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A lição que o PMDB não aprende

Na eleição de 1998, o então governador Antonio Britto (PMDB), candidato à reeleição, era líder em todas as pesquisas, preferido dos colunistas da RBS, menino dos olhos do presidente FHC e queridinho dos empresários. Tinha o apoio de 11 partidos e contava com 12 minutos de tempo de tv. Nesta confortabilíssima posição, Britto deu-se ao luxo de não comparecer a maioria dos debates da campanha, certo de que venceria no primeiro turno.

O PT, com a candidatura de Olívio Dutra apoiada por três partidos, gastava um tanto dos seus míseros 2 minutos na tv para exigir de Britto que fosse a público justificar a liquidação do patrimônio público em sua gestão. A contradição mais explícita era a venda de boa parte da CEEE depois de o governo ter feito publicar nos jornais um anúncio prometendo que a empresa não seria privatizada. Mas do alto de seu favoritismo, Britto desdenhava o debate.

A primeira aposta do PMDB, contudo, foi perdida. A eleição não se resolveu no primeiro turno e Olívio Dutra, que até o último momento aparecia em terceiro lugar nas pesquisas, habilitou-se à disputa ao lado daquele que Leonel Brizola chamava de “o cavalo do comissário”. Nos primeiros dias do segundo turno, o candidato peemedebista tentou repetir a tática de não ficar frente a frente com Olívio para não desagastar sua imagem até então muito bem avaliada pela mídia. Só quando hordas de gaúchos passaram a ostentar debaixo do nariz réplicas em papel do bigode de Olívio, é que Britto desceu do pedestal. A reeleição estava concretamente ameaçada e, para salvá-la, valia qualquer coisa. Até mesmo tentar uma inversão absurda e passar a dizer que quem fugia do debate era o candidato do PT.

Era tarde demais. Não havia mais tempo para repetir a mentira tantas vezes que ela parecesse verdade. Olívio ganhou a eleição.

Mas parece que o PMDB não aprendeu a lição. Agora, em 2009, surgiram graves suspeitas sobre a participação de deputados do partido nas fraudes de grandes obras investigadas pela Operação Solidária da Polícia Federal. Foram tantas e tão fortes as evidências que mesmo sem contar com maioria na Assembleia Legislativa, a oposição conseguiu instalar a CPI da Corrupção. Os deputados suspeitos foram convidados a comparecer para depor e explicar ao povo gaúcho porque suas vozes apareciam em ligações íntimas com uma quadrilha que causou um rombo superior a R$ 300 milhões aos cofres públicos. Mas frases como “chover na minha horta” ou “vai matar minha saudade” que, segundo a Polícia Federal, indicavam a participação ativa de agentes públicos na falcatrua, ficaram sem explicações porque os deputados do PMDB e os integrantes do governo Yeda sobre quem também recaíam suspeitas, se negaram a comparecer à CPI. Fizeram pior: boicotaram explicitamente a comissão impedindo que qualquer testemunha importante pudesse ser ouvida.

Entretanto, os episódios que geraram a CPI são tão escandalosos que não há, hoje, no Rio Grande do Sul, quem não saiba que a base aliada da governadora Yeda, com o PMDB à frente, impediu a investigação da CPI para proteger a própria pele. Então, diante desta evidência, restou ao partido de Simon tentar, de novo, inverter as coisas. Usando como pretexto que os deputados Stela Farias e Daniel Bordignon (titulares petistas na CPI) se recusaram a participar de um programa de tv em que se confrontariam com os deputados Eliseu Padilha e Alceu Moreira (que estão entre os peemedebistas investigados por suspeita de corrupção), o PMDB fez uma nota acusando o PT de covardia.

Como se vê, o PMDB não aprendeu a lição de 1998. Padilha e Moreira, que fugiram da CPI onde deveriam ter comparecido na condição de inquiridos, usam, agora, a tática-Britto e tentam fazer parecer que eles é que são os democratas. A nota do PMDB, no seu final, se revela um bumerangue: “…quando estes políticos cometem ilegalidades e não tem como sustentar o que fazem e dizem, só lhes resta o remédio da fuga do debate, que é a prova pronta e acabada para sua condenação pela sociedade…” Só mesmo um peemedebista conseguiria descrever o cinismo com tanta propriedade. (Maneco)

8 Comentários on “A lição que o PMDB não aprende”

  1. #1 lonny friend
    on Dec 11th, 2009 at 7:29 pm

    Nota tímida do clicrbs que vale um post: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Política&newsID=a2745948.xml
    sobre a ex-cunhada laranja do peixoto tce.
    abs

