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Moacyr Scliar e a indiferença dos moradores de rua

Por Thais Fernandes (*)

Não é de hoje que o jornal Zero Hora, através de seus repórteres e colunistas, emite opiniões equivocadas sobre a população de rua de Porto Alegre. Dessa vez, foi um texto de Moacyr Scliar no caderno Donna de 27/12/2009 que me chamou a atenção. Do alto de seu discernimento engaiolado por um carro, ele fala o que julga ser a verdade sobre as ruas. O texto tem como destaque inicial a seguinte frase: “Morar na rua é opção e resulta, sobretudo, de uma vida infeliz”. Parece que dizendo isso desconhece um dado importante, divulgado pelo Ministério das Cidades (baseado em uma pesquisa da Fundação João Pinheiro), de que o déficit habitacional no país é de 8 milhões de moradias, e que um dos problemas principais disso é a baixa renda familiar. Ainda assim, ele não ignora as estatísticas.

Primeiro Scliar utiliza um número divulgado pela FASC de que, em Porto Alegre, há cerca de 1.200 moradores de rua. Ora, qualquer observador mais atento (até mesmo de dentro do seu confortável carro), sabe que esse número é uma estimativa muito distante da realidade. Uma conversa com qualquer servidor da FASC, responsável por essas pesquisas (como a que fiz em 2007 enquanto escrevia uma reportagem sobre o tema), esclareceria que a população de rua é algo muito mais complexo do que simples números. Segundo, utiliza a chancela do livre arbítrio para afirmar que quem mora na rua o faz por opção, como resultado de uma vida infeliz. Infelicidade que, aliás, ele não define. O discurso de que alguém mora na rua por opção faz parte do mesmo pacote opinativo dos que dizem que desempregado é vagabundo, já que trabalho não falta.

Scliar vai além. Diz que existe uma condição básica para quem vive embaixo de viadutos (sim, já que a impressão que o colunista de ZH passa é de que moradores de rua só vivem nos viadutos, como na música francesa que inicia o texto). Para ele, é necessário ser indiferente. Sim! Moradores de rua precisam ser indiferentes, já que “para essas pessoas, aquilo que incomoda a classe média em absoluto não conta”. E daí ele segue, falando da falta de privacidade e excesso de barulhos, fatores que seriam enormes empecilhos para a vida que nós, classe média, levamos. Mas não eles, moradores de rua, já que têm essa magnífica qualidade, a indiferença, e outra ainda melhor, o livre arbítrio, pois puderam escolher morar na rua. Indispensável falar da necessária e relevante observação sobre o que, além da indiferença, ajuda os moradores de rua a dormir. Para ele, “a cachaça atua como um sonífero poderoso”. Dizendo isso, parece que fez uma pesquisa pessoal e descobriu que absolutamente todos os moradores de rua bebem cachaça. Interessante.

Nós, pobre classe média, não somos tão evoluídos ao ponto de abrir mão da nossa confortável vida e escolher morar na rua. Mesmo tendo, muitas vezes, vidas infelizes, famílias destruídas, problemas de auto-estima, o que fazemos, nós os egoístas, é ir sofrer em Paris. É de lá que trazemos nosso aguçado olhar para, sem ser indiferente, perceber o que se passa embaixo dos viadutos. O mais interessante é que Moacyr Scliar consegue perceber todas essas coisas de dentro de seu carro! Não precisou sequer conversar com um morador de rua.

Se tivesse saído do carro, ele poderia ter conhecido a Dona Maria, uma senhora de seus 70 anos que vende panos de prato na Avenida Protásio Alves e não mora embaixo de um viaduto. Ela dorme na rua há alguns meses, pois o casebre onde morava, na periferia de Viamão, foi destruído pela chuva. Construído em área irregular, a prefeitura da cidade não deixou que ela o reerguesse. Solução: Dona Maria “escolheu” morar na rua. Será que classifico isso como infelicidade?

Mas e por que ela não vai para um albergue? Albergues são locais para dormir, e não morar (em Porto Alegre há apenas um que funciona durante o dia, a Casa de Convivência, e tem 70 vagas diárias). Aceitam um número limite de pessoas, que começam a fazer fila nos seus portões muito antes das 18h. Porto Alegre não tem leitos suficientes para o número real de moradores de rua da cidade. Muito antes do sol raiar é preciso sair. E ainda, para completar a lista de facilidades, não se pode freqüentar o mesmo estabelecimento por muito tempo, variando de 15 a 30 dias o tempo de permanência. Foi por isso que, voluntariamente, Dona Maria “escolheu” morar na rua, embaixo das marquises, e não dos viadutos.

