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Geheime Staatspolizei

Por Adão Paiani

A Gestapo, ou Geheime Staatspolizei, foi criada em 1933, por Hermann Göering, e originalmente era apenas um departamento da polícia prussiana. Seus membros, inicialmente, eram recrutados dentro da própria estrutura policial, que se tornou sinônimo de polícia política e representou bem todo o arbítrio nazista. Seus primeiros alvos eram todos que se contrapunham ao nascente governo de Hitler. Comunistas, socialistas, anarquistas, liberais; depois católicos, protestantes, maçons e judeus. Ao fim, tornou-se o grande instrumento de dominação e terror sobre a Europa ocupada pelos nazistas.

Note-se que o início das atividades dessa polícia política nada tinha de ilegal; ao contrário; era plenamente justificada e legitimada pelo ordenamento jurídico alemão. Atuava, então, dentro de um governo eleito democraticamente; muito embora já demonstrasse claramente suas intenções despóticas.

Governos autoritários, em quaisquer momentos históricos, ou onde se encontrem; sempre se parecem. Uma das principais características que os irmanam é a utilização tanto das estruturas jurídicas e legais quanto das forças de segurança para ameaçar, perseguir e silenciar seus adversários.

Mas não o fazem sozinhos. Contam, sempre, com o silêncio conivente de parcela da população, que não se preocupa com isso até que o problema, devidamente armado e violento, venha a bater em sua porta. E quando isso ocorre, é tarde demais para uma reação incruenta; porque aí a democracia já sucumbiu. E então anarquistas, liberais e comunistas, dentre outros, podem experimentar a traumática, e curiosa, experiência de se unir na cadeia.

A notícia de que oito integrantes da Federação Anarquista Gaúcha foram indiciados por crimes contra a honra, incitação ao crime e formação de quadrilha ou bando - e que outros tantos dirigentes de entidades sindicais e movimentos sociais o virão a ser nos próximos dias - em razão das denúncias que fazem das ilegalidades praticadas pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, sob o comando de Yeda Rorato Crusius, após inquérito policial concluído em tempo recorde, é o mais grave atentado já praticado contra uma associação política no Rio Grande e no Brasil, desde a redemocratização do país.

Nem o regime militar, em seu declínio, a partir de 1979, não tinha mais força e coragem para praticar atos de tamanha insanidade, a exemplo deste.

Sintomaticamente, o citado inquérito policial foi concluído justamente por uma Distrital, a 17ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, que se tornou conhecida por acumular em suas dependências milhares e milhares de inquéritos inconclusos, sob a alegação de falta de estrutura operacional. Dentre as características desta Distrital, está a de situar-se ao lado do prédio da Secretaria de Segurança Pública do Estado; hoje comandada por um General da Reserva do Exército Brasileiro; e ter-se especializado em instaurar inquéritos contra adversários políticos da Governadora do Estado e de agentes do seu Governo; dentre esses este articulista, que igualmente tem lá contra si ao menos dois inquéritos em andamento, por razões políticas.

Além de todas as acusações não respondidas que pesam sobre sua gestão, Yeda Rorato Crusius deve agora também ser responsabilizada por esse odioso, brutal, covarde e autoritário atentado à liberdade de expressão, manifestação e direito de associação, todos constitucionalmente previstos e base fundamental de qualquer democracia que como tal queira ser reconhecida.

Qualquer governante minimamente comprometido com o juramento que fez ao ser empossado no cargo; de defender e garantir a democracia que permitiu sua eleição; embora se julgando ofendido pessoalmente pelas manifestações de contrariedade do povo; deve ter a grandeza de não utilizar-se de instrumentos, mesmo que legais, para silenciar os que lhes são contrários. A isso se chama postura de Estadista; ou seja, a capacidade de colocar-se acima de questões menores, incompatíveis com a posição que ocupa; e entender a crítica mais dura como um direito dos cidadãos que lhe delegaram o poder que exerce.

Como desconhece o que significa ser uma Estadista, e tal tem demonstrado desde o momento que colocou seus pés no Palácio Piratini, no maior erro político já cometido na história do Rio Grande, Yeda Rorato Crusius dá mais uma clara demonstração de desrespeito à democracia, à liberdade e à cidadania.

A partir desse momento, todos nós, que denunciamos os abusos praticados por um governo democraticamente eleito; tal qual o de Adolf Hitler, em 1933; e que se transformou, dia-a-dia, em agente de espoliação, apropriação indébita e aparelhamento do Estado em benefício de uma camarilha, e agora algoz de seus cidadãos; estamos sujeitos à ação de sua polícia política.

Ou denunciamos já esse estado de coisas, suplantando quaisquer diferenças de caráter partidário ou ideológico, unindo todas as forças que defendem a liberdade nesse Estado; apelando inclusive para organismos internacionais, para que nos ajudem na denúncia e resistência a esses descalabros; ou seremos cúmplices do assassínio da nossa democracia.

E nem poderemos alegar, então, que o tiro foi pelas costas. Porque todos nós temos absoluta clareza e visão do que está acontecendo no Rio Grande.

Só nos resta partir das palavras para a ação. Só nos falta, verdadeiramente, reagir.

(*) Advogado

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9 Comentários on “Geheime Staatspolizei”

  1. #1 gaúcho
    on Nov 16th, 2009 at 9:23 pm

    Belo artigo!

