A Zero Hora publica tanta bobagem que uma grande parte passa desapercebida. Tendo ficado acamado no fim de semana tive um pouco mais de tempo para desperdiçar, no caso, lendo a edição de sábado do New York Times da Azenha. Na seção de artigos foi publicado algo que deveria ter sido intitulado “Porto Alegre: capital do Estado da Flórida” de autoria do Secretário de Gestão e Acompanhamento Estratégico de Porto Alegre, Clóvis Magalhães.
Com este artigo ficamos sabendo que Porto Alegre está preparada para enfrentar grandes desafios de segurança e convivência pacífica, estando imune a catástrofes ambientais, conflitos armados e violência generalizada. Isso tudo por obra do programa de Governança iluminada e antecipadora da atual e interminável gestão. Mais do que isso, a cidade é líder mundial na discussão e promoção de uma agenda de democracia participativa, é modelo e referência do OP; é reconhecida internacionalmente no cumprimento pleno da promoção da paz e do desenvolvimento sustentável.
O estratégico secretário não caminha pela cidade, não conhece a periferia, nunca ouviu falar da Grande Cruzeiro, dos engarrafamentos da Rodoviária, da Independência, da Assis Brasil, da Bento e de mais uns 50 pontos problemáticos. O gestionário secretário não passa perto dos milhares de mendigos que ocupam ruas e praças, ambos, mendigos e lugares, em condições lastimáveis. O gestionário secretário deve estar permanentemente com fones de ouvido escutando Sing Along Sounds e assim, pode ignorar o fato que Porto Alegre é a pior capital brasileira em termos de qualidade de vida considerando-se a emissão de ruidos provocados pelo trânsito.
O título de “secretário de acompanhamento estratégico” deve se referir à tarefa de seguir o evanescente prefeito no mundo da fantasia, acreditando que administram a Disneylândia. Só falta adaptar os nomes locais aos personagens famosos: a Bela Adormecida, o rato Mickey, o Pateta etc.
(*) Professor titular de Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul







on Nov 11th, 2009 at 3:09 pm
O provincianismo do RS é uma coisa muito séria, o gaúcho que não ultrapassa os lindes do manpituba deve achar que mora num eldorado, que faz parte de um povo virtuoso e valente, que inclusive o Brasil não é digno de um estado tão próspero.
A última é a briga da crônica esportiva com o técnico Mário Sérgio que é um cara inteligente e enfrenta com altivez a arrogância dos papagaios da RBS.
Concordo com o articulista, ler ZH dominical, a tradicional catequese de direita e o ufanismo dos miseráveis é um exercício de sadismo.
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on Nov 11th, 2009 at 3:23 pm
O dito secretario deve achar que Porto Alegre é muito melhor que Miami, capital da Florida, pois lá volta e meia passam aqueles furacões…
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on Nov 11th, 2009 at 3:46 pm
O Sr. Magalhães esconde muitos segredos, um dos quais é achar que nós somos como a Flórida. Este segredo, que ele acalentava, já revelou. Que tantos outros mais ele revelará?
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on Nov 11th, 2009 at 3:52 pm
Estive neste feriadão em Balneário Camboriú. Até a cidade litorânea catarinense está dando de dez em POA. Lá tem sinaleiras inteligentes, que vão, gradualmente, oscilando entre o verde e o vermelho, avenidas amplas, quase nada de mendicância na rua. Não é um paraíso, mas, pelo menos, não faz propaganda enganosa. O que estraga é a praia Central, mas rodando um pouco se encontra outras praias ao estilo catarinense.
E Porto Alegre que tem um clima sufocante, ruas e corredores de ônibus esburacados, pobreza quase generalizada, onde o lazer da classe média é o shopping, só mesmo esta Prefeitura pode enxergar uma cidade nestes moldes.
Fogaça e sua eminência parda deviam conhecer a cidade real, os funcionários reais com que trabalham e fazer uma gestão baseada na realidade.
E
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on Nov 11th, 2009 at 5:59 pm
A capital da Florida é a sonolenta Tallahassee, não Miami. E apesar de Miami ser uma cidade maravilhosa, animada, latina, relativamente barata e extremamente receptiva a estrangeiros ela também tem algumas zonas poucos recomendáveis. A noite, em Downtown Miami, os mendigos estão todos a vista.
Morei quatro anos em Ft. Lauderdale, logo ao norte de Miami, e por quatro vezes arrumei minha sacola com meus pertences e peguei a estrada, por ameaça de furacões. Pois a organização da cidade para os furacões é quase milimetrica. Todos sabem por onde sair, a melhor rota, os lugares mais seguros e próximos para ficar, a polícia orienta a todos, as rádios informam o tempo todo e as pessoas ja encaram aquilo com uma fria naturalidade. No fim, peguei mais temporais fortes que furacões. Nada que me fizesse passar mais de uma noite num hotel e uma que outra infiltração pela janela do meu apartamento.
Em Porto Alegre, com nosso trânsito estúpidamente mal-educado, mal-planejado e com uma “Defesa Civil” que desvia doações, o lugar mais seguro para se estar num furacão é em casa.
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Francisco Goulart Reply:
November 12th, 2009 at 9:05 am
Perfeito, Fernando.
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on Nov 12th, 2009 at 2:17 pm
Cattani: e os moradores de rua perto da prefeitura, tem umas 50 pessoas ali no final da tarde ali cara e este prefeito e seus imcompetentes secretários não tão nem aí!
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