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DCE da UFRGS: neutralidade em xeque

Por Miguel Idiart Gomes (*)

Segundo o dicionário Aurélio Buarque de Holanda neutro é quem não toma partido nem a favor nem contra, numa discussão, contenda, etc. Que julga sem paixão; imparcial, neutral. Não distintamente marcado ou colorido. Indefinido, vago, distinto, indeterminado. Que se mostra indiferente, insensível.

A neutralidade pressupõe, do ponto de vista científico, o não envolvimento do cientista com o objeto de sua ciência. Isto porque, em qualquer atividade do conhecimento humano, haverá sempre, no mínimo, uma escolha, nem que seja no que diz respeito ao próprio objeto de pesquisa.

Desta forma, quem exige e impõe uma neutralidade, ao contrário do que se pensa, não está de forma alguma sendo neutro, pois aquele que propor pela neutralidade acaba tomando uma posição.

No cotidiano, as nossas decisões são baseadas através da experiência de vida, nascemos e somos criados a partir de uma cultura, de hábitos, de crenças, de paixões ideológicas e assim por diante.

Toda atividade política tem lado, principalmente no parlamento, nos sindicatos, no movimento estudantil, nas associações de moradores, etc.

Nas ultimas eleições do DCE da UFRGS, quatro eram as chapas que disputavam a entidade, três delas consideradas de esquerda e outra de direita. A soma das três chapas da esquerda ultrapassaram a da eleita, mas como não existe segundo turno a chapa vencedora foi a da direita. Não cabe aqui uma avaliação do processo, mas chamar a atenção de quem vai comandar a entidade daqui pra frente.

É necessário resgatar que a UFRGS é pública e tem na sua história o registro de enfrentamento e resistência ao regime militar, reforma MEC/USAID, sustentado na época, também pela Arena, que mudou para PDS, depois para PPB e atualmente PP.

É verdade que há anos a esquerda estava na entidade e muito contribuiu para a sociedade, participou nos movimentos dos fora Collor, do FHC, do Britto e da Yeda.

Vale lembrar que esse grupo eleito está comprometido com as elites. São oriundos do movimento anti-cotistas da universidade, período em que apareceu a pichação em frente ao curso de Direito com a frase “Negro só se for na Cozinha do R.U., cotas não!”.

Com o discurso de que o partido do DCE são os estudantes e ações populistas como a diminuição do preço da carteirinha escolar, ou de realizar convênios com empresas privadas demonstra o lado da neutralidade escondendo os verdadeiros “interesses” em jogo.

Afinal de contas, não seria sincero declarar aos estudantes de que lado realmente o DCE da UFRGS está?

(*) Ex-Presidente reeleito do Grêmio Estudantil do Julinho, ex-vice-sul da UBES, ex-Presidente reeleito do CASTA PUCRS.

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16 Comentários on “DCE da UFRGS: neutralidade em xeque”

  1. #1 Kleber
    on Dec 2nd, 2009 at 8:05 pm

    O que voces acharam do editorial pubicado pela redinha(rede Bunda Suja -RBS) do jornal de domingo?
    Não li e nao gostei afinal so leio a figurinhas no jornal da redinha, pois minha vizinha me empresta aquele monte de folha que nao da para nem limpar a b….

    [Reply]

  2. #2 Fernando
    on Dec 2nd, 2009 at 9:29 pm

    Como ex aluno da casa(UFRGS) acho que a pergunta a ser feita é outra. Por que a esquerda perdeu a eleição? Por que se fragmentou?

    Toda derrota requer uma autocrítica, uma análise interna profunda. Os alunos da UFRGS não viraram reacionários do dia para a noite, não foi nenhum fenômeno metafísico que causou a derrota na eleição.

    Como observador externo notei uma coisa, tem muita gente das chapas derrotadas procurando culpados no vizinho, e não olhando as formigas no seu quintal devorando tudo. Chorando lágrimas cínicas de crocodilo, “meu jardim foi comido pelas formigas, mas o teu também”.

    Ou se vai ao âmago da causa da derrota, ou é bom se acostumar a perder.

