O termo “liturgia do cargo” foi cunhado para expressar o comportamento que se espera de ocupantes de altos postos, em especial na função pública, e assim como a ética, deveria ser um conceito natural, facilmente perceptível e de entendimento tranqüilo por quem recebe a missão de representar ou conduzir seus pares, os demais cidadãos. Mais do que o apego aos rapapés e mesuras, é a consciência do significado de se ocupar uma posição de destaque, de representatividade, de mando, de responsabilidade.
Mas assim como não tem a noção do conceito de ética, alguns desses afortunados detentores de posições relevantes na estrutura estatal, também são levados a ter uma visão toda particular do que seja a tal “liturgia do cargo”. Passam a entender esse conceito como as condições materiais que lhes são alcançadas pelo contribuinte (quem paga a conta, ou seja, nós) e colocadas à disposição para “fazerem bonito”. Recursos indispensáveis, todos nós sabemos, ao pleno exercício das atribuições inerentes a cargos de mando, como pufes verde-limão (ou Kiwi, vá lá!), pisos emborrachados, hidromassagens e móveis infantis.
Já o coloquial termo “chinelagem”, como todo mundo sabe, denota um modo de se portar de quem não respeita a postura e a conduta minimamente exigível no convívio em sociedade. É a falta de classe; e aí nada a ver com estratificação social. Quem tem esse tipo de comportamento tanto pode morar debaixo de um viaduto, cercado de caixas de papelão, como em confortáveis residências de ruas aprazíveis e seguras, embora possam ser encontrados com assustadora e imperdoável freqüência no segundo caso.
Eu confesso que falar desse kinder ovo do terror que é o governo Yeda Rorato Crusius me causa um enfado medonho. Sinto-me o próprio articulista de um tema só. Mas por favor, acreditem, consigo falar de outras coisas também. Mas não tenho tido a oportunidade de fazer isso, pois a cada dia é uma nova surpresa desagradável. Só a indignação me faz superar o aborrecimento. E aí vamos nós de novo.
A última, pelo menos até o momento em que estou aqui lutando com o teclado, é a nova lista de compras da Senhora Governadora. Não sei se já foi superado por algum outro fato novo, para usar uma expressão muito em voga no espaço entre o Palácio Piratini e determinados gabinetes do Palácio Farroupilha. Sabe como é; esse é um governo dinâmico. Dentre os itens imprescindíveis à liturgia inerente ao cargo de mandatária maior do Estado estão artigos de luxo de cama, mesa e banho, adquiridos em uma loja conhecida pela sua sofisticação, e que totalizaram, apenas em uma operação, mais de três mil reais.
Ao todo, durante o ano de 2007, foram mais de trinta mil reais apenas nesses itens; tudo devidamente sem licitação, adquiridos com a já conhecida técnica de se fracionar as despesas, para fugir à Lei de Licitações. Como eles são espertos. E tudo sendo pago, obviamente, por todos nós; até por aquele que, debaixo da ponte, só consegue se cobrir com jornais já lidos; afinal é por esse tipo de coisa e de gente como essa é que ele, dentre outros motivos, continua lá.
E aí é que entra nesse caso a “chinelagem”, a falta de categoria, de vergonha na cara, de ética, de respeito, em contraponto à liturgia do cargo. A postura de um governante que deixa de utilizar a estrutura que o Estado põe a sua disposição e passa não apenas a exigir, mas a adquirir para proveito próprio e dos seus, coisas que a legislação veda, dando-lhes destino e utilização absolutamente imorais. Coisa a que não teria acesso se tivesse que arcar com os custos do seu próprio bolso. Coisas que nunca teve e agora se acha no direito de ter, esquecendo da condição transitória do exercício de qualquer cargo ou função pública.
Isso independente do que acham advogados de saber jurídico e reputação discutível ou pareceres elaborados ao gosto do freguês; nada pode se sobrepor ao que dispõe o artigo 37 da Constituição da República, que descreve os princípios pelos quais obrigatoriamente deve se mover a administração pública. A despeito das vontades, interesses, mentiras e megalomania dos mandatários de plantão.
