O secretário adjunto da Administração, Genilton Ribeiro, tropeçou em sua própria estratégia na acareação realizada hoje com o ex-presidente do Detran, Sergio Buchmann, na CPI da Corrupção. Em depoimento ao Ministério Público Federal (confirmado depois na CPI), Buchmann relatou uma conversa com Genilton Ribeiro, no dia 1° de junho deste ano, quando este teria pedido para que “calasse a boca” e não falasse mais com a imprensa sobre os problemas do Detran. Segundo o ex-presidente do Detran, nesta conversa, o secretário adjunto da Administração falou também sobre o esquema de divisão de valores para envolvidos em fraudes na autarquia, sobre chantagens que a governadora Yeda Crusius estaria sofrendo por parte de Lair Ferst, Carlos Crusius e Flávio Vaz Netto, e também sobre a compra da casa da governadora no final de 2006.
Na acareação, ambos reafirmaram suas versões. Genilton Ribeiro admitiu a conversa, mas negou ter dito qualquer coisa a respeito de um esquema de propinas no Detran, de chantagens ou da compra da casa de Yeda. Buchmann, por sua vez, repetiu todo o relato feito ao MP Federal. Estranhamente, o secretário adjunto da Administração expressou outras duas divergências em relação ao testemunho de Buchmann: uma em relação à data da conversa e outra em relação ao horário da mesma. As duas versões acabaram caindo por terra. Ele disse que a conversa teria ocorrido dia 22 de maio no início da tarde, contra a versão de Buchmann, segundo a qual a conversa foi no dia 1° de junho no final da tarde.
A estratégia do secretário adjunto foi a de tentar mostrar Buchmann como um homem desequilibrado e perturbado emocionalmente. Mas quem acabou perdendo o equilíbrio foi ele. O deputado Daniel Bordignon (PT) mostrou recortes de jornais com as matérias sobre o Detran que teriam levado o secretário a pedir para Buchmann calar a boca. Todas elas eram posteriores ao dia 22 de maio, derrubando a versão de Genilton Ribeiro. Flagrado na contradição, o adjunto lascou uma pérola: “estou preocupado com fatos e não com datas”. Aparentemente não se preocupa com horários também, apesar da ênfase com que defendeu a sua versão do horário da conversa.
Ninguém sabe por que Genilton Ribeiro sustentou que a conversa teria ocorrido no início e não no final da tarde. Seja como for, o secretário se atrapalhou ao explicar a carona que deu a Buchmann para uma reunião do Conselho Político em que este deveria participar no final da tarde. Se a conversa entre os dois ocorreu logo após o meio dia, a carona para a reunião do final da tarde foi uma das mais longas da história. Mais uma vez flagrado em contradição, Ribeiro tentou fazer um puxadinho explicativo, dizendo que a carona foi para uma reunião preparatória. Foi prontamente rebatido por Buchmann: “A reunião preparatória foi de manhã e eu fui de casa direto para ela”, disse ele citando várias testemunhas que participaram desse encontro.
O descuido do secretário com datas, horários e nomes (“só estou preocupado com fatos”) contrastaram com a organização e a quantidade de detalhes apresentadas por Buchmann. Chamou a atenção a insistência de Genilton em defender uma versão diferente sobre o horário da conversa. Ele admitiu vários pontos da versão de Buchmann, inclusive a referência ao “choppinho” (“vamos tomar um vinho pois um choppinho não fica bem”) quando propôs a conversa. Qual o problema em a conversa ter ocorrido no final da tarde?
Foto: Walter Fagundes/Agência AL/RS

on Nov 16th, 2009 at 6:41 pm
Ô Marco! Não vê que o que o tal do Genilton entende por “fato” são entidades bem platônicas, que “residem” num Céu Platônico Eterno? Ele bem poderia ter dito, também, que não está preocupado com “lugares”, já que “fatos”, para ele, além de não estarem no tempo também não estão no espaço! Em resumo: o cara é um filósofo platônico e a gente nem sabia!
Abraço.
on Nov 16th, 2009 at 11:10 pm
O Genilton,estava LÍVIDO!!!Que vergonha,este governo dos tucanalhas,aqui,em Sum Paulo,em Minas Gerais,e etc…