Isto significa o pedágio mais caro do MUNDO.
Tirem logo a yedinha daí, porque vcs ficarão como nós, paulistas: para ir de POA a Osório vocês pagarão uma grana (como são 200 km ida e volta, R$ 26,00 vão ficar no bolso de alguém)
on Sep 25th, 2009 at 10:49 pm
A vacatura tronante virá? Estrondosos frangalhos de tucanos flambados. Ah