Para um Estado que já teve, só para citar os exemplos mais recentes, um governador que, não querendo usar o Palácio, preferiu continuar morando no modesto, mas digno apartamento em que vive até hoje, comprado com o próprio esforço; e ia para o trabalho de ônibus; e outro que, também morando fora, alugava um apartamento pequeno e simples, que tinha pouco mais que uma cama, geladeira e fogão, tudo pago do próprio bolso; sem que nada disso tivesse afetado as condições de exercício ou a liturgia do cargo que ocupavam; chegou-se decididamente ao fundo do poço da “chinelagem”. Se é que não pode ser ainda mais fundo.
Aguardemos a próxima surpresa desagradável.







on Oct 17th, 2009 at 10:31 pm
Hoje parei a pensar… que vocábulo seria mais apropriado para o que acontece neste governo e cheguei à conclusão que seria … “chinelagem”.
Agora me deparo com este artigo (muito bem escrito). Não estou só.
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on Oct 17th, 2009 at 11:43 pm
Na veia. Ou melhor, na véia.
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on Oct 17th, 2009 at 11:57 pm
Este Sr. Adão sabia de tudo isso ou precisou entrar no governo para ficar ciente?
Estanhamente ele se rebela depois dos acontecimentos…
Ando muito incrédula !
Abraço no blog
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on Oct 18th, 2009 at 10:44 am
Belo texto. Gostaria de ressaltar uma frase: “independente do que acham advogados de saber jurídico e reputação discutível ou pareceres elaborados ao gosto do freguês;”
Enquanto a maior parte da população achar que deve respeito a autoridades auto-impostas ou impostas por uma falsa democracia, em detrimento de sua propria autonomia e liberdade de julgamento, estaremos andando permanentemente descarrilados.
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on Oct 18th, 2009 at 12:11 pm
Taí o Rap “Chinelagem do cargo”, inteligível apenas sob o cetro de YRC
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on Oct 18th, 2009 at 12:34 pm
Gostei do texto.
Sinto muitas vezes, “compaixão” por D.Yeda.
Triste, muito triste, após dificuldades em sua infância e juventude, fazer de tudo, para viver no LUXO, pagos pelo dinheiro público.
Venho escutando faz muito tempo, suas entrevistas.
Com uma crise terrível em seu governo, entrevistada por André Machado, no Palácio Piratini, falou no tapete que havia comprado, estavam pisando nele, no momento da entrevista.
Quando acuada pelas irregularidades na compra de sua casa nova, batia no peito da capacidade dela em reformar seus imóveis, deixá-los um LUXO!
Foi assim também em Brasília.
Triste FIM desta senhora.
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on Oct 18th, 2009 at 1:21 pm
Gostei do artigo, é uma bela peça de homenagem aos princípios republicanos! Mas prefiro a expressão “conduta adequada” à ética republicana. “Liturgia do cargo” lembra os procedimentos religiosos … Essa desgovernada maluca perdeu o contato com a torre! Mas devo dizer que também não gostei da recepção da mega-empreiteira OAS oferecida e aceita pelo Lula, na tal de “vistoria” presidencial das obras de transposição do Rio Sao Francisco (alíás, um crime ambiental). Um luxo que ofendeu a povo da região, que vive em condições miseráveis.Alguns companheiros dizem que a recepção nababesca foi paga pela empresa, talvez para minimizar o estrago. Claro que foi paga pela OAS, pois essa mordomia já estava incluída nos custos da obra (como soe acontecer)! Quem pagou a conta, lá e aqui, foram nós, os trouxas…
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on Oct 18th, 2009 at 5:11 pm
Chinelagem grande, vergonhosa.Os gaúchos estão de joelhos diante da rapinagem do governo e da mídia.
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on Oct 18th, 2009 at 7:30 pm
A ré-aleza (é difícil morar num castelo!), não contente com o fundo de poço, “obra” no Palácio e puxa a descarga espalhando seus dejetos por todo o Rio Agachado do Sul, lembrando, com sua ampla cobertura, o escândalo do adubo papel, da década de 70. Chi-ne-lo-na!
