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Como anda a situação do transporte em Porto Alegre?

O site da prefeitura de Porto Alegre noticia hoje que as experiências do governo José Fogaça (PMDB) na “gestão do transporte público, planejamento e qualificação do sistema, além da implementação tecnológica em projetos estratégicos em mobilidade urbana” são motivo de visita, esta semana, de uma delegação de norte-americanos à capital gaúcha. A visita, segundo a prefeitura, faz parte do Programa Internacional de Estudos de Transporte, patrocinado pela Transit Cooporative Research Program of the Transportation Research Board.

A visita é uma oportunidade para perguntar como anda mesmo a gestão do transporte público em Porto Alegre e na Região Metropolitana. Duas notícias de hoje apontam problemas de insegurança e falta de manutenção de equipamentos que vem se repetindo regularmente. Pela manhã, por volta das 10 horas, uma idosa ficou ferida gravemente ao ser atropelada no corredor de ônibus da Avenida Bento Gonçalves. Algumas horas antes, um ônibus da empresa Viamão perdeu a roda na Avenida Ipiranga. Após se desprender, a roda ultrapassou o ônibus e foi parar no Arroio Dilúvio.

No dia 25 de setembro, publicamos aqui a seguinte análise de Paulo Muzell sobre a situação do transporte público, na capital gaúcha:

Porto Alegre é uma cidade com mais de 1,4 milhões de habitantes com uma área urbana de cerca de 14 mil hectares, com muitos milhares de quilômetros de vias, por onde circulam diuturnamente mais de 500 mil veículos. Todos sabemos, o trânsito é caótico e a situação piora ano após ano. O número de motos que circulam na cidade, por exemplo, cresce 12% ao ano. Além do metrô – solução cara e de longo prazo – seriam necessárias, além do crescente investimento em infra-estrutura viária - duplicação de vias estruturais, perimetrais, novos viadutos –, que, infelizmente, não estão sendo feitos, melhorias na sinalização e no controle dos fluxos. Os “azuizinhos” não são mais vistos na cidade e, e só aparecem para multar. Além disso, as sinaleiras da cidade são velhas, obsoletas e têm deficiente manutenção. Cachoeirinha, um município muito pobre, de baixa receita municipal “per capita” está à frente de Porto Alegre com suas modernas sinaleiras de tempo, muito mais seguras para os pedestres e motoristas. Pois os moradores de uma grande capital como a nossa penam as crescentes agruras do caos do trânsito, sentindo na pele os efeitos da má gestão.

A cada ano que passa são reduzidos os recursos destinados ao transporte. Nos quatro primeiros anos de Fogaça a função recebeu em média nove milhões de reais/ano, ou seja, apenas 0,3% da despesa total da Prefeitura! O investimento médio anual do quadriênio 2005/2008 mal atingiu um milhão de reais, que correspondem a 0,6% do investimento médio anual da Prefeitura, que, deve ser lembrado, igualmente foi muito baixo neste período. Ano passado o investimento sumiu: ZERO. Este ano até o final de setembro, ZERO, também. O orçamento deste ano previu para este ano no programa Cidade Acessível, 15 ações, ou seja, projetos e atividades no setor. No final deste mês de setembro, nenhum desses quinze projetos ou atividades tinham um real liquidado, ou seja, efetivamente gasto! De novo: execução ZERO!

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11 Comments on “Como anda a situação do transporte em Porto Alegre?”

  1. #1 Suzie
    on Nov 10th, 2009 at 3:18 pm

    Transporte em Porto Alegre?
    Um CAOS!
    Eu sou usuária de transporte coletivo SEMPRE, quando preciso ir ao centro, espero um tempão na fila.
    Formam-se duas, três filas.
    De repente…
    Aparecem dois ônibus ao mesmo tempo.
    É uma confusão.
    Não é somente na minha linha.
    Domingo, dia de passe livre, o T4(CARRIS) deixou pessos nas paradas.Não apareceu por mais de uma hora.
    Deixou muita gente sem fazer o ENAD.
    Quem mora na zona sul , para deslocar-se para a zona norte, ficou sem ônibus.
    Desapareceram os FISCAIS?
    Não os encontro.
    A sensação que tenho é de duas décadas atrás.
    Aí tem…

    [Reply]

  2. #2 Vitorino Mesquita
    on Nov 10th, 2009 at 3:44 pm

    Marco:
    No que se refere ao ônibus da empresa Viamão a fiscalização deve ser realizada pela Metroplan. Em Porto Alegre desde a SMT não se faz fiscalização preventiva. E na Região Metropolitana com o novo enfoque, e convivência promíscua entre o poder público e empresários, com o advento do governo Rigotto vemos a que resultados chegamos. Fiscalização?

