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Sobre corrupções, prevaricações e canastrices

Abre-se a cortina: um espectro ronda os deputados titulares e suplentes do PSDB, PMDB, PP, PPS e PTB na CPI da Corrupção: o pavor de que as entranhas dos acusados de integrar uma quadrilha que teria roubado cerca de R$ 300 milhões por meio de fraudes em licitações, sejam conhecidas pelo povo gaúcho. Para evitar aparições assombrosas, os partidos aliados da governadora Yeda promoveram um boicote explícito às sessões retirando o quórum para qualquer votação e impedindo o depoimento de testemunhas fundamentais à investigação.

Pano rápido: não se imagina um inquérito (e a comissão é parlamentar, mas de inquérito) sobre homicídio, por exemplo, que não ouça a versão do matador. Ainda mais se ele estiver plenamente identificado, se recaírem sobre ele uma montanha de indícios e, especialmente, se sua localização for de conhecimento dos investigadores. Nestas circunstâncias, não tomar o depoimento caracterizará o crime de prevaricação. São raríssimos os que prevaricam por falta de condições de trabalho; inúmeros são os que deixam de cumprir seu dever em troca de vantagens pessoais, monetárias ou político-eleitorais. E é neste ponto que fica muito difícil de diferenciar corruptos e prevaricadores. Há quem diga, até, que todo corrupto prevarica. E vice-versa.

Volta a cena principal: foi de tal ordem a impudência dos deputados yedistas que, em poucas semanas de funcionamento da CPI, alguns já acumulavam mais de uma dezena de faltas. É bem possível que estivessem contando com uma certa lógica da mídia que, por estas bandas, costuma adotar graus diferenciados de cobrança ética de acordo com o partido do freguês. Imaginaram que o boicote não seria questionado se, para justificá-lo, repetissem em uníssono: “Esta é a CPI do PT” ou “Tudo lá tem interesse eleitoral”. Quase deu certo, mas a encenação modificava de tal modo a realidade que a inverossimilhança acabou denunciada: - “Irresponsáveis! Preguiçosos! Vão trabalhar” foram alguns dos gritos que se ouviram da arquibancada do teatro.

Segundo ato: governistas de volta à CPI, com texto novo mas com desempenhos já nem tão uniformes. Uns, fingindo esquecer que têm o dever de apontar as responsabilidades políticas das fraudes, passaram a alegar que a comissão não tem sentido porque tudo já está sendo investigado pela Justiça. Outros, mudando propositalmente o roteiro, fizeram falas sobre pequenas tristezas adversárias. Só um elemento manteve a unidade da representação dos yedistas: a fuga contínua ao texto original que deveria contar a história de uma das maiores tragédias já ocorrida no Rio Grande do Sul que foi a denúncia da existência de uma quadrilha acusada de fraudar, simultaneamente, serviços (no Detran) e licitações (grandes estradas, barragens…), surrupiando assim cerca de R$ 344 milhões dos cofres públicos.

Por estar constituída de uma maioria de canastrões, os críticos estão antevendo um final melancólico para a CPI. Contudo, ninguém nega que a força da história (leia-se depoimentos, documentos e mais de 80 mil áudios de escutas telefônicas autorizadas judicialmente) e os poucos deputados que lá continuam tentando desempenhar honestamente seus papéis, ainda tem potencial para proporcionar cenas que vão fazer tremer a platéia. Resta, então, a esperança de que os espectadores assumam, junto com estes, o protagonismo do drama e, punindo severamente os malfeitores, produzam um desfecho digno deste palco de gloriosos espetáculos da vida real que é o Rio Grande do Sul. (Maneco)

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3 Comments on “Sobre corrupções, prevaricações e canastrices”

  1. #1 ELektrofossile
    on Nov 13th, 2009 at 1:14 am

    Lá por 1999 a Conferência Municipal da Cultura de Porto Alegre discutia a Estética, Poética e Ética.

    Quer me parecer que a chamada Base Aliada está a fazer uma (falsa) poética. Poesia decantando os fazeres da desgovernadora. E aí a fórmula acima enunciada se desfaz pq a Estética decorrente é ridícula (vejam a frente do Palácio) e a ética, mesmo parecendo consistente (Déficit negativo) apenas e somente se faz positiva nas guaiacas dos asseclas.

    Quando esse Fóssil que lhos digita estas letras divulgou um show no Parque da Marinha, mês e meio atrás (e que lotou muito - Fora Yeda) esse Fóssil foi atacado por cães espumantemente ferozes (PSDB, PTB, PP). Fui ameaçado de exoneração, PAD e a sindicância instaurada vence nesta terça vindoura sem ouvir nem as testemunhas. Vai virar palhaçada?

    Momozinha Mamãe falcatrua agora oferece Planos de Carreira riquíssimos recheados de falcatruas neoliberais. Em troca de migalhas quer que desistamos do Plano Previdenciário (IPErgs).

    A base aliada (segunda guerra mundial? guerra fria?) enquanto não se esfrangalha, vai dando sustentação a um desastre que dentro de cinco anos os rio-grandenses (já não chamo mais de gaúchos em respeito a Martin Fierro) vão se dar conta que foi cagada. Assim como quando fizeram da CRT uma bosta.

    Atenção Venâncio Aires, atenção Arroio do Meio. se preparem!

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  2. #2 Jorge Ferreira
    on Nov 13th, 2009 at 8:30 am

    Com intenso apoio da imprensa local, que é composta de tantos ou mais canalhas quanto aqueles envolvidos e comprometidos com o esquemas de corrupção montados para achacar os cofres do RS, a ética política do RS está virada numa Sodoma da safadeza e do cinismo com as instituições democráticas. O Sr. Lazier e Dona Rosane abelha, porta vozes da ideologia política de seus patrões, para justificar a sua omissão e a crítica ao comportamento da base governista na CPI, alegam que as CPIs funcionam como as maiorias querem, também lá em Brasília. Ou são desinformados ou são mal intencionados, pois lá os temas são políticos, não há fatos claros graves, investigações e processos como os fartamente encontrados por aqui. Acho que se renderam e se refestelaram com o churrasco de 50 kilos de costela dos secretários envolvidos na operação solidária, regado a vinhos trazidos pelo papai noel da operação DETRAN. Que vergonha para o RS ter políticos e jornalistas desse naipe.

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  3. #3 esperança para que?
    on Nov 14th, 2009 at 11:18 pm

    Cruz credo!!

    É tanta canalhice nesse Governo do eXtado ou na Açembléia que se escrevessemos assim, tudo estaria de acordo com os depus.

    Aliás, de onde vem a palavra “deputados”… Cada vez que penso… mais putadas aparecem… Eles são muito promiscuos e nao respeitam o bando de gente ababobada que votou neles. È desculpe, mas deve ser assim que eles nos chamam..

    Campanha veja o site da Açembléia, e veja o que o seu DePUTADO faz. age ou pensa. Entre todo santdo dia no Site da Açembleia. Vamo lá pessoar.

    “A gente nao sabemos toma conta da gente… Inútil, a gente somos inútilll. Ainda acham que nóis é indigente….” Presidente até acho que sabemos escolher, acho o Lula sensacional… mas estes deputated estaduais estão de matar, uma após a outra. Santa ingenuidade, o Extado das Coisas está sendo delapidado.

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