Funcionários da Companhia de Processamento de Dados do Rio Grande do Sul (Procergs), cuja identidade será preservada para evitar possíveis represálias, enviam relato preocupado sobre o que está acontecendo na empresa que, segundo eles, atravessa um processo de desmonte:
“Após os aliados da governadora Yeda acabarem com o processo de impeachment, ela volta a toda força contra as empresas do Estado. Na Procergs, o sr. Picolli (Ademir Milton Picolli, presidente da companhia) está implementando o fim das regionais da empresa no interior do Estado e um Plano de Demissão Voluntária para os funcionários destas regionais. Outros setores importantes estão sendo fechados, como o serviço de emissão de notas de expediente para a OAB. Quer dizer: continua a farra com empresas terceirizadas e dispensas de licitações. Agora eles se acham aptos e revigorados para aplicar o receituário neoliberal do Banco Mundial. Se acham reabilitados e sua conduta isenta de questionamentos. A desmoralizada Assembléia Legislativa legitimou o grupo de Yeda, dando fôlego e força para o desmonte das empresas que pertencem ao povo riograndense.
Todos sabem que a Procergs tem capacidade de produzir efeitos importantes nas economias regionais através de suas seis unidades. Ela tem produtos e pode desenvolver outros para que pequenas e médias empresas se automatizem e realizem suas operações comerciais e negócios através dos sistemas de TI, relacionado-as com os diversos setores da economia e o contexto geral de cada atividade no estado e país, ampliando suas capacidade de avaliação e intervenção no mercado. A Procergs tem a capacidade de organizar as economias regionais por ramo de atividade e interligá-las tanto no campo como nas cidades, através de ferramentas da tecnologia da informação, oferecendo serviços e softwares que investiguem e avaliem as capacidades localizadas e explorem novos nichos e produtos necessários para o desenvolvimento dessas regiões”.

on Nov 11th, 2009 at 11:05 am
Foi meu primeiro emprego, estágio na Procergs. Esse estágio me abriu as portas de uma multinacional alemã de software, onde tive anos ótimos e conheci o mundo viajando a trabalho. E hoje muito do que aplico na empresa que tenho aprendi na Procergs. Foi onde aprendi como funciona uma empresa de TI, lidar com clientes, problemas, soluções. Tenho enorme carinho e ótimas recordações das pessoas que conheci lá dentro.
on Nov 11th, 2009 at 11:09 am
Demissão voluntária?, este filme nós gaúchos já vimos no governo do Brito. Naquela época – e não vi nenhum órgão de imprensa fazer a sua mea culpa por ter aprovado aquela sacanagem – houve PDV até na Brigada Militar e na Educação, justamente onde havia deficiência de pessoal. Inclusive, naquela época, o hoje incensado Otomar Vivian foi o primeiro professor a aderir ao PDV, sendo saudado como exemplo positivo pelo PIG de bombachas. O resultado disso todos sabemos, na segurança o déficit de efetivo hoje tão alegado e na educação as suplementações e contratações emergenciais. É preciso avivar a memória do povo gaúcho sobre aquele tempo e suas nefastas consequências, pois não podemos fzer como o jovem da fábula que matou os pais e saiu pelo mundo reclamar da sua orfandade.
on Nov 11th, 2009 at 12:13 pm
Caros Marco e amigos do sul:
Como já havia dito, o “choque de gestão” do único reduto neoliberal do mundo (o psdb) é privatizar.
Aqui em SP, os “gênios” venderam as linhas de transmissão para uma empresa da Colômbia. Antes, os cortes de energia aconteciam apenas em SP, agora estamos exportando o problema para o resto do Brasil (uma vez que a pane começou em alguma linha de transmissão do estado de SP, de acordo com o PiG).
Tirem logo este traste e sua quadrilha de aí, senão até a bandeira do Rio Grande Sul vai ser terceirizada para fornecedore$
on Nov 11th, 2009 at 12:27 pm
Eis por que Erick Camarano – que é (ou era) sócio da Processor – está no desgoverno: para sucatear, privatizar e favorecer as picaretagens chamadas de consultorias ou terceirizações.
Meu pai era um cara conservador, mas nunca neoliberal nem reacionário. Trabalhou a vida inteira na RFFSA (quando entrou lá ainda era VFRGS, depois encampada pela União) e disse o seguinte:
- No início da década de 1980, a Rede tinha mecânicos concursados e treinados. Um dia, resolveram contratar uma empresa terceirizada sob a justificativa de “cortar custos”. Pois bem: a conta saía O TRIPLO do valor dos funcionários concursados e de carteira assinada.
Em todo o meio empresarial é assim. Os MBAs e as faculdades de Administração vivem de incentivar a livre iniciativa sob a forma de consultorias exatamente porque esse é um enorme filão: o de indicar amigos pra fazer com que a grana circule somente dentro daquela rede social graúda.
A questão é: como mudar essa maneira de pensar, de executar e até mesmo de ensinar a fazer?
[]‘s,
Hélio
on Nov 11th, 2009 at 2:28 pm
Como disse outro comentarista, este é um filme de terror que já vimos nos governos FHC, Lerner, Amin, ACM e Britto sob a batuta do falecido Serjão.
Estes dias conversando com um ex-petista, ele me disse que privatização e PDV já eram, a onda agora era terceirizar os serviços, deixando alguns poucos na empresa com cargos de gestores de contratos.
Na mentalidade, unicamente privativista deles, isto funciona. No entanto, aos poucos eles vem que os funcionários detém a história e o conhecimento técnico e não vão cair nesta armadilha de fornecer à preço de banana o know-how.
Com a privatização o time do neoliberalismo divide a grana uma vez, com as terceirizações esta grana tem uma duração maior, apesar de vir pingada…
A PROCERGS, a CORSAN, a TVE e outras economias-mistas estão na linha de tiro destes morto-vivos.
Espero que uma reação bem orquestrada não permita que eles façam todo este mal ao patrimônio do RS.
Rick
on Nov 11th, 2009 at 11:17 pm
No final do governo Britto ela só não foi privatizada graças a mobilização dos seus funcionários e sindicato.Esta poderia ser uma ação do fórum dos servidores em defesa do serviço público.
on Nov 11th, 2009 at 11:27 pm
Nenhuma surpresa. Afinal, isto faz parte do projeto que subiu ao poder em 2006 tendo Yeda Crusius à frente.
Já escrevi isso neste blog mas não custa repetir. Todo e qualquer espaço que esteja sob domínio público ou ocupado por uma empresa estatal, que dê lucro ou que tenha potencial para tanto, deve ser privatizado; deve ser entregue ao controle do grande empresariado para que este possa apropriar-se desses lucros. Esse é o eixo principal dos programas de governo dos tucanos, que eles aplicar tão logo conseguem empoleirar-se no poder. Neoliberalismo puro.
Este ataque do Governo Yeda ao patrimônio público só não aconteceu com mais força porque o desgaste político de tal governo com o estrondoso escândalo de corrupção se tornou grande demais. Agora que a governadora foi inocentada, pelo menos na versão que a mídia hegemônica repassou à gauchada, ela pode retomar o projeto inicial.
E a gauchada, nação supostamente mais politizada deste brasilzão, vai impedir que a destruição do patrimônio público seja consumada por Yeda? Infelizmente, creio que não.
A grande maioria está preocupada apenas com o que acontece ao redor do seu umbigo; não vai querer dar atenção a coisas assim. Depois da casa arrombada, vem a inevitável choradeira, que se resume só a lamentos, mesmo.
A mobilização popular é a nossa única esperança contra a destruição yedista.