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O Cidadão Boilesen

Trailer do filme “Cidadão Boilensen”, um registro da associação corrupta entre grupos empresariais e a Operação Bandeirante, entre o aparato repressivo e as finanças, entre a ditadura militar e o grande negócio no Brasil.

9 Comentários on “O Cidadão Boilesen”

  1. #1 Fernando
    on Jan 13th, 2010 at 7:48 pm

    Boilesen era um sociopata, doente. Vale o mesmo para seu consórcio de fascínoras, um grupo foi posto para correr pelo empresário Antônio Ermírio de Moraes quando foram pedir dinheiro e apoio.

    Aliás, seria muito interessante contar a hisótoria dos empresários que foram “falidos” pela ditadura por não terem aderido ao golpe de 64.

    Celso da Rocha Miranda, então proprietário da Panair do Brasil teve sua empresa “quebrada” por um conluio entre os militares e a Varig. Era amigo de Jango e foi vítima da vingança e canalhice por teu ficado ao seu lado em 61 e 64. Era fichado pelo IPES de Golbery do Couto e Silva como “eurosocialista e esquerdista convicto”. A Panair teve seus aviões apreendidos e entregues a Varig, os escritórios e loja que não foram passados para a Varig, foram fechados. A empresa era lucrativa e bem administrada, seus funcionários, por sugestão de Rocha Miranda, haviam criado um fundo de pensão próprio e foi a primeira empresa brasileira a dar a seus empregados com participação nos lucros.

    Do dia para noite, numa revanche fardada, 15.000 pessoas perderam os empregos, Celso da Rocha Miranda teve suas contas tornadas indisponíveis e foi “recomendando” que deixasse o Brasil com o que tinha. Morreu solitário e doente num estudio alugado na França, vivendo com o auxílio de amigos franceses. Esses amigos compravam comida e remédios, Celso da Rocha Miranda havia tido um AVC e padecia de um câncer.

    Seus filhos ficaram no Brasil, passando dificuldades por estarem numa “lista negra” da ditadura. Nunca herdaram nada, já que a família perdeu tudo, até a casa em que moravam. Todos morreram pobres, morando de aluguel com a letra escarlate do militares na pele.

    Se isso não foi revanchismo, não sei o que mais pode ser…

  2. #2 Ronaldo Zeni
    on Jan 13th, 2010 at 9:25 pm

    O filme está em exibição até o dia 24 de janeiro no cinema do SindBancários de Porto Alegre, na rua General Câmara 424. Os horários de exibição são 15, 17 e 19h. Os preços são R$ 5,00 para público em geral, e R$ 2,50 para bancários sindicalizados, estudantes e maiores de 65 anos.

  3. #3 Cesar kiraly
    on Jan 13th, 2010 at 11:38 pm

    Marco,

    sabe de algum lugar para copiar o documentário?

    Um abraço,

    Cesar

  4. #4 Gumercindo Dias
    on Jan 14th, 2010 at 7:01 am

    O trailer é bom, veraz. Mas quem o estraga é o FHC – não diz nada de valioso, como de costume.

  5. #5 Marco Aurélio Weissheimer
    on Jan 14th, 2010 at 9:29 am

    Não sei, Cesar. Só vi vídeos de divulgação do documentário no youtube.

    Abraço, Marco

  6. #6 Jota Valente
    on Jan 14th, 2010 at 5:17 pm

    Eu gostaria muito de saber que outros empresários foram parceiros do Boilesen e do Igel na tal OBAN?

  7. #7 Fernando
    on Jan 15th, 2010 at 8:55 am

    José Carlos di Genio, do Grupo Objetivo.

  8. #8 Mateus Utzig
    on Jan 15th, 2010 at 10:34 am

    Neste momento em que ganha corpo o debate sobre a ditadura e o direito à memória, seria importantíssimo divulgarmos mais casos como esse. Já vi o filme e nele os militares falam bastante. Eu achei ótimo. Da boca de um deles, com todas as letras, é confirmado o auxílio prestado pela Folha de São Paulo ao regime: o jornal emprestava veículos para transportar agentes da Operação Bandeirantes. E este é apenas um exemplo. O que penso é que não devemos temer o debate. Independentemente do mérito, as oposições de esquerda ao regime até hoje vem a público e contam suas histórias, com orgulho e coragem. Já de parte dos torturadores, não temos notícia de atitude semelhante. Pelo contrário. Valem-se da sonegação de informações históricas para fortalecer seu discurso de que bravamente salvavam a pátria de terroristas vermelhos (recomendo o documentário “15 filhos”, Maria de Oliveira Soares e Marta Nehring, para se verificar o quão flexível era essa categoria, englobando mesmo crianças de sete, oito anos de idade). Muitas figuras e instituições (um punhado de empresários – da mídia, inclusive) também se valem da amnésia histórica para hoje sustentar suas posições. Que mostrem sua cara no debate. Terão coragem? Ah, em 2010 estreia o filme Reparação, em que figuras como FHC e Demétrio Magnoli vêm afagar a tigrada verde oliva. Não percam!

  9. #9 Sandro Machado
    on Jan 15th, 2010 at 11:33 pm

    Caríssimo blogueiro: Sou missioneiro aqui da cidade de Santo Ângelo e nas viagens que faço a trabalho por este Rio Grande, laboro como advogado, é também para divulgar o RS URGENTE. Em relação ao filme do sádico da OBAN, gostaria de lhe fazer um pedido: A direita, através de seus porta vozes, ou seja, toda, sem exceção, grande mídia, escrita, falada, o escambau, repete mentirosamente, ou que não se deve mexer no passado, ou, fazendo coro com o site TERNUMA, espaço dos torturadores golpistas e defensores de 1964, que se deve olhar os dois lados, principalmente os “crimes dos terroristas”. Marco, vc que tem este belo espaço, deve além de corretamente mostrar que quem resistiu não praticou crime nenhum, ao contrário, foram heróis, jogar na cara desta direita midiática, como modestamente tento fazer, é que TODOS, NÃO EXISTE NOS LIVROS E DOCUMENTOS UMA ÚNICA EXCEÇÃO, de algum resistente que não foi punido, ou com a morte, tortura, prisão e banimento. Quem não foi preso ou torturado, foi banido do Brasil, pena esta de tão violenta que é, foi excluída pelo Constituinte de 88 como pena imposta por qualquer delito. Cito por exemplo o ex-combatente da ALN, o que puxou o gatilho contra o sádico Boilissen, Carlos Eugênio da Paz. Este cara ficou banido do seu país por 9 anos. E olha, o “Clemente”, era o seu nome de luta, foi um dos poucos que tiveram a sorte de não ser preso, pois junto com o Bacuri que o Fleury chegou ao ponto de retalhar em pedaços, estava jurado de morte. Sendo assim, é inadmissível que estes mentirosos continuem a dizer que os resistentes não foram punidos, sem uma resposta a altura. Citam a Dilma. Esta mulher foi presa, torturada, cumpriu pena 5 anos em regime fechado em um presídio, e tenho que ouvir e ler na grande mídia, como este CRETINO DO GILMAR MENDES sempre fala, que não sofreram punições alguma os que participaram da resistência armada. Parabéns pelo espaço. Abraço forte.

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