    [Reply]

  3. #3 edu
    on Nov 10th, 2009 at 4:31 pm

    “”"Além do metrô – solução cara e de longo prazo “”"

    Deve ser por isso que as melhores cidades do mundo para se viver tenham uma rede de metro enorme…

    Metro roda sobre trilhos, com rodas de metal, usa eletricidade, sao vagoes de simples construçao e manutençao, onde esta o caro??

    Metro nao é a soluçao pq as empresas de transporte privadas pagam muito para que nenhum administrador publico permita o metro ao seu povo.

    Podem até matar para impedir isso, quem conhece as leis que regem o transporte privado sabe…

    Em Salvador o metro foi planejado para “n” kilometros no final acabou com n- 90%, porque as empresas de onibus pagaram e até elegeram o prefeito…

    O transporte publico assim como a saude deve ser publico praticamente na sua totalidade, onde esperamos chegar se o laboratorio que ganha com a venda da cura pode produzir o virus que causa a doença e aumenta os lucros??

    Enquanto as galinhas esperarem que o lobo construa o galinheiro…

    [Reply]

    Leonardo Reply:

    Edu,
    o preço alto está em construir vias subterrâneas, afinal não faz sentido ter metrô de superfície onde falta espaço.
    No demais concordo contigo.

    [Reply]

  4. #4 Guga Türck
    on Nov 10th, 2009 at 4:52 pm

    Marco, com certeza não é necessário nem se esforçar muito para assistir ao estado de abandono que se encontra Porto Alegre.
    Hoje, por volta das 5h da manhã, começou a maior chuva, eu achando que seria tempestade com vento, me levantei de sopetão para ir correndo ao escritório da Catarse para fechar as janelas. Atravessei a Protásio na altura da Barão e o que encontro: um caminhão do lixo fazendo a coleta naquela hora… Faz horas que tenho notado isso. O lixo em Porto Alegre não é mais separado como padrão, o condomídio precisa - veja só! - solicitar o caminhão da coleta seletiva, e os caminhões comuns trabalham pela madrugada - pelo menos é assim no meu bairro.
    Outra coisa, essa senhora que foi atropelada, que mencionas, é minha querida Giza. Uma senhora que me criou desde que eu tinha 6 anos, auxiliando meus pais no momento em que meu velho sofreu um acidente gravíssimo. Foi braço direito nos piores momentos e trabalhava até hoje pela manhã ainda na casa de meus pais.
    Estamos chocados e muito apreensivos, porque apesar de estar conversando, está com uma pequena fratura no crânio que exige imensos cuidados nestas próximas 48h.
    Pois preciso, então, mencionar duas coisas. A primeira foi o contato que tive com o HPS nessa tarde, apavorante. Um ambiente que eu tinha como modelo tempos atrás está podre. Até cocô de rato observei na sala de entrada, além das nuvens de moscas. E isso me deixou ainda mais apreensivo. Minha mãe, em outro acidente recente, cometeu a burrice de não mencionar que tinha plano de saúde e que poderia ser levada para outro hospital, caiu lá no HPS e foi um horror! Tive que invadir a sala de espera do raio-x porque ela estava tendo crise hipertensiva, vomitava da maca no chão e simplesmente ninguém para atendê-la. Ali virei um bicho e, quando viram um cidadão de 1,85m, com 100kg, esbravejando como um louco, aí sim alguém apareceu e começou a nos atender decentemente.
    É lá que está nossa querida Giza. A Samu a levou e não é possível pelas suas condições atuais de saúde transferi-la no momento…
    Agora, a segunda coisa que quero comentar é sobre este cruzamento da Bento Gonçalves com a Aparício Borges. Aquilo ali, desde que nasceu, é um matadouro de velhinhos. Foi muito mau projetado como grande parte desta 3ª Perimetral, a maior merda - desculpe o termo, mas me sobe o sangue - que o governo do PT executou em Porto Alegre. Ali, desde sua inauguração morrem pessoas às pencas. A estatística era estarrecedora no início - morria uma pessoa atropelada por dia -, mas a prefeitura, naquela época nas mãos do Verle, tomou algumas medidas que reduziram drasticamente esses números, mas que não resolveu.
    Claro que, hoje em dia, está tudo abandonado, os corredores de ônibus são absurdos, não há manutenção, o atual secretário só recebe prêmios dos amiguinhos, as ruas congestionam cada vez mais, não há soluções inteligentes sendo implementadas, não se pensa o trânsito da cidade a partir do seu fluxo pendular, etc. Claro que isso tudo contribui de alguma forma para acidentes como este. Mas não dá para deixar de responsabilizar também aqueles que projetaram esse cruzamento. Um cruzamento que, para mim, se transformou em uma encruzilhada e que se soma a toda uma sorte de péssimas atitudes que contribuíram - e contribuem - para uma crescente incredulidade em minha pessoa com relação ao proceso eleitoral.
    Estou chegando numa fase de que já não acredito mais em ninguém envolvido em política partidária e acabo decidindo o meu voto eliminando aqueles em quem não votarei de jeito nenhum. Inverti o processo. Daqui a pouco não sobrará ninguém e farei algo que jamais achei que faria: anularei meu voto. Triste, muito triste…