    O RS, hoje, é o estado mais provinciano do país, a aliança entre a mídia amiga (RBS) e o estado criou um monstrengo que se alastra pelas instituições republicanas.

    Agora, ninguém segura o Rio Grande!!!!

    [Reply]

  2. #2 Hélio Sassen Paz
    on Nov 17th, 2009 at 7:26 am

    Marco,

    Por acaso alguém já leu o Correinho de hoje? Diz que acareação na CPI não deu em nada, exalta segregação salarial de Yeda junto aos professores da rede estadual e - com se não bastasse - afirma que “PT usa ponte do Rodoanel para abafar apagão”.

    Por ter sido jornal de latifundiário, para manter seu público, a Record mantém a mesma linha editorial. Enquanto isso, a Rádio Guaíba está dando uma “farroupilhazada”.

    No mais, embora o Paiani seja muito inteligente e esteja prestando um excelente serviço colaborando com o blog, mesmo sendo honesto, é um cara de direita insatisfeito. Caso o desgoverno não fosse como o é, estaria nele até hoje defendendo o taylorismo-fordismo e a ética judaico-cristã como crias do positivismo que fazem do RS atual apenas o 17º estado do país.

    []’s,
    Hélio

    [Reply]

  3. #3 Renato Arthur
    on Nov 17th, 2009 at 8:23 am

    Agradeço a colabaração do Dr Paiani, com a qual concordo inteiramente, mas espero que os Deputados de oposição na Assembléia se insurjam e também denunciem em todas as instâncias tais absurdo. Uma governadora (denunciada por corrupção em processo na justiça Federal) usando o poderes do estado para em proveito próprio intimidar os cidadão que pagam os seus impostos , são eleitores e portanto tem todo o direito de protestar e denunciar aquilo que julgam incorreto, sendo isto um direito assegurado em qualquer democracia. No RS estão querendo implantar a ditadura por um governo cercado de suspeição, isto não podemos tolerar.

    [Reply]

  4. #4 el barto
    on Nov 17th, 2009 at 10:06 am

    que as urnas varram pra lata de lixo da história essa sujeita e seus cúmplices venais da nauseabunda base aliada.

    [Reply]

  5. #5 Katarina
    on Nov 17th, 2009 at 11:11 am

    Tá, ok. Mas não se abuse dos argumentos ad hitlerum. O desgoverno atual não contempla o populismo nazi. E o nazismo é coisa suficiente monstruosa para não ser colada simplesmente em todo governo corrupto, autoritário e mequetrefe, como o atual, do RS.

    [Reply]

    ELektrofossile Reply:

    tá certo, K. não é mecânico.
    mas há mais coisas no ar que não apenas aviões de carreira.

    1. Na Alemanha (o berço), nesse dia 9 de novembro, ocorreram manifestações neonazistas em várias cidades comemorando a Noite dos Cristais;
    2. Punks foram agredidos e até assassinados por skinheads em Porto Alegre;
    3. Este governo estadual É discricionário e persegue seus opositores, vide a presidenta do Cpers;
    4. Vivemos um período de crise do capitalismo, o que é caldo de cultura para crescimento dos fascistas;
    5. O fascismo é a opção forte das elites para conter e aniquilar opções que lhas prejudicam. O nazismo, acima de tudo, foi uma barreira contra os soviéticos e contra o comunismo NA Alemanha;
    6. Os liberais e partidos de centro alemães fizeram “corpo mole” para deixar passar o paspalho do Adolf.

    As manifestações “populares” de apoio à YRC com carrocinha de cachorro-quente não são populismo. Asfaltar acessos à sede dos municípios, partindo do desgoverno YRC, tb não é populismo.

    Não.

    NAZI RAUS !!!

    [Reply]

  6. #6 Fernando
    on Nov 17th, 2009 at 11:34 am

    Aqueles que acusaram o MPF de ser um braço do governo federal para desestabilizar a governadora, de instrumento das ambições políticas de Tarso Genro, etc, agora estão todos afônicos, mudos.

    Só é errado despejar responsabilidade sobre essa papagaiada em cima da pobre Polícia Civil, mal equipada, mal paga(com exceção dos delegados) e com escassez de pessoal, coisas que a Gestapo nunca sofreu.

    Alguém poderia avisar a governadora que a passagem dela é transitória, dura quatro anos(que provavelmente não serão renovados), e explicar a diferença entre estado e governo.

    Coisa que os nazistas nunca souberam diferenciar.

    [Reply]

  7. #7 Hélio Sassen Paz
    on Nov 17th, 2009 at 3:37 pm

    Marco,

    Sugestões de pauta: o processo que corre contra Grêmio, T.A. e União, a mobilização do Fórum de Entidades POA na revisão do PDDUA (incluindo histórico quando chamava-se apenas Plano Diretor antes de 1979 e brecha que propiciou os espigões na administração Tarso em 1992) e a entrada da OAS em POA para construir condomínios de espigões no Humaitá.

    Mas tudo isso com uma análise daquilo que a) a sociedade civil pensa que é desenvolvimento urbano; b) daquilo que a mídia parceira da construção civil diz que é desenvolvimento urbano.

    []’s,
    Hélio

    [Reply]

    Marco Aurélio Weissheimer Reply:

    Obrigado pelas sugestões, Hélio. abaraço.

    [Reply]

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