  2. #2 Teresinha Carpes
    on Dec 11th, 2009 at 9:27 pm

    A Bandeirantes,no programa “Bandeirantes a Caminho do Sol”cujo comunicador Milton cardoso,se recusa a ler meus E-mails,em que eu faço um contraponto as inúmeras acusações,que êle faz ao PT,e ao Presidente Lula!E eu já notei que êle só lê os torpedos,que comungam com suas mentiras repetidas tantantas vezes,todos os dias,êle faz uma lavagem celebral no povo de miolo mole!Das 22,30 até a 1,30 da madrugada,este cara coloca o Presidente Lula,e o PT,culpado de todos acidentes,mortes e falcatruas!E ninguém o contesta,a Direção do PT,tem que pedir um espaço logo na Bandeirantes,antes que seja tarde demais!Todas as eleições eu lutei para que o PT,respondesse rápidamente as calúnias e entrasse na Justiça,contra os detratores mentirosos,que até aqui no Blg RS Urgente êles vem mentir e envenenar o Blog,este Zé Bronquinha é um deles,tem outros hienas também,que vc Marco não deveria dar guarida á êles,pois lá no território DELES NINGUÉM PIA!

  3. #3 Pedro
    on Dec 11th, 2009 at 10:24 pm

    Meu caro Marco
    Síndrome de Peter Pan. O PMDB não quer ficar adulto. Depois de ser o partido que justificou a ARENA (que precisava de uma oposição confiável), navega hoje nas águas prazerosas do fiel da balança. Em nível federal, apóia Lula. Aqui, apóia o que há de mais sórdido na política nacional. O que quer o PMDB? Não te parece óbvio? Ele quer a benesse das lacunas da política. Ou seja, um partido quem não tem um plano para o Brasil ou para o RS, sequer uma personalidade. Está, como aqueles vereadores e deputados medíocres, a fim de viver à sombra, ho hiatos onde se ganha dinheiro direcionando o voto.
    Não vejo, meu amigo, qualquer solução para o Rio Grande ou para o Brasil que passe pelo PMDB. Ele é muito pior que o PSDB ou o Dem. Porque eles são razoavelmente autênticos. De direita e fim. Se assumem. O PMDB é um camaleão que primeiro olha onde está a possibilidade de lucro que o ambiente proporciona para decidir sua cor.
    Tornar-se adulto, escolher um destino, sem passar a rasteira na populaão como o Fogaça em Porto Alegre, ter uma idéia de mundo e pregá-la, estas coisas basicas na vida de um partido, cá entre nós, não é com o PMDB.
    Mas enquanto houver André Machado, Rosane de Oliveira, Lasier Martins, a gente vai levando.
    Levando uma boa bola, Marcão!
    Inté!

  4. #4 Fernando
    on Dec 12th, 2009 at 12:42 am

    Diz-se que se deve sempre respeitar a vontade popular, mesmo quando todos sabemos o resultado de um suposto plebiscito, por exemplo, sobre a pena de morte.

    A democracia é a melhor e mais imperfeita idéia que o homem já teve. Perfeita por dar ao homem o direito de escolher quem irá governar o Estado que ele se submete.

    Alceu Moreira e Eliseu Padilha são demonstrações claras da imperfeição da democracia.

  5. #5 Suzie
    on Dec 12th, 2009 at 10:00 am

    E o moralista Pedro Simon?
    Afirmou na tribuna: a corrupção começou no Brasil com LULA!
    Pode?
    No RS não tem como…
    Que barbaridade!

  6. #6 panoramix
    on Dec 12th, 2009 at 10:15 am

    PMDB está contando com a ajuda da mídia amiga e suas desinformações, colou com rigotto, o pacificador, e certamente apostam que vai colar com fogaça, o “porto alegre é demais”!
    Já o novo conselheiro com renda vitalícia do inútil TCE começou mal e vai terminar mal!

  7. #7 mariah
    on Dec 12th, 2009 at 8:36 pm

    o que esperar de um partido que tem como grande expoente um Simon, falso, dupla moral, falso o suficiente para fazer um discurso em Brasília contra o gov, federal do qual seu partido é aliado, e outro no RS a favor do governo mais corrupto que os gaúchos já tiveram. Mas é claro, tudo com uma boa ajuda da RBS/ZH. Esse carreirista da política é que me faz desejar que se coloque um limite nas reeleiçoes desses oportunistas.

  8. #8 giovane loureiro
    on Dec 15th, 2009 at 2:57 pm

    O homem da foto chama-se Eliseu Padilha – Coincidência ou não vai aí alguns dados.
    1. A CONCEPA começa a patrocinar o programa da gaúcha da Rosane Oliveira e do filho do grande diretor do DEMHAB Dilamar Machado;
    2. Tradução de CONCEPA – Concessionária Eliseu Padilha….
    ex-ministro dos transportes do FHC….lembram…

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