    [Reply]

  3. #3 valeriobrl
    on Dec 2nd, 2009 at 10:04 pm

    Porto Alegre,9 Dezembro h.18 rua Araujo (ABI)

    Junto apoiando o MST!!

    http://www.flickr.com/photos/valeriobr/4153708071/sizes/o/

    [Reply]

  4. #4 Teresinha Carpes
    on Dec 2nd, 2009 at 10:17 pm

    Estou tentando postar vários comentários,mas apaga tudo!E vem aquela página:”A Internet Explorer….bababa(nem me lembro o resto)

    [Reply]

  5. #5 Cristiano
    on Dec 2nd, 2009 at 10:50 pm

    Ótimo nível do post e do comentário.
    Fico imaginando o motivo pelo qual essa gente ganhou o DCE e por qual razão a utopia me parece cada vez mais distante.
    Mediocridade? Não, o nível nem mediano é….

    [Reply]

  6. #6 ELektro-fossile
    on Dec 2nd, 2009 at 11:18 pm

    A neutralidade das e nas ciências é um postulado positivista (Comte) que foi atropelado pela pós-modernidade e - antes - pelo conhecimento crítico. É uma contradição nos termos alguém disputar uma eleição (portanto tem lado) e ser neutro. É uma falácia.

    Creio que o cerne da lição dessas eleições ao Diretório Central não é a contestação da neutralidade. É, sim, a dura lição (e não é a primeira vez) de que, quando a esquerda se parte: a direita vence. Nas recentes eleições municipais em PoA ocorreu algo semelhante.

    O segundo turno pode, eventualmente, resolver este “problema” mas o Sindicato dos Bancários de PoA e o DCE da UCS resolveram essa questão pela proporcionalidade.

    Nas eleições anteriores o PT concorreu em duas chapas. Parece que readquiriu a experiência acumulada da esquerda lançando uma única chapa.

    Talvez …, ano que vem retomaremos o DCE Ufrgs. Talvez

    [Reply]

  7. #7 Pedro
    on Dec 2nd, 2009 at 11:31 pm

    Mas que mania a esquerda, principalmente os esquerdistas de hoje, tem de se auto-vangloriar. Será que precisava colocar três ex-cargos? Inclusive uma ex-reeleição.

    [Reply]

  8. #8 Suzie
    on Dec 3rd, 2009 at 8:50 am

    Bravo Miguel!
    Como é bom… ler um jovem analisando a política.
    Assisti o debate na TVCOM.
    A tal “neutralidade” …
    Que barbaridade!
    Como se fosse possível…

    [Reply]

    Mariana Reply:

    E sobre a nao neutralidade da antiga gestao (q era mais do que nítida) tu nao falas, né?
    O Novo DCE é, sem dúvida, muito mais neutro que os psolistas dos últimos 5 anos.

    [Reply]

  9. #9 Sami
    on Dec 3rd, 2009 at 10:56 am

    Puta que pariu. Conversinha de mau perdedor, hein?

    [Reply]

  10. #10 Dr. Alienista
    on Dec 3rd, 2009 at 10:59 am

    A principal questão política a ser discutida agora não é a propalada “neutralidade” dos novos dirigentes do DCE/UFRGS, pois qualquer idiota sabe que isso é uma balela. Mas a ideologia não é apenas uma mentira, muitos estudantes acreditam no caminho “apolítico”, e também existe a direita “envergonhada”, convenientemente envergonhada, pois não é fácil assumir determinadas posições no mundo de hoje - é o caso dos neofascistas infiltrados em partidos de formação social-democrata. A primeira coisa que tem que ser feita é uma avaliação política auto-crítica sobre as causas da derrota das esquerdas, se residem no processo, nas correntes políticas ou em ambos. Depois, construir uma unidade política real, que somente é viável com respeito à diversidade das correntes de pensamento. A unidade democrática das esquerdas sempre foi um desafio, mas é o único jeito de expulsar essa direita dissimulada do DCE/UFRGS. A partir daí, de um programa unitário de lutas, creio que o principal aspecto a ser trabalhado é o ideológico, porque a direita adotou o velho discurso ideológico baseado na alienação política. É a cartilha do regime militar - estudante é prá estudar! Na nossa época eles comandavam alguns diretórios, onde as atividades básicas eram fazer apostilas, carteirinhas de estudantes, bailecos de baixo nível, carteado, pingue-pongue, revistas pornográficas, torneios de futebol, alegres excursões e pleitear melhorias no ensino (papel higiênico nos banheiros, giz em sala de aula, etc.). Pensar a realidade e agir, jamais! Na época, privilegiamos a luta ideológica - desnudando tais alienações (futebol e sexo, por exemplo), e metemos o pé na bunda deles. É isso, meu caro Miguel Idiart Gomes, mas eu gostaria de sugerir mais uma coisa - não te deixe iludir por essa mania de títulos, pois cargos podem ser ocupados por qualquer palerma. A vaidade é algo traiçoeiro…
    Dr. Alienista*
    * O uso do título de doutor aqui é meramente acadêmica, pois fiz doutorado na área da psicopatologia política guasca, com especial ênfase no transtorno esquizofrênico maternal e na labirintite crônica aeroespacial (que faz as pessoas perderem o contato com a torre de controle).