    Giza, força aí que estamos contigo!

    Abraço, Marco.

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  5. #5 Marco Aurélio Weissheimer
    on Nov 10th, 2009 at 5:05 pm

    Fico torcendo aqui pela pronta recuperação da Dona Giza, Guga. um abraço.

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  6. #6 .Tchaco
    on Nov 10th, 2009 at 5:41 pm

    Iremos de “BICI”!

    [Reply]

  7. #7 Blergh
    on Nov 10th, 2009 at 7:01 pm

    Concordo plenamente com o Guga. Impressiona que tal cruzamento tenha sido projetado dessa forma enquanto na Protásio tem elevador e escada rolante praticamente abandonados e com riscos de assalto… Dinheiro mal empregado… Ainda quanto ao transporte público, já experimentaram os assentos dos ônibus (exceto carris)? Não cabem as pernas e se o sujeito é gordinho só cabe um. E o Sena ainda incentiva que devamos utilizar o transporte público… A coisa está tão ruim que até a ZH anda reclamando, e ainda querem lançar o Fogaça para governador… É dose.
    E que a Dona Giza se recupere logo…

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  8. #8 TErezinha
    on Nov 10th, 2009 at 10:09 pm

    Marco, seria importante repercutir a entrevista da Maria do Rosário ao André Machado e à Rosane de Oliveira na Gaúcha hoje sobre o tema do metrô. Eles estavam acusando ela e o PT de ter má-vontade, e aí ela entrou ao vivo e mostrou que o problema é a incompetência do Fogaça, que não apresenta projeto e não vai atrás.
    O André Machado foi sacana no blog dele, já que o tempo inteiro a Maria deixou claro que está disposta a unir esforços em defesa do metrô de Poa - mas o povo fez sua opção, e é do Fogaça que tem que cobrar primeiro!

    [Reply]

  9. #9 el barto
    on Nov 11th, 2009 at 9:56 am

    pra multar e atrapalhar o trânsito. e qdo. chove e as sinaleiras pifam as especialidades somem, não se vê UM!!!!

    [Reply]

  10. #10 verde
    on Nov 12th, 2009 at 8:41 am

    O sistema de transporte foi alterado assim: durante a Campanha para Eleiçoes da Prefeitura eles alteraram as sinaleiras com mais tempo para os carros. Os carros andam mais e congestiona um pouco menos.

    Os transeuntes, pedestres, daí tiveram em outubro uma Campanha do Novo Sinal, onde eles põem sua propria mão para que possam atravessar em faixas de segurança sem sinaleiras. Mas, alguns foram atropelados, pois os carros andam rapidos e nem sempre eles colocaram as maos em faixas permitidas, ou seja, sem a sinaleira. Uma confusão.

    Na esquina da Silva Só com Protasio Alves eu presenciei um Promotor da Campanha do Novo Sinal, um menino irresponsável conversando com uma senhora. Quando o carro apareceu na esquina, eles resolveram testar a mãozinha e esticaraam o braço para que aquele carro parasse e a senhora atravessasse.

    Ora, para que testar um sinal? Berrei para o tal Promotor de Eventos mal preparado que isso nao se faz, se já estava parada na faixa, porque testar e fazer meu carro parar? Porque nao atravessou quando nao tinha carro na rua?
    Daí parei, um outro carro vinha meio rapido atraás de mim, a sorte que parou tambem…

    Mas isso é um fiasco!!

    E ainda chamam o prefeito atual de Samambaia, agora sei porque.

    Deveriam trabalhar mais pra pagar seus salarios, e nao fazer nada.

    ESse país é pobre, nao é de ricos, devem trabalhar se sao funcionarios publicos. Não se gabar em louros e mídia.

    [Reply]

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