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O último texto de Daniel Bensaïd

“A crise, social, econômica, ecológica e moral de um capitalismo que não retrocede diante de seus próprios limites e cuja desmedida e irracionalidade crescentes ameaçam ao mesmo tempo a espécie humana e o planeta, volta a colocar na ordem do dia a atualidade de um comunismo radical, invocado por Benjamin diante do aumento dos perigos do período entre guerras”. Em seu último artigo, Daniel Bensaïd, falecido terça-feira, em Paris, analisa a atualidade do Manifesto Comunista e os ferimentos que algumas palavras definidoras da esquerda sofreram no século XX:

As palavras da emancipação não saíram incólumes das tormentas do século passado. Pode-se dizer delas, como dos animais da fábula, que não morreram todas, mas que todas foram gravemente feridas. “Socialismo”, “revolução”, “anarquia” não estão em situação muito melhor que “comunismo”. O socialismo implicou-se no assassinato de Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo, nas guerras coloniais e colaborações governamentais até o ponto de perder todo o conteúdo à medida que ganhava em extensão. Uma metódica campanha ideológica conseguiu identificar, aos olhos de muitos, a revolução com a violência e o terror. Mas, de todas as palavras ontem portadoras de grandes promessas e sonhos de futuro, a do comunismo foi a que sofreu maior dano, por causa de sua captura pela razão burocrática do Estado e sua submissão a um empreendimento totalitário. Resta saber se, entre todas essas palavras feridas, há algumas que vale a pena reparar e pôr de novo em movimento.

É necessário para isso pensar o que ocorreu com o comunismo do século XX. A palavra e a coisa não podem ficar fora do tempo das provas históricas a que foram submetidos. (A íntegra do artigo)

7 Comentários on “O último texto de Daniel Bensaïd”

  1. #1 Deni Ireneu Alfaro Rubbo
    on Jan 13th, 2010 at 9:29 pm

    Bensaïd nos deixa um legado instigante. São mais de 30 livros. Um legado que coloca a necessidade de um marxismo crítico e autocritico. Ele é o ponto de tensão entre transformar e interpretar. Se alimentou de uma literatura que não submeteu-se aos confortos burocráticos nem aos tiroteios totalitários. Sua aposta no comunismo como “movimento real” atenta-se justamente a decidir e escolher cada passo desse quadro mutável. Toda escolha e decisão são pesadas. Em cada decisão tomada se atravessa as bifurcações da história, que se abrem e fecham permanentemente. Para os espíritos insubmissos, como Bensaïd, é justamente ali que a “política passa doravante à história” como bem disse Walter Benjamin. A história, portanto, aqui não funciona como um pastiche nostálgico, mas como um processo em permanente revisão e como possibilidade de “recolher os possíveis nao-feitos para lhes dar uma nova possibilidade”, uma nova esperança, mesmo essa sendo por vezes pálida e trêmula. Suas idéias assenta-se em justamente em iluminar essa linha, não como uma verdade pura, mas enquanto possibilidade real de uma emncipação.

  2. #2 Jorge Nogueira
    on Jan 15th, 2010 at 3:42 pm

    Eu concordo que os regimes burocráticos desgastaram muito o comunismo aos olhos das massas, porém, não acho que estamos tão mal assim.

    Notem que ANTES da crise no nosso continente era proibido se falar em privatizações (a própria Yeda teve que negá-las na campanha) ao passo que se pode falar em Socialismo do século XXI.

    Acho que os anticapitalistas têm cometido o erro de não utilizar o seu maior trunfo histórico nos debates: a Comuna de Paris!
    É uma amostra empírica de que é possível haver comunismo com democracia.

  3. #3 Vinícius
    on Jan 15th, 2010 at 5:36 pm

    Muito bom.
    p.s. trocar Manfiesto por Manifesto.