    [Reply]

  11. #11 Suzie
    on Dec 3rd, 2009 at 3:53 pm

    Miguel!

    Vai em frente, conheço a tua participação na luta!
    Parceiro de meu filho nas lutas, nos movimentos, muito jovens, com menos de 16 anos!
    Vocês já participaram da história.
    Adoro teus textos.
    Eu AMO a JUVENTUDE que LUTA por um mundo melhor…para todos(as)!

    [Reply]

  12. #12 marc spector
    on Dec 3rd, 2009 at 8:48 pm

    A juventude dos partidos geralmente é estúpida. A coisa toda é que nem se prestam a romper com as estruturas do próprio partido, como esperar mais. sobra reproduzir “os mais velhos” do partido e suas disputas, seus grupos, sua diversidade sufocada pelo fraticídio interno.

    no caso da ufrgs, a juventude de esquerda partidária(PT, PCdoB, PSOL mais recentemente) preferiu reproduzir as diferenças internas de campo político e demarcação, enquanto a galera fleugmática via. a direita comeu-lhes o rabo direitinho, não é mesmo? Da platéia, inclusive, alguém gritou: (o inimigo) SÃO OS ROMANOS!

    [Reply]

  13. #13 ELektro-fossile
    on Dec 3rd, 2009 at 10:53 pm

    Não foi só a eleição do DCE Ufrgs a complicada. Estou acompanhando a votação do DCE UCS (Caxias do Sul) onde a Prefeitura (PMDB - Simon/Sartori) investiu muita $$$, mandou estagiário fazer campanha e não duvido que o gabinete do vereador (ex-Regional da PGE) mandou braza. Estamos acompanhando on-line (04/12 00:42 GMT -3)

    [Reply]

  14. #14 Jorge Nogueira
    on Dec 4th, 2009 at 10:36 am

    A cisão que se deu da esquerda na eleição para o DCE da Ufrgs ocorreu não por radicalismo ideológico mas por fisiologismo do atual grupo dirigente que preferiu entregar os dedos para a direita do que compartilhar os anéis com alguns camaradas.
    O que aconteceu foi que, a corrente MES-PSOL ligada à deputada Luciana Genro, rompeu unilateralmente a unidade que se estava construindo com a esquerda só para não abrir mão de alguns cargos dentro do DCE.
    Eles simplesmente abandonaram a reunião de chapa que selaria a unidade da esquerda porque colocaram como questão de princípio a discussão dos cargos em primeiro lugar e do programa em segundo. Ora como se vai discutir cargos antes de programa? Só extremistas fisiológicos fazem isso!

    Essa não é a primeira vez que esse grupo político faz isso! Fizeram isso na Fapa, e perderam para o governismo, perderam também na UFPEL e agora com essa política entregaram a Ufrgs para a direita! Tudo em sequência!

    O pior é que ao invés de revisarem a sua política ficam a jogar a culpa nos que não romperam, nos que se esforçaram para a unidade da esquerda!
    Como aluno da Ufrgs que viveu esse processo acho fundamental fazer esse esclarecimento aos que estão de fora!

    Me preocupa, e muito, que ano que vem o fisiologismo extremo desse grupo brinde a direita com nova vitória!

    [Reply]

  15. #15 Matt Spector
    on Dec 4th, 2009 at 7:58 pm

    Valeu Nogueira! Grande presença! Esquerdistas-adolescentes…

    [Reply]

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