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on Oct 18th, 2009 at 10:09 pm
Coisa de gente desclassificada, que faz qualquer coisa pra “enricar”. É uma pobre coitada que não merece o cargo que ocupa. Lastimável!
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on Oct 18th, 2009 at 11:11 pm
Ela reformou também um imóvel em Brasília,que serve para representação do Rio Grande do Sul e um apartamento que ela diz ter vendido,para a compra da Mansão.Tudo isto a des-governadora(Yeda crusius PSDB),fez
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on Oct 19th, 2009 at 5:38 am
Caramba! Logo a yedinha irá aplicar um “choque de jestão” na carcaça, e aparecerão contas de ofuros, “massagens magnéticas com pedras” e outras asneiras new age para vocês pagarem. Aqui em SP pagamos a campanha (epa, quero dizer, “caravana cultural”) de Serra no NE
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on Oct 19th, 2009 at 11:11 am
Hoje, 14:30h, tem audiência do processo civil de Polibio Braga contra Walter Valdevino, ex-integrante da Nova Corja. Polibio chamou 5 testemunhas:
… 1) Diego Casagrande (Band-RS)
… 2) Antonio D’Alessandro (dono da Agência DCS)
… 3) Ercy Torma (Presidente da ARI-RS)
… 4) Celso Chittolina (Presidente da ARP)
… 5) João Firme (Secretário Geral da ALAP)
A ação criminal contra Walter Valdevino foi rejeitada em 2008 (por INÉPCIA). Polibio pagou R$ 950 (custas processuais) + R$ 500 (honorários).
http://twitter.com/novacorja
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on Oct 19th, 2009 at 11:44 am
O RS está ladeira a baixo há muito tempo, mas a contribuição do desgoverno Yeda vai nos levar para o fundo do poço, basta ver nosso indicadores ecônomicos e sociais. Ex. O RS foi o ÙLTIMO entre os 27 Estados em aplicação de recursos na Saúde, e tem gente que comemora o fajuto “deficit zero”.
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on Oct 19th, 2009 at 2:59 pm
Liturgia, cinelagem , anjos, demônios e debilidade mental insanável. Chamem a Pinel, urgente!!!
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on Oct 19th, 2009 at 4:58 pm
A Alumiada
Um rei no antigo Egito sonhou que seu reino viveria sete anos de fartura seguidos de sete anos de seca e fome. Com sua premonição, preparou-se e salvou seus súditos. Noé também foi avisado que choveria durante 40 dias e 40 noites, construiu a Arca e salvou todas as espécies do Dilúvio. Eram iluminados. Aqui no RS, nossa governante diz ter premonições em seus sonhos. Como o filme oscarizado de Jack Nicholson - O Iluminado - era aqui chamado por alguns mais guascas “O Alumiado”, creio que nossa Yeda faz parte dos selecionados com a dádiva. Minha única dúvida é se o que bateu na janela da “Alumiada” foi mesmo uma coruja ou um urubú.
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on Oct 19th, 2009 at 7:20 pm
lamentavel o estado de saúde da desgovernanta do rs.
Eu sugiro um psicologo bem afamado pelo mundo afora por suas verborragias que aconselhe bem a yeda lidar com a oposiçäo. MARADONA.
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on Oct 19th, 2009 at 11:05 pm
Se o problema da chinelona Madame Y fosse só a oposição… A maior oposição ela enfrenta de ex-comparsas e ex-secretários e gente de dentro do governico dela e que viram de perto as falcatruas que a idiota cometia.
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elektrofossile Reply:
October 20th, 2009 at 2:07 am
Recomendaria, se obséquio, mesmo que tomando uma Sindicância, que todos nós opositores ficassemos muito bem quietos, apoiarmos a Deputada Presidenta da CPI, fazer de conta que o Governo YRC não existisse - como de fato não existe - e, no momento oportuno dar o pulo para derrubarmos essa Corja, essa Cloaca, esse Ponto de Vista diferente e proclamarmos a Revolução do RSUrgente.
Chega!, né?
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