Afinal, quem é indiferente à realidade? Moradores de rua e sua escolha “voluntária” de existir bravamente onde lhes é possível, ou os observadores da classe média?

(*) Thais Fernandes é jornalista.

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30 Comments on “Moacyr Scliar e a indiferença dos moradores de rua”

  1. #1 gaúcho
    on Dec 28th, 2009 at 6:23 pm

    Gente, permitam-me um fora de pauta para dizer que a falta de habilidade do governo de Yedinha detran acaba de determinar que as lojas Bahia encerrem suas atividades no RS, deixando 400 funcionários desempregados.

    A secretaria da fazenda estadual aplicou multas de 52 milhões à rede varejista o que inviabilizou as operações no estado.

    [Reply]

  2. #2 Diogo
    on Dec 28th, 2009 at 8:17 pm

    E só de lembrar que o Scliar era um dos poucos colunistas considerados de esquerda nos jornalões gauchos…

    [Reply]

  3. #3 miltonribeiro
    on Dec 28th, 2009 at 8:58 pm

    Scliar é o fim do mundo. Há anos. É uma pessoa ignorante. Conheço.

    Sua cadeira na Academia foi a cerejinha em um bolo abatumado.

    [Reply]

  4. #4 Suzie
    on Dec 28th, 2009 at 9:01 pm

    A análise de Thais é realista e bem construída.
    Aprendemos que FALAR pelos outros(as)depende: de quem FALA, de onde FALA, para quem FALA, o quê FALA…
    Quem lê as colunas do Scliar?
    O público da “rede”.
    São poucos(as) que conseguem colocar-se no lugar dos(as) outros(as).
    São raros(as).
    Se a gente não se cuidar… fica no lugar comum.
    Parabéne Thaís e ao Marco por compartilhar conosco teu texto.
    A luta é eterna!
    Que bom…ainda existo através do OLHAR de quem escreve para nós!
    Que 2010… traga LUZ para nossos espíritos!

    [Reply]

  5. #5 mariah
    on Dec 28th, 2009 at 9:15 pm

    Thaís, teu texto é perfeito! Parabéns! Não li o texto do MScliar, pois não leio ZH, graças a Deus. E a cada dia que passa, vejo que não perco nada. Mas, essa avaliação do Scliar é de doer. Preconceituosa é pouco!

    [Reply]

  6. #6 Teresinha Carpes
    on Dec 28th, 2009 at 9:24 pm

    O Doutor Scliar,fez campanha para o prefeitinho fumaça,ops fogaça,aquele que os guascas o classificaram do prefeito mais popular?Popular?O Fogaça?Como assim?,ser popular é comprar votos das pessoas menos “evoluidas”?Ser popular é mentir,que toda obra do governo Federal,é sua?Para mim isso tem outro nome…É não ter vergonh na cara!Mas eu acho bem feito para o PT,que não entra na justiça,contra as propagandas enganosas,tanto do fogaça como da dona yeda(PSDB)!Adireçãodo PT,não contesta!Hoje chegaram os canos de aço,para iniciarem as obras da limpeza e tratamento de esgôto,que é o PAC da infraestrutura,pois não é que o diretor do Departamento de Água e Esgôto,tava todo risonho explicando para que todos aqueles canos,é claro que ali tinha o carimbo do fogaça,,como êle sempre faz,ROUBA AS OBRAS DOS OUTROS,FAZ IGUAL AQUELAS AVES TUCANALHAS,CHOCA OS OVOS DOS OUTROS!!!!Qual é mesmo o lugar que o seu prefeitinho tirou na pesquiza?O terceiro lugar?Então tá…

    [Reply]

