O recente colapso da economia mundial, causado predominantemente pela falta de regulação dos mercados financeiros, provocou uma erosão na credibilidade do neoliberalismo. No entanto, segue exercendo uma forte influência na maioria dos economistas e dirigentes de empresas, sobretudo pela ausência de uma doutrina alternativa. Por que a contínua invocação dos mantras neoliberais quando as promessas desta teoria foram contraditadas pela realidade em quase todas as ocasiões? Walden Bello apresenta três razões, ao tentar responder essa pergunta:
1) Permanece forte a tese do discurso neoliberal, segundo a qual a corrupção é uma das principais razões para o subdesenvolvimento. Deriva daí o argumento segundo o qual o Estado é a fonte da corrupção e o incremento do papel do Estado na economia, inclusive como regulador, seja visto com ceticismo.
2) Apesar da profunda crise do neoliberalismo, não surgiu ainda nenhum paradigma ou discurso alternativo convincente nem local nem internacionalmente.
3) A economia neoliberal segue projetando-se com a imagem de uma “ciência irrefutável” em razão de ter introduzido meticulosamente a tecnologia matemática.
A íntegra da análise de Walden Bello está disponível aqui.

on Nov 19th, 2009 at 11:20 am
O neoliberalismo “morreu” enquanto protagonismo ideológico/propagandístico, mas segue vivíssimo, sim, enquanto tendência, e as maiores provas são os governos Yeda e Fogaça, por exemplo: administrações parecidíssimas inclusive no discurso, onde a palavra “neoliberalismo” não existe.
O neoliberalismo continua forçando uma polarização porque a burguesia realmente não tem uma alternativa estratégica, enquanto movimento político para a administração do capitalismo. Quando conseguir uma, aí ele estará enterrado.
on Nov 20th, 2009 at 3:40 pm
O neoliberalismo já estava desgastado aos olhos das massas antes mesmo de estourar a crise financeira, prova disso é a eleição de candidatos mais ou menos críticos do mesmo na América Latina, e o fato dos candidatos mais alinhados a essa doutrina terem que esconder suas pretensões privatistas nas campanhas eleitorais para se elegerem.
Mas há uma impossibilidade estrutural das classes dominantes em abandonar o neoliberalismo, pois o desenvolvimento e a amplitude do capitalismo hoje é diferente, por exemplo, do período da crise de 1929.
Outra diferença para essa época é que não há nenhum país com um sistema econômico alternativo e que seja crível aos olhos das massas, como em 1929 tinha a URSS.
Aqui me permito abrir um parenteses para fazer a observação de que o Welfare State começou a fazer água com a crise de 1973, o que mostrou as limitações de se “humanizar” o desumano sistema capitalista.
No meu ponto de vista a manutenção do neoliberalismo se dá por uma impossibilidade estrutural das classes dominantes em abandoná-lo devido ao quadro atual do desenvolvimento das forças produtivas, não se tratando apenas de mera escolha ou questão de discurso.
Acho questionável alguns pontos levantados pelo Walden Bello como justificativa para a manutenção do neoliberalismo, como por exemplo, colar a corrupção no Estado, pois embora alguns neoliberais destaquem isso eles não conseguem canalizar para seus propósitos privatistas, do tipo, “privatizar para moralizar”.
Também a afirmação de que a economia neoliberal se firmou como uma “ciência irrefutável” é questionável já que recentes levantamentos mostraram que as pessoas desejam uma presença maior do Estado na economia e não o contrário.