O governo de Fernando Lugo está sob forte ataque da direita paraguaia. O objetivo declarado é um só: derrubá-lo do poder. Em um artigo publicado no semanário Pulso, da Bolívia, o jornalista Pablo Stefanoni relata as dificuldades do novo governo que assumiu um país que, até então, era “governado por máfias de todos os níveis, dedicadas a todo tipo de tráficos, contrabando e ilegalidades diversas, amparadas por um poder com o qual compartilhavam o botim. Ou simplesmente eram as máfias que exerciam, sem intermediários, o poder”.
Há duas semanas, relata Stefanoni, foi tornado público o conteúdo de um email de um pecuarista chileno de nome Avilés, residente no Paraguai há mais de 30 anos, que propõe a arrecadação de uma contribuição financeira entre seus pares empresariais para comprar armamentos, formar milícias e identificar e matar comunistas. “Do mesmo modo que ocorreu em Honduras com as pequenas reformas de Manuel Zelaya, a rançosa elite paraguaia não suporta o ex-bispo como presidente. Só um parâmetro: fazer um simples cadastro das propriedades agrícolas já é uma medida revolucionária no Paraguai, onde latifundiários e brasiguaios (filhos de brasileiros nascidos no Paraguai) controlam suas fazendas na ponta de escopetas. Além disso, em setembro, Lugo anunciou o cancelamento de exercícios militares que seriam realizados por 500 militares dos Estados Unidos e efetivos do Paraguai, programados para 2010 sob o nome de “Novos Horizontes”.
Um pecado mortal de Lugo. No email enviado a seus pares, o pecuarista chileno convoca:
Até quando teremos que esperar para combater estes comunistas filhos da puta que estão querendo destruir nosso querido Paraguai, como fizeram os Allendistas no Chile, desde 1968, até o 11 de setembro de 1974, ou então nos convertermos em uma Nova Colômbia. Quantos pais, irmãos e filhos teremos que enterrar para poder reagir. Quanto luto e dor terão que suportar nossas mães, esposas ou filhas antes de liquidar esta peste representada pelos subversivos comunistas? (…) É hora de perseguir, capturar e liquidar fisicamente a todos os comunistas que atentam contra nossas vidas e posses”.







on Nov 9th, 2009 at 4:33 pm
“…pequenas reformas de Manuel Zelay” - Essa foi pra matar.
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on Nov 9th, 2009 at 4:46 pm
O Lugo infelizmente até agora não disse ao que veio. Está frustrando os desejos de mudanças de seu povo, como outros “esquedistas” aí!
Mesmo assim as classes dominantes latino-americanas têm demonstrado todo o seu reacionarismo e mostrando q ñ estão dispostas a tolerar nem mesmo governos de colaboração de classes e vacilantes.
Me admira q apesar da conjuntura alguns pretensos “esquerdistas” ainda insistam na conciliação de classes e na irrealizável proposta de humanizar o desumano sistema capitalista.
Não aprendem nem com a História e nem conseguem extrair a correta análise da conjuntura.
Lamentável!
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on Nov 9th, 2009 at 5:51 pm
A versão e o fato ou a história oficial
Aug 27th, 2009 by Marco Aurélio Weissheimer.
Por Adão Paiani (*)
A cúpula da Segurança Pública do Rio Grande do Sul parece haver se esquecido da máxima “bandido é bandido, polícia é polícia”. O mínimo que a sociedade espera é que os papéis não se confundam. Ao anunciar na manhã desta quinta-feira que irá apresentar um soldado da corporação como o autor do tiro que matou o trabalhador rural Elton Brum da Silva, a Brigada Militar rende-se a práticas comuns dentre aqueles a quem tem o dever legal e constitucional de combater.
É regra, e do conhecimento de todos, que dentro de determinadas estruturas, como o sistema prisional, por exemplo, alguém que não tem muito a perder assumir delitos que não cometeu, para livrar a cara de alguma “liderança”. Previsivelmente, o “autor” da morte do sem terra pertence ao nível mais sofrido da tropa; alguém que expõe diariamente sua vida em troca de oitocentos reais por mês. Não é um oficial graduado, mas um soldado. Verdade conveniente. Versão oficial. Caso encerrado.
Falo com conhecimento de causa. Sou filho de um soldado brigadiano, e passei minha infância praticamente dentro de um quartel da corporação. Ali aprendi, mesmo mal, a jogar bola e a fazer estilingue de forquilha; e a “bóia” do “rancho” até que era boa. Conheço muito bem a Brigada Militar e achava que determinadas práticas tinham ficado no passado. Mas estava enganado. Nada muda. Nada.