  7. #7 Adriana Franciosi
    on Dec 28th, 2009 at 9:34 pm

    Acho que a jornalista pegou pesado com o Scliar. Além disso tirou frases do contexto. E para quem conhece o Scliar sabe que ele sempre foi um cara super progressista. Ele pode até eventualmente ter errado algum dado(de 1.220 ou mais morador de rua), mas o que importa é que ele sempre foi um cara muito democrático. Que o diga seus amigos como Flavio Koutzy por exemplo. Acho que tem preconceito pelo fato do cara ser colunista de ZH,mas cabe lembrar que ele é colunista de vários jornais e revistas brasileiras. E sim, muita gente escolhe viver nas ruas por que querem ou como outros por falta de opçao. Já estive fazendo matérias no arroio dilúvio e o que vi não foi muito diferente do que o Scliar escreve. Qual o problema de observar que são pessoas absolutamente infelizes? Embaixo da ponte do dilúvio vi uma imensa maioria de homens e mulheres com inúmeros problemas existências. Gente que nao está ali só por questão social,mas sim pq tem uma impossibilidade pessoal de adptaçao social, vide drogas, alcoolismo. Acho meio bobagem taxar um cara como o Scliar como reacionário. É estúpido e não ajuda na discussão maior que a meu ver é como podemos de alguma forma auxiliar essa populaçao a ter ao menos um nínimo de dignidade. E só para lembrar um pequeno exemplo de que nem tudo é por falta de condiçao social. Nos Estados Unidos a um contingente dos chamados home less(moradores de rua). pessoas que sim optaram em morar nas ruas. Vi em Boston organizaçoes de Home less que tinham até jornal para se expressarem,como aqui temos o Boca de rua. Enfim só prá finalizar nao acho que seja sendo tao duro com um texto como do Scliar que se chega a algum lugar. Só se estabelece o preconceito e não o diálogo.

    [Reply]

  8. #8 Igor Corrêa Pereira
    on Dec 29th, 2009 at 2:08 am

    Deu no blog do Paulo Henrique Amorim. Na contramão da ideologia patronal vendida por ZH e Sclyar, o governo Lula cria a Política Nacional para População em Situação de Rua.

    P.s.: By bye Serra/Yeda/ZH 2010!

    Leia em: http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=24693

    [Reply]

  9. #9 Heitor
    on Dec 29th, 2009 at 5:15 am

    Será que o salário do irmão dele o incomoda?

    [Reply]

  10. #10 Madalena Oliveira
    on Dec 29th, 2009 at 7:06 am

    Gente, não dá prá atirar tanta pedra no Scliar, pois assim só estaremos jogando-o no colo dos reacionários. Relativizem o texto, afinal de contas ele não dá prá exigir que todos pensem igual e quem são pensa como nós vaia para fogueira. Nós (a esquerda) não somos os/as donos/as do saber e do que foi lido em todos os comentários se depreende isso: ou alguém escreve aquilo que concordamos ou é o fim dos tempos. Menos, gente, menos.

    [Reply]

  11. #11 Rick
    on Dec 29th, 2009 at 7:22 am

    Moacir Scliar, em meus tempos de Famecos-PUCRS, nos tempos da negra ditadura brasileira, me saiu com essa em um bate-papo com a turma. Perguntado sobre a metamorfose de seu personagem no livro O Exército de um Homem Só disse que achava natural a transformação de alguém que albergava ideias socialistas, com a maturidade, render-se aos senhores da Direita.
    Desde lá, não esperei mais nada dele…
    Por isso, não me sensibilizou sua posse na Academia. Esta honraria se concede, muitas vezes, por motivos políticos e de troca de gentilezas. Que o digam Sarney, Roberto Marinho e tantos outros…
    Esta crônica se coordena com o pensamento de seus chefes que não gostam de moradores de ruas.
    Com o poderio econômico que representam deveriam, sim, ajudar esses necessitados e não tentar extirpá-los como se fossem alguma anomalia no corpo social…
    Pobre classe-média e seus arautos…

    Rick

    [Reply]

  12. #12 gerson luis miltzarek
    on Dec 29th, 2009 at 7:57 am

    O Scliar é um doce de gente e tem opiniões acima desta média rasteira que a gente encontra nos jornais. Cada um interpreta como quer aquilo que lê, mas o Scliar costuma por os pés na rua e não vislumbra a paisagem urbana a bordo de um carro. Mas que este assunto de moradores de rua rende, ah, isto rende! Os políticos adoram lavar as mãos, pois é um caso de muito difícil solução, já que ir para a rua é quase o fim do caminho.