  4. #4 Nicolas Timoshenko
    on Jan 15th, 2010 at 6:27 pm

    Marco me desculpe – não encontrei outro espaço então posto aqui.
    Ontem escutei um monte de impropérios do careca mais amado do RS. Desde a mesquinhez do comentarista e do órgão que ele representa, até os impropérios mais serios ao presidente. Veja só o que ele comenta:
    http://www.youtube.com/watch?v=vUyX7w8_FPY

    Veja o que Lula falou: http://www.youtube.com/watch?v=7IsKrlYYSrU

    Leia o que o blog do Planalto disse…

    Blog do Planalto

    O Globo faz vista grossa para erro

    Na edição da última quinta-feira (14/01), a chamada de primeira página do jornal O Globo distorceu o conteúdo da própria reportagem publicada internamente, afirmando que o presidente Lula teria pedido que as obras da Copa não passassem por fiscalização. Em razão disso, a Secretaria de Imprensa da Presidência da República enviou ao editor responsável pelo jornal a seguinte carta:

    Na primeira página de sua edição desta quinta-feira (14/01), O Globo afirmou que “Lula pede vista grossa em obras da Copa”. Em momento algum o Presidente fez essa afirmação, como é possível confirmar na íntegra da matéria publicada na página 37. O que ele disse foi: “Nós precisamos criar, companheiro Orlando, um movimento que possa envolver, uma espécie de um tratado, de um ajuste de conduta entre os órgãos executores e os órgãos fiscalizadores, para que a gente não dê, na fiscalização das coisas — seja na questão ambiental, seja na Controladoria, seja no Tribunal de Contas ou em qualquer outro órgão — o mesmo tratamento, como se nós estivéssemos vivendo um tempo de normalidade”. Portanto, a afirmação de que o presidente pediu “para que as obras da Copa de 2014 não passem por fiscalização nem sejam embargadas por questões ambientais para que não sofram atrasos” é de absoluta má-fé e viola o direito do leitor a informações corretas. Seria ótimo que O Globo corrigisse a informação com o mesmo espaço e destaque.

    A carta foi publicada na edição de hoje (15/01), sem a frase final, acima destacada. E, ao invés de se retratar pelo erro, o jornal procurou justificá-lo com a seguinte Nota da Redação:

    As aspas do presidente, enviadas aqui pelo secretário de Imprensa do Palácio do Planalto, deixam claro que Lula pede um tratamento especial da fiscalização para as obras do PAC na Copa. Diz o presidente: “(…) para que a gente não dê, na fiscalização das coisas (…) o mesmo tratamento, como se nós estivéssemos vivendo num tempo de normalidade.” Ao que se sabe, o Brasil não vive quadro de calamidade pública ou estado de sítio que permita ao governo tocar obras sem fiscalização normal e rotineira.

    De acordo com o Novo Dicionário Aurélio (Nova Fronteira, 1975), fazer vista grossa é “ver e fingir que não vê; deixar passar”. Absolutamente não foi isso que o presidente pediu, conforme pode ser visto na íntegra de seu discurso, cujo áudio e transcrição estão publicados na página da Secretaria de Imprensa, e na edição em vídeo disponibilizada abaixo.

    Tratamento especial, negociado entre executores e fiscalizadores das obras, especificamente nos casos em que não se pode adiar um evento da magnitude de uma Copa do mundo de futebol, não é fazer vista grossa.

    O Globo sabe que errou. Quando a imprensa erra, não deve fazer vista grossa para seus erros.

  5. #5 Nicolas Timoshenko
    on Jan 15th, 2010 at 7:20 pm

    Novamente… Coloquei os links para video direto, parece que teu blogue não aceita… Então vamos mais uma vez:

    1 – Lasier: http://www.youtube.com/watch?v=CajEOxRJtYg

    2 – Lula (Blog do Planalto): http://www.youtube.com/watch?v=7IsKrlYYSrU

  6. #6 Teresinha Carpes
    on Jan 15th, 2010 at 9:11 pm

    Marco,cadê você,eu vim aqui só prá ti vêr!!!!

    Tô preocupada!!!!

    desde o dia 13/01 você não comparece aqui no Blog,pois o Post,não mudou,ou vc foi para o Chile?

  7. #7 mineiro
    on Jan 16th, 2010 at 10:09 am

    o assunto comunismo é muito intenso , e o povo as vezes se confude muito nesse assunto, por ex. qual comunismo era o certo o da urss ou da china , o do luis carlos prestes ou do joao amazonas , entao esse assunto tem que ser desmistificados . para o povo entender melhor , voces dos blogs pode fazer isso .

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