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A lição de Umberto Eco contra o fascismo eterno

Por Katarina Peixoto (uma sugestão de leitura):

Há duas palavras cujo uso abundante contrastam de modo radical com seu alto grau de importância: são elas a democracia e o fascismo. Esta última palavra tem frequentado menos o noticiário do que deveria, talvez pense alguém realmente comprometido com a democracia. Já a palavra democracia abunda tanto como se esvazia de qualquer relação com a realidade, sobretudo na perspectiva monolítica da imprensa das grandes famílias do Brasil. O caso Cesare Battisti é, além de um teste privilegiado para se saber se a democracia, no Brasil, já conseguiu efetivamente fincar alguma relação real com a nossa história, ocasião que pode nos ensinar, de modo igualmente privilegiado, algumas lições sobre o significado do fascismo, bem como de sua sempre alegada ausência no Brasil e nos dias que correm, mundo afora, como na Itália de Berslusconi.

Há um extraordinário texto de Umberto Eco, sobre o “Ur-Fascismo”, produzido originalmente para uma conferência proferida na Universidade Columbia, em abril de 1995, numa celebração da liberação da Europa. Talvez algum desaviso leve alguém a suspeitar que a comparação ou o mero uso do termo fascismo, para acusar os algozes de Battisti, no imbróglio da extradição seja exagero, um despropósito histérico e paranóico. Que a homenagem que o atual ministro da Defesa italiano prestou aos soldados fascistas de Mussolini no ano passado sirva então para desfazer enganos quanto à natureza do compromisso democrático do atual executivo italiano.

Se não, que esta aula magna sobre a história conceitual e social do fascismo possa servir como registro da importância de não se brincar com palavras, para esvaziar seu sentido, sacrificando vidas e rompendo com a verdade. (O texto de Umberto Eco, na íntegra)

5 Comentários on “A lição de Umberto Eco contra o fascismo eterno”

  1. #1 ELektrofossile
    on Nov 19th, 2009 at 11:48 pm

    Significativo e belo texto do laureado Umberto Eco. E um tema atualíssimo.

    Mas de modo algum ele exaure o assunto e traz pouca novidade aos conhecimentos – salvo algum folclore – sobre esse período da História. Uma visita às aulas de Contemporânea II e III dos Professores Luis Dario Teixeira e Henrique Serra Padrós nos bancos do IFCH/UFRGS demonstrarão isso. Não realiza uma análise sociológica consistente do fascismo e repete alguns preconceitos e falácias.

    A matéria que introduz o texto de Eco não é claro, não é translúcido. Eivado de contorcionismos lingüísticos usa termos alemães (Urfaschismus) para o qual temos vernáculo e para prefaciar um italiano. Para que?

  2. #2 Marco Aurélio Weissheimer
    on Nov 19th, 2009 at 11:57 pm

    Os termos em alemão são do prório Eco e não do texto de introdução.

  3. #3 Cristóvão Feil
    on Nov 20th, 2009 at 2:49 pm

    Eco, bem lembrado.

    Muito bom!

  4. #4 ELektrofossile
    on Nov 23rd, 2009 at 7:10 pm

    informações que não exaurem o tema:

    http://es.wikipedia.org/wiki/Fascismo

  5. #5 ELektrofossile
    on Nov 23rd, 2009 at 7:21 pm

    e, também:

    Karl Dietrich Bracher, Hans Mommsen, Bonnhöfer e Bronstein

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