    [Reply]

  13. #13 Simone Almeida
    on Dec 29th, 2009 at 8:19 am

    Caro Rick, evite usar o termo “negra/o” associado a situações vulgares ou de tristes lembranças, como a ditadura militar, porque “preta é a cor, negra é a etnia”, assim fazendo estarás ferindo a auto estima do povo negro.
    agradecida
    Simone - Movimento Negro Unificado - RS

    [Reply]

  14. #14 Adriana Franciosi
    on Dec 29th, 2009 at 9:59 am

    Já escrevi um post colocand minha posição. Mas hoje com mais calma li alguns outros post que me fez ter medo do tipo de esquerda que queremos? Que é isso companheiro…chamar o cara de sionista só pq ele é judeu beira a idiotia. A outra diz que nao leu o texto do escritor mas mesmo assim crítica….puta que pariu….Não é possível que num blog tão conceituado como o teu Marco Aurélio, pessoas desinformadas e preconceituosas omitam suas opiniões atrás de um manto do “ser de esquerda”. Nunca pensei que fosse defender a volta do iluminismo, da razão democrática. Onde o livre pensamento não é taxado imediatamente como reacionário, só pq não pensa igual. Continuo achando o texto da jornalista sobre a opinião do Scliar muito inferior ao do escritor. E ao mencionar apenas um aspecto da frase do colunista, retirando do contexto fica claro a manipulação. portanto leiam, meus caros, o texto original que por sinal está linkado. E tirem suas próprias conclusões.Ahhhh e mais uma coisa….a bolsa família pode ser uma boa sim para alguns moradores de rua que podem ter uma chance de sair dos viadutos. Eu fotografei uma menina que conseguiu sair e ganhando a bolsa sustentava seu filho já num pequeno barraco no morro da cruz. Agora tem o outro lado que deve ser visto como evitar que os caras não usem a grana para a sustentação do vício(crack, alcool). Ainda assim acho que vale a pena pois se conseguirmos tirar um já é uma vitória.

    [Reply]

  15. #15 Luis
    on Dec 29th, 2009 at 2:04 pm

    Moro em Paris e aqui há MUITOS moradores de rua, mesmo havendo amplas possibilidades de se conseguir uma moradia gratuita do Estado. Ou seja, em muitos casos é sim uma opção viver na rua.

    [Reply]

  16. #16 Rick
    on Dec 29th, 2009 at 2:04 pm

    Simone, meu problema foi com a Ditadura e com o que ela nos fez sofrer.
    Relativize minha expressão. Sou amigo e cliente de grandes pessoas afro-descendentes, inclusive simpatizantes do MNU, como o poeta Ronald Augusto.
    Se quisesse ser preconceituoso falaria da etnia do Moacir Scliar, o que não fiz, embora respeite quem assim resolveu se expressar.
    Meu dilema são os que dormem embaixo da marquise de uma revenda de carros na Rua Santana e que foram expulsos das Pontes do Dilúvio, pela concretagem das mesmas pelo Sr. Fogaça. Pelos que lotam o viaduto Otávio Rocha em meio a dormi(c)tórios ao ar livre.
    Meu drama é ver que a FASC e a Ronda Social estão em defasagem com o que se espera dela e que o SUS, acolhe, com muito mau grado, estes deserdados.
    Admiro Patrice Lumumba, Obama, Leopold Seghnor, Mandela, Malcom X, Luther King, Gilberto Gil, Miles Davis, Cartola, Coltrane, B.B. King e tantos outros. Por que haveria de ser preconceituoso.

    Rick

    [Reply]

  17. #17 Neli
    on Dec 29th, 2009 at 3:09 pm

    Concordo plenamente com os comentários da Adriana, Madalena e do Gerson!
    Parece que a nova moda no RS é não ler e nem ver e sair por aí dando a sua versão. é o caso do filme: Lula, Filho do Brasil. Tal comportamento é normal quando falta ética. Pois é a ética que impulsiona movimentos e ações, este príncipios é pacífico entre os fillósofo.
    Ora, convenhamos, o Moacyr Scliar, é incrível ter que dizer isso, não é um colunista da ZH, ele é um homem intelectual escritor autor.Aliás, tão raro hoje em dia encontrar homens e mulheres com a intelectualidade em pleno vapor, em geral são apenas profissionais com alguma especialidade, talvez.
    O artigo de Moacyr em crítica, na minha singela perspectiva, aborda a vida em situação radical, como o próprio título já diz:”A Vida sob os viadutos”.
    Moacyr já provou e comprovou pela sua vida e obra que tem ética, ciencia, sensibilidade, espiritualidade, humanismo e sabedoria. Por tudo isso, ao apenas “contemplar um colchão” e “sobre ele, um cobertor,” (…) “e esse foi o detalhe que me impressionou, e comoveu, o cobertor estava cuidadosamente dobrado, caprichosamente dobrado. Pensei então no homem ou na mulher que o havia dobrado”. Então, só um escritor consegue perceber que nessa “partícula de ordem”, “para restaurar algo da dignidade que existe em qualquer ser humano, por mais precária que seja sua existência.” “Existe esperança”… a “Vida resiste”!!!

