A defesa da governadora Yeda Crusius em seu blog da prática da contratação de parentes sem concurso público (nepotismo) e da pensão vitalícia para os ex-governadores estaduais chocou os gaúchos. Acostumada a gerar polêmicas e conflitos e com sua gestão investigada por suposta prática de corrupção, a governadora considera a proibição do nepotismo “uma restrição radical”, um “castigo familiar” e a pensão uma garantia para que “os familiares dos governantes devem estar protegidos por pelo menos uma geração”.
Na verdade, há no atual governo estadual no Rio Grande do Sul uma grande confusão entre o que é público e o que é privado. Primeiro foram escândalos sobre supostas práticas de corrupção que, supostamente, envolveram a partilha de valores entre integrantes do alto escalão da atual gestão. Depois, surgiram as dúvidas ainda não esclarecidas sobre a procedência dos recursos para a aquisição de uma bela residência particular para a governadora. Logo em seguida, a descoberta pela sociedade gaúcha de que foi utilizado dinheiro público na compras de pufes, armários e camas infantis, piso emborrachado, entre outros itens, para a mesma residência. Agora, é a defesa da prática do nepotismo e da pensão vitalícia.
Acreditamos que o que é público deve permanecer público. Sejam os recursos utilizados nesta gestão para aquisições particulares, sejam as empresas e fundações públicas, como a Fundação de Proteção Especial, que presta um importante serviço para os cidadãos gaúchos e corre o risco de ser repassada para a iniciativa privada.
É preciso dizer que, por mínimo que sejam os valores das compras efetuadas, da contratação de um familiar sem que este tenha sido aprovado em concurso público, estes deveriam ser utilizados para o bem da sociedade. Não é o que vem ocorrendo no Rio Grande do Sul. Somado a isto, investigações judiciais e feitas pela Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembléia Legislativa tentam descobrir o destino de supostos desvios que tiraram da população gaúcha centenas de milhões de reais. Valores que poderiam ser aplicados na saúde, cujos investimentos em 2008 não ultrapassaram 3,6% do Orçamento, na melhoria das estradas, que são consideradas ruins em recente pesquisa realizada em nível nacional. Enfim, valores que poderiam ser investidos na melhoria da qualidade de vida dos gaúchos e das gaúchas de todas as querências.
(*) Assessor parlamentar


on Nov 7th, 2009 at 7:04 am
O problema verdadeiro não é o nepotismo, mas os CCs. Nepotismo é só um reflexo, porque, no fim do dia, que diferença tem se o cidadão é parente, amigo ou só cupincha? Se todos fossem concursados, as coisas andariam melhor. Por que querem rodear-se de CCs? Porque assim fica mais fácil esconder o que se passa nos gabinetes.
on Nov 7th, 2009 at 9:42 am
TODOS os governos misturam o “público” com o privado. É um traço UNIVERSAL das relações do serviço público no Brasil a “apropriação” do espaço público como “feudo” de partidos ou nomes. Assim o PP via o DETRAN, assim o PMDB vê a Secretaria da Saúde, assim o PDT leva o Ministério do Trabalho.
Os orgãos públicos quando esquartejados após as eleições entre aliados e apoiadores são tomados e fortificados, transformados em bunkers de partidos. Meu pai(Auditor da Sec. Faz. aposentado) fica furioso quando digo isso, mas um dos hobbies favoritos dos Auditores da Sec. da Fazenda é viver as turras com o secretário, se ele não for “da casa”. Quando havia a separação entre auditores e fiscais então, era pior ainda. Fulano é Fiscal, entao os auditores piravam na batatinha, sicrano é auditor, então os fiscais botavam a boca. Se beltrano não fosse nenhum dos dois, virava alvo dos dois lados.
É a privatização partidária e classista dos orgãos públicos.
on Nov 7th, 2009 at 4:19 pm
Concordo, o problema é verdadeiro e histórico, mas pode ser diferente, aplico a proposta de um debate valioso que assisti hoje pela manhã sobre Ética, Política e Espiritualidade: a evangelização da política do amor, da caridade, da fé em tempos de evolução!
on Nov 10th, 2009 at 12:51 pm
Trecho da postagem da governadora:
“… a família de quem governa paga sim um preço pelos seus parentes governantes. Não se pode ter familiares nem perto de qualquer órgão público (…) e eles passam a ter bloqueadas inclusive chances de exercer profissionalmente algumas vocações de servir o público. São dezenas de milhares de pessoas a servir o público, mas parente não pode. (…).”
Agora, a pergunta que não quer calar: se o cara tem vocação para servir o público, por que não faz concurso????
Ou a legislação também proíbe que parente seja concursado???
Francamente.
on Nov 12th, 2009 at 10:34 pm
CRISTIANE! É SIMPLES… SÃO BURROS QUE NUNCA ESTUDARAM DE VERDADE. ALGUNS TEM CURSO SUPERIOR, PORQUE SEUS PAIS OS FIZERAM PASSAR, PRESSIONANDO SEUS PROFESSORES E OFERECENDO RECOMPENSAS POR UMA NOTA MELHOR ( UMA MOTO, UM CARRO, UMA VIAGEM AO EXTERIOR).