A demora não surpreende. Uma semana para criar uma versão convincente. Uma versão palatável, rapidamente digerida pela grande mídia, e comprada por quem não tem como saber exatamente o que aconteceu. Mas não por quem sabe. Mais fácil de explicar do que a autoria por um oficial. É só mais um Zé, quem sabe até um Silva, como o morto. E morto não fala. E esse, mesmo que falasse, estava de costas, também não iria ajudar muito.
“Assume aí, meu, assume que vai ser melhor pra ti. Depois a gente ajeita. Não vai dar nada, tu vai ser julgado lá mesmo, ninguém vai te condenar, e se tu tivé que puxá uma cana, vai sê pouquinho. A gente te segura, mano. Quebra essa que tu não vai te arrepender.” Fácil de imaginar, um diálogo desses. Mas se alguém pensa que pode ter acontecido dentro do Central, da PASC, PEJ ou em um barraco da Vila Bom Jesus, no Fragata ou no Camobi, deve rever seus conceitos.
Quem matou Elton Brum da Silva foi um Oficial da Brigada Militar do Estado, atirando pelas costas, num entrevero, depois de uma discussão. Se os cavalos do Regimento de Polícia Montada de Livramento pudessem falar, seria essa a sua versão. Mas a que vale, mesmo, é a oficial. E essa, meus amigos, já está escrita. E devidamente ensaiada.
(*) Advogado, ex-ouvidor agrário do Estado e ex-ouvidor da Secretaria de Segurança Pública.
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on Nov 9th, 2009 at 9:42 pm
Desde que o Lugo assumiu o poder no Paraguai,a rádio Pampa,diariamente prega o golpe contra Lugo!Falam todo dia da vida pessoal do Lugo,sobre os filhos dele,com mulheres jovens e humildes!Batem nele,no Chaves,no índio Evo Morales e no Presidente Lula!As acusações são ofencivas,e os ouvintes arrogantes se deliciam..hoje estes mesmos ouvintes,pediram para toda curriola de radialistas,para repetirem as frases,do baiano bobão,chamado caetano veloso(letra minúscula prá êle)
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on Nov 9th, 2009 at 10:12 pm
Lugo renegociou um contrato imposto ao Paraguay (represa energética) e isso não é nada? Assumiu um país vilipendiado, escorcheado, sugado em suas riquezas? Desconstruído em seu mecanismos estatais de proteção à população … e isso não é nada? ô esquerdista de meia-tigela! vai lutar por tua América! (tô falando sobre os “comentaristas”).
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on Nov 9th, 2009 at 10:16 pm
IRAS à parte, recomendo tb artigo do glorioso Pagina 12 porteño de domingo, dia 8, de Santiago O’Donnell que, apesar do nome, vai na couve. Disponível on-line.
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on Nov 10th, 2009 at 10:47 am
Conta-se que, antes de morrer na derradeira Batalha de Cerro Corá, Solano López teria pronunciado a frase “Muero com mi pátria”. Um vaticínio.
De país que ousou dar um salto para além das garras do império dominante da época, o Paraguai se transformaria, pelas quatorze décadas seguintes, no mais pobre da América do Sul, juntamente com a Bolívia. Virou território de contrabandistas, traficantes e latifundiários. E este é o país que foi oferecido a Fernando Lugo, na eleição do ano passado.
Assim, a afirmação de que ele está “frustrando os desejos de mudanças de seu povo”, do Jorge Nogueira, é um tanto apressada.
Bases firmes para ancorar a implementação dessas mudanças, me parece que Lugo não tem. Sem isso, como poderia ele descartar por completo alguma forma de conciliação?
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on Nov 11th, 2009 at 11:35 am
É por isso que eu disse que um setor da esquerda, se é que ainda podem ser chamados de esquerdistas, carecem de uma avaliação profunda da conjuntura.
Havia uma pressão social muito forte dentro do Paraguai para que Lugo renegociasse os acordos de Itaipu.
Mas por outro lado Lugo tem se aproximado cada vez mais dos partidos de direita, incluindo o Colorado.
Cede aos latifundiários na mais simples ameaça de mobilização como no caso dos agrotóxicos - os latifundiários só ameaçaram com um “tratoraço” e Lugo cedeu.
Protege os latifundiários brasileiros que atuam no país (ou será que agora os “esquerdistas” reformistas vão apelar para o nacionalismo como seus avós da II Internacional?).
Enquanto isso a ausência de reforma agrária e a repressão que têm sofrido os sem-terras em suas mobilizações têm aumentado as desconfianças do movimento na promessa de reforma agrária do presidente.
A intolerância e o golpismo da direita não deve encobrir a visão do que o governo faz na prática. Se Lugo fosse golpeado seria obrigação de todos os setores da esquerda combater nas ruas os golpistas - como tem se feito em Honduras sem por isso capitular ao direitista Zelaya, ou agora vão dizer que o Zelaya é de esquerda?
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