    [Reply]

  18. #18 Suzie
    on Dec 29th, 2009 at 5:33 pm

    Tem gente comprando “briga”?
    Tudo, tudo mesmo…depende do OLHAR.
    O Scliar precisa de quem o defenda?
    O Scliar precisa de unanimidade?
    O Scliar não pode perder o seu olhar mais crítico porque circula em outras esferas?
    Não se trata de esquerda X direita!
    Eu gostei da análise de Thais e não senti um julgamento/linxamento ao Scliar.
    Ela apenas colocou o seu OLHAR!
    O OLHAR das pessoas é SUBJETIVO!
    Dizer que a distância da vida como ela é, não interfere no nosso olhar, é subestimar a realidade.
    Com toda a humildade…é o meu OLHAR!

    [Reply]

  19. #19 Suzie
    on Dec 29th, 2009 at 5:38 pm

    Em tempo: corrigindo…linchamento!

    [Reply]

  20. #20 Anderson Lopes
    on Dec 29th, 2009 at 7:25 pm

    Pessoal vivi 15 anos na rua não por opção mas por falta de politicas pulicas hoje sou coordenador do Movimento Nacional da População de Rua tenho um emprego e uma família maravilhosa não concordo com o Moacyr Escliar só quem viveu na rua e conseguiu sair pode contar o que o protagonismos de sair dela ,
    Moacyr não é opção a rua é unica alternativa de quem perdeu casa emprego e vinculo familiar .
    Moacyr repense o que você escreve da rua
    que ela tem dono.

    [Reply]

  21. #21 arlei
    on Dec 29th, 2009 at 10:30 pm

    Quem quer um outro mundo, também deseja, suponho, um outro tom no trato com as informações, sem falar nas pessoas. Thais pode ter tido as melhores intenções ao escrever esta crônica, mas meteu os pés pelas mãos. A começar pela pesquisa, da qual supostamente teria se servido Scliar. Esta pesquisa não foi realizada pela FASC, que de fato a contratou, com recursos do Ministério do Desenvolvimento Social. Foi coordenada por uma equipe de professores da UFRGS - sob a direção de Ivaldo Gehlen -e contou com a participação de diversos especialistas no assunto. Valeria a pena consultar o livro DIVERSIDADE E PROTEÇÃO SOCIAL: ESTUDOS QUANTI-QUALITATIVOS DAS POPULAÇÕES DE PORTO ALEGRE para saber mais a respeito. De qualquer modo, entre o que escreveu Scliar e Thais, fico com o primeiro, embora não seja seu fã. O que não suporto, e talvez seja um problema meu, é arrogância, à esquerda ou à direita. Para ser franco, me incomoda mais quando vem de alguém que se diz de esquerda, pois desses eu tendo a esperar algo menos canestro e, no mínimo, bem informado.

    [Reply]

  22. #22 Remindo Sauim
    on Dec 31st, 2009 at 2:59 pm

    Vou defender o Scliar, que além de escritor é médico sanitarista e entende muito de saúde pública. Tanto nos paraísos capitalistas como no terceiro mundo, o morador de rua, o popular homeless, é quase sempre um doente depressivo, alcoolatra ou usuário de drogas, ou ambos. É quase sempre irracível e socialmente arisco. Todos tiveram família e em algum ponto esta desistiu do parente, foram-se os amigos, e só lhe sobraram as ruas.
    Desculpe, Marco, mas está me dando a impressão que sendo para dar pau na Zero Hora está valendo tudo. Até espinafrar no médico e escritor Mocayr Scliar.

    [Reply]

  23. #23 Dora Freitas
    on Jan 1st, 2010 at 12:59 pm

    Deixar de ler o ZH não seria uma opção saudável? Mesmo sabendo que, fazendo esta opção perdesse alguns colunistas “impagáveis”, acho que entre perdas e ganhos, os ganhos são maiores. Não é necessário que uma pessoa pense por mim, eu vou caminhando e constatando e, de lambuja vou “contaminando muitos a minha volta. Vamos distribuir olhares?

