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CPI apresenta relato sobre ação de organização criminosa na política gaúcha

Corrupção, formação de quadrilha, crime organizado, lavagem de dinheiro, fraude em licitações, enriquecimento ilícito: essas são algumas das expressões que passaram a freqüentar com desenvoltura o noticiário político no Rio Grande do Sul nos últimos anos. A intensidade e a natureza das denúncias de corrupção envolvendo agentes públicos no Estado atingiu uma tal dimensão que, paradoxalmente, forneceu uma arma para os acusados tentarem minimizar a gravidade dos fatos que vieram a público. Essa arma consiste em uma combinação entre a naturalização do absurdo e a banalização do mal. Ela começou a ser aplicada com o discurso do “não há fato novo”. Na medida em que os fatos novos não paravam de aparecer, a frase foi adaptada para uma espécie de queixa do tipo “Ah! Mais uma denúncia….”. Ao longo dos tempos, essa estratégia tentou operar um movimento de relativização e de desconexão entre os fatos revelados por investigações oficiais.

Nesta segunda-feira (30), a presidente da CPI da Corrupção, deputada Stela Farias (PT) apresentou uma narrativa que procura enfrentar esse movimento combinado de fragmentação e relativização. Uma narrativa resultante de investigações realizadas pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e por outras instituições, e que tem por objeto a ação de um grande esquema de crime organizado no Rio Grande do Sul, envolvendo agentes públicos e privados. É disso que se trata: um grupo criminoso, sofisticado e organizado em moldes empresariais, especializado em desviar recursos públicos para o financiamento de estruturas partidárias, de caixa dois em campanhas eleitorais ou simplesmente para o enriquecimento ilícito dos envolvidos. Um grupo criminoso que só pode existir com tal finalidade em função da existência de poderosos padrinhos políticos, relações com cartéis de empresas e operadores dentro do aparelho de Estado.

Segundo estimativas preliminares das autoridades que investigam a ação destes grupos, entre as fraudes apuradas pelas operações Rodin e Solidária, teriam sido desviados pelo menos R$ 350 milhões dos cofres públicos do Estado. Após tomar conhecimento do conteúdo de documentos da Operação Solidária, Stela Farias está convencida que esse valor é muito maior, podendo chegar à casa dos R$ 500 milhões, dinheiro que deveria ser destinado para melhorar a educação, a saúde e a segurança da população, principalmente a população mais pobre, que mais precisa dos serviços do Estado. E o iceberg pode ser ainda maior. Até hoje, 30 de novembro, a CPI da Corrupção conseguiu ouvir cerca de 10 mil áudios de um total de 84 mil.

O conteúdo é estarrecedor, garante a presidente da CPI que luta contra o boicote da maioria governista que se recusa a ouvir as gravações e a ler os documentos disponibilizados pela Justiça para os deputados. Estes deputados, da base da governadora Yeda Crusius (PSDB) esperam o tempo passar, na esperança que a CPI acabe logo e a pressão da chamada opinião pública não seja suficientemente forte que os obrigue a mudar de postura. O relato apresentado hoje no plenarinho da Assembléia Legislativa deveria ser amplamente divulgado à população para que ela pudesse ter uma visão geral sobre o que as investigações descobriram até aqui. Uma das coisas que mais impressiona é a existência de conexões entre as diferentes denúncias e os atores envolvidos, um forte indício a corroborar a tese da ação de grande uma organização criminosa no Estado que já foi apontado como um dos mais politizados do país. Apresentaremos aqui um resumo dessa narrativa, ainda incompleta e limitada em função do sigilo que cobre elementos importantes dos processos em curso. As partes que já vieram à luz são suficientes, porém, para dar uma idéia de eventos estranhíssimos que vem assombrando o Estado.

Foto: Marco Couto/Agência Assembléia

3 Comentários on “CPI apresenta relato sobre ação de organização criminosa na política gaúcha”

  1. #1 affonso alindo holz
    on Nov 30th, 2009 at 6:17 pm

    Os depu tados Eliseu Padilha(Quadrilha), Alceu Moreira e outros crápulas da base aliada estão ainda cantando de galos porque tem a maldita imprensa conservadora, golpista, tendenciosa, sem vergonha gaudéria que encobre estes vermes. Imagine se fosse com o PT não ia faltar comentários raivosos, cheios de ódios dos lacaios “formadores de opinião”, como o lasier, mendelski, políbio, puggina e outros canalhas do PIG de bombachas. Mas 2010 está aí e vamo dar o troco a estes malditos.
    Tang chen.

  2. #2 merling
    on Nov 30th, 2009 at 10:27 pm

    Não fosse a conivência, a calhordice, da rbs-zerohora-globo essa corrupta que ainda se segura ao poder do RS já teria tomado um ponta pé na bunda.
    Considero este PIG de bombachas o maior responsável por toda esta corrupçãp que infesta o RS.

  3. #3 marcos
    on Dec 2nd, 2009 at 8:05 am

    O blog da abelhinha está passando a versão de que corrupção sem vídeo não é corrupção, ou seja, Yeda tem salvo-conduto por que faltam imagens para incriminá-la…Como disse o post anterior, são os crápulas da mídia e sua falsa moral os genitores do pântano em que chafurda o governo do RS !

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