Na crise da política gaúcha, que parece não ter fim, uma questão parece cada vez mais intrigante: qual será o papel do PMDB – ou, como diz Pedro o Sonolento – o “velho MDB”? Verdade seja dita: diante de tamanhas façanhas que servem de chacota à toda terra, centristas ilustrados e conservadores como Ulisses Guimarães fazem, de fato, muita falta ao “MDB” gaúcho. O destino desta legenda aqui no Estado pode ser amargo ou generoso.
Certo é que o “velho MDB” tem contribuído decisivamente para as cenas vergonhosas que assistimos cotidianamente. Sem pudor, a bancada outrora tão zelosa de suas diferenças éticas com o PMDB nacional, ajudou a enterrar a CPI da Corrupção na Assembléia. Afinal, em tempos de Operação Solidária, onde o dirigente Eliseu Padilha parece estar enrolado até o pescoço, quem é que vai falar de uma governadora acusada de envolvimento com uma quadrilha de assaltantes dos cofres públicos, não é mesmo?
O “velho MDB” podia ao menos nos dispensar do cinismo de reeleger o Pardal Faturador Záchia para presidente da sigla em Porto Alegre. Aliás a campanha do ex-vereador, que se notabilizou pela figura do Pardal Faturador, parece que não era marketing eleitoral e sim um possível ato falho prévio a respeito do apetite do agora deputado em relação ao poder público. Certo é que o PP não leva o Pardal muito a sério como demonstram as gravações entre os “capos” Dorneu Maciel e ZO. Mas isto também, convenhamos, é um detalhe.
Enquanto argumenta que “não há fatos novos” – aliás desculpem, o que queriam mesmo? Uma confissão admitindo ser ladra, assinada e com reconhecimento de firma em cartório? – o PMDB vai resistindo com Pedro o Cansado desferindo pérolas: “O que estão fazendo com ela (Yeda) é uma barbaridade”. Imagino que o significado disso seja o horror do Senador ao mau gosto da escolha de “pufs” verde limão que o Estado porventura tenha adquirido com o seu e o meu dinheiro para prover necessidades básicas dos netos da governadora. Ou algo assim.
Enquanto isto o Prefeito da capital sumiu. Deve haver uma profunda convicção que “em tempos de paz” no Rio Grande o melhor mesmo é não ter posição sobre nada, não falar nada, não aparecer em nada e, evidentemente, não fazer nada.
Não duvidem, entretanto, que no ano que vem o “velho MDB” apareça como o extremo centro entre os radicais perigosos de Tarso e os Tucanos tacanhos de Yeda e o eleitor gaúcho os brinde com mais quatro anos de governo. Quem duvida?


on Oct 21st, 2009 at 4:15 pm
Sobre Zachia “O Faturador”, que aprendeu com o pardal, o que diria agora que a prefeitura da capital anuncia mais cinco pardais como solução para o “mergulho” de carros no Arroio Dilúvio.
on Oct 21st, 2009 at 5:51 pm
Esse é – e será – o PMDB. A posição dele no cenário eleitoral gaúcho depende da correlação que se revelar mais adequada. Um cenário que pode ser consolidado até mesmo após o pleito. Talvez o PMDB acabe governando junto com Tarso – coisa, aliás, que é o sonho de consumo do lulismo convertido.
Assim, o problema não é o PMDB, mas a pretensão política que o PT tem para os bravos liderados de Simon e Padilha.
E falam em 3ª via no RS… Não há nem a segunda!, excetuado o PSoL, sem chances de vitória.
O problema, na suma, é dos petistas intelectualmente honestos, que não abandonaram o sonho inaugurado no Colégio Sion. Estes – e são milhões – precisam safar-se do “sequestro mental” a que estão de boa-fé submetidos frente à traição fundamentalista aplicado pela direção do PT . Como deve ser o caso do meu amigo Beto São Pedro.
on Oct 21st, 2009 at 8:11 pm
O não “tão velho” MDB hoje dirige o DEP (Departamento de Esgotos Pluviais) e por pura coincidência os veículos “mergulham” no Arroio Dilúvio que consome mais de 5 milhões/anuais em dragagens. Dinheiro público que alimenta as grandes empresas de saneamento.
on Oct 21st, 2009 at 8:47 pm
Para ser rigoroso, é preciso dizer que o “problema” não é somente de petistas, mas dos trabalhadores em geral, esquerdas em particular. Todos são co-responsáveis por construir uma alternativa estratégica ao “lulismo” – incluindo o PSOL, cujas lideranças precisam largar o discurso messiânico-moralista e construir coletivamente.
on Oct 21st, 2009 at 9:23 pm
O comentário do Franscico contribui para explicar a razão pela ausência de uma política de educação ambiental, junto as comunidades situadas no entorno do Arroio Dilúvio. Tudo indica que há um incentivo para o aumento da poluição da cidade, inclusive dos afluentes que desembocam no Dilúvio, como o Riacho Men de Sá (Rua Sta.Isabel) que voltou, na atual administração, a se tornar um lixão a céu aberto.
E quanto ao sumiço do prefeitoda capital: na realidade, não há uma gestão pública, com programas de políticas públicas, o que temos são contratos para beneficiar as empresas privadas financiadoras do atual regime midiático simbolizado pela peça publicitária, denominada Fogaça.
on Oct 22nd, 2009 at 8:19 am
Luis, construir coletivamente com o PT do agronegócio, do rentismo, dos aliados que imprimem ao país um modelo no qual o condutor da conomia é Meireles e da agrigultura, Stefhanes? Com o PT que anda leiloando a história em troca de apoios que vão de Sarney a Simon, passando por Collor, Temer e quem mais quiser?
Se o problema é das esquerdas – e é -, o PT não está incluído. Certo?
on Oct 22nd, 2009 at 11:40 am
Eu falei “esquerdas”: nem todos os petistas, não só o PT.
Abandonar o sectarismo é tarefa urgente – tanto quanto qualquer outra – de quem se pretende de esquerda.
on Oct 22nd, 2009 at 5:56 pm
O meu maior medo é que o Rigotto volte para completar a sua “obra”. Será que o RS aguenta? Simon,Britto, Rigotto e Yeda, 16 anos jogados fora, e depois não sabem porque o RS cresçe como rabo de cavalo.
on Oct 22nd, 2009 at 6:49 pm
Luís, excluir o PT não é sectarismo. É proteção da dignidade política e, sobretudo, não erguer obstáculos à união da esquerda verdadeira.
on Oct 22nd, 2009 at 8:12 pm
como o povo do rs aguenta ver uma cena dessas , que vergonha .