    [Reply]

  24. #24 Ane brasil
    on Jan 2nd, 2010 at 11:49 pm

    permitam-me uma correção:
    em porto alegre há 2 abrigos: abrigo municipal marlene (102 vagas) e abrigo municipal bom jesus (78 vagas)
    A casa de convivência citada no textoé um serviço que atende somente durante o dia… e são duas casass de convivência: uma na João alfredo e outra próxima a av. farrapos
    Sorte e saúde pra todos

    [Reply]

  25. #25 panopticosp
    on Jan 4th, 2010 at 10:28 am
  26. #26 Katarina Peixoto
    on Jan 4th, 2010 at 11:26 am

    Esse texto do Scliar é demencial. Ainda mais um médico, que não questiona a saúde mental e o tratamento que os psicóticos e esquizofrênicos - muitos que passam veraneios em presídios e invernos nas ruas, ou vice-versa, talvez a título das possibilidades da prática do esqui -, não recebem. É uma manifestação que combina ignorância, preconceito, classismo e demência. Uma coisa triste de ler. Horrível, mesmo.

    [Reply]

  27. #27 Maria
    on Jan 23rd, 2010 at 6:15 pm

    Mandei um singelo e-mail ao sr. Scliar sobre o artigo “a vida sob os viadutos”, com a visão de uma burguesa em situação de rua. Questionei-o sobre a “opção”. Obtive como respostas que os dados são da FASC (!?).

    Caso queiram dar uma espiada no meu blog…

    http://www.moroondenaomoraninguem.blogspot.com

    * Excelente o texto da Thaís!

    [Reply]

  28. #28 Jorge Amado ribeiro Soares
    on Mar 16th, 2010 at 10:44 am

    Estou começando a ficar orgulhoso de ser morador de rua, mas ninguém pode dizer que sou bêbado, que durmo na sarjeta e que tenho antepassado criminal. Porém, todos podem saber, que sou Projetista de Tubulação Industrial Senior; Advogado, bacharel pela Universidade Mackenzie de São Paulo e herdeiro de minha falecida mãe, que foi caloteado nos precatórios do ipe-rs, que antes de falecer permanecei na esperança de receber seus direitos. Eu que cumpri minha obrigação de filho dela cuidei desde que ficou viúva de meu saudoso pai. Hoje minha casa é o Albergue Municipal, a Casa de Convivência e a digna Casa Brasil (excelência). Nenhum morador de rua me prejudicou, nem de deve precatório.

    [Reply]

  29. #29 Jorge Amado ribeiro Soares
    on Mar 16th, 2010 at 10:53 am

    A propósito, estou estudando a questão do dano moral, este institudo de direito que fica cada vez mais evidente na doutrina jurídica brasileira. Até agora entendi pela minha leitura de que o Estado do Rio Grande do Sul está praticando DANOS MORAIS ao não pagar os direitos da pensionistas (precatórios). Se não é dano moral deve ser algo com outro nome, mas não é admissível que pessoas físicas, já idosas, as vezes doentes, que já suportaram toda uma vida de desmandos políticos, tenham que aturar a “lesmicidade” do Estado “cidadão” em pagar suas contas. E não me venham com a conversa de crise de estado, de efeitos da globalização. Se alguem estiver interessado posso indicar o caminho da minha pesquisa. Obrigado.

    [Reply]

  30. #30 Jorge Amado Ribeiro Soares
    on Mar 17th, 2010 at 12:00 pm

    Voltando e acrescentando comentário sobre o Sr Scliar. Este digno gaucho é membro da Academia. Muito ele escreveu, com brilhantismo, quase como um sociólogo, sobre a Rua Voluntários da Pátria. O honrado escritor é um profundo conhecedor da zono do meretrício da Caital gaúcha. Notóriamente, o albergue municipal e a casa de convivência localiza-se, exatamente, na zona do meretrício, que mencionei. É de notar-se que, os usuários das unidades assistenciais, entre aspas, vão de lumpenprolektariat à intelectuais. A escolha deste local não é de escolha dos usuários, e sim das autoridades. Lógico, região depreciada, povo jakú, burro, pobre. São os preconceitos oriundos da insensibilidade da burguesia porto alegrense que vem à tona. Eu li os livros do autor. Gostaria que ele discutisse esse assunto comigo e com os excluidos sociais. Não sou e não quero ser lider de ninguém, pois não tenho condições que prevaleça a lógica do direito, pois conforme comentários meus anteriores, está claro que nem mesmo o Estado respeita o cidadão morto, quiçá o vivo. Obrigado